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8 Research design and methodology

10.3 Informant interviews: An analysis of the hospital’s organizational

10.3.2 Analysis and findings

10.3.2.2 At operations management level

Menino, sempre fui introvertido. Acompanhado só de mim, gostava de andar pelo mato para observar as plantas, os diversos artrópodes do reino animal, o chão molhado pela chuva da tarde. Apreciava moldar o mundo em desenhos que deixava na areia. Fosse nas brincadeiras com os poucos amigos de rua e de escola, fosse em casa, com meu irmão e minhas irmãs, sempre gostei de inventar. Crescido, profissional da educação maduro,

reflexivo, eu continuo gostando de inventar. Com o projeto de doutorado, não foi diferente; mesmo ao escrever a tese, tinha em mente o que escrevera o poeta Manoel Barros (2003): “Tudo o que não invento é falso”.

Na educação, ao integrar o que é intelectual aos saberes da prática, descobri-me produtor de teorias privadas (AMARAL; MOREIRA; RIBEIRO, 1996), com perspectiva de torná-las teorias públicas. Isso resultará tanto da efetivação de novas pesquisas – reflexivas – sobre a ação escolar cotidiana, como da inserção política em questões educacionais. Mas, minhas pesquisas e inserção, devo concretizá-las nas múltiplas relações com oambiente micro

de atuação docente – a sala de aula – e expandi-las para além dos muros da escola, alcançando a sociedade, outras escolas, outros professores e professoras e outros pesquisadores e pesquisadoras.

Porque foi criação, a pesquisa se fez realidade na dinâmica entre o ato investigativo e o ato educativo. Exigiu uma flexibilidade da programação de ambos, que se fizeram e foram refeitos com o exercício do papel de pesquisador que ensinava. Levar a contento esse projeto, realizá-lo e aprender a fazê-lo melhor, foi um dos bons resultados que esperei concretizar. Para Paulo Freire, na perspectiva libertadora, com a qual me alinhei, pesquisar e educar são ações que se identificam em um permanente e dinâmico movimento. Quem faz pesquisa desse modo, diz Paulo Freire, educa e se educa com os sujeitos da pesquisa (FREIRE, 1984).

Não sei se logrei êxito. Contudo, sei que executar a metodologia da pesquisa reflexiva de desenvolvimento significou reinventar procedimentos com os quais os sujeitos dela galgaram um degrau da condição de informante à de colaboradores, como os professores e as professoras da 4ª e da 5ª série, e co-autores, senão cúmplices mesmo, como o alunado da 5ª série, Turma 507, do Núcleo Pedagógico Integrado. Significou, em minha opinião, enriquecer – talvez sacudir; quem sabe, recriar – o campo do saber das pesquisas educacionais, em matéria de avaliação do ensino-aprendizagem. Melhor, para o ensino-aprendizagem.

O meu trabalho é tributário de todo um movimento geral da pesquisa educacional e das crises das práticas do tempo atual. Devo, em particular, à Psicologia, à Pedagogia, à Sociologia, à Neurociência. Não esqueço dos trabalhos de outros professores e professoras das escolas em que trabalhei, das revistas de divulgação de experiências pedagógicas, dos contatos com educadores de outros Estados e todo tipo de profissional que me forneceram inspirações para o reinvento de mim mesmo não apenas como educador, mas sobretudo como pessoa humana. Uma das inovações do trabalho, por exemplo, é a aplicação sistemática do conceito de totalidade no exercício de desfragmentação das práticas pedagógicas, permitindo à categoria discente ser efetivamente sujeito do processo educacional. Os pensamentos de Paulo Freire e Donald Schön tiveram um papel forte na gênese desta idéia capital, como também o conceito de avaliação diagnóstica de Cipriano Luckesi e as propostas de Celso de Vasconcellos – que menciono tentado a estender mais a lista de influências.

Minha tese é – e não é – sobre avaliação em processo de mudança. Nem suposto, nem pressuposto, mais apoiada na literatura pertinente à área, teorizações, investigações e orientações técnico-metodológicas, a tese que defendo é: para superar a prática avaliativa convencional é preciso alterar a prática pedagógica inteira; todas, ao mesmo tempo – e em tempo real. Nesse sentido, dada a grandiosidade da tarefa que propus como projeto de doutorado, em seu relatório, atingi grande parte das minhas expectativas. Com referência às qualidades política e formal, de Pedro Demo (1999), para a avaliação que chamei de reflexiva, diria que avancei mais na qualidade política, isto é, em relação a finalidades e conteúdos da

educação, do que na qualidade formal, isto é, em relação a instrumentos e métodos. Nos Capítulos 4, 5 e 6, discorro sobre as minhas vivências como professor de Ciências por todo um ano letivo. Neles, (re)conto, descrevo, justifico, explico, interpreto, explicito, o que fizemos os jovens estudantes da Turma 507 e eu. É a parte com que procuro contemplar a qualidade política do processo pedagógico alterado. Ao final de cada um desses capítulos, discorro sobre os elementos praxiológicos. Apresento-os, ressalto, como um esboço de formalização técnico-metodológica que, em trabalhos futuros, desenvolverão com propriedade a qualidade formal típica da práxis pedagógica unitária.

Reconheço a amplitude das idéias que amealhei para me lançar a píncaros elevados. Sei que produzi pouco de idéias radicalmente novas. Não ouso afirmar que estou prestes a inaugurar um corpo orgânico de concepções apto à revolução da prática pedagógica. Ainda estou longe do fim. Como o ambiciono, deixo-o para vencer por etapas, em novas incursões epistemológicas.

Distingue o meu estudo de outros, o modo como articulei aportes teóricos, “achados” de pesquisas e recursos metodológicos, de modo a construir significados “esperados” e inesperados também. Como obra qualitativa, nem todas as questões suscitadas no curso da experiência foram fechadas. Dentre aquelas que inspiraram a investigação (e a intervenção), quem for vivido nesses campos encontrará algumas intocadas, outras mais ou menos inconclusas. Isso está relacionado à perspectiva de desenvolvimento impressa tanto na parte da construção dos dados da pesquisa como para as ações docentes e discentes na lógica pedagógica alterada. Mais do que apresentar uma obra pronta no que prometeu demais, minha

pré-ocupação, nesta fase de formação acadêmica, é tornar público o relatório da pesquisa, que credito portador de conhecimentos para o avanço de problemas do ato pedagógico que não encontram respostas na teorização existente.

Para recontar a Práxis vivenciada, aceitei o desafio que faz eco à opinião de autores diversos: há tantos tipos de relatórios quanto os destinatários possíveis (LÜDKE, 2001). O meu, por ter natureza acadêmica que aborda práticas escolares de construção inovadora, procurou equilibrar uma quantidade de análises e reflexões teóricas com aspectos descritivos e práticos do problema investigado. Se consegui o equilíbrio, o tempo e a crítica dirão.

Que seja significativa a contribuição dele à construção de novos conhecimentos pedagógicos, úteis àquela educação de qualidade que se quer para todos. Significativa porque, ainda que tenha atingido uma fração mínima do professorado e do alunado com quem me relacionei de dezembro de 2001 a agosto de 2002, cada inovação promovida é dotada de uma grande carga simbólica. Para António Nóvoa (1999), em educação, é preciso o efeito

simbólico para que uma experiência que beneficia somente poucas pessoas sirva de exemplo. Por essa razão, desejo que a tese não seja apenas um estudo sobre a alteridade das práticas pedagógicas, que serviu para obtenção de título acadêmico.

Para inúmeras aprendizagens, de sujeitos e instituições, desejo que vá além dos significados teóricos e abstrações de toda pesquisa de abordagem qualitativa. Desejo que penetre pelo cotidiano escolar e contribua na transformação das práticas curriculares de planejar, ensinar e avaliar. Lanço no domínio público energias renovadas, quiçá capazes de estender as reflexões suscitadas para outras situações, com fins pragmáticos e epistemológicos. Energias que julgo potencialmente adequadas para provocar ações de caráter inovador na escola.

CAPÍTULO 1