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Aid as a Means to Accomplish the Political Agenda of the Donors

2 RATIONALES FOR PROVISION OF AID TO EDUCATION

2.4 Aid as a Means to Accomplish the Political Agenda of the Donors

Com a crise internacional dos anos 70, notadamente a crise do petróleo, houve uma instabilidade na economia capitalista e profundas transformações políticas, socioculturais, tecnológicas e financeiras, em razão do declínio do Estado do Bem-Estar Social e da produtividade industrial, inflação e mudanças nos padrões internacionais de concorrência.

A partir dessas mudanças, o modo de regulação fordista e as técnicas tayloristas de produção parecem esgotados para superar a crise, uma vez que não conseguem resolver o problema da inadequação da produção em função da demanda de um mercado instável. Emerge, então, um novo modelo, que foi chamado de “regime de acumulação flexível”, baseado nas inovações tecnológicas da chamada terceira revolução industrial, na qual se vê emergir a microeletrônica, robótica, microbiologia e novas fontes de energia (HARVEY,

apud TARTUCE, 2002).

Por serem programáveis e, portanto, flexíveis, as máquinas baseadas nas novas tecnologias de ponta passaram a atender às necessidades do mercado instável e permitiram a retomada dos ganhos de produtividade, ao assegurar nova economia de tempo e do controle, otimizando recursos e reduzindo drasticamente o tempo de produção.

Essas transformações alteraram as relações entre capital e trabalho. Atingiram diretamente os trabalhadores, já que o principal resultado é uma produtividade em altíssima escala sem a contrapartida do trabalho humano. Cada vez se produz mais em menos tempo e com menos trabalhadores. Surgem altas taxas de desemprego, uma vez que o novo sistema pode dispensar progressivamente o trabalho humano. Além disso, permite configurar, ao mesmo tempo e no mesmo espaço, formas alternativas de trabalho, podendo se utilizar uma elite profissional que trabalha no moderno setor da economia, como também do trabalho precário, como o subcontratado, o trabalhador temporário, o trabalhador em tempo parcial, com contratos flexibilizados e desregulamentados feitos, na maioria das vezes, no setor informal (TARTUCE, 2002).

Por final, a globalização da economia mundial incide nesse processo, contribuindo de forma significativa para a flexibilização e desregulamentação das relações no mercado de trabalho.

Dentro das empresas também aconteceram modificações nos conteúdos do trabalho.

Diante da automação flexível, como forma de contornar a crise, a ênfase na inovação passou a fazer parte da estratégia empresarial. As decisões operacionais deveriam ser descentralizadas em virtude da velocidade das mudanças e os trabalhadores de todos os escalões passaram a ser chamados para participar desse processo de rápida inovação, tomando decisões para a solução de problemas aleatórios e imprevistos presentes no novo modelo de produzir.

Segundo Paiva (apud TARTUCE, 2002), o novo paradigma da racionalização é a flexibilidade que permite a despadronização, sendo que os processos despadronizados são reservados ao trabalho humano.

Assim o novo modelo passa a exigir um trabalhador com formação abrangente para lidar com diversas tarefas cada vez mais abstratas, complexas e imprevisíveis, ou seja, não mais um trabalhador especializado em uma profissão, mas sim polivalente, para atuar em situações específicas.

O modelo de produção mais representativo dessas transformações é o “modelo japonês”, que embora não seja o único é o que mais se destacou em razão de sua enorme produtividade e competitividade (FLEURY, FLEURY, 2001).

No modelo japonês, a organização do trabalho é baseada no trabalho cooperativo e em equipe e na ausência de demarcação das tarefas a partir dos postos de trabalho e de tarefas prescritas aos indivíduos, o que implica num funcionamento baseado na polivalência e rotatividade na execução das tarefas de fabricação, manutenção, controle de qualidade e gestão de produção. O trabalhador japonês polivalente e multifuncional não tem uma visão parcial e fragmentada, mas uma visão de conjunto do processo de trabalho no qual se insere, o que lhe permite propor soluções aos problemas concretos que surgem cotidianamente no processo de trabalho (TARTUCE, 2002).

Assim, novos requisitos são exigidos dos trabalhadores. Além dos conhecimentos técnicos, são exigidas habilidades cognitivas e certas características comportamentais como capacidade de abstração, raciocínio, antecipação de problemas aleatórios e imprevistos, iniciativa, responsabilidade, capacidade de decisão, trabalho em equipe.

As qualificações valorizadas do trabalhador passam a ser aquelas que se referem à imprevisibilidade, ou seja, um saber construído no cotidiano do trabalho. Verifica-se um manifesto antagonismo ao requisito valorizado pelo taylorismo, ou seja, apenas o domínio da rotina ou tarefa a ser realizada em função da ocupação do cargo, sem qualquer possibilidade de inovação e modificação da rotina para atender a um evento imprevisível.

Exige-se do trabalhador, no moderno sistema de produção, além do saber fazer, o saber ser, que engloba aspectos mais subjetivos e informais de qualificação. O conceito de profissão como uma atividade econômica específica dentro da divisão técnica associada ao

posto de trabalho foi sendo modificada, já que as novas tecnologias colocam em xeque o trabalhador especializado, exigindo um trabalhador polivalente.

A ênfase na polivalência fez emergir o modelo da competência, que está focado nessas capacidades especiais de tomada de iniciativa e de responsabilidade por parte do trabalhador diante das situações imprevisíveis que vierem a ocorrer.

Para Zarifian (2001), a separação entre trabalho e trabalhador, a predominância do fluxo e da produtividade de operações e a necessidade de co-presença, que caracterizam o modelo fordista, encontram-se desestabilizadas e parecem ser as origens indiretas da emergência do modelo da competência.

Zarifian (2001) evidencia tais mutações, elaborando os conceitos: evento,

comunicação e serviço, para fundamentar sua análise deste novo modelo que emerge na regulação do trabalho.

Para o referido autor, a velocidade e o fluxo das máquinas superam incontestavelmente as operações gestuais humanas e mesmo as operações intelectuais elementares (tais como cálculos e o estabelecimento de correlações lógicas simples), o que impõe um reposicionamento da atividade humana. Tal reposicionamento se dá no confronto com eventos, que são ocorrências parcialmente imprevistas, inesperadas, perturbando o desenrolar normal do sistema de produção, superando a capacidade da máquina de assegurar sua auto-regulagem (ZARIFIAN, 2001).

Trabalhar é estar atento a esses eventos, é pressenti-los e enfrentá-los quando ocorrerem, permitindo que a produção seja retomada. O indivíduo deve confrontar o evento, deve resolver os problemas que ocorrem. Em outras palavras, é em torno desses eventos que se recolocam as intervenções humanas mais complexas.

Zarifian (2001) esclarece que existe ainda uma segunda abordagem para os eventos, pois não nascem apenas dos acasos verificados no sistema de produção, mas nascem dos novos problemas colocados pelo ambiente, que mobilizam as atividades de inovação. Por exemplo, novos usos potenciais dos produtos, novas expectativas do cliente. Nesse sentido, o trabalho humano é incomparavelmente superior ao das máquinas, é a capacidade de inventar as respostas a serem dadas a um ambiente social complexo e instável.

O conceito de eventos tem importantes conseqüências, desestabilizando profundamente o esquema de trabalho industrial clássico, pois evidencia que a qualificação profissional não pode mais ser enclausurada em definições prévias de tarefas a serem executadas em um posto de trabalho.

É exigida uma ampliação da qualificação, relacionada com a capacidade de responder a eventos de maneira pertinente e com conhecimento de causa, sendo assim, uma propriedade particular do indivíduo e não do posto de trabalho. Assim, o conceito de trabalho retorna ao trabalhador.

Prossegue Zarifian (2001), destacando que a comunicação é o outro conceito que evidencia as mutações da atual concepção do trabalho. A qualidade das interações é fundamental para melhorar o desempenho das organizações.

Para captar plenamente o significado dessa mutação, é necessário verificar que pelo modelo taylorista/fordista, em face da divisão de trabalho e da separação entre tarefas e responsabilidades, o trabalhador era isolado no seu posto de trabalho.

Entretanto, a noção de evento faz nascer a necessidade de uma ampla comunicação, na medida em que surge a necessidade de mobilização dos trabalhadores para enfrentá-lo.

Zarifian (2001) observa que a qualidade das interações não pode ser assegurada nem por simples coordenação automática de operações e nem por simples disponibilização de informações. Comunicar-se é construir um entendimento recíproco e bases de compromisso que serão a garantia do sucesso das ações desenvolvidas em conjunto.

A troca de conhecimentos, os diferentes pontos de vista sobre produção e expectativas dos clientes e as confrontações de competências são fontes incomparáveis de dinamismo e de riqueza para uma organização complexa.

Muito embora a comunicação gere conflitos, quer porque podem surgir dúvidas quanto à maneira de interpretar a realidade (de interpretar as causas de uma pane, de interpretar a insatisfação de um cliente etc.), quer porque as normas de ação divergem (um indivíduo privilegia a qualidade do serviço e o outro o fluxo dos pedidos), quer, enfim, porque as intenções e os projetos pessoais dos assalariados envolvidos nas atividades são muito diferentes, é através dela que se chega a um melhor entendimento e à obtenção de solidariedade de ações mais acertadas.

O último conceito trazido por Zarifian (2001) é o serviço. Trabalhar é gerar um serviço, ou seja, uma modificação no estado ou nas condições de atividade de outra pessoa, ou de uma instituição destinatárias do serviço (o cliente no setor privado, o usuário no setor público). Não se trata de falar dos serviços no sentido de uma oposição clássica entre terciário e industrial. Trata-se de perceber que o conceito de serviço é inerente ao trabalho moderno, qualquer que seja o setor de atividade (terciário, industrial ou agricultura).

Trabalhar consiste em produzir um serviço para um destinatário. Por sua vez, o produto consiste no serviço prestado a destinatários precisos, com utilizações claramente definidas, tendo em vista problemas dos destinatários e usos concretos que esses clientes podem fazer do produto em suas próprias atividades.

O serviço é simultaneamente o que é efetivamente proporcionado a um cliente- usuário, aquilo que realmente modifica seu estado ou sua atividade e ao mesmo tempo o que justifica a sobrevivência de uma organização e, conseqüentemente, o emprego dos que nela trabalham.

O trabalho não é mais o conjunto de tarefas associadas descritivamente ao cargo, mas se torna o prolongamento direto da competência que o indivíduo mobiliza em face de uma situação profissional cada vez mais mutável e complexa. Esta complexidade torna o imprevisto cada vez mais cotidiano e rotineiro.

Assim, o modelo de competência remete à subjetividade do indivíduo e relaciona- se com a conscientização das responsabilidades pessoais na atuação profissional, exigindo a mobilização e articulação dos saberes necessários para enfrentar uma dada situação, saberes estes que formam uma qualidade exclusiva do trabalhador e independente da tarefa executada ou do posto de trabalho ocupado.

A competência do indivíduo não é um estado, não se reduz a um conhecimento ou know how específico. Segundo Le Boterf (apud FLEURY, FLEURY, 2001), a competência individual é resultado da formação da pessoa (sua biografia e socialização), sua formação educacional e sua experiência profissional. Competência é um conjunto de aprendizagens sociais e comunicacionais nutridas a montante pela aprendizagem e pela formação e a jusante pelo sistema de avaliações.