• No results found

6. Results

6.2 Oxygen isotope results

6.2.2 Benthic oxygen isotope results

Os acontecimentos no Norte do Catanga efectuados pelas milícias balubas302 e,

também, a ameaça de uma ofensiva do Exército Nacional Congolês ou, até mesmo, da

294 No dia 13 de Outubro de 1965, Kasavubu chegou ao Parlamento para a cerimónia de abertura, de uniforme de grande cerimónia e acompanhado por uma poderosa escolta militar, seguido de perto pelo General Mobutu. No Parlamento o Presidente pôs em relevo a inconveniência de aceitar o suborno das potências estrangeiras (…). Demitiu Tchombé e de seguida dirigiu-lhe um ligeiro cumprimento. (…) No parlamento todos olhavam para Tchombé à espera de uma reacção. Este, sentado, ouviu estas palavras com um sorriso triste, mas não esboçou qualquer movimento. “Se tivesse reagido desfavoravelmente, os meus amigos acompanhar-me-iam, mas decidi ficar calmo”. In COLVIN, Tchombé, pp. 272-273.

295 COLVIN, Tchombé, p. 274.

296 Kimba, nasceu em 16 de Julho de 1926 em Nsaka, território de Bukama, pertencente ao grupo étnico Muluba, frequentou o Instituto São Bonifácio de Elisabethville, onde fez os seus estudos primários e secundários. Kimba transitou do jornalismo para a política pouco antes da independência. SAPIM, O Catanga, p. 137.

297 A Secretaria de Estado norte-americana negou o envolvimento neste caso. No entanto o regresso do TCOR Devlin da CIA a Leopoldville em Junho de 1965 não terá sido apenas uma coincidência. Este militar, como chefe da CIA no Congo, em 1961 contribuiu para animar o Grupo Binza e terá sido nesse sentido que os conselheiros de Tchombé terem encardo a sua chegada com grande apreensão. COLVIN, Tchombé, p. 264. 298 SAPIM, Catanga, pp. 443-444.

299 De relembra que é durante este período que se dá o segundo Golpe de Estado de Mobutu, apoiado pelos americanos e belgas. Pensava Tchombé que este golpe de estado tinha como objectivo reconduzi-lo à frente do país, ao verificar o seu equívoco, Tchombé começou a compreender que este golpe de estado também era contra ele. SAPIM, Catanga, p. 444-445.

300 Tchombé terá confidenciado as seguintes palavras: “Não me resta muito para fazer no Congo”. COLVIN,

Tchombé, p. 278.

301 Conforme Peter Tickler escreve no seu Livro “O Mercenário Moderno”,“O Mercenário é um homem que luta por

ONUC, obrigaram Tchombé, a tomar duas decisões, numa tentativa de tranquilizar a comunidade branca e garantir o regular funcionamento das minas da região303. A primeira decisão consistiu em pedir à Bélgica o envio de duzentos oficias, das suas fileiras, para organizar e enquadrar o futuro exército do Catanga e, a segunda decisão, passou pelo recrutamento de mercenários brancos especialistas em luta de guerrilha304.

Os mercenários chegaram ao Catanga em 1960 e a maioria eram ex-militares belgas recrutados em Bruxelas305, Paris e Londres, enquanto outros responderam a anúncios em Joanesburgo e Salisbúria306. Os contratos eram assinados apenas à chegada e a remuneração

podia atingir as 180 libras mensais, além do pagamento de subsídios e outros prémios. Eram homens duros, fisicamente aptos, que se juntavam a esta causa por razões pessoais e políticas307. Estes homens faziam parte de uma companhia internacional que estava

organizada em cinco secções num total aproximado de duzentos militares308.

O primeiro acto oficial de Tchombé, logo após a proclamação da independência foi a nomeação do Major Weber, das tropas pára-quedistas belgas, cuja tarefa era a criação de uma gendarmerie309 catanguesa, enquadrada por oficiais subalternos e polícias belgas. Com a

criação deste corpo, formado por cerca de dez mil homens, os mercenários passaram a assumir o papel de tropa de elite310. O objectivo desta força, até meados de 1960, passava

por dois tipos de missão: a primeira era assegurar a protecção das instalações mineiras e a segunda era proteger a fronteira Norte para fazer face aos ataques das milícias balubas311.

302 Existiam na província do Catanga (no Norte e Nordeste) extensas áreas habitadas por povos Balubas que eram geralmente designados pelos Balubas do Catanga, que lá residiam antes da chegada dos belgas e que eram considerados os autênticos catangueses. Estes nunca deixaram de se relacionarem com os povos da mesma origem étnica que habitavam a norte, na região que viria a ser designada pelos belgas por Província do Kasai. A União Mineira iniciou grandes campanhas de recrutamento de mão-de-obra no Norte, nomeadamente no Kasai. Este recrutamento provocou situações extremamente desumanas representando, ao mesmo tempo, uma lucrativa actividade paralela para os angariadores. Na cintura das cidades começaram a crescer bairros, na sua maioria, constituídos por estes balulas do Kasai, que se assemelhavam, em muito, a campos de concentração. Com a partida das autoridades belgas adivinhava-se o eclodir de conflitos violentos entre estes balubas e o Governo Provincial de Elisabethville. SAPIM, Catanga, p. 238-241.

303 JANKE, O Banho de Sangue no Congo, p. 144. In AAVV. A Guerra no Mundo. 304 SAPIM, Catanga, pp.288-291.

305 A primeira missão de recrutamento aconteceu na Bélgica, em 18 de Setembro, com o objectivo de contratar 180 Oficiais e sargentos belgas. A segunda missão partiu para Paris e Londres no dia 22 desse mês, com idênticos propósitos. A mudança política de Bruxelas em relação ao Catanga diminuiu o número de oficiais belgas e, ao mesmo tempo, deu-se a alargamento do recrutamento a outros países. SAPIM, Catanga, p. 289.

306 Capital da Rodésia.

307 AHD- Maço 46, Processo 950,16: Jornal, Catanga Independência, 1960. Ver também JANKE, O Banho de

Sangue no Congo, p. 144.

308 SAPIM, Catanga, p. 289.

309 Os homens de Tchombé ficaram conhecidos por esta designação gendarmerie (guardas) do Catanga. 310 JANKE, O Banho de Sangue no Congo, p.144.

Em 1964, quando Tchombé chegou ao poder, utilizou de novo os serviços dos

gendarmes e dos mercenários, nomeadamente, durante a rebelião de Stanleyville. Perante a

incapacidade do ENC em controlar os acontecimentos, a CIA e o governo de Bruxelas fizeram pressão para que Tchombé mandasse regressar os seus homens com o intuito de auxiliar o ENC. Tchombé concordou e, em meados de Agosto de 1964, mandou regressar os seus gendarmes e mercenários e, ainda o seu numeroso material de guerra312.

Por sua vez Pierre Muléle313, que parecia estar a consolidar a sua posição em Stanleyville, cometeu um erro crasso ao permitir o ataque ao consulado americano, tomando os funcionários e as suas famílias como reféns. O governo americano, através da CIA, criou uma companhia aérea fictícia para apoiar a operação de resgate314. No terreno

operou Mobutu, que se socorreu de Mike Hoare para comandar o V Comando, e Tchombé, através dos seus antigos mercenários do Catanga, Bob Denard e Jaques Schramme, para comandar respectivamente o VI e o X Comando. O movimento dos Simba315, em Stanleyville, foi derrotado e a partir daqui Mobutu, que tinha atingido os seus

objectivos, terá iniciado o plano para destituir Tchombé do poder316.