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Appendix: Interviews

In document Norges Bank Watch 2008 (sider 69-73)

1, 2 e 3 divergem entre si porque enfocam dimensões diferentes acerca do contato das pessoas umas com as outras. Para 1, nós seres humanos somos tão complexos, tão fantásticos e belos porque vivemos o contato com os outros sem percebermos o quanto nós temos em possibilidades, pluralidades e de que são estes canais que podemos abrir para aprender mais do mundo e de nós mesmos. Já 2, revela que o contato da gente se tocar numa determinada oficina foi legal, pois depois disso passou a olhar para os colegas com outros olhos. Isso possibilitou a eles se conhecerem melhor e criar um elo de ser humano. Finalmente 3, acredita na teoria de que somos um pouco das pessoas

com quem convivemos, seja na família, trabalho ou até mesmo num encontro deste. Em cada um desses momentos, se aprende um pouco de cada um. Cabe a eles, apenas filtrar o que há de melhor.

4 é ambíguo porque primeiro diz que só pode estar bem com os outros se cuidar de si própria. Daí a importância de dar esse momento das oficinas para si e estar lá somente por ela mesma, contudo, depois fala que está nas oficinas para ser melhor para os outros.

Estudo transversal da técnica Labirinto da EJA do grupo-pesquisador do CEJA- manhã

MANIFESTO EM PROL DE UMA EDUCAÇÃO COM TODOS OS SENTIDOS

Ao olhar para o espelho, vemos uma realidade que vivemos hoje em nosso país, que é um mundo globalizado. Revoltamo-nos com as pessoas que pensam que temos que viver num “mundo cobra”, ou seja, pisando em cima do outro para conseguir um espaço. Da mesma forma, nos revoltamos com quem pensa que uma pessoa que está com mais de dezoito anos, e ainda não terminou o ensino fundamental, está fora do mercado de trabalho.

Reconhecemos que somos um país que deve muito às pessoas no que se refere à formação, inclusive a formação dos nossos professores é muito frágil. Por isso que a cada dia, precisamos nos lapidar. Mas sabemos que não é sendo excelentes professores de português e matemática que faremos com que o nosso aluno seja uma pessoa competente. A nossa sensibilidade de fazer com que ele seja capaz de aprender e mudar sua situação de vida é muito mais importante do que a competência que temos, porque ela serve muito mais para nós. O nosso papel é conduzir aquela pessoa, fazendo com que se capacite também.

Sabendo disso, vimos por meio deste instrumento, reivindicar que a Educação de Jovens e Adultos seja norteada por outros valores, enfim que na EJA possamos educar com todos os órgãos dos sentidos. Mas o que é a EJA para nós?

O ENSINO NA ESCOLA DE JOVENS E ADULTOS

O ensino de jovens e adultos, apesar de muitas vezes, ser massificado por quem está de fora, que diz que é a mesma coisa, não se trabalha, não é. Essa complexidade de tanta gente diferente, de a cada dia recebermos um aluno diferente, e não termos aquela situação de estar numa sala convivendo com aquele mesmo grupo, sempre encontrando e recebendo um aluno novo, não ficando só naquele grupo especificamente, nos fez vê- la como a EJA-caleidoscópio. Isto nos reporta à questão da mudança que nós vemos aqui no CEJA, escola de jovens e adultos. A EJA-caleidoscópio é uma peça muito interessante e diferente. Toda vez que você olha, você vê algo de novo. E é este o movimento do CEJA.

A escola de jovens e adultos, por mais que seja criticada, por mais que se fale do “Tempo de avançar”, que foi: uma loucura, um inferno, porque os alunos não aprenderam, mas acontece que resgatou muita gente. Alguns de nós que trabalhamos neste Programa, analisamos e vimos que aquilo não era nada. Era apenas para dar uma luz ao aluno, pois a qualidade quem faz é a gente, ou melhor, depende dele. Nós, educadores mostramos as condições, mas a qualidade depende muito mais do esforço e vontade de cada um de nós.

Assim como a vela é luz, para todos estes alunos que vêem o CEJA, é a luz no final do túnel, porque a perspectiva de futuro dele, enquanto cidadão que vive na sociedade capitalista, exige que a cada dia, como profissionais, sejamos melhores, tenhamos mais conhecimento, inclusive com relação à diploma. Por isso que para o aluno do CEJA, esta escola é uma oportunidade, é uma luz no final do túnel, porque é uma luz que pode mudar o percurso da vida dele.

OS ALUNOS DE JOVENS E ADULTOS

Por um lado, uma das características do aluno de jovens e adultos é a baixa auto- estima. A maioria está dessa maneira, porque está desempregado, está há muitos anos sem estudar e/ou fora do mercado de trabalho. Tudo isso faz o ser humano se sentir assim. Talvez seja por isso que há pessoas que entram na sala de artes do CEJA, às vezes, vem só se informar e pergunta: ‘professora, eu comecei arte, como é?’ e passam trinta minutos ou até uma hora conversando. Há senhoras que chegam e começam a contar a história delas para os professores. Mas não são apenas as mulheres que fazem isso. Os homens também conversam. De repente, chega um, conta que está desempregado há muitos anos. São histórias de vida. Há alunos que terminaram artes,

quando menos esperamos, eles chegam e dizem: ‘professora, eu vim só falar com a senhora’.

Mas por outro lado, se sabe que os alunos do CEJA têm vários olhos de diversos formatos, enfim são seres humanos de rostos diferentes que nos procuram. Cada um é diferente. É a diferença e a semelhança do ser humano. Todos têm olhos, nariz, boca, enfim é gente. E cada um tem suas individualidades. A EJA-máscara nos reporta a um gosto de ser humano. São vários olhos, pois ela não possui as mesmas cores de olhos. Enfim, pensamos em rosto, gente, ser humano. O fato da EJA-máscara não possuir os mesmos olhos, boca e nariz é porque ela é preenchida com todo mundo, ou seja, não é de uma única pessoa, é de todo mundo. Se uma pessoa colocar, você vê os olhos, o nariz e a boca dela. Cada um é um rosto. Nós convivemos com pessoas. Então, ela simboliza as pessoas, ou seja, os seres humanos. Já a EJA-linha de crochê, o novelo sem começar significa que estes seres humanos que vêm buscar alguma coisa no CEJA, às vezes, chegam dessa forma, sem começar. Eles querem começar, recomeçar ou iniciar.

O PAPEL DOS EDUCADORES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Na EJA, nós professores e CEJA somos agulha de crochê, porque começamos a fazer os pontos para que surja alguma coisa, e o aluno cresça, aprenda, encontre o que quer e consiga fazer. É o objetivo da escola: fazer com que o aluno produza alguma coisa.

Muitas vezes, nós, professores de EJA, acabamos exercendo o papel de psicólogos na escola. É o caso, por exemplo, da sala de artes do CEJA. Por vezes, esse espaço se torna uma sala de psicólogo. E sem querer, nós professores exercemos este papel. Não sabemos se estamos preparados para isso. Mas procuramos dar tudo que podemos para levantar a auto-estima daquela pessoa que vai nos procurar.

UM CAMINHO

Ao participarmos de uma experiência para conceituar a EJA, fomos levados a usar os cinco sentidos. Avaliamos que esse trabalho foi bastante gratificante e maravilhoso, se consolidando num momento de reflexão, como professor, como educador e como ser humano. Essa experiência nos fez pensar sobre a forma de receber o nosso aluno e de conviver com ele. Aí demos um passo diferente para o aluno e para o eu, que é o mais importante. Constatamos que depois dessa experiência, nós não somos mais os mesmos. Ao darmos esse espaço para nós, fomos apenas por nós. Com isso,

melhoramos o nosso eu, para desta maneira, conseguirmos ser melhores para o outro. Acreditamos que quando trabalhamos o nosso eu, conseguimos, aos poucos, ir fazendo a diferença, ou seja, fazer com que aquelas coisas negativas que vêm do exterior, que vem do outro, que por um motivo ou outro possam nos fazer mal, nós escutemos e filtremos. Isso tanto em relação à questão familiar, profissional e de amizade. Ao escutar o problema, a situação ou a questão do outro, devemos colocar uma barreirinha para nos proteger, pois só dessa forma conseguiremos levantar o seu astral e lhe mostrar caminhos. Acreditamos que é dessa maneira que conseguimos ajudar o outro. Às vezes, não conseguimos ajudar ao outro porque ao nos envolvemos nos seus problemas, passamos a vivê-los. Não devemos nos envolver no sentido de sentirmos tanto ao ponto de ficarmos doentes, senão como é que vamos ajudar o outro?

Essa experiência nos instigou a refletir sobre a situação dos nossos alunos. Como educadores e professores, temos o papel de acolhê-los. Quantos alunos dos nossos não estão na situação de alguns de nós? Há gente que está bem. Há quem não está. Mas cada um possui um eu. Cada um tem suas dores e seus problemas, e nós recebemos milhões dessas pessoas no CEJA. Dizemos milhões, porque são muitos.

Tal experiência nos propiciou também pensar sobre as limitações do nosso trabalho pedagógico, levando- nos a indagar como é que nós trabalhamos com o aluno? Avaliamos que a nossa forma de trabalhar limita a sua aprendizagem. Para dar mais concreticidade ao que estamos dizendo, vamos dar um exemplo bem prático e específico da área de línguas: ao ensinar uma língua estrangeira, não trabalhamos todos os aspectos que envolvem a sua aprendizagem, porque não exploramos a expressão oral, nem a habilidade auditiva. Enfim, não trabalhamos todas as habilidades que o aluno necessita para ter uma aprendizagem daquilo que realmente precisa para se inserir nesse mundo.

Por todas essas razões, acreditamos que temos que “beber” muito de uma experiência dessas, porque é algo que faz tão bem para a vida em tudo: como pessoa, na família, no trabalho e com o eu. Pois de tudo que foi dito e trabalhado, as sensações e observações que fizemos, tudo se fechou na questão da humanização. Daí porque pensamos ,que o ser humano precisa de um ambiente propício, onde ele tenha voz e possa ter essas experiências que nós tivemos. Um espaço onde possa ser acolhido como ser e se sinta capaz de viver a sua verdade. Infelizmente, observando toda a trajetória da nossa educação no Brasil, e mesmo na atualidade, tal ambiente é muito raro nas escolas. Só algumas escolas têm um pouco dessa proposta, mas mesmo assim é aquela coisa

mesclada. Não existe ainda a compreensão profunda de que esse caminho pode dar conta da problemática humana, enfim do ser. Por isso, pensamos que uma coisa prática que deve surgir de uma experiência dessas é uma proposta diferenciada de trabalho pedagógico.

Fotos do processo da técnica labirinto do grupo-pesquisador-CEJA-noturno

Análise classificatória da técnica Labirinto da EJA do grupo-pesquisador do CEJA- noturno

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