Verdifastsettelse
15.2 Bemerkninger til de enkelte bestemmelser i kapittel 15
A origem dos hostels para fins turísticos ou enquanto albergue de utilização temporária, remonta aos movimentos e organizações que promoviam a ocupação de tempos livres de jovens.
No entanto, muitos outros autores apontam para tempos mais remotos, assim como, para outro tipo de utilizações que não as de motivação turística. Quanto a esta última, Bunda (2014) deixa claro, tratar-se de um conceito recente (“The hostel industry, like its clients, is still young and only beginning to mature”) (p. 4).
O’Gorman (2009) relata que o aparecimentos dos hostels remonta aos períodos da Mesopotâmia e ao início da hospitality e do seu enquadramento legal desde, pelo menos
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os anos 1800 a.C., mais propriamente aos tempos do código Hammurabi. “Hostels and inns in Mesopotamia were in the business of supplying drinks, women, and accommodation for strangers”. Mesmo assim, o autor mostra-se mais incisivo nas suas conclusões ao afirmar que “(...) it is clear that hostels and inns in Mesopotamia date back to at least 2000 B.C. and they were controlled by the laws of the time.” (O’Gorman, 2009, p. 11).
Também as motivações religiosas estão na origem dos hostels, desde os tempos da Babilónia (“the hymn founded fortified settlements to maintain sizeable government hostels along the major roads to service the needs of the travelers.” – O’Gorman, 2009) até à hospitalidade monástica introduzida por Bento de Nursia (480 d.C. – 543 d.C.) e as suas regras na receção aos peregrinos (O’Gorman, 2006). Nos séculos seguintes a São Bento, a hospitalidade monástica era intensa, desde o acolhimento de passantes, tratamento de doentes e serviços de caridade para os pobres.
Em Jerusalém (em 1070, já existiria um hostel para peregrinos em Jerusalém, fundado pelo Papa Gregório no séc. IX – O’Gorman, 2006, p. 41) ou mais tarde em Santiago de Compostela, em 1499, foi fundado um hostel e um hospital para os peregrinos que tivessem concluído o Caminho de Santiago (O’Gorman, Conti & McAlpine, 2008, p. 32). Mesmo hoje, de acordo com os autores, apesar de transformado num dos principais Paradores de Espanha (equivalente às Pousadas de Portugal) e de modo a manter-se fiel aos princípios de cuidar do corpo e alma dos peregrinos, oferece pequeno-almoço, almoço e jantar aos primeiros dez peregrinos que tenham completado (a pé) os últimos 100 kms do Caminho.
A noção de hostel aparece igualmente muito associada a razões médicas (hospícios) ou centros para os sem-abrigo, sendo das instituições mais antigas para este tipo de necessidades, emergindo no séc. XIX como resposta aos efeitos da industrialização e urbanismo (Busch-Geertsema & Sahlin, 2007).
Mishra (1994) analisa a origem e importância dos hostels na sua ligação à Universidade (numa perspetiva daquilo que podemos designar por residência universitária).
Neste contexto, como referido pelo Committee on Residencial Accommodation for Students and Teachers (1965, citado em Mishra, 1994), “A hostel is not just a place for living; it is also an important centre for education…”.
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Assim, os primeiros hostels estão, desde sempre e nesta perspetiva, muito associados à criação das primeiras universidades. Como refere Mishra (1994), no caso da Universidade de Bolonha (uma das mais antigas do Mundo, fundada em 1088 – Università di Bologna (s.d.)) “… the emperor (Barbarossa) provided the students with accommodation facilities along with other necessary amenities” (p. 8).
Um dos principais objetivos dos hostels era, neste contexto, o valor da troca de experiência ao viverem conjuntamente (value of shared experience of living together) (Lawrenson, 1957, citado em Mishra, 1994).
Do ponto de vista mais “turístico”, a origem dos hostels remonta ao início do século XX, quando em 1912, no Castelo de Altena, o professor alemão Richard Schirrmann instalou o primeiro youth hostel (jugendherberge). A ideia original visava encorajar os jovens para disfrutarem de lugares e experiências fora dos seus ambientes de casa. A criação do hostel foi mais um passo dado por Schirrmann decorrente da utilização que já fazia dessas instalações em período de férias escolares durante visitas de estudo organizadas (McCulloch, 1992; Timothy & Teye, 2009).
De acordo com a Hostelling International (HI), a ideia surgiu-lhe quando numa dessas suas excursões, foi surpreendido por uma tempestade tendo-se abrigado numa escola na região e pernoitado numa sala de aula. Esta situação levou-o a, em 1910, escrever um ensaio visando o estabelecimento de hostels para alunos de escolas públicas (Volksschülerherbergen), onde duas salas seriam suficientes, uma para rapazes e outra para raparigas ("Two classrooms will suffice, one for boys and one for girls. Some desks can be stacked away thus freeing space to put down 15 beds. Each bed will consist of a tightly stuffed straw sack and pillow, two sheets and a blanket… Each child will be required to keep his own sleeping place clean and tidy.") (Hostelling International Canada, s.d.). De acordo com McCulloch (1992) e como também referenciado no site da Hostelling International, o youth hostel era constituído por dois grandes dormitórios, com beliches triplos, uma cozinha, lavatórios e chuveiro.
Esta tendência vinha, contudo, a desenvolver-se ao longo dos anos, dinamizada por organizações e movimentos com motivações religiosas ou de trabalho (muitos deles voluntários) que promoviam a ocupação dos tempos livres dos jovens e que dispunham de centros de férias para os seus membros, onde providenciavam dormida e programas de atividades a baixo custo.
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Muitos destes movimentos de jovens visavam preencher o gap existente entre a família, economia e instituições políticas, decorrentes de uma Revolução Industrial em forte expansão e de um enquadramento urbano em forte crescimento (Manheim, 1951, citado em Kahane, 1997).
Os maiores impulsionadores destes movimentos – e com forte presença nos dias de hoje, com presença em 119 países e contando com cerca de 58 milhões de membros (YMCA.int, s.d.) – remontam, no entanto, ao século XIX, em particular as organizações voluntárias Young Men´s Christian Association (YMCA), criada em 1844, por George Williams preocupado, na altura, com a falta de atividades saudáveis para os jovens. Idêntica iniciativa tinha igualmente sido levada a cabo na Suiça, em Basileia, em 1727, estabelecido como um clube para homens solteiros (Ledeger Verein), sendo hoje considerado o YMCA mais antigo do Mundo (Muukkonen, 2008).
O desenvolvimento destes movimentos levou ao aparecimento de centros de férias com alojamento para os seus membros, onde se promovia a ocupação dos tempos livres. Dentro desse contexto, em 1883, William Smith lançou a Brigada dos Rapazes (Boys Brigade) e, mais tarde, em 1907, Robert Baden-Powell criou os Rapazes Escuteiros (Boys Scouts), movimentos virados para as atividades ao ar livre e práticas campistas (Kairos, 2012; McCulloch, 1992).
Também na Alemanha, no mesmo período, em 1901, nascia o movimento “Wandervogel” com muitas das atividades a centrarem-se em circuitos pedestres, escalada, campismo, danças tradicionais, palestras e canto de músicas tradicionais (Stachura, 1975, citado em Kahane, 1997), enquanto na Rússia, surgia, após 1917, o movimento Konsomol, embora mais controlado e com maiores motivações políticas (Kahane, 1997, p. 63).
Como mencionado por McCulloch (1992, p. 23), muitos destes movimentos ajudaram a criar um clima apropriado para a “germinação” dos youth hostels e das youth travel. Com a criação do primeiro youth hostel, em 1912, assistiu-se a um crescimento significativo de novas unidades. De acordo com o site da HI, em 1913, existiam 83 youth hostels com um registo de 21 mil dormidas, sendo que em 1921 esse número já atingia as 500 mil dormidas. Este novo fenómeno levou ao aparecimento, em 1919, da
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primeira associação de youth hostels – a Youth Hostel Association (YHA) (McCulloch, 1992).
No verão de 1931 existiriam 12 associações de pousadas da juventude com 2600 hostels em operação (Hostelling International Slovenia, s.d.).
Em 1932, em Amesterdão, a 20 de outubro, no âmbito da Conferência Internacional que reuniu 11 associações de Pousadas de Juventude – Bélgica, Checoslováquia, Dinamarca, Inglaterra e País de Gales, França, Alemanha, Irlanda, Holanda, Noruega, Polónia e Suiça - foi criada a International Youth Hostel Federation (IYHF) (McCulloch, 2012), contando atualmente com cerca de 4 mil Pousadas de Juventude em 90 países.
Portmann (1955) mencionava que, em 1954, já existiriam 28 associações de Pousadas de Juventude registadas na Associação Internacional, representando mais de dez milhões de lugares disponíveis para acomodação.
Os primeiros hostels de gestão privada surgiram no início dos anos 1980 (McCulloch, 1992). No caso da Austrália, o primeiro hostel privado (Backpacker Inn) abriu em Cairns, em 1983 (McCulloch, 1991), mais focado na captação de backpackers do que turistas em geral. Este novo fenómeno, de acordo com McCulloch (1991) ditou uma queda de cerca de 50% da quota de mercado das Pousadas de Juventude e evidenciou o reconhecimento do potencial deste tipo de alojamento (em 1990, já existiriam 42 backpackers hostels na região de Cairns).
Em Portugal, o fenómeno hostel é ainda mais recente, com os primeiros hostels privados a surgirem na capital portuguesa em 2005 (Lisbon Lounge Hostel) e no Porto em 2006 (Andarilho Hostel)27. No entanto, o primeiro hostel (leia-se, neste caso, Pousada de Juventude) foi criado em 1959, em Oeiras, no forte de Catalazede (Catalão, 2008).
27 Embora exista um consenso quanto ao primeiro hostel na cidade do Porto, em Lisboa a informação é
mais difusa, com os “louros” a serem atribuídos ao Lisbon Lounge Hostel, inaugurado a 15 de abril de 2005. O mercado dos hostels em Portugal, mais propriamente nas cidades de Lisboa e Porto, será objeto de análise mais aprofundada no capítulo 7.
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