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Ansvar for eiget liv

In document Eldre, om ein meiningsfull alderdom (sider 70-73)

6.3 I NITIATIV

6.3.2 Ansvar for eiget liv

Os empresários ingleses e os membros de suas sociedades anônimas não estavam blindados das consequências do fim do monopólio e do advento da livre iniciativa, emergentes dentro e fora de seus territórios. A expansão do livre comércio reproduzia-se não apenas por forças da moral do lucro, nem tão pouco se reduzia ao território inglês. A livre iniciativa liberal e utilitarista proliferava por forças da veloz rede de empresas concorrentes e protegidas por seus Estados, e onde o papel do progresso técnico tornava-se um diferencial caro, mas estratégico. A relação de proximidade entre poder político e lucro tornava-se um quociente dessas intensivas concorrências, especialmente para as sociedades anônimas que atraiam o estado para tornar os custos das invenções – transformadas em bens de capital – uma realidade menos arriscada e compensada com este “parceiro”. Subsídios à produção e compra de bens de capital tornava a relação profícua entre poder econômico e poder político, além de um recurso estratégico, uma necessidade cada vez mais comum e ajustada para e entre as empresas.

Quando seguimos as considerações de Arrigui; Barr; Hisaeda (2001), de conceber o processo de hegemonia empresarial enquanto parte de ciclos longos de acumulação, ou mesmo do que poderíamos compreender enquanto ciclos de deslocamentos territoriais da hegemonia empresarial mundial, seja ela comercial, industrial ou financeira, é admissível, dentro deste esquema analítico, conceber que a grande depressão de 1873 a 1896 condicionou boa parte deste movimento. A Grande Depressão não determinou o deslocamento da hegemonia empresarial do território inglês, ao ponto de reproduzir, em solo norte-americano e pelo menos parcialmente, o tipo sociedade anônima. A sociedade anônima lá já existia, mas não era hegemônica nem se direcionava, como correu com o pós-guerra, para investidas de dominação global. Este fator, em que muitos analistas consideram parte do ciclo de crises do capital, contribuiu para a reorganização das atividades empresariais em solo americano, especialmente na forma organizacional das sociedades anônimas existentes e,

especificamente, por suas práticas de fusão, verticalização ou integração que se seguiram. Bakan (2008) considera:

Em apenas duas décadas, começando nos anos de 1890, a corporação passou por uma transformação revolucionária. Tudo começou quando os estados norte- americanos de Nova Jersey e Delaware (...) empenharam-se em atrair negócios corporativos valiosos para suas jurisdições, desfazendo-se de restrições nada populares que constavam de suas leis para corporações. (...) As mudanças impulsionaram uma enxurrada de incorporações, pois as empresas buscavam novas liberdades e poderes que a incorporação poderia lhes garantir. Logo, no entanto, com o fim das restrições mais significativas sobre fusões e aquisições, um grande número de pequenas e médias corporações foi rapidamente absorvido por um pequeno número de gigantescas corporações (...) Em menos de uma década, a economia norte-americana deixou de ser uma economia em que as pequenas empresas de um ou poucos proprietários competiam livremente entre si para ser dominada por um número pequeno de corporações, cada uma de propriedade de muitos acionistas. A era do capitalismo corporativo tinha começado (BAKAN, 2008, p.15-16).

Por outro lado, os efeitos da Grande Depressão na empresa norte-americana não significaram o desmantelamento das empresas familiares britânicas, e não as impediu de se expandirem nem converterem-se em sociedades anônimas, como parece indicar as considerações de Arrigui; Barr; Hisaeda (2001). O que define esta transição e se podemos chamá-la de incompleta – haja vista a importância que ainda possuía até antes de 1945 as empresas inglesas, fortemente especializadas e sua rede financeira, para a economia mundial – é a centralidade que assume até certo momento o tipo norte-americano de empresa, a

corporação, e sua hegemonia empresarial, como parte orientadora de uma nova geopolítica

do capitalismo em escala mundial, algo que o empresariado britânico especialista e fragmentado conseguiu realizar. Empresas integradas verticalmente, fortemente burocratizadas e de caris gerencial norte-americano passaram a ser o símbolo e indicador, a partir do final do sec. XIX, de uma nova economia-mundo e mundializada, diferentemente das empresas inglesas fortemente especializadas, burocráticas e parcialmente desconectadas.

A Grande Depressão construiu as condições para esta transição, que passa a se caracterizar além do deslocamento territorial da hegemonia empresarial, também definida por novas formas de gestão, ampliação de um sistema norte-americano de empresas concorrentes financeirizadas e multinacionais; um sistema de concorrências interterritorial entre empresas norte-americanas e trans-territoriais, entre empresas inglesas, norte-americanas e alemães, e todas elas com as restantes do mundo, o que levou Bukharin (1984) a constatar a formação de uma nova economia mundial.

Mas este momento de transição da hegemonia empresarial britânica para a norte- americana não foi somente um marco da nova economia mundial. Também representou uma

ampliação da concorrência entre nações, especialmente aquelas que protagonizariam as duas Grandes Guerras Mundiais.

Podemos considerar que transformações ocorrem no interior das empresas, e outras operam nas franjas do sistema das altas finanças – que também irão modificar o universo empresarial a partir de 199015 –, mas também uma que opera no interior dos estados e como estas instituições se relacionava entre si e com o resto do mundo. A hegemonia empresarial norte-americana e sua contribuição na formação de uma nova economia mundial, ganha sentido somente quando empresas e Estados se postam diferentemente em seu espaço doméstico quanto também fora deles. Nesse sentido, é uma economia mundial requerente de posturas políticas e econômicas distintas daquelas propagadas no longo sec. XVI e que, em certa medida, é algo que diferencia o modelo inglês de negócio do norte-americano.

A crise do tipo familiar de empresas inglesa revela, portanto, uma nova fase de acumulação, mas novas condições de gestão empresarial e dos governos, consolidadas somente após as duas Grandes Guerras. Assim, Arrigui; Barr; Hisaeda (2001) expõem as características e fases que marcaram esta transição:

Nas duas transições, podemos identificar um padrão de transformação do sistema dominante (...). Ao esquematizar o padrão da transição da hegemonia britânica a grande depressão e a belle époque subseqüente a era eduardiana, o sistema britânico atingiu sua expansão máxima, porém começou a ser ameaçado pelo surgimento do capitalismo de corporações, não apenas nos Estados Unidos, mas também na Alemanha. Na segunda fase da transição, desde a eclosão da Primeira Guerra Mundial até o craque de 1929, o próprio sistema britânico passou por grandes transformações no plano empresarial, mas perdeu terreno para o sistema norte- americano emergente. A transição se concluiu na terceira fase, quando a reestruturação do sistema norte-americano sob o impacto da Grande Depressão da década de 1930 e da segunda guerra, preparou-se para a dominação global na era da Guerra Fria (ARRIGUI; BARR; HISAEDA, 2001, p. 131-132).

É nesta segunda fase de transição da hegemonia empresarial britânica para a norte- americana que o tipo empresarial corporação se fortalece. Este tipo empresarial se expande para territórios em que o capitalismo ainda não se desenvolveu plenamente, e onde estruturas produtivas de comercialização e produção só se revelariam relativamente adequadas após a crise de 1929. Em certos países e regiões, muitas estruturas produtivas se revelaram pouco maduras para acomodar este novo tipo de empresa, e se revelaram sociedades anônimas fortemente necessitárias de estratégias que se ajustem aos mecanismos de regulação de seus

15 Trataremos das mudanças nas ações empresariais nos anos 1990 quando nos referimos a VELTZ, Pierre.

estados. Os efeitos internos causados com a Segunda Grande Guerra promoverão, em países e algumas de suas regiões, significativas alterações econômicas, o que possibilitará, apenas em certa medida, esses ajustes e produção do tipo corporativo de empresa norte-americano. Em alguns territórios em que as bases militares norte-americanas foram sediadas como o Nordeste brasileiro, é possível considerar que esses ajustes resultaram da combinação de ações governamentais reguladoras com as estratégias iniciadas por livres comerciantes. Isto possibilitou um desenho empresarial corporativo que, por vezes, parece revelar uma estrutura

híbrida em seu processo produtivo e em suas estratégias, e, por vezes, dual nas condições em

que operam a propriedade e o controle realizado por familiar de empresários. O que parece ser os traços de um fordismo periférico, também resultou de uma conjuntura interna favorável, que fez surgir esta suposta imagem de um tipo corporativo de caris norte-americano. Ela ganha força em empresas comerciais varejistas e industriais do setor têxtil, fortemente especializadas e dependentes de políticas públicas de incentivo produtivo e comercial.

4.2 AS ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS COMO PARTE DA HEGEMONIA

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