2.5 Aspektorientert programmering
2.5.2 AOP sin tilnærming til arveanomali
TRADICIONAIS
La cultura es el ejercicio profundo de la identidad.
Júlio Cortázar
Um estudo que aborda o uso de jogos como uma ferramenta facilitadora no processo de ensino e aprendizagem de LE não é nada inovador. Pode-se encontrar uma ampla bibliografia sobre o assunto na internet e em material impresso. Contudo, o estudo aqui proposto diferencia-se dos demais já realizados por apresentar a seguinte particularidade: o viés cultural que permeia os jogos utilizados nas aulas de língua castelhana e que se tornaram o objeto de estudo deste projeto.
Em Cultura e Sociedade, Marcuse afirma que “a cultura não é crítica, mas integradora: faz parte das condições sociais que favorecem a perpetuação da sociedade vigente” (MARCUSE, 2006, p. 26). O Pelele e a Piñata22, os dois jogos utilizados nas
aulas de LE e descritos posteriormente neste trabalho, legitimam a afirmação de Marcuse porque quando aplicados no ambiente escolar e utilizados como ferramentas de ensino e aprendizado da língua castelhana, além de cumprirem suas funções no que concerne ao uso da língua, ainda estimulam a integração entre os participantes, oportunizam a ampliação de seu repertório artístico e literário e, principalmente, reforçam a importância do respeito à diversidade cultural.
Ao entrar em contato com o jogo do Pelele e a tradição da Piñata, o aluno brasileiro tem a oportunidade de fazer o papel de um observador de culturas alheias e, desse modo, estabelecer relações, comparar situações segundo pontos de vista de sua própria cultura.
Por exemplo, ao expor o quadro23 de Goya que retrata o jogo do Pelele para crianças entre 8 e 10 anos não ficará claro, à primeira vista, o que motivava as mulheres a se esconderem nos campos afastados de Madri para praticar tal atividade. O desejo de
22 A Piñata será vista neste estudo como um jogo, na medida em que se trata de uma atividade de interação entre crianças com um objetivo comum de romper a peça. Em alguns momentos, a Piñata também será citada como uma atividade que faz parte da tradição mexicana em festas de aniversário.
23O quadro “El Pelele” pintado entre os anos 1791-1792, pelo espanhol Francisco de Goya y Lucientes, retrata o jogo e está atualmente exposto no Museu do Prado em Madri, Espanha.
revolta contra a sociedade machista e a impotência diante de tal situação, não é um comportamento claramente perceptível para as crianças que no século XXI presenciam a situação de mulheres que, na maioria dos casos, têm direitos iguais aos dos homens. Cabe ressaltar que o trabalho realizado com o quadro de Goya, dentro da aula de LE proporciona ao professor e alunos uma fonte inspiradora de discussão sobre o papel da mulher na sociedade dos séculos anteriores e na atualidade. Desse modo, pode-se elencar mais uma característica singular do que também se propõe a ser descrito neste trabalho que é o uso de brincadeiras tradicionais retratadas em diferentes linguagens artísticas e a importância de discutir o assunto de alta relevância como o papel da mulher e sua postura ante o machismo, dentro e fora do ambiente escolar.
Embora o Pelele, a partir do que foi retratado pelo pintor espanhol, reflita uma situação opressora de um determinado período - século XVIII - não significa que deva ser ignorado, ocultado pelo tempo e pela sociedade. Tal jogo, atualmente, adquiriu releituras que podem ser observadas não somente na Espanha, mas em outras partes do mundo. Um exemplo disso é ver a manifestação de alegria dos jogadores que, ao ganharem uma competição, jogam seu treinador para o ar, fazendo o movimento do “manteo”24 retratado no quadro. Certamente, o que motiva os jogadores a fazerem isso não se caracteriza no mesmo sentimento de desprezo que as mulheres tinham com relação ao boneco.
Quanto a Piñata, pode-se facilmente encontrar vídeos na internet que mostram passo a passo a elaboração do artefato e o envolvimento das pessoas que se dedicam à conservação dessa tradição. Portanto, o fato de haver material atual como vídeos, revistas e artigos que demonstram como a Piñata continua viva na sociedade mexicana ˗ e em outros países, por exemplos nos Estados Unidos25, em função da população hispânica residente naquele país ˗ não causa espanto nas crianças brasileiras que rapidamente se identificam com a alegria das comemorações das festas de aniversário. No entanto, as crianças demonstram certa surpresa quando se dão conta da complexidade da confecção da Piñata. O tempo de elaboração, a demanda de material e principalmente a paciência na feitura da decoração de uma peça que será golpeada e quebrada em questão de minutos chama a atenção das crianças brasileiras que, em grande parte, habituadas a conviver em uma sociedade na qual muitas atividades familiares acontecem de forma imediata e simples, não
24 Ação de lançar ao ar entre várias pessoas, com uma manta agarrada pelas bordas, a outra pessoa, que ao cair volta a ser lançada repetidas vezes para cima.
25 Nos Estados Unidos, as piñatas são facilmente encontradas. Podem, inclusive, ser compradas em supermercados.
conseguem perceber o que motiva uma família mexicana a se reunir em torno de uma peça artesanal e passar horas fazendo a decoração de uma Piñata.
De acordo com Santos (2006), não se pode entender a cultura como uma realidade estanque, parada. A sociedade muda com o passar do tempo e a cultura de cada lugar se modela e remodela, de acordo com seu povo, sua história, sua política, suas relações com outras culturas.
O esforço de entender as culturas de localizar traços e características que as distingam, pode acabar levando a que se pense como algo acabado, fechado, estagnado. Como já disse antes, as culturas humanas são dinâmicas. De fato, a principal vantagem de estudá-las é por contribuírem para o entendimento dos processos de transformação por que passam as sociedades contemporâneas. (SANTOS, 2006, p. 25-26)
A cultura é viva, é dinâmica e os jogos representam essas transformações a partir de suas várias leituras e pelo resgate das relações, seja da sociedade como um todo, seja de unidades menores como o núcleo familiar. A cultura é capaz de perpetuar tradições e valorizar ações que só tendem a contribuir para as próximas gerações.
O objetivo deste capítulo é discorrer sobre a importância de colocar o aluno brasileiro em contato com culturas de outros países a fim de conhecer e valorizar sua própria cultura, assim como afirmam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de LE.
[...] conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais. (BRASIL, 1998, p. 7)
De maneira geral, cultura26 é um termo que pode ser definido como um conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos e costumes que distinguem um grupo social. Pode também ser a representação da forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais e espirituais de um lugar ou período específico das civilizações, assim como um complexo de atividades, instituições e padrões sociais ligados à criação e difusão das belas-artes, ciências humanas e afins.
No que diz respeito a esta pesquisa, o uso dos jogos Pelele e Piñata, propostos como ferramentas lúdicas no processo de ensino e aprendizagem da língua castelhana, consegue alcançar uma multiplicidade de elementos culturais capazes de enriquecer o repertório dos aprendizes. Por exemplo, o comportamento, as tradições, as ações, os
padrões sociais e as artes são elementos que indubitavelmente serão tratados nessas atividades, pois delas são constituintes.
Um valioso relato de como uma pessoa é capaz de aprender e valorizar sua própria cultura a partir da vivência de culturas de outrem pode ser encontrado no livro Pedagogia
da Esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido do educador Paulo Freire.
Ao falar de suas experiências no período em que esteve exilado no Chile, o filósofo diz que percorreu grande parte do país em viagens e que o contato que manteve com educadores e aprendizes chilenos foi imprescindível para a construção do respeito às diferenças culturais já que tinha de lidar com muitas variáveis, entre elas a língua, e que para alcançar um aprendizado efetivo foi necessário esforçar-se muito para poder expressar-se com clareza.
O respeito às diferenças culturais, o respeito ao contexto a que se chega, a crítica à “invasão cultural”, à sectarização e a defesa da radicalidade de que falo na Pedagogia do oprimido, tudo isso é algo que, tendo começado a ser experimentado anos antes no Brasil e cujo saber trouxera comigo para o exílio, na memória do meu próprio corpo, foi intensamente, rigorosamente vivido por mim nos meus anos de Chile. (FREIRE, 1997, p. 22)
É muito importante considerar que a cultura diz respeito à humanidade como um todo, mas simultaneamente, faz referência a cada um dos povos, nações, sociedades e grupos humanos. Quando se pensa nas culturas particulares que existem ou existiram, é possível observar uma grande variação delas. Saber em que medida as culturas variam e quais as razões da variedade das culturas humanas são questões que provocam muita discussão.
O Pelele, um jogo bastante desconhecido no mundo, mas anualmente revitalizado pelos espanhóis em um “pueblo”27 próximo a Madri, é digno de um verbete no mais importante dicionário da língua castelhana. No Diccionario de la Real Academia, Pelele está definido como: “figura humana de palha ou trapos que costumeiramente são colocadas nas varandas ou jogada para cima com um cobertor ou toalha, pela população, no carnaval. Pessoa simples ou inútil”28.
27 Faz referência a uma cidade pequena ou vila de poucos habitantes, composta de pessoas comuns e humildes que levam uma vida pacata em determinada região, cidade ou país. Disponível em < http://dle.rae.es/?id=UZpGOPN>. Acesso em 8 de maio de 2016.
28 Tradução nossa: “Figura humana de paja o trapos que se suele poner en los balcones o que mantea el pueblo en las carnestolendas. Persona simple o inútil”. Disponível em <http://lema.rae.es/drae/?val=pelele>. Acesso em 30 de agosto de 2015.
Em seus registros mais populares, o Pelele é retratado com grande desprezo, reforçando sua definição no dicionário. No quadro de Goya, o boneco tem um aspecto abobado, aparvalhado. No fragmento do livro de Cervantes, Sancho Panza é “manteado”29 e a imagem de desprezo se mantém a partir da inabilidade do escudeiro.
No entanto, na atualidade, o “manteo del pelele” é realizado anualmente, ainda no período do carnaval, em um povoado nas proximidades de Madri, com um caráter muito diferente do que foi descrito anteriormente. Hoje em dia, os bonecos são confeccionados com expressões faciais mais felizes, alegres e, dessa forma, há uma identificação mais imediata com as crianças que são participantes bastante ativos da festa.
Ao ritmo de bandas muito animadas, famílias inteiras se reúnem em volta dos cobertores e “mantean” seus bonecos. Esse panorama evidencia como o jogo se transformou com a passagem do tempo, com as modificações da sociedade, tanto interiormente – na Espanha – como em todo o mundo. O jogo que originalmente era praticado apenas por mulheres, de forma velada e com a finalidade de protesto, tornou-se uma festa anual que faz parte da cultura local de um determinado grupo da sociedade espanhola.
Cada realidade cultural tem sua lógica interna, a qual devemos procurar conhecer para que façam sentido as suas práticas, costumes, concepções e as transformações pelas quais estas passam. É preciso relacionar a variedade de procedimentos culturais com os contextos em que são produzidos. As variações nas formas de família, por exemplo, [...] fazem sentido para os agrupamentos humanos que as vivem, são resultado de sua história, relacionam-se com as condições materiais de sua existência. (SANTOS, 2006, p. 8)
Assim, o estudo proposto a partir de jogos tradicionais para o ensino de LE promove o amplo contato com culturas de outros países e contribui no combate a preconceitos, oferecendo uma plataforma consistente para o respeito e a dignidade nas relações humanas.
A partir desse contato com outras culturas, os aprendizes brasileiros se dão conta que a sua realidade não é a única, e que o mundo possui um patrimônio cultural riquíssimo que vale a pena e deve ser conhecido.
É importante esclarecer aos alunos que cada cultura tem sua própria verdade e que a classificação dessas culturas como melhor ou mais importante é uma hierarquização descabida. O respeito à diversidade é o que importa. Destruir falsos argumentos
29 Lançado ao ar entre várias pessoas, com uma manta agarrada pelas bordas, a outra pessoa, que ao cair volta a ser lançada repetidas vezes para cima.
preconceituosos com relação às culturas deve ser um dos objetivos do educador e, por consequência, de seus educandos.
Os PCN afirmam que é de extrema importância, no ambiente escolar, estabelecer uma clara interpretação da diversidade cultural e sua visibilidade na sociedade. De acordo com os Parâmetros, as culturas são produzidas pelos grupos sociais ao longo das suas histórias, na construção de suas formas de subsistência, na organização da vida social e política, nas suas relações com o meio e com outros grupos e na produção de conhecimento. Assim, nota-se que a diferença entre culturas é fruto da singularidade desses processos em cada grupo social, sendo ela brasileira ou estrangeira. A língua espanhola, foco de pesquisa deste trabalho, adequa-se perfeitamente aos Parâmetros Nacionais quando se evidencia a variabilidade cultural que oferece em seus 21 países que têm este idioma como língua oficial. No caso específico desta pesquisa, serão analisados apenas dois exemplos específicos, o Pelele da cultura espanhola e Piñata da cultura mexicana.
Para viver democraticamente em uma sociedade plural é preciso respeitar os diferentes grupos e culturas que a constituem. A sociedade brasileira é formada não só por diferentes etnias, como também por imigrantes de diferentes países. Além disso, as migrações colocam em contato grupos diferenciados. Sabe-se que as regiões brasileiras têm características culturais bastante diversas e que a convivência entre grupos diferenciados nos planos social e cultural muitas vezes é marcada pelo preconceito e pela discriminação. (BRASIL, 1998, p. 3)
No que concerne a esta pesquisa, faz-se perceptível entender como a cultura é dinâmica, é viva e a utilização dos jogos tradicionais como ferramenta lúdica no processo de ensino e aprendizagem de uma LE é também uma contribuição para o entendimento dos processos de transformação por que passam as sociedades.
No entanto, falar de cultura de maneira isolada num mundo tão globalizado, é uma forma demasiadamente simples de tratar esse assunto. Os continentes, países, regiões e consequentemente suas línguas, religiões, modos de vida, sua arte e literatura não são elementos dissociados que se juntam e constituem uma “cultura”. Sobre esse assunto, afirma Forquin (1993):
[...] falar de sociedades atuais como se elas fossem “monoculturais” não acaba por operar uma simplificação inaceitável? Todas as sociedades do mundo estão em interação umas com as outras, todas conhecem conflitos internos, são atravessadas por correntes contraditórias, divididas entre símbolos diversos, condenadas à instabilidade, à ambiguidade, à desordem. Como assimilar uma sociedade, um país, um povo a uma cultura? O pluralismo cultural não existe somente entre as nações, ele
está no interior das nações, no interior das comunidades que as compõem [...] (FORQUIN, 1993, p. 126)
Nos PCN, o tema da Pluralidade Cultural é abordado no capítulo que trata da “Relação do processo de ensinar e aprender Língua Estrangeira com os temas transversais”, que dedica apenas um parágrafo à língua espanhola.
O documento afirma que o ensino de línguas oferece um modo singular de tratar as relações entre a linguagem e o mundo social, já que é o próprio discurso que estrutura o mundo social. A aprendizagem de uma LE oferece e dá acesso à elaboração de temas propostos como transversais em práticas discursivas de outras sociedades com culturas diferentes, o que pode contribuir intensamente na formação dos estudantes brasileiros, principalmente no que concerne ao respeito e à tolerância dos indivíduos. No tocante a esta pesquisa, o discurso produzido em língua espanhola, proposto nos trabalhos realizados com o 3º e 4º anos do Ensino Fundamental, que serão posteriormente relatados, promove o contado do estudante brasileiro com atividades tidas como transversais que retratam diferentes países e suas sociedades culturalmente diversificadas, mas apresentam o eixo comum da língua.
Os PCN discorrem sobre a temática dos aspectos sociopolíticos referentes à aprendizagem cada vez mais notável do espanhol no Brasil. Atribui sua crescente importância à necessidade de estabelecer negócios no Mercosul e, por isso, determinou legalmente sua inclusão nos currículos brasileiros, principalmente nos estados limítrofes com países que falam essa língua.
O ensino do espanhol no Brasil e do português nos países de língua espanhola desempenha um meio de fortalecimento da América Latina no que se refere ao reconhecimento de uma força cultural autenticada por todos e que seja expressiva e múltipla. Assim sendo, os PCN apontam para a força política dessa união de línguas e de países que se apresentam como um bloco de nações que podem influenciar a política internacional.
Portanto, mais do que a ampliação do repertório cultural, o estímulo ao respeito à diversidade e o fomento da tolerância, o estudo da língua espanhola para os brasileiros, de acordo com os PCN, tem sobretudo uma função política.
Sobre a temática tratada anteriormente por Forquin (2006), cabe dizer que o Brasil é um grande exemplo desse assunto no cenário mundial. Composto originalmente de índios e, logo, europeus, escravos africanos e muitos imigrantes provenientes de todos os cantos
do mundo, o Brasil constitui-se, atualmente, como um país que tem uma riquíssima pluralidade cultural.
Compreende-se por pluralidade cultural no território nacional, os assuntos que abarcam a sociedade brasileira no que concerne ao conhecimento e à valorização das características étnicas e culturais de diferentes grupos sociais, assim como as desigualdades socioeconômicas.
O objetivo da inclusão da pluralidade cultural nos PCN, como tema a ser trabalhado na Educação Básica, é possibilitar ao aprendiz o contato com a diversidade, com o propósito de que ele possa aprender com ela. Especificidades presentes nas características de cultura, de etnias, de regiões, de famílias são claramente percebidas quando, de fato, convive-se com elas. A partir desse contato, o aluno pode aprender mais, colocar-se no lugar do outro, respeitar e ser respeitado.
Discorrer sobre a pluralidade cultural não é tratar da sociedade como algo que possa ser seccionado, ou seja, peças de um quebra-cabeça de grupos culturais fechados que possam ser reorganizados, encaixados.
Tratar desse tema é promover, dentro do ambiente escolar, para cada aluno e a todos, um enriquecimento cultural que surge da pluralidade dos indivíduos, do convívio, das opções pessoais, bem como do compromisso ético de contribuir com as transformações necessárias à construção de uma sociedade mais justa.
Os PCN também citam – no apartado “Escolhas Temáticas” – o tema da consciência crítica como elemento essencial e constituinte das aulas de LE e imprescindível para a formação do professor e dos alunos.
A consciência crítica de como a linguagem é usada no mundo social pode ser bem desenvolvida em Língua Estrangeira, devido ao distanciamento que ela oferece, possibilitando um estranhamento mais fácil em relação ao modo como as pessoas usam a linguagem na sociedade. Ao mesmo tempo que isso traz para o centro do currículo a relação da linguagem com o mundo social, constitui um modo de integrar os temas transversais com a área de Língua Estrangeira. Além disso, a consciência crítica em relação à linguagem possibilita o surgimento de novas práticas sociais por meio da criação de espaços na escola para a construção de contra- discursos. (BRASIL, 1998, p. 47)
A atividade proposta nesta pesquisa com o jogo do Pelele como estratégia de ensino e aprendizagem de língua espanhola ultrapassa as barreiras da língua e invade os limites da linguagem quando se propõe, dentro de sala de aula, a análise e discussão da postura da mulher na sociedade do século XVII – como se vê na obra do pintor espanhol