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Barriers in pre-primary education

Section III: Policies, Programmes, and Initiatives

6.2 Barriers in pre-primary education

No mundo do trabalho, o âmbito da Bioeconomia se mostra multifacetado, principalmente ao serem comparados os novos tempos do século XXI com a sociedade salarial, organização característica à realidade socioeconômica sob o comando do modelo de produção taylorista-fordista. Apesar da defesa de que processos de apreensão da cognição humana por

6 “A la tradicional división del trabajo por tareas se le añade la división de los saberes y de las competencias, aumentando el grado de sujeción del y de la trabajador/a a los tiempos del proceso productivo. Esta sujeción no se impone ya de forma disciplinaria o por medio de un mando directo, la mayor parte de las veces es introyectada a través de formas de condicionamiento y de control social. El individualismo contractual que se deriva de esta situación compone el marco institucional jurídico, en el que el proceso de emulación y de competitividad individual tiende a convertirse en la línea maestra del comportamiento laboral. Toda la vida es plegada a la producción: de la subsunción formal del taylorismo se pasa a la subsunción real de la economía flexible. D e la economía se pasa a la bioeconomía. La explotación aumenta y ya no tiene que ver únicamente con el tiempo de trabajo (que huelga decirlo, se alarga) sino también y sobre todo con el tiempo de vida”.

7 Tais percepções sobre a Bioeconomia construídas por nossa análise deverão ser rediscutidas em etapas posteriores.

parte do capital são percebidos no mundo do trabalho desde a emergência de formas anteriores de organização do trabalho (FUMAGALLI, 2010), é no mundo hodierno que a temática ganha maior destaque, sendo o processo de acumulação pautado principalmente no presente tipo de exploração da subjetividade – mais especificamente do conhecimento.

Nesse sentido, abre-se um parêntese quanto ao papel (bem como à relação que possui com o trabalhador) dos sindicatos enquanto grupo representante dos ideais trabalhistas e, assim, reduto clássico de resistência às diversas formas de exploração do trabalho. Historicamente dotados de um posicionamento que possibilitava o devido diálogo frente às empresas, a representação dos trabalhadores começa a sofrer intensas debilidades em sua função de defesa das garantias trabalhistas, devido sobretudo às novas características impostas ao trabalho na atualidade, deflagrando uma perda da capacidade de resistir dos trabalhadores e mudanças limitadoras no leque de ações do sindicato. Possibilidade de resistência, desta forma, que tende a tornar-se resiliência, tanto no âmbito dos trabalhadores quanto das representações sindicais. A problematização dos sindicatos pode ser percebida por um duplo viés: o primeiro, que podemos considerar como “externo”, envolve as transformações que acontecem no próprio mercado de trabalho e que, corroborando ao desenvolvimento de novos valores e comportamentos, acaba gerando uma nova perspectiva sobre a representação dos ideais do indivíduo a partir de um grupo externo. Nesse sentido, Fumagalli (2010) aponta um fator significante de desconstrução do próprio ideal do sindicato na qualidade de força coesa: enquanto trabalho cognitivo e flexibilizado, a representação desta singular atividade, mediante a própria singularidade do indivíduo, que a “domina”, cabe ao próprio indivíduo, e não a um grupo externo. Segundo o autor, “a flexibilidade da autorrepresentação tende a privilegiar as especificidades de cada situação e torna difícil uma visão sistêmica. É, no imediato, a representação da diferença e não das diferenças” (FUMAGALLI, 2010, p.312, tradução nossa8). E continua:

A multiplicidade das realidades subjetivas, favorecida pelo processo de fragmentação e individualização da relação de trabalho, induz à autorreferência: frequentemente a própria situação específica (laboral, de vida, existencial) é considerada paradigmática da visão sistêmica. Isso gera a contradição entre especificidade (localismo) e sistematicidade (generalidade - complexidade). Esta contradição produz tensões centrífugas que podem se expandir até causar a destruição da rede como forma de organização da representação. (FUMAGALLI, 2010, p.312, tradução nossa9).

8 “La flexibilidad de la autorrepresentación tiende a privilegiar las especificidades de cada situación y hace difícil una visión sistémica. Es, en lo inmediato, la representación de la diferencia y no de las diferencias”.

9“La multiplicidad de las realidades subjetivas, favorecida por el proceso de fragmentación e individualización de la relación de trabajo, induce a la autorreferencilidad: frecuentemente, la propia situación específica (labor al, de vida, existencial) es considerada paradigmática de la visión sistémica. Esto genera la contradicción entre especificidad (localismo) e sistemacidad (generalidad – complejidad). Esta contradicción produce tensiones

Por outro lado, a segunda influência, que consideramos “interna” à organização sindical, se dá pela desestruturação do sindicato por meio de vias próprias à empresa, que apresenta, mediante as inúmeras possibilidades de subcontratação da mão-de-obra, a oportunidade de gerar uma maior influência e coerção sobre os sindicatos, fazendo com que estes não mais lutem pela manutenção dos direitos trabalhistas ou por melhores condições, mas sim pela possibilidade de negociação sobre a quantidade de demitidos em períodos de crise financeira e sobre os direitos trabalhistas, que começam a ser tolhidos. Dadas essas condições deste novo sindicalismo, torna-se consequente uma diminuição do número de sindicalizados. Assim, vislumbra-se uma limitação das ações e uma ressignificação do cerne da representação sindical.

Frente a esta modificação da representação – da heterorrepresentação – reivindicatória dos sindicatos – que passa a ser esfacelada em uma autorrepresentação –, apesar de não ser generalizada, Antunes (1998, p.25) passa a denominar a ação de alguns sindicatos como “sindicalismo de empresa, o sindicato-casa, atado ao ideário e ao universo patronal”. Corroborando à perspectiva de Fumagalli (2010) sobre o âmbito externo aos sindicatos, Antunes esclarece:

[...] um outro elemento decisivo no desenvolvimento e expansão da crise sindical é encontrado no fosso existente entre os trabalhadores ‘estáveis’, de um lado, e aqueles que resultam do trabalho precarizado etc., de outro. Com o aumento desse abismo social no interior da própria classe trabalhadora, reduz-se fortemente o poder sindical, historicamente vinculado aos trabalhadores ‘estáveis’ e, até agora, incapaz de aglutinar os trabalhadores parciais, temporários, precários, da economia informal etc. com isso, começa a desmoronar o sindicalismo vertical, herança do fordismo e mais vinculado à categoria profissional, mais corporativo. Este tem se mostrado impossibilitado de atuar como um sindicalismo mais horizontalizado, dotado de uma abrangência maior e que privilegie as esferas intercategoriais, interprofissionais, por certo um tipo de sindicalismo mais capacitado para aglutinar o conjunto dos

trabalhadores, desde os ‘estáveis’ até os precários, vinculados à economia informal

etc. (ANTUNES, 1998, p.61-62)

Desta maneira, em tempos de capitalismo cognitivo, no qual a alienação do sujeito, principalmente no âmbito do trabalho, mostra-se cada vez mais introjetada como normalidade à qual se deve adequar-se, perguntar-se sobre as formas de resistência dos trabalhadores (se existem), coletivas e individuais, diante dos processos de corrosão do trabalho, de perda de garantias e de uma total manipulação da força de trabalho, mostra-se de grande relevância.

Mediante a inserção da Bioeconomia no contexto neoliberal, realizando uma perspectiva sobre a Economia que vai para além da desregulamentação do mercado, de políticas de

centrífugas que pueden dilatarse ha sta causar la destrucción de la red como forma de organización de la representación”.

desestruturação do trabalho e das forças que representam a classe trabalhadora, como é o caso dos sindicatos, a análise do termo se mostra de grande importância para o entendimento da construção sobre um trabalhador flexível e, para além, sobre um indivíduo flexibilizável.

A constituição de uma nova subjetividade a partir de um comportamento individualista – senão egocêntrico (BENDASSOLLI, 2000) – e competitivo, de uma nova organização e ética do trabalho e, devemos pontuar, de um novo tratamento perante o tempo e o espaço, aprofundam a temática a partir do trabalho. Em relação ao trabalho cognitivo e sua respectiva produção imaterial, igualmente imperceptíveis se tornam as amarras do trabalho sobre o indivíduo, agindo não apenas na desregulação de sua realidade visível, mas também na sua “percepção da realidade íntima”, operando sobremaneira na desconstrução dos laços de solidariedade e na quebra da já tênue linha que dividia o tempo e o espaço do trabalho e do não- trabalho.

Com isso, o objetivo principal desta pesquisa se baseia na ideia, sob a perspectiva

da Bioeconomia, da percepção sobre as transformações do mundo do trabalho na contemporaneidade, com ênfase no espaço concedido à subjetividade e as possíveis formas de resistência dos indivíduos frente à desregulação do mercado de trabalho. Sendo mais

pragmático, pergunta-se: diante de uma percepção da dinâmica econômica contemporânea enquanto bioeconômica, como se dá o entendimento sobre o mundo do trabalho a partir do âmbito da subjetividade?

Para o cumprimento desta reflexão, o presente trabalho propõe um caminho teórico baseado em dois grandes desenvolvimentos – delineados até então e condensados abaixo:

a) análise sobre a Bioeconomia, na qual, utilizando-se da contribuição de Foucault e caminhando rumo a uma interpretação mais contemporânea da categoria, espera-se constituir uma ressignificação do termo, aplicando-a à área do trabalho. Este primeiro passo será de grande valia ao se entender a emergência do termo como contribuição não apenas à Psicologia Social do Trabalho, mas também à Ciência Econômica de viés mais heterodoxo, da qual resgatamos a ótica marxiana. É importante salientar que, enquanto categoria em boa parte baseada na conceituação foucaultiana, sua interpretação em muito deverá dialogar com os conceitos de disciplina e controle, bem como biopolítica e biopoder. À respectiva parte serão dedicados, além do presente capítulo enquanto inicial, os capítulos 3 ao 5;

b) análise sobre as transformações ocasionadas pela racionalidade neoliberal sobre o trabalho e o mercado como um todo e sobre as formas de resistências utilizadas pelo trabalhador. Esta etapa buscará um entendimento acerca das ações dos trabalhadores

frente às intempéries geradas pelo capital e de sua transformação, bem como limitação, ao se ver inserida em um cenário de imaterialidade do trabalho e de desarraigamento do sentido de classe na atualidade e, com isso, de um distanciamento expressivo dos trabalhadores na ação política do espaço laboral. Salienta-se o resgate, nesta etapa, da ótica marxista do pós-operaísmo italiano. A esta parte serão dedicados os capítulos 6 e 7.

Passando pela noção de disciplina, deverá ser dado ensejo mais diretamente aos dispositivos de segurança paralelos a esta. Deve-se salientar, entretanto, seguindo a articulação do dispositivo de disciplina apontada por Mansano (2009, p. 32), que a disciplina já delineada pelo presente trabalho, evitando um prolongamento de uma temática que não é central, baseia- se na estratégia “que procurava esquadrinhar e qualificar a existência do indivíduo, atenta principalmente ao seu comportamento, promovendo a aquisição de habilidades e utilizando-se das práticas presentes nas diversas instituições”. A estratégia mais conhecida, plenamente visível, baseia-se na “disposição arquitetônica”, na estrutura física das instituições – emblematicamente discutida por Foucault (2002; 2009) sob o modelo do Panóptico.

Estabelecido, desta forma, a explicação acerca do percurso metodológico, seguir-se-á à análise de Foucault e à sua visualização sobre a Economia Política. Como poderá ser percebido no decorrer do próximo capítulo, a uma análise mais pormenorizada de suas contribuições coube a extração de certa compreensão sobre a Bioeconomia, circundada por entendimentos sobre poder e controle.

3 O DESENVOLVIMENTO DE UMA BIOECONOMIA EM FOUCAULT: