5 Data og analyse
5.3.2 Betydningen av spørsmål, svar og spenninger
A flexibilidade no agrupamento dos alunos assume um papel muito importante quando se considera o uso do espaço na sala de aula, mas é difícil prever quais as implicações dessas decisões no comportamento e na aprendizagem dos alunos. Alguns autores fazem críticas em relação à distribuição mais tradicional das cadeiras enfileiradas no modelo chamado “do ônibus” (ZABALA, 2011). Fazem, ainda, referência ao fato de estar bastante bem desenvolvida a investigação sobre a gestão do tempo, geralmente apontando para o fato de existir tempo escasso para que o professor possa desenvolver o ambiente adequado com seus estudantes. No caso da turma observada, o tempo escasso como fator negativo destacado anteriormente não faz parte da realidade. Sendo um curso “regular de dia único” (como é denominado pela instituição), conta com um único dia de encontro semanal aos sábados e uma carga horária por aula de quatro horas e meia, com um intervalo de quinze minutos.
Dentro da pesquisa, e considerando o espaço da sala de aula como uma representação material e também social, acreditamos que seja necessária a análise do espaço físico e da distribuição dos alunos no espaço da sala de aula, pois entendemos que a utilização do espaço físico pode favorecer (ou não) a formação de uma comunidade de prática e facilitar a interação.
Na sala de aula, verifica-se também que há lugares que levam a uma participação natural do aluno. A sala é ampla, arejada e iluminada. Ela possui, no mesmo ambiente, duas janelas grandes que ocupam quase a totalidade da parede.
Algumas aulas, nesta turma, a pedido dos alunos, aconteceram ao ar livre, no pátio interno da escola, que conta com instalações extremamente adequadas e com um jardim que, de acordo com a turma, é “o lugar ideal para ter a aula em uma manhã linda de sol”. Assim aparece no registro do diário de campo:
Aula 02, sábado 11 de julho (N.P): A professora explica que essa atividade é comum na instituição, não tem fins pedagógicos e sim sociais, o objetivo é a confraternização dos alunos em um outro espaço; em algumas ocasiões, os estudantes organizam cafés da manhã coletivos que acontecem nas instalações do jardim.
Dentro da instituição, percebe-se a importância dada às instalações e dependências. O espaço permite a convivência e a boa prática social do cotidiano, percebe-se também a ideia democrática de que aqueles materiais e recursos disponíveis podem ser utilizados da forma que se considerar mais pertinente (computador, mesas, cadeiras, etc.). O ambiente, que engloba o espaço físico e as relações que nele acontecem, parece adequado para fomentar a interação entre os estudantes, os afetos e as relações interpessoais entre os alunos e entre a professora e seus alunos.
De acordo com Zabala (2011), a forma como organizamos e utilizamos o espaço físico também constitui, ela própria, uma mensagem curricular e cultural, uma vez que reflete o nosso modelo educativo e nossa visão enquanto educadores. O espaço deveria, então, representar a língua, sua cultura, os professores e os alunos que por ele circulam (LÓPES, 2009). Ele é uma representação material que faz parte do projeto de formação como elemento facilitador. Neste sentido, na sala não aparecem representados estes elementos facilitadores e seus participantes, além de algumas manifestações da língua; não encontramos materiais, cartazes ou notícias elaborados pelos próprios alunos. Os quadros nas paredes são fotos de alguns autores espanhóis (na maioria dos casos, completamente desconhecidos para os professores e alunos), o que denota a invisibilidade de outras culturas, além da dominante cultura ibérica, isto levando em consideração a visão da instituição já que é um instituto que promove não só a cultura da Espanha, mas a cultura da língua espanhola como um todo. Sua estrutura, cores e cartazes apresentam a diversidade dentro de uma única versão da língua. As próprias cadeiras e outros detalhes coloridos são vermelhos, representando as cores da bandeira espanhola. No hall de entrada,
encontramos uma bandeira da Espanha, outra da União Europeia e a foto do atual rei espanhol junto ao escudo daquele país.
Percebe-se também a ausência de materiais confeccionados pelos alunos ou pelos professores. No mural de avisos, encontramos avisos internos da secretaria administrativa e da Biblioteca. O ambiente não parece representar um espaço multicultural e construído pelos que ali convivem, perante tal observação, registramos em diário o seguinte:
Aula 2, sábado 11 de julho (N.P): Quando questionamos a professora em relação à ausência de trabalhos ou atividades de alunos, a resposta foi que a instituição proíbe colocar cartazes nas paredes para a preservação do patrimônio e do bom estado das paredes das salas, mas destaca que ela gostaria muito de expor atividades de seus alunos.
Durante as aulas observadas, a turma estava disposta em um semicírculo que inclui a mesa da professora ou sua cadeira, que é frequentemente deslocada para manter a proximidade com os alunos. De acordo com a professora, todas as salas de aula apresentam a distribuição ‘normal’. Um detalhe interessante a se destacar é o fato de que a cadeira do professor possui um sistema móvel de rodinhas muito efetivo, permitindo o rápido deslocamento até os grupos de alunos nos momentos oportunos em que a professora mantém conversas individuais. As cadeiras dos alunos, de modelo mesa dobrável, também possuem um formato que permite sua movimentação pela sala já que são leves e ágeis. A sala é muito ampla, o que facilita a movimentação dentro dela e o deslocamento de cadeiras e materiais didáticos quando for necessário. Estas características permitem que, na hora das atividades, as respostas e exercícios sejam elaborados mais adequadamente e que exista o debate para compor o repertório compartilhado. Permite, ao mesmo tempo, manter o interesse de todos os membros da comunidade e o compromisso ao participar das trocas. Durante as aulas observadas, a professora se manteve o tempo inteiro na sua mesa, de frente ao grupo inteiro, mantendo conversas individuais com os estudantes, um por um. De acordo com as anotações em diário:
Aula 04, sábado 08 de agosto (N.O): durante as duas primeiras horas de aula, anteriores ao intervalo, a professora permaneceu na sua mesa falando, levantou-se uma vez para se dirigir ao quadro e escrever uma palavra que os alunos não entenderam na sua fala, voltou a sentar [...] Após o intervalo, a professora coloca um vídeo no computador, ao finalizar,
levanta para pausar o computador, volta à sua mesa, abre o livro e continua as atividades desde o ponto de parada antes da pausa [...].
Verificamos, portanto, a pouca movimentação da professora entre os alunos, pelo menos nessa aula, só saindo do seu lugar para executar comandos no computador que fica na estante ao lado da mesa do professor. Portanto, ainda que a mobília permitisse seu deslocamento, ela pouco se movimentou entre os alunos. A escola adota um livro didático que assume um papel fundamental dentro do desenvolvimento do trabalho com esta turma, o qual analisaremos brevemente a fim de compreender os resultados da realização de suas atividades.