KAPITTEL 3. UNDERSØKELSEN
3.5. B ETYDNINGEN AV TIDLIGERE ERFARINGER OG FORVENTNINGER
A educação online, que seria a cibernética adentrando o mundo da pedagogia, surge nesta pesquisa como um apêndice e um elemento surpreendente. O fato de cenário de investigação ser um curso que foi realizado em um ambiente virtual de aprendizagem faz com que a discussão paradigmática na educação também tenha seu lugar neste estudo. Como o foco da pesquisa será o sujeito que aprende, suas configurações subjetivas e produções de sentido subjetivo, acredita-se que a dinâmica específica dessa modalidade de ensino/aprendizagem possa interferir nos resultados.
A título de esclarecimento e ampliação de discussão, destaca-se então as características desse tipo de relação pedagógica que se vinculam ao conceito de cibercultura que toma espaço no cenário contemporâneo.
A cibercultura tem um sentido que vai além da cultura do ciberespaço e das tecnologias da comunicação com os recursos de navegação nos mares da informação. Ela é uma cultura de um governo global e de um processo de unificação planetária (QUÉAU, 2001).
Essa revolução é tão rápida e tão profunda que afetou sobremaneira as sociedades em escala mundial. Quéau (2001) fala de uma revolução quádrupla de ordem cultural, social, econômica e política. A maneira de ser e de pensar muda pelo fato de estar em rede mundial de comunicação. Uma inteligência do coletivo emerge, fato que, se bem aproveitado, pode resolver muitos dos problemas complexos da época atual, pois seria uma inteligência onde cada um em sua parcela de indivíduo ativo encarnaria o exercício do pensar, fazendo seu esforço pessoal de pensar o coletivo. O autor ousa associar o momento atual de cibercultura com a metáfora da noosfera de Teilhard de Chardin, que seria um tecido formado por pessoas livres, inteligentes, comunicando e comungando na busca da ascensão de uma consciência.
Entretanto, ele lembra que a sociedade da informação não representa necessariamente uma sociedade de conhecimento. O desafio do presente momento de transformação cultural via era da informação, é fazer nascer uma sociedade com cultura de cidadania planetária. E isso sem esquecer o paradoxo da contradição entre o local e o planetário, entre os diversos interesses internacionais, entre os interesses gerais e os particulares, entre aquilo que é de domínio público e o que é de domínio privado.
Com o advento das redes de comunicação via computador, configurando a Comunicação Mediada por Computador (CMC), pensou-se em modelos educacionais
em rede, as chamadas Redes de Aprendizagem (Learning Networks). Um espaço onde todos aprendem juntos em um lugar não ordinário e sim num espaço compartilhado, chamado ciberespaço, que integra pessoas distantes geograficamente (HARASIN e Cols, 1995).
Algumas das características desse modelo de educação são as seguintes: 1) O processo educacional é construído através de textos e tarefas escritas
via CMC;
2) As redes de aprendizagem em CMC são em sua maioria assíncronas, o que permite que cada participante trabalhe em próprio ritmo e dedique o tempo que necessita para ler, refletir e revisar suas ideias antes de compartilhá-las;
3) As aprendizagens são da ordem coletiva e aprender junto pode ser mais atraente e efetivo, pois a aprendizagem colaborativa toma mais de uma proporção nesses espaços virtuais: pode ser em duplas, em pequenos grupos, em toda uma classe e, inclusive, em toda uma escola;
4) O papel do professor muda para o de facilitador ou de tutor. Ele passa a ser aquele que faz as ligações entre os saberes e estimula a construção coletiva, mais do que a imagem padronizada pela cultura de que o professor é o que transmite o saber;
5) O acesso à informação que leva ao conhecimento amplifica, pois a sala de aula está ligada em rede direta à web, o que permite a construção de ligações (links) para textos, vídeos, fóruns e todos os tipos de mídias que se destinam à educação;
6) Numa sala virtual, todos os alunos possuem seu momento de fala. Em um espaço presencial, muitas vezes, o tempo concreto não permite que todos falem equitativamente, inclusive por existir os mais expansivos e centralizadores, que acabam por excluir os mais calados e tímidos dos debates. No espaço assíncrono, essa dinâmica se configura de outra forma, pois a sala de aula fica aberta 24 horas e o tempo do debate pode se prolongar por um dia inteiro, uma semana ou até um mês, dependendo da amplitude, objetivo do tutor e complexidade do assunto. O espaço de trocas está sempre aberto e isso amplia a possibilidade de participação. Muitas outras características diferenciam um espaço de aprendizagem em rede virtual, todavia acima estão listadas algumas das mais importantes. Estudos apontam que não existem unicamente aspectos positivos nessa modalidade; por exemplo, a proposta demanda mais preparação por parte dos professores e, muitas vezes, mais trabalho aos alunos, pois existe uma exigência de estar em dia com a cadência do
grupo e do programa. Para estar presente, é preciso escrever e dominar a tecnologia, o que muitas vezes pode se tornar um empecilho. Certos estudantes relatam ansiedade na hora de escrever suas ideias em espaços assíncronos, assim como assuntos de saúde relacionados ao uso do computador (HARASIM e Cols., 1995).
Todavia, os aspectos positivos como: o aumento da quantidade e da qualidade de interações; melhor acesso ao conhecimento do grupo e ao suporte do professor; um ambiente de aprendizagem mais democrático; a conveniência ao acesso, visto que basta ter um computador ligado à internet, onde quer que seja (na própria casa, numa
Lan house, na casa de um vizinho ou parente) e o aumento da motivação que os
debates suscitam são fatores que indicam que a aprendizagem via CMC veio para ficar (Idem).
Na experiência de aprendizagem colaborativa em redes existe a facilidade logística. Nem sempre é possível conseguir um horário onde todos os membros de um grupo consigam se reunir por causa das variadas agendas de cada um. Na possibilidade de construção de uma sala virtual, todos podem estar presentes de acordo com sua necessidade particular. O espaço virtual torna todos os encontros reais e atemporais. E, além do mais, possibilita a integração geográfica. É uma realidade que transcende o tempo e o espaço.
Entretanto, a discussão maior centra-se nos papéis dos professores e dos alunos. Por ser tratar de uma mudança paradigmática, os modelos de ação são repensados. Ao transformar-se de professor em tutor, o profissional da educação deve estar ciente de que sua prática será diferente, calcada na perspectiva da articulação dos saberes, no estímulo permanente à participação do aluno, na possibilidade de construção coletiva e na busca por uma metodologia mais desobediente e que seja capaz de transgredir receitas prontas e acabadas. O grande desafio é conseguir alcançar uma visão técnica de sua atuação e incorporar seu papel de coordenador, de problematizador do conhecimento, que instiga, acolhe e exerce sua função de formador de pessoas numa relação onde professor e aluno são protagonistas (LEAL, 2009).
Na outra ponta da relação pedagógica está o aprendiz, muitas vezes um adulto que busca uma qualificação para incrementar sua carreira profissional. O adulto pode e deve exercer sua autonomia nos espaços de aprendizagem via CMC. Preti (2000) esclarece que não se trata de uma metodologia de ensino e sim de uma modalidade e que essa modalidade não é nova, pois sempre existiram cursos à distância com esse objetivo de qualificação profissional, seja por computador ou os telecursos de televisão. O que se está presenciando é uma adequação aos recursos tecnológicos
atuais, com a aceleração inerente às velozes transformações e globalizações que a era da cibercultura apresenta.
Nesse sentido, sendo o aprendiz um adulto, estimula-se sua autonomia no sentido de ser o sujeito do processo de aprendizagem, assumindo sua autoria, apropriação e reelaboração do saber.
A autonomia na ação educativa tem várias dimensões, entre elas a ontológica, que é a conquista de sua capacidade e possibilidade de construção do próprio vir-a- ser. Tem também uma dimensão política, pois ela não é construída em um vazio e, portanto, precisa ter objetivos e metas claras, pois aquele que não exerce sua autonomia acaba por ficar à mercê das decisões tomadas por outro, sem sua participação. Existe, ainda, a dimensão afetiva da autonomia, pois posicionar-se não implica em algo árido. Se existe entusiasmo no processo de aprendizagem, é mais provável que aconteça uma realização pessoal e uma expressão de autonomia. A autonomia pressupõe também uma dimensão metodológica que é a decisão de qual caminho tomar para compreender e dar sentido ao seu ato de autoformação, algo que aproxime o sujeito de seu conteúdo, que possibilite a reflexão e a reelaboração, deixando-o aberto para escrever e falar sobre o que aprendeu (PRETI, 2000).
Enfim, fala-se de uma dinâmica de aprendizagem em rede, que demanda novas posturas de quem ensina e de quem aprende, que reflete um tempo atual onde o que se busca é a religação dos saberes, a problematização do tempo presente. E é possível falar em uma cibernética na educação, considerando que o espaço é de coordenação de um todo onde as informações retroagem sobre o sistema, alterando a configuração do todo e de suas partes.
Não é objetivo central deste texto problematizar em profundidade a temática da informatização na e da educação. O cuidado seria o de circunscrever a experiência investigada dentro de sua linguagem própria que passa pela expressão do sujeito através da escrita e pela distância física entre professor e alunos, entre aluno e grupo. O objetivo no espaço da pesquisa é perceber a influência deste veículo de mediação de ensino nos aspectos subjetivos de relação e de construção de aprendizagem de um pensamento complexo.