Inflation in five years
4. A new core model for Norges Bank – finding a better NEMO
4.3. Non-atomistic wage setters
1 e 2 divergem porque enquanto 1 diz estar precisando de uma terapia, 2 conclui que a terapia é você quem faz.
O MEU EU
1-Edineuda- [Retoma a fala com voz trêmula, após chorar]. Eu pretendo falar toda a verdade desse sentimento, porque não dá pra esconder dos outros, o que eu não posso esconder de mim. É inútil isso. É inútil você viver fechado no seu mundo interior, sem deixar que as pessoas compartilhem desse mundo, sem deixar que os outros possam estar sempre te ensinado e aprendendo de ti também.
2-Imeuda- [...] Uma vez [...] a Edineuda tava falando [...] uma outra terapia, aí outro dia ela falou assim: ‘eu cuido muito, eu num gosto de receber, acho que eu não mereço receber’. Então aquilo me tocou porque eu passei por essa situação que ela... E ainda hoje eu sofro. Agora procuro me trabalhar. Achar que eu não mereço receber, que eu
tenho que dar, dar, dar, dar, está entendendo? Pros filhos, pro marido, pro num sei o quê, quando aquelas vezes, aquela forma de dar está me fazendo muito mal. Não, dar por dar, porque diz que quando você está bem, trabalha o eu, aí você fazer pro outro, te faz bem. [...] [Ela se considera meio canguru- guarda aquela proteção] E eu me acho assim porque assim, sabe? Meio assim [canguru], quando eu tive a minha primeira filha [...]. Gente, eu era tão canguru, mas eu era tão canguru, eu não dividia isso com o pai, certo? Eu não conseguia. Eu achava que ele não sabia segurar. Eu achava que ele não sabia dar a mamadeira. Eu achava que ele não sabia um monte de coisa e que eu é que sabia tudo. E eu continuo ainda assim, até hoje, achando que em casa eu sei tudo. E então (...) sei tudo. Às vezes eu acho que eu que tenho que dar a última palavra (...) (...) com o marido, enfim, está entendendo? Aquela questão de achar que eu sei mais do que eles. Se eu não tiver em casa ou seu achar que (...) achando que não conseguem andar (...) porque eu sou assim um pouco (...) por que isso? [...] meu pai morava no interior e a gente saiu muito cedo pra morar só, eu a mais velha, eu fui o canguru também dos meus irmãos, tá (...) e olhando a hora de chegar, essa coisa toda. Então, eu me vi esse canguru por conta disso. [...]. [...], às vezes, eu digo assim: ‘eu estou tão cansada, num dormi ainda’. Eu digo assim: (...) lá em casa. Aí quando chega assim (...) já começo a ligar pra minha irmã. Eu digo: ‘tu, está em casa? Vai sair?’ Ai ela diz: ‘não vou não’. ‘Então vem pra cá’. (...) de repente, eu me vejo com a casa cheia de gente. Então são coisas que eu gosto de juntar.
3-Eulina- Eu já sou o contrário da Edineuda. Ela falou que ela é fechada. Eu já sou aberta demais. [...] Eu gosto de conversar com as minhas colegas. Eu num tenho problema ‘ah porque eu estou com problema de saúde’[...], eu num escondo. Eu sou transparente com as minhas coisas. Eu chego e digo: ‘Jô, eu estou sentindo isso’. Converso. [...] Eu estou fazendo tratamento psicológico e devido eu ser aberta, eu tenho certeza que eu facilito o meu tratamento porque eu acho que no primeiro dia o psicólogo já fez o meu diagnóstico, enquanto que fosse uma pessoa fechada, ele ia ter várias sessões para poder chegar lá. Ele já chegou, já me pegou, já descobriu. [...] E eu falo, eu tenho essa mania também de dizer o que sinto, como eu sou. Eu num acho que tenho que viver com máscaras, com mentira. Eu sou aberta, escuto o que as pessoas me dizem, reflito [...] E eu tenho essa falha de me abrir muito com as pessoas. [...] eu me dôo muito às pessoas e eu? Cadê eu? Eu sumi. E o psicólogo está me ajudando a me achar, tá!. [...] Então, eu acho que eu estou melhorando, sabe? [...] E hoje eu descobri que eu
estou crescendo [...], lá vai eu chorar, eu estou procurando ser eu de novo [chora], e eu acho que eu vou voltar a ser...
4-Josenir- Eu acho que eu sou muito intensa, o meu eu é muito intenso, quando eu vivo, eu vivo mesmo, quando eu gosto, eu gosto mesmo. E eu não consigo deixar de passar isso, dessa intensidade que sou eu. E tenho muitos defeitos e um desses realmente é essa questão da insegurança. Me achava muito segura, e de repente, fui ficando adulta e fui vendo que num era por aí bem a coisa[...] [ uma das fraquezas dela] Então esse falar demais, é isso que eu estou fazendo agora, pode ser querer que alguém me ouça (sorri). Falar demais, não consigo conter: na alegria, na dor, na angústia. Se eu estou sofrida, eu sofro muito. Se eu estou apaixonada, eu sou muito apaixonada. E se eu estou alegre, eu sou muito alegre. É uns extremos assim que eu preciso trabalhar. E eu num consigo quando tu olha pra mim, tu sabe o que eu estou sentindo, eu não consigo passar aquilo, tu olha no meu olho, meu olho lacrimeja, brilha, quando eu falo de algo que gosto ou que não gosto, também a raiva. [...] Eu acho que busco algo a meu respeito.
CRUZAMENTO DA CATEGORIA O MEU EU1 e 2 se opõem porque enquanto 1 percebeu ser inútil viver fechada no seu mundo interior, sem deixar que as pessoas compartilhem dele, 2 já diz ser uma aberta demais. Tem a mania de dizer o que sente e o que é. Considera-se transparente com as suas coisas, rápida nos seus pensamentos, escuta o que as pessoas dizem sobre ela e reflete.
2 e 3 convergem por dizerem que costumam se doar às pessoas. 2 acha que sempre tem que se doar para os outros (filhos, marido e outras pessoas) e que não merece receber; 3 fala que já chegou a se doar tanto aos outros que seu “eu” sumiu. Devido a isso, seu psicólogo está lhe ajudando a encontrá-lo.
4 diverge de todos por ser o único a dizer que se considera uma pessoa insegura, mas que seu “eu” é intensidade porque quando vive, vive mesmo, quando gosta, gosta mesmo, quando fala, fala demais (não consegue conter-se), quando está sofrida, sofre muito e quando está apaixonada, é muito apaixonada.
3 e 4 divergem entre si pelo fato de 3 dizer que está procurando ser ela novamente, já 4 busca algo a respeito dela, sem especificar o quê.