1 INTRODUCTION
1.7 Basic Concepts and their Application in the Study
O movimento iniciado por Taylor no final do século XIX procurava aplicar métodos científicos ao processo de trabalho, visando a sua otimização e controle.
O método científico exigia a análise direta do modo de operar dos trabalhadores, ou seja, do processo de trabalho. Para a melhoria desse processo, houve a decomposição em postos de trabalho, nos quais se exerciam tarefas precisas e planejava-se a melhor maneira de produzir. Com base na cronometragem e na análise dos tempos e movimentos, havia a decomposição do trabalho real em tarefas “cientificamente estudadas” (TARTUCE, 2002).
Nessa forma de organizar o trabalho havia uma profunda separação entre gerência e trabalhadores. À primeira cabia a tarefa de prescrever e controlar a execução de qualquer atividade e aos últimos a execução, não sendo concedido, aos trabalhadores, qualquer espaço para a decisão sobre o modo de executar o trabalho.
As qualificações exigidas desse trabalhador de chão de fábrica se restringiam a simples conhecimentos técnicos, aprendidos formalmente em curto espaço de tempo, referente a uma determinada tarefa exercida individualmente no posto de trabalho, de maneira simples e repetitiva.
Esse modelo torna possível a incorporação maciça de trabalhadores não qualificados ou semiqualificados, em substituição ao profissional qualificado.
A implantação das técnicas tayloristas e fordistas de organização de trabalho foi fortemente resistida pelos trabalhadores porque o novo sistema lhes retirava o controle sobre o seu próprio tempo e lhes impunha alta disciplina, controle e vigilância (ZARIFIAN, 2001).
Henry Ford introduziu o método da cadeia de montagem e o correspondente controle do ritmo e do movimento do trabalhador pela máquina, já que todos os trabalhadores submetiam-se à velocidade de uma mesma correia transportadora (TARTUCE, 2002).
O fluxo passou a ser o critério central da produção industrial, sendo medido pelo incremento da quantidade de produto saído da fábrica em determinado período de tempo.
Com o incremento do fluxo, os empreendedores capitalistas esperavam uma baixa de custos e uma alta de lucros, o que se denomina produtividade do trabalho e se constitui
na organização da velocidade do trabalho e do fluxo de produção que dela resulta, diminuindo o tempo de trabalho contido em cada unidade de mercadoria.
Ford buscou também o agrupamento das máquinas por tipo de operação, as chamadas máquinas especializadas, em substituição às máquinas universais. Isso porque as primeiras possuíam uma variedade de modos operatórios, exigindo um manejo especializado, enquanto as últimas exigiam apenas operários semiqualificados e até não qualificados (TARTUCE, 2002).
Para o trabalhador significava trabalhar cada vez mais rápido à medida que aumentavam suas experiências pela apropriação de rotinas. Supõe-se que quanto mais o trabalhador for especializado pode concentrar a sua atenção e sua destreza em um número restrito de operações que se repetem de um ciclo de produção para outro. A velocidade de trabalho, em cada posto, e a velocidade de coordenação entre os postos determinam o fluxo da produção e, conseqüentemente, a eficácia econômica das fábricas.
Assim, o fordismo e o taylorismo visavam o aumento da produtividade, organizando a produção com base na prescrição de tarefas para cada posto de trabalho e a não-valorização das qualificações pessoais dos trabalhadores, que ficavam associadas ao posto de trabalho (TARTUCE, 2002).
Ford também introduziu uma mudança de política salarial. Para inibir a insubordinação e o absenteísmo, reduziu a jornada de trabalho e passou a pagar um salário mais alto, o que influenciou diretamente na melhoria das condições de vida e subsistência das classes operárias, assegurando-lhes o consumo dos bens produzidos. Em outras palavras, vislumbrou que a produção em massa significava consumo em massa (HARVEY,
apud TARTUCE, 2002).
Entretanto, os novos padrões de consumo poderiam ter um impacto muito forte sobre os salários, pressionando-os para cima e diminuindo a taxa de acumulação de capital. Para a manutenção desse sistema se fez necessária a presença do Estado, intermediando as duas forças – trabalho e acumulação de capital (CORIAT, apud TARTUCE, 2002).
Fortalece-se então um Estado ativo e intervencionista, em especial a partir da Segunda Guerra Mundial. O Estado se apresenta como investidor para suprir a deficiência e a falta de absorção da demanda, por meio de uma política de consumo e de investimento público. Atua também como promotor da proteção social, o chamado “Estado do Bem-
Estar Social”. Ou seja, se fortalece um sistema de relações entre capital, trabalho e Estado que viabilizava, por um lado, o pleno emprego, com a correspondente manutenção da renda do trabalhador e, através da proteção social, a garantia da melhoria dos padrões de vida da população e, de outro lado, a estabilidade do nível de demanda, garantindo a lucratividade para o capital, a diminuição de seus riscos e o crescimento econômico.
O pacto entre trabalho, capital e Estado foi suficiente para que grande parte da população tivesse seu padrão de vida aumentado e pudesse consumir os bens padronizados produzidos em massa, em contrapartida com a lucratividade do capital, favorecendo, assim, a configuração de um círculo virtuoso de crescimento e harmonia social, até a década de 70.
Importante destacar que esse crescimento não se deu de forma rápida e pacífica, ou de forma linear entre os diferentes países. Cada país adotava estratégias ou políticas de investimento público, seguridade social e gerenciamento das relações de trabalho de forma diferente (CORIAT, apud TARTUCE, 2002).
Além disso, as políticas redistribuitivas não contemplavam todas as pessoas da mesma maneira. Na verdade, eram destinadas apenas aos operários sindicalizados que trabalhavam no setor formal da economia. O próprio crescimento da produção em massa exigia permanente mão-de-obra barata e numerosa, o que resultou numa forte segmentação da força de trabalho, ou seja, um mercado de trabalho diferenciado de mão-de-obra barata.