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4 Hypoteser og modell

4.1 Avhandlingens hypoteser

Após uma leitura flutuante dos discursos, foi possível identificar as ideias sobre a formação profissional na área das Engenharias; o diálogo a ser estabelecido pela Engenharia com outras áreas do conhecimento e o relacionamento entre a dimensão técnica, a humana e a sócio-ambiental; os discursos registram a ideia da racionalidade técnico-instrumental ainda dominante nos cursos de graduação.

Identificamos também a presença de ideias de transformação aplicada a formação profissional do Engenheiro face as demandas sociais; Outras ideias também se apresentaram referentes a importância da interdisciplinaridade nas práticas docentes e o repensar da avaliação do ensino.

Esses discursos assim se configuraram:

Foi relevante registrar nesse segmento que, segundo um dos informantes-chaves (GESTOR A), a sociedade, e especialmente a comunidade acadêmica no CT, tem urgência de tratar de temas ligados à educação em

Engenharia e sobre o desenvolvimento tecnológico de forma mais holística e não apenas com base numa concepção tecnicista.

“O perfil do engenheiro procurado no século XX, era um profissional que tinha uma boa base técnica, e que promovesse resultado funcional para a empresa empregadora. Hoje, olhamos para as demandas do mercado, especialmente a indústria que quer um profissional com visão e formação mais ampla, com atenção a sustentabilidade e atenção a um perfil que dialoga com as humanidades – temáticas sociais, ambientais, liderança, proatividade” (percepção do Gestor A - entrevista realizada no CT/UFC).

Porém, o entrevistado reconhece que a concepção de educação que predomina na instituição deixa ainda lacunas na formação do profissional de Engenharia. Esse fato pode ser percebido no seguinte pronunciamento: “Nós sabemos enquanto agentes do Centro de Tecnologia e da Universidade que discutir e repassar técnicas não são suficientes, precisamos reformar o pensamento, mas ainda estamos engatinhando na formação de base humanística”. A dificuldade encontrada é decorrente da dificuldade em quebrar paradigmas, bem como de um tímido diálogo com um pensamento mais complexo rumo a uma interdisciplinaridade no âmbito dos cursos de graduação.

Verificou-se também que, na concepção do Gestor B:

“Esse fosso que ainda existe, se dá em decorrência do tímido diálogo da academia com a indústria no Estado, na concepção de muitos professores na instituição. O perfil do nosso professor/pesquisador é o aluno que sai da graduação-mestrado e doutorado sem nenhuma vivência no mercado, especialmente com a indústria. A ausência de vivência dos professores com o mundo do trabalho é um fator que dificulta para que o aluno de graduação contextualize e dialogue com sua futura atividade profissional” (percepção

do Gestor B – entrevista realizada no CT/UFC).

Verificou-se, sobretudo, que o segmento pesquisado percebe a atual política do MEC/Capes como impeditivo para o diálogo paradigmático e o fortalecimento de parcerias entre a universidade e a indústria, inclusive ocorrendo

uma supervalorização da produção acadêmica em detrimento do valor de uma patente, ou ainda, de uma ação pedagógica com valorização do ensino e da extensão.

Para o GESTOR C entrevistado também no CT/UFC:

A universidade demora em compreender esse “processo esquizofrênico”, que propõe algo diferente do que efetiva e financia na prática. No entanto, a instituição pode diminuir sensivelmente tais distâncias ao instituir estágios para o professor para que ele tenha contato efetivamente com as questões profissionais de ordem prática existente e demandada pelo mercado de trabalho, além de valorizar a produção de patentes como visivelmente hoje, valoriza a produção científica e o currículo lates (percepção do Gestor C).

No que diz respeito às concepções de educação que predominam nos cursos de graduação em Engenharia, o GESTOR D afirma que o CT apresenta racionalidades de A a Z. Vejamos o que o mesmo informante diz:

“Nós precisamos quebrar as barreiras que reforçam que o professor é detentor do conhecimento e repassador do mesmo, e que o aluno é mero receptor de informações e reprodutor do conhecimento cumulativo e linear, „pra‟ mim ainda é uma utopia, ainda estamos muito longe de uma atividade mais dialética”, precisamos avançar para a flexibilização das formas de aprendizagem, e nos questionar mais sobre o visível distanciamento com o pensamento complexo (percepção do Gestor D).

Com relação à concepção de ciência, evidenciou-se uma maior preocupação com o dilema existente no CT/UFC quanto ao ensino da matemática, física e química no ciclo básico, o mesmo deve ser dado pelo matemático, físico e químico de forma pura ou com foco na Engenharia. As discussões ainda são incipientes. Porém, os informantes aludiram que após a reforma curricular ocorrida no ano de 2004, procurou-se abordar temas ligados ao currículo, à resolução de

2002, à cidadania profissional, à ética profissional, porém ainda de forma marginal, mas com possibilidades de avançar mais.

Assim, para um dos informantes:

“A instituição precisa formar o engenheiro com atenção à cidadania profissional, o mercado não quer apenas tecnicismo e pragmatismo, o perfil demandado atualmente é do profissional aberto às questões humanísticas, sociais, ambientais. Hoje, está na pauta a questão socioambiental, a sustentabilidade, a produção limpa, as energias renováveis e a questão ética como pano de fundo no país e no cenário internacional” (percepção

do Gestor A).

Também se observou que quanto às discussões sobre os possíveis resultados do currículo implantado a partir do ano de 2005, existe certa cautela por parte dos gestores ao tratar da questão:

“(...) a primeira turma acabou de sair, nós não temos a cultura de acompanhamento dos egressos, por isso, precisamos rever isso, eu pude perceber nos últimos anos uma necessidade crescente de um indicador que nos dê respostas e nos retroalimente na forma de conduzir o currículo e o ensino de Engenharia”. “O CT precisa saber como se comporta no mercado de trabalho o profissional formado na UFC” (percepção do Gestor

C).

Ainda é embrionária na cultura acadêmica dos cursos investigados na instituição uma política pedagógica que potencialize um espaço que discorra sobre a necessidade de acompanhar permanentemente o currículo e a concepção de Ensino de Engenharia dominante, visando criar indicadores para mudar rotas de navegação. O CT apresenta indícios significativos de crescente reflexão sobre a racionalidade emergente no ensino de Engenharia, visando formar o profissional desejado pela sociedade contemporânea.

Ao perguntamos sobre a existência de um grupo de professores acompanhando esse processo de avaliação no centro de tecnologia, segundo um dos entrevistados,

“É muito difícil a reforma do pensamento e o diálogo com outras concepções de educação, “porque o professor antes de tudo é livre (...) o que é bom, agora o excesso de liberdade na prática docente torna possível o não engajamento, (...) é difícil dizer para o professor que ele precisa rever algo na sua didática, no currículo, no ensino-aprendizagem”. Porém, é perceptível que alguns professores estão começando a discutir a temática, vejo a preocupação da Diretoria, vejo ações ainda isoladas, mas buscando compreender questões inerentes ao currículo e ao ensino de Engenharia, são avanços pontuais, com grande possibilidade de desenvolver-se. (percepção do Gestor B).

Com relação aos grandes desafios dos cursos atualmente, observa-se que a quebra de paradigma para uma formação mais holística, cidadã e dialógica do engenheiro, de forma interdisciplinar, ainda é um desafio considerável no contexto atual em decorrência da especialidade ser colocada de forma isolacionista. Formar um profissional crítico-reflexivo, com um olhar mais amplo de suas ações, independentemente da área que vai atuar, é um desafio possível para a instituição. Pois, a cultura acadêmica emergente favorece essa reflexão, daí porque, hoje, já faz eco e sentido para alguns professores e alunos, por ser uma questão que está aos poucos sendo amadurecida no âmbito dos cursos de graduação.

Verificou-se, também, que na concepção de um dos gestores a existência de algumas dificuldades de gerar um ambiente nos cursos de graduação favorável ao diálogo entre disciplinas e áreas de conhecimento com base em outras racionalidades:

“Na hora que abrirmos para a inclusão de novas disciplinas se volta a formar em engenheiro politécnico (generalista), e aí ele iria fazer uma especialização em seguida. Eu não tenho boas perspectivas quanto a isso, o que se observa na prática é que se coloca no papel, mas não se faz uma discussão prévia do perfil que se quer formar, falta esse olhar. Evidencia-se,

então, que a proposta vai de encontro com o que o MEC sugere que é diminuir o tempo dos cursos” (percepção do Gestor C)

Com relação à avaliação permanente, um dos gestores entrevistados não vê com grande otimismo essa questão. Porém, reconhece que o CT tem que pensar e debater os processos de avaliação:

“É preciso uma discussão mais ampla sobre o que avaliar e como avaliar. Quando se pensa em criar um curso de Engenharia, nós precisamos pensar em suprir uma necessidade especialmente da região, por isso, naturalmente o mercado deve servir de parâmetro” (percepção do Gestor D).

Finalizando o item, os entrevistados afirmam a emergência de um novo perfil profissional resultante das forças políticas que exercem certa influência na escolha do perfil que a indústria de base molda atualmente no Estado. Os depoimentos e discursos analisados apontam para indícios importantes quanto às interposições paradigmáticas emergentes. Além de uma expectativa de que o estudo possibilite a reflexão da comunidade acadêmica sobre os novos desafios do ensino de graduação em Engenharia, por ser o CT/UFC uma referência regional também nas questões de inovação tecnológica, no crescente diálogo com as humanidades e nas questões éticas. Uma revolução silenciosa que é menos estrutural e mais paradigmática, porém imprescindível no contexto de crise do paradigma dominante.

Iniciamos a apreciação dos discursos, organizando quadro-síntese de dados e as categorias de análise, que possibilitou o exame do contexto e de seus significados.

Apresentamos a seguir as unidades de registro do discurso dos gestores do CT/UFC em relação à formação profissional e o currículo na área de Engenharia.

QUADRO 4 – SENTENÇAS DOS GESTORES RELATIVAS A TEMÁTICA DA IINVESTIGAÇÃO

UNIDADES DE REGISTRO ( TEMA) SENTENÇAS

%

Necessidade de um currículo que possibilite integrar a formação de base técnica com as ciências humanas.

Formar engenheiros com atenção a cidadania e a atuação com responsabilidade social.

Na organização curricular na área de engenharia deve-se dar atenção também as implicações socioambientais e a dimensão social da profissão.

Deve haver preocupação crescente com a sustentabilidade dos processos e as implicações resultantes das intervenções no meio.

Tímido diálogo entre academia e Indústria cearense.

Ausência de vivência do professor com o mundo do trabalho e de formação pedagógica.

Ausência de diálogo do aluno com a atividade profissional, além da necessidade de maior diálogo com a área de Educação.

A contextualização do ensino, como estratégia determinante para a formação profissional na atualidade. 8 6 5 3 3 1 2 2

Importância de um diálogo paradigmático entre a área de engenharia e as humanidades.

É notória a ausência de um processo avaliativo que alcance os egressos dos cursos de graduação na instituição.

Necessidade de indicadores qualitativos que nos auxilie na tomada de decisões no âmbito do currículo.

Nós precisamos quebrar as barreiras e resistências que reforçam a postura reativa nas engenharias tornando-se impeditivo a um amplo diálogo com as humanidades.

Se faz necessário avançar para a flexibilização nos processos de ensino- aprendizagem, e nos questionar mais sobre o visível distanciamento com a introdução de um pensamento complexo no ato pedagógico.

Encontra-se presente um certo distanciamento com as humanidades e com um conhecimento produzido em bases dialéticas.

Necessidade de formação profissional com atenção a função social do engenheiro.

Constata-se a emergência de um novo perfil profissional e de uma nova pauta de discussões nas Engenharias.

É muito difícil o diálogo com outras concepções de educação, porque o professor antes de tudo é livre no exercício do magistério.

É difícil dizer para o professor que ele precisa rever algo em sua didática, no currículo em ação, no processo de ensino-aprendizagem.

8 2 2 4 1 3 6 3 1 1

É perceptível que alguns professores estão começando a discutir a temática relativa à avaliação curricular, vejo a preocupação da Diretoria de Centro com a questão.

A constatação de que emerge no contexto atitudes diferenciadas com avanços quanto uma nova racionalidade, são avanços pontuais, mas com grande possibilidade de desenvolver-se no âmbito dos cursos.

Percebe-se certa ausência de discussões prévias, sobre o perfil profissional, que se precisa para atender aos novos desafios da engenharia na sociedade atual, com a mediação do professor.

Evidências de que a proposta curricular que se efetiva dialoga com o que o MEC sugere atualmente.

A necessidade de ampliação das discussões sobre avaliação curricular;

É imperativo suprir necessidades regionais qualitativas a partir da ampliação do diálogo com o mundo corporativo.

3 3 1 2 4 5 Fonte: pesquisador