3 Arbeidsgruppens analyser og vurderinger
3.2 Ekstern FoU-finansiering
3.2.2 Arbeidsgruppens vurderinger
Quanto à proficiência do desempenho, buscou-se compreender melhor os aspectos ligados à execução do trabalho, como, por exemplo, a aquisição dos conhecimentos que são úteis para a realização das tarefas, bem como habilidades e capacidades possuídas pelas trabalhadoras, provenientes de sua experiência prévia, sua educação formal e sua proatividade em aprender o necessário para o desenvolvimento de seu trabalho. Para isso, se teve como
base as unidades de registro “execução das tarefas” e “habilidades e capacidades”.
No Quadro 12 a seguir, é apresentada a frequência dos resultados acerca da proficiência do desempenho, que apresentou 52% do total das falas sobre a execução das tarefas e os outros 48%, de um total de 75 fragmentos, relativos às habilidades e capacidades:
Quadro 12 – Resultado da Proficiência do Desempenho Unidade de Contexto P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 Total % Execução das Tarefas 6 2 3 4 5 3 2 1 0 0 2 5 3 3 39 52% Habilidades e Capacidades 4 3 2 4 2 4 3 2 2 2 1 1 3 3 36 48% Total 10 5 5 8 7 7 5 3 2 2 3 6 6 6 75 100%
Fonte: Dados da pesquisa.
Primeiramente, as trabalhadoras demonstraram estar satisfeitas e felizes com o seu trabalho na construção civil: “Eu gosto do que eu faço. O dinheiro que é repassado pra mim, é a expectativa que eu espero.” (P1); “Por exemplo, ah, eu trabalhava numa loja, eu não ganhava tão bem quanto eu ganho na construção civil, então, pra mim, até eu me formar, tá ótimo.” (P7)
O fato de trabalhar de segunda à sexta (P8; P9) é um fator que agrada essas trabalhadoras, ao se perguntar o motivo de gostarem de seu trabalho nas obras: “Também é o principal motivo de eu estar na construção civil (...) Não trabalho sábado, só trabalho se quiser, e domingo já é descanso semanal mesmo.” (P1)
Também mencionaram como aspecto positivo: “A liberdade. Não totalmente,
‘né’, mas... a gente se sente com mais liberdade do que trabalhando numa loja, num
supermercado. É mais à vontade.” (P7).
Ainda sobre esse grau de liberdade durante o serviço:
O que eu mais gosto, assim, que a gente faz o serviço da gente, ‘né’, bem direitinho, ninguém fica pegando no pé, porque trabalhando direitinho, eles não chamam a atenção. Tem empresa que fica ali, em cima da gente... No caso da gente, ‘né’, que é servente. Fica ali querendo produção e tudo, entendeu? Então eu gosto do jeito que a gente trabalha. Eles são amigos. (P6)
Das coisas que elas não gostam em seu trabalho, aspectos mencionados por uma trabalhadora não foram considerados negativos para outra. Como exemplo, o uso de uniforme (P7), que já é do agrado de outra trabalhadora: “Mas pela farda eu acho até bom porque quando a gente tá em pé, protege a gente de pegar poeira.” (P6) Outro aspecto citado por uma
das serventes foi a hora extra (P8), que já é algo que uma colega sua discorda: “Pois eu gosto
de fazer hora extra, gosto de fazer tudo o que tem que na obra, eu gosto de fazer. Eu não vou dizer isso pra dizer que eu sou melhor não, é porque eu gosto de trabalhar.” (P10)
Uma outra queixa com relação ao trabalho foi quanto à fila na hora do almoço:
“Tem que pegar a fila pra almoçar. Enquanto é 95% de homem e 5% de mulher, esses 5% de
mulher tem que ficar na fila. A não ser que algum vá deixando passar na frente, mas é difícil. Não é fácil, não.” (P8).
Às vezes, o que se torna complicado não está ligado diretamente à tarefa em si,
mas às condições para que se chegue ao trabalho: “Não é um serviço pesado. É só a coragem
mesmo de pegar ônibus, que é muito cansativo, sair, vindo, estar pegando o transporte. Só é
cansativo isso aí, o resto...” (P6)
Ao ingressarem na empresa, as trabalhadoras receberam treinamentos por parte da
organização: “Questão de segurança, questão dos EPIs, que tem que usar, luva, capacete,
cinto de segurança se estiver trabalhando nas varandas, aí elas deram. Aí treinamento também com questão do horário de entrada, horário de saída, horário da refeição.” (P5); “Treinamento da altura. Como a gente trabalha em área de risco, a gente tem que estar todo o tempo com atenção, por onde anda, como deve fazer, não correr pelas escadas, não ficas nas áreas de
periferia, sempre a parte de segurança.” (P7); “De técnico de segurança.” (P8); “Teve mais
um sobre liderança. A [gerente de RH] vem, passa nas obras, aí faz um trabalho bem legal
com a gente.” (P12); “Eu recebi dois treinamentos (...) um sobre o uso dos EPIs, da NR 18,
essas coisas assim, mais básicas da gente e [outro] mais sobre a empresa, normas, regulamentações, esse tipo de coisa..” (P13)
Mas é importante ressaltar o auxílio de outras pessoas durante o processo de aprendizado para execução das tarefas: “Quem me ajudou foi a minha mãe, minha mãe que me ensinou, porque eu não sabia, primeiro emprego, ‘né’.” (P5)
Já uma das entrevistadas sente falta de treinamento:
Eu sinto falta de treinamento que, assim, que explique como cada um falar com o outro, como cada um tratar o outro, porque eu acho que a palavra que você fala, ela tanto motiva como desmotiva qualquer pessoa, então isso eu falo pro geral, pra mim, pro engenheiro, acho que pra todo mundo, pra gente lidar com operário. O operário, ele não tem muita educação, eles são bem incompreensíveis, então a tendência da gente é também ficar assim. Às vezes você fica assim, um pouco grossa, não sabe tratar, mas é porque a gente tá tão ali todo dia, todo dia, que se a gente não prestar atenção nisso, você acaba indo no mesmo rumo na falta de educação, não conseguir falar direito, acho que o treinamento que mais falta é esse. (P14)
Sobre a proatividade para aprender tarefas relacionadas ao seu emprego: “Quando eu tinha dúvida, eu perguntava, que eu sempre gostei de saber” (P4); “Apesar de eu já conhecer bem essa área que eu ‘to’ trabalhando, eu sempre procuro adquirir conhecimentos. E também que a gente sabe que é pra ganhar melhor...” (P7)
Existem qualidades para o trabalho na construção civil que se destacam mais nas mulheres e outras nos homens. Segundo a opinião das entrevistadas, o sexo feminino tem um maior zelo, uma maior atenção e limpeza durante o trabalho: “A delicadeza da mulher (...)
Capricho, como ela vai fazer o trabalho.” (P1); “A mulher também trabalha mais com gosto. O homem só quer saber se termina, faz bem rápido.” (P2); “Eu acho que a parte da limpeza, minha filha. Eles fazem só sujar.” (P3); “A mulher, ela é mais ativa. (...) Tudo o que ela vai fazer, ela quer fazer bem feito, tem mais preocupação” (P6); “Ela tem mais atenção.” (P7); “Organização.” (P8); “O serviço fica mais perfeito.” (P9); “Quando [elas] vão rejuntar, ou botar alguma cerâmica, elas fazem um serviço mais, assim, bem feito, mais... porque os
homens, são mais grosso.” (P12); “Acredito que a organização. Querendo ou não, nós mulheres somos muito minuciosas, mais perfeccionistas.” (P13); “Eu acho que a mulher tem
uma visão ampla. (...) A mulher é mais detalhista.” (P14)
Já com relação aos homens, o que é ressaltado como ponto positivo deles
normalmente é a força física: “Não, assim, deles, que eu admiro muito é a capacidade deles
fazer um prédio, né, pelo trabalho deles, eu acho uma capacidade muito grande. É um
ensinamento muito grande de Deus pra eles.” (P6); “São muito inteligentes (...) É claro que a gente faz parte também, mas a estrutura do prédio, tudo é com eles, ‘né’, então você fica... mas eles não deixam de ser distraídos.” (P7); “É a força física. Tipo, no meu caso, pra eu pegar o peso. Eles já têm essa, deles mesmo, essa força pra pegar.” (P9); “A força, porque
querendo ou não, nós mulheres somos frágeis, não é verdade? Então, eu acho que a força
não se deixa muito se influenciar por causa de trabalho. A mulher, (...) se ela hoje teve um dia de stress, (...) ela começa logo a chorar. O homem não, eles não se envolvem emocionalmente
com o trabalho.” (P14) 4.5 Resultados Gerais
Respondendo ao primeiro pressuposto da pesquisa – se o conhecimento da história da organização, sua cultura e suas tradições ocorre durante o processo de socialização do indivíduo – constatou-se, primeiramente, que as trabalhadoras não possuíam conhecimentos acerca da organização antes de começarem seus trabalhos.
Apenas P13 conhecia a empresa, apesar de não saber como esta funcionava e somente P14 demonstrou ter buscado saber algo da construtora antes de iniciar os seus trabalhos, por recomendação de cursos preparatórios para entrevista. Dessa forma, confirmou- se que o conhecimento sobre a organização em si surge durante o processo de socialização, pois só após começarem seus trabalhos é que as entrevistadas obtiveram informações sobre seu local de trabalho.
Ressaltando-se que a história, compreendida como o surgimento ou o desenvolvimento da organização ao longo do tempo, dificilmente é de conhecimento das trabalhadoras. Mas, considerando-se aspectos como área de atuação, funções e clientes, estes passam a ser de sabedoria das trabalhadoras com o decorrer de seus trabalhos e de seu processo de socialização.
Com relação ao ingresso na indústria da construção civil, no caso das serventes, zeladoras e da técnica de segurança, este ocorreu por meio de pessoas próximas a elas que já trabalham na construtora e as avisam sobre as oportunidades. Com as auxiliares administrativa e de setor pessoal, seu ingresso se deu por um programa de aprendizado de jovens, havendo posteriormente a contratação. Uma consultoria - ou seja, uma experiência prévia de trabalho - foi a responsável pelo ingresso da gerente de Recursos Humanos nesse setor de atuação.
Sobre a cultura e tradições, por ser algo relativo à organização, é somente após seu ingresso na empresa que as mulheres podem conhecê-las melhor. Todas afirmaram haver celebrações de aniversariantes do mês e festas de final de ano. Nas obras, realiza-se também uma comemoração quando estas são encerradas. Em uma das construtoras, acontece todo dia um momento voltado à segurança do trabalho. Já no escritório, em uma das construtoras existe uma funcionária responsável exclusivamente pelo endomarketing, que mantém algumas
atividades constantes, como dicas e reflexões semanais voltadas aos gestores e líderes da organização.
Respondendo ao segundo pressuposto da pesquisa – se a percepção das relações de trabalho e o conhecimento da estrutura e do funcionamento do grupo de trabalho são indicativos do grau de socialização das trabalhadoras –, este pôde ser confirmado.
Foi possível perceber que as trabalhadoras conhecem quais são as suas tarefas e sabem a quem recorrer ao necessitarem algo para sua execução. Sobre a disseminação dos valores da empresa, sob a ótica da gerente de Recursos Humanos isso é algo bem fixado pelos funcionários da empresa. No entanto, foi possível perceber que, saindo do escritório e passando para o canteiro de obras, tais informações não são formalmente bem conhecidas, embora possam aparecer incorporadas no discurso das trabalhadoras quando mencionaram o que julgavam ser valorizado pela empresa. Porém, não se pode dizer se esses valores declarados pelas funcionárias partem de suas opiniões e valores pessoais, já que são qualidades normalmente apreciadas, ou se foram repassados a elas pela organização.
A flexibilidade no ritmo do trabalho pode ser também um indicativo do grau de socialização dentro do grupo de trabalho, já que demonstra certo grau de autonomia na execução das tarefas, mas também exige responsabilidade por parte das trabalhadoras para que não deixem de cumprir com as suas obrigações.
Com relação à integração social, é possível identificar a existência de um determinado grau de socialização das trabalhadoras, mas há também deficiências no processo. Isso pode ser notado com relação ao acolhimento percebido por elas por parte da organização, já que as mulheres se sentem integradas em seu grupo de trabalho, muito embora não tenham tido ou tenham tido uma apresentação parcial de seus colegas de trabalho quando ingressaram na empresa.
Outro fator relevante é que algumas alegam possuir amigos dentro do ambiente de trabalho, enquanto outras os veem apenas como colegas e procuram manter uma distância em seus relacionamentos. No entanto, não se pode associar esse fator exclusivamente como uma deficiência do processo de socialização organizacional, já que isto pode ser apenas uma característica pessoal dessas trabalhadoras que percebem como uma melhor postura profissional manter essa distinção entre amigos pessoais e colegas de trabalho.
Sobre a relação com os homens no ambiente de trabalho, quando questionadas objetivamente, as mulheres alegaram não sentir preconceito e nem sofrer assédio por parte deles e declararam se sentir integradas e respeitadas. No entanto, ao longo dos discursos, percebe-se que no dia a dia do trabalho, podem existir situações nas quais o tratamento é
diferenciado, como, por exemplo, no volume de voz utilizado com um homem e com uma mulher. Além disso, são recorrentes os relatos de cantadas recebidas por elas, fato que é considerado normal por essas mulheres e também visto como uma não exclusividade do setor da construção civil. Normalmente, as serventes de obra e as zeladoras, trabalham nos apartamentos sozinhas ou em dupla, de forma que o contato com os demais trabalhadores acaba ocorrendo primordialmente durante as refeições.
Um último fator que pode avaliar o grau de socialização dessas mulheres diz respeito à aprovação das pessoas próximas a elas com relação ao trabalho que exercem. Percebeu-se que há uma relutância por parte da família e isso pode afetar o processo de socialização, já que por decidirem trabalhar, acabam indo contra a vontade de pessoas representativas em suas vidas. Apesar disso, as trabalhadoras se mostraram satisfeitas e felizes em seus empregos. É importante ressaltar também que algumas delas não sofrem com essa opinião contrária de seus familiares ou cônjuges.
Respondendo ao terceiro pressuposto da pesquisa – se o domínio e a aprendizagem das características necessárias para a execução das tarefas pelas trabalhadoras surgem com o processo de socialização –, este também pôde ser confirmado.
O domínio da linguagem é essencial para a execução de um trabalho. No início de seus trabalhos, as mulheres possuíam dificuldades para compreender e utilizar os termos específicos do trabalho e da organização e esse conhecimento foi sendo adquirido durante o processo de socialização, já que aprenderam seus significados e usos ao longo do trabalho, por meio de observação ou com o auxílio de colegas.
Com relação à proficiência do desempenho, esta também ocorre ao longo do processo de socialização, além de ser um fator fundamental para execução das tarefas. Por parte da organização, treinamentos sobre a empresa e sobre segurança foram ofertados quando as trabalhadoras ingressaram na construtora, o que auxilia o processo de socialização com relação ao emprego em si. No entanto, os treinamentos ocorrem somente no momento da entrada do funcionário, o que pode gerar uma deficiência no processo de socialização, já que este é contínuo. Esse fator foi ressaltado, inclusive, por uma das trabalhadoras, que apresentou como queixa a falta de um treinamento específico.
Para a execução das tarefas, as iniciativas que atuam no processo de socialização não partem somente da organização, mas também dos próprios funcionários e dos colegas de trabalho. É possível perceber que as mulheres entrevistadas também recebem auxílio de seus colegas e algumas têm a iniciativa de perguntar e de pedir ajuda quando necessário.
Desse modo, foi possível ao longo da pesquisa responder aos três pressupostos iniciais, os quais foram confirmados. Com relação às trabalhadoras que contribuíram para este trabalho, percebeu-se que elas se encontram socializadas dentro das três perspectivas analisadas (organização, grupo de trabalho e emprego), mas em todos esses âmbitos existem deficiências no processo de socialização organizacional, como a necessidade de um maior conhecimento sobre a organização como um todo, melhorias no processo inicial de integração ao grupo de trabalho e a existência de um foco maior nos treinamentos, não centralizados somente no momento de seu ingresso na organização