2. Theoretical Framework
2.4 Challenges of Social Navigation Rating Techniques
2.4.3 Barrier to Entry
Por volta de 1950 os Suecos, contra sua vontade, porém sem muita resistência, somem de cena no cenário pentecostal. “Os suecos não queriam que os norte-americanos viessem para o Brasil, e sim que escolhessem outros países da América do Sul para trabalharem”.13 No entanto, o desejo dos suecos sucumbiu frente a avassaladora invasão americana.
Neste período muitos pastores saíram das Assembleias de Deus optando por inovações nos métodos de pregação e no conteúdo das próprias mensagens. É o início da segunda onda pentecostal e do americanismo.
Antonio Pedro Tota destaca:
Para o historiador Gerald K. Haines, depois da Segunda Guerra, os americanos acreditavam que os Estados Unidos eram superiores não somente politica e economicamente, mas também culturalmente. Eles pensavam que tinham o dever de difundir os valores e ideais norte-americanos por toda a América Latina, e em especial pelo Brasil. Por isso as agências do governo ‘venderam’ uns Estados Unidos da mesma forma que os produtores de Hollywood vendiam um filme ou a General Motors vendia um Chevrolet ou a RCA vendia um aparelho de televisão (TOTA, 2014, p. 202).
No âmbito religioso, os missionários americanos providos de capital e afluência mundial passaram a importar para o Brasil novidades atraentes. Vários aspectos da cultura americana permearam o mundo moderno. Dentre eles, para fins desta pesquisa, merecem destaque o acentuado empreendedorismo capitalista baseado no American dream e a aptidão do americano para o entretenimento. Ambos influenciaram profundamente o pentecostalismo brasileiro.
Para se entender a mentalidade americana é preciso conhecer o american ethos, ou
american dream. Este conceito afirma que se alguém trabalhar duro e se esforçar será
recompensado com sucesso. O american dream se apresenta sem muitas alterações nos períodos da história desta nação, porém o conceito de sucesso é rotativo. Os founding fathers com sua ética protestante, ficariam surpresos com as mudanças do significado do termo “sucesso” nos tempos atuais. O que se sabe é que o ethos americano contribui para que os americanos desbravassem as fronteiras do conhecimento e da criatividade nos negócios em nível mundial. São empreendedores engenhosos e criativos por natureza. São capitalistas por excelência.
O pentecostalismo no Brasil foi profundamente influenciado por esse espírito capitalista americano. O evangelho da prosperidade nasceu em meio a euforia da possibilidade de crescimento econômico. Kate Bowler comenta que “duas mudanças principais ocorreram” nos Estados Unidos no pós-guerra:
Primeiro, a recém-criada teologia do poder da mente, deixa de ser tema secundário e passa a ter primazia. Segundo, enquanto mais e mais pregadores adotavam esta visão enérgica da fé, uma parcela destes itinerantes começaram a alargar o escopo do que a fé poderia trazer, acrescentando, saúde, felicidade, e confortos humanos a longa lista de milagres. Nos anos 1950 os primeiros milagres financeiros se infiltraram nos testemunhos e mensagens (BOWLER, 2013, p. 42).
Ainda neste tema, “o evangelho da prosperidade foi constituído pela deificação e ritualização do American dream [...] ambos compartilham uma antropologia inabalável, fortalecida através de traços que levam à ação, urgência, um senso de ser escolhido, e um desejo de tomar as rédeas da vida.” (BOWLER, 2013, p. 226). A nação americana, tomada pela idéia de que os esforços individuais trariam as soluções para todos os problemas da vida, maquiaram o sofrimento inerente do ser humano. Enquanto o ranking de educação no Brasil é precário Bowler explica que “apesar de estarem na 150ª colocação do ranking de felicidade mundial, os Estados Unidos valorizavam, pastores, profetas, e autores que nos ensinaram a enfatizar o lado bom” (BOWLER, 2013, p. 228).
Em seu livro Os Americanos, Antonio Pedro Tota descreve os Estados Unidos em um dos capítulos como “o país do entretenimento”. Ele afirma que “é curiosa e verdadeira a observação de Neal Gabler de que os americanos foram de tal modo capturados pelo entretenimento que já não são capazes de discernir o real da ficção. Todo americano se transforma num ‘eu’ intérprete” (TOTA, 2014, p. 249).
O pentecostalismo nasceu na mesma época em que a indústria de cinema americana se fixava em Hollywood. A Rua Azuza fica a aproximados 10 kilometros dos estúdios de gravação dos filmes. De um lado uma chamada para a santidade e purificação dos pecados com origem no movimento de santidade (holiness movement). Do outro a cultura hollywoodiana disseminando um comportamento liberal para os padrões morais da época. Em ambos os casos apresentações emotivas que atraiam as massas.
Tanto os pentecostais quanto os artistas foram vistos com desconfiança pela população local predominantemente protestante. Hollywood pelos hábitos libertinos dos artistas, e os pentecostais pelas inovações estranhas na forma de culto. “A moral puritana dos habitantes do sul da Califórnia foi abalada profundamente pelo comportamento um tanto quanto ‘liberado’ dos artistas [...] houve protestos, logo abafados pelas vantagens dos trabalhos oferecidos” (TOTA, p. 256). Do lado dos pentecostais o jornal Los Angeles Times noticiava: “Estranha Babel de Línguas: Nova seita de fanáticos se espalha, cena estranha ontem em Azuza” (BLUMHOFER, 1989, p. 99). Os protestos não foram suficientes para impedir o crescimento do cinema, tampouco dos pentecostais.
Teria a cultura de shows predominante na cultura americana influênciado o pentecostalismo? Existe alguma relação cultural entre o pentecostalismo e Hollywood além da proximidade física? Provavelmente sim. Kate Bowler indica que na história recente “a Igreja Oasis, situada no coração do distrito de filmes de Los Angeles, comemorou Jesus o Salvador dando-lhe sua própria estrela da fama.” (BOWLER, 2013, p. 227).