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CATEGORY 1 – SPECIAL MATERIALS AND RELATED EQUIPMENT 1A Systems, Equipment and Components

N. B. SEE ALSO MILITARY GOODS CONTROLS AND 1C450

No Museu Nacional de Arqueologia existe um conjunto de materiais com a designação de “Anta de Belas” que, na opinião de V. Leisner (1965, p. 77), poderia corresponder a espólio exumado na anta de Pedra dos Mouros (Fig. 33): é constituído

por duas lâminas em sílex MNA5095), uma delas, ainda inteira e bem retocada (MNA5094); uma grande ponta com retoque bifacial também em sílex (MNA5096); três artefactos votivos, concretamente, dois cilindros de calcário (MNA5089 e 5100B) e um ídolo-placa, em xisto (MNA5092); um aparente machado em basalto (MNA5088), cuja matéria-prima não teria utilidade efectiva; duas contas discóides, em pedra verde (MNA5097-5098); um vaso cilíndrico decorado em osso (MNA5093) e um fragmento de outro liso, em cerâmica (MNA984.678.5), e ainda outros troços amorfos da mesma matéria. Porém, a taça apresentada como “Anta de Belas” (MNA5106; Leisner, 1965, p. 11), pertence, segundo a ficha de inventário e as dimensões ali referidas, a espólio recolhido em Santarém (Vale de Figueira, Alpompé). Também, a taça MNA984.678.1 e o fragmento de ídolo cilíndrico MNA5100C pertencem à anta da Arruda (Capítulo 4.1.7.).

Finalmente, A. Simões (1878) refere e apresenta alguns artefactos da “Anta de Bellas”, correspondendo a algumas das peças listadas acima, nomeadamente, uma das contas de colar, a de “calcareo” (MNA5097; Simões, 1878, p. 55-56, fig. 36), o ídolo-placa (MNA5092; Simões, 1878, p. 52) e o vaso cilíndrico decorado em osso (MNA5093; Simões, 1878, p. 51 e fig. 30). No entanto, menciona outras peças de que se desconhece o seu paradeiro, hoje, nomeadamente, duas contas de colar em xisto (Simões, 1878, p. 55-56 e fig. 37) e, pelo menos, uma ponta de seta com base côncava (Simões, 1878, p. 41 e fig. 13).

A hipótese dos artefactos da “Anta de Belas” provirem da anta de Pedra dos Mouros é plausível, se forem ponderadas algumas informações.

V. Leisner (1965, p. 77) refere papéis de J. L. Vasconcelos atribuindo aqueles materiais a “exploração e rótulos de Pereira da Costa”. De facto, nas fichas de inventário do MNA, pós-J. L. Vasconcelos (nºs 5008 a 5100C e alguns códigos de 1984), bem como naquelas produzidas anteriormente por este arqueólogo (recém- descobertas nos fundos do Museu, com os números de inventário não sequenciais, entre 3865 e 3:904), constam materiais atribuídos à “Anta de Belas” (note-se, no singular) com rótulos de Pereira da Costa, provenientes da Escola Politécnica (Lisboa), e que A. Simões (1878) também atribui ao Museu daquela instituição. Ora, sabe-se que parte dos materiais recolhidos pela primeira Comissão Geológica, inclusive colecções pré-históricas, entre as quais poderiam encontrar-se algumas

peças desta anta, foi sequestrada, em 1868, por aquele paleontólogo, no Museu da Escola Politécnica, na sequência de disputa acesa com C. Ribeiro e Nery Delgado (Leitão, 2004; Carneiro, 2005). Por outro lado, depois daquela data terá ainda adquirido outras peças, conforme atribuição legal (Leitão, 2004).

Algo que importa recordar, é que as marcações antigas nas peças e as próprias fichas não correspondem a uma numeração sequencial, talvez correspondendo a aquisição de peças em momentos diferentes, o que poderia também explicar porque A. Simões (1878) não menciona outras peças de Belas, especificamente os artefactos em calcário.

Além dos objectos já mencionados, J. L. Vasconcelos (1895, p. 21) dá conta de outros dois, na “Collecção Ethnographica do Sr. M. Azuaga”, “(…) provenientes dos megalithos de Bellas” (neste caso no plural): um fragmento de lâmina e um pedaço de bétilo afuselado com incisões, representados na publicação, em moldura da época.

Considerando que a anta de Pedra dos Mouros, também conhecida por Senhor da Serra, se situava dentro da quinta do Marquês de Belas, junto à aldeia homónima, é plausível que aquela também fosse reconhecida como “Anta de Belas”, sobretudo, por visitantes exteriores à povoação. O título atribuído a esta anta “Penedos na quinta de Bellas” (Barbosa, 1863, p. 192) também poderá reforçar essa impressão.

Por outro lado, as explorações anteriores naquela anta, referidas por C. Ribeiro, terão sido acções de curiosos e caçadores de tesouros, cujas peças acabavam vendidas a interessados, o que poderia ter acontecido com aquelas da colecção de F. Pereira da Costa, investigador interessado nos objectos, mas avesso ao trabalho de campo (Leitão, 2004). Aliás, pelo menos até à preparação da sua obra acerca das antas de Portugal (Costa, 1868), este parecia desconhecer em concreto os sepulcros da Estremadura, listando apenas o sítio de Adrenunes, como possível anta na serra de Sintra, a partir da informação de I. V. Barbosa, lamentando não ter encontrado a bibliografia referida por este, bem como a sua posição não lhe permitira ainda visitar aquele e outros monumentos de que tinha notícia, mas que daria conta quando o fizesse (Costa, 1868, p. 94-95). Isto depois da intervenção infrutífera de J. P. Silva naquele sítio (cit in Martins, 2003, p. 237). Claro está, muito útil seria se fosse encontrada documentação esclarecendo cabalmente a intervenção do paleontólogo na recepção dos materiais da “Anta de Belas”.

Finalmente, poderia colocar-se a hipótese de as peças resultarem das várias antas de Belas, nomeadamente, Estria e Monte Abraão, esta última também situada dentro da referida quinta do Marquês de Belas. No entanto, o reduzido grau de revolvimento do espólio recolhido na última, causa a impressão de que tal não terá ali ocorrido com intensidade. Por outro lado, a anta da Estria, apesar de, segundo C. Ribeiro, 1880, p. 64), apresentar-se espoliada, situava-se fora da quinta, na “propriedade do Sr. Abreu, da Casa da Estria” (segundo etiqueta colada em osso humano – MG719.40), sendo reconhecida por tal topónimo.

E, no entanto, independentemente da comprovação de uma origem específica, abordada atrás, a atribuição crono-cultural de tais objectos, (bétilos em calcário, ídolo-placa, vaso cilíndrico em osso, etc.) seria perfeitamente plausível com os já mencionados acima, encontrados na anta de Pedra dos Mouros, mas, também, com aqueles das restantes antas de Belas, como se verá seguidamente.