Sistemas sensoriais básicos (visual, somato-sensitivo e vestibular) dão-nos informação sobre o corpo e seus limites, proporcionam segurança no espaço tridimensional e influenciam a interpretação da informação visual e auditiva. No entanto, esses sistemas sofrem alterações causadas pela senescência e pela presença de doenças, pelo que, pessoas com algum tipo de incapacidade, demências, doença mental podem apresentar alterações no funcionamento dos diferentes sistemas sensoriais e, por consequência, apresentar alterações de comportamento, emocionais e aumentar a frequência de comportamentos disruptivos
As alterações sensoriais em muitos casos são irreversíveis, mas podemos sempre aumentar a qualidade da relação da pessoa com o seu meio envolvente. É importante avaliar, a que nível, se situa o handicap sensorial e centrar a nossa intervenção nas capacidades da pessoa.
A estimulação multissensorial refere-se ao ato de oferecer à pessoa vivências nas quais os seus sentidos sejam estimulados e a partir de diferentes situações. Uma das formas de concretizar a estimulação multissensorial é a intervenção num espaço snoezelen.
Muitas civilizações utilizaram a estimulação multissensorial (Egipto antigo, celtas, visigodos, romanos, gregos, culturas orientais…) todos eles com diferentes abordagens - massagem, aromaterapia, música, cromoterapia - mas trabalhando sempre os sentidos e a sua estimulação para atingir o relaxamento e bem-estar. Nos finais dos anos 70 na Holanda se desenvolveu todo o trabalho e filosofia de intervenção snoezelen que rapidamente se estendeu a diversos países da europa, sobretudo nórdicos, Austrália, EUA e Canadá.
Snoezelen é uma contração de duas palavras holandesas “snuffelen” e “doezelen” que significa cheirar e dormitar ou relaxar. Tem por base criar uma atmosfera agradável, a oportunidade de escolha, a oportunidade de “viver em paz”, o direito a dispor de tempo e a oferta seletiva de estímulos. É considerada uma intervenção global destinada a proporcionar às pessoas estímulos sensoriais que lhes facilitem uma sensação de bem-estar a partir da estimulação ou relaxamento (Hulsegge e Verheul, 1987).
Intervenções Snoezelen surgiram como forma de incentivar a interação física e social entre as crianças com deficiências. Este tratamento de estimulação multissensorial tem como alvo os sentidos primários através do uso de iluminação, superfícies texturizadas, música e vários odores (ROBBINS& NORTON 2011).
O conceito snoezelen assume que o mundo no qual vivemos é uma mescla de sensações de luz, sons, cheiros, gostos e experiências tácteis variadas. Sensações a que temos acesso a partir dos nossos órgãos sensoriais: ouvidos, olhos, nariz, boca, pele.
O espaço snoezelen é uma sala especialmente adaptada com material tecnicamente preparado para proporcionar experiências sensoriais diversas como: Elementos Tácteis; Elementos Vestibulares; Elementos Vibratórios; Elementos Visuais; Elementos Auditivos; e Elementos Olfativos.
Tem como objetivo favorecer o uso dos sentidos, facilitando a vivência de experiências sensoriais ricas e variadas e possibilita intervenções individualizadas ao perfil sensorial de cada pessoa. Promove: relaxamento, desenvolvimento da autoconfiança, autocontrolo, incentivo à exploração e
capacidades criativas, estabelecimento de uma boa comunicação, sensação de bem-estar e lazer, a capacidade de escolha, aumento do tempo de atenção e concentração e redução de mudanças e alterações comportamentais (Kwok, 2003).
Como campos de aplicação o Snoezelen surge como terapia, intervenção no campo da educação e lazer. Tendo estas aplicações em comum o objetivo de oferecer bem-estar à pessoa a partir de um ambiente de tranquilidade e calma.
São muitas as investigações científicas publicadas nos últimos anos sobre o tema e o grande enfase têm recaído sobre as pessoas com problemas de aprendizagem e incapacidade intelectual, idosas e com algum tipo de demência, doenças mentais e dores crónicas.
O estudo de estudo HOTZ, CASTELBLANCO, LARA, WEISS, DUNCAN, &KULUZ (2006), revelou um uso benéfico da terapia Snoezelen com crianças se recuperam de lesão cerebral grave. Os resultados revelaram alterações significativas sobre medidas fisiológicas, diminuição dos níveis de agitação e resultados cognitivos melhorados.
No que se refere às famílias, um estudo de Sachs& Nasser (2009) realizado com pais de crianças com atraso mental profundo refere que o ambiente Snoezelen aplicado ao conjunto pais/crianças foi descrito pelos pais como “um outro mundo”, uma transição para o relaxamento e intimidade. Que lhes proporcionou a sensação de “estar juntos como uma família”, onde todos os membros compartilham atividades divertidas e reforçaram os seus laços. Pelo que se conclui que a sensação fornecida pelo ambiente Snoezelen, é importante para facilitar ocupações familiares para esta população.
De um a revisão da literatura de 21 estudos de investigação sobre as pessoas com deficiência e com demência, 14 relataram efeitos positivos dentro de sessões; 4 pos sessão e 2 com efeito a longo prazo. (LANCIONI, CUVO, & O’REILLY, 2002)
Para Lotan e Gold (2009) os resultados têm curta duração e que não há provas suficientes para concluir que uma intervenção individual constitui por si só uma terapêutica válida. Pelo que é importante que seja uma terapia complementar.
Alguns dos efeitos doo espaço snoezelen em pessoas com incapacidade intelectual são: • Aumento da capacidade de concentração e resposta (Ashbyet al. 1995)
• Interação e o reforço social na melhoria do bem-estar da pessoa (Martin et al. 1998) • Melhoria das alterações comportamentais e no relaxamento (Kenyonet al. 1998) • Diminuição de estereotipias e melhoria comportamental (Cuvoet al. 2001) • Aumento da comunicação positiva (Lindsayet al. 2001)
• Menos comportamentos autolesivos( Singhet al. 2004)
• Decréscimo dos comportamentos desadaptados e disruptivos (Saphiroet al. 1997) e (Fava e Strauss, 2010)
• Bem-estar emocional, relaxamento, aumento do nível de atividade e motivação, diminuição de comportamentos disruptivos (Cid, 2009)
Em conclusão o efeito do snoezelen contribui para: • Aumentar o nível de comunicação da pessoa • Melhora as suas competências e habilidades • Aumento o estado de relaxamento
• Diminui comportamentos estereotipados ou disruptivos
Referências Bibliográficas - Terapias alternativas:
ROBBINS, R., & NORTON, E. (Outubro de 2011). The effects of Snoezelen intervention - How treatment impacted agitation, depression, socialization. THERAPY MATTERS, pp. 50-53
Sachs, D., & Nasser, K. (July/August de 2009). Facilitating Family Occupations: Family Member Perceptions of a Specialized Environment for Children With Mental Retardation. The American Journal of Occupational Therapy, 63,4, pp. 453-462.
LANCIONI, CUVO, & O’REILLY. (Junho de 2002). Snoezelen: an overview of research with people with developmental disabilities and dementia. DISABILITY AND REHABILITATION, 24, 4, pp. 175 - 184.
Lotan M, e Gold, C.(2009) Meta-analysis of the effectiveness of individual intervention in the controlled multisensory environment (Snoezelen) for individuals with intellectual disability. Journal of Intellectual and Developmental Disability.34(3). p207-215
HOTZ, G., CASTELBLANCO, A., LARA, I., WEISS, A., DUNCAN, R., & KULUZ, J. (julho de 2006). Snoezelen: A controlled multi-sensory stimulation therapy for children recovering from severe brain injury. Brain Injury, 20(8), pp. 879-888
Apêndice10 - Plano da sessão: “Promoção do desenvolvimento infantil como uma janela de oportunidades para a facilitação da parentalidade”
Entidade Promotora: Enfª do 5º MPESIP (Lopes, C. Mendes M. e Costa S.) Data: 10 Dezembro 2014 Integrado no painel: “Desafios da parentalidade” Formador: Sandra Costa Duração: 25minutos (Total do painel 90’) Destinatários: Enfermeiros do
CHO- HCR- Serv. de Pediatria Objetivos Gerais: Que no final da sessão os enfermeiros fiquem sensibilizados para a importância do seu papel como promotores do desenvolvimento infantile como isso ajuda no desenvolvimento da parentalidade
Objetivos Específicos Conteúdos Metodologias
/ Técnicas
Recursos Didáticos Apresentar preletores,
presentes e o tema
Enfª Cristina na qualidade de elemento pertencente à equipa do Serviço de Pediatria apresenta: o tema, os preletores e
professoras presentes
Método
Ativo 5’
(1ª comunicação)
“Enquadrar o tema: desafios da parentalidade”
“Identificar a importância papel do enfermeiro desenvolvimento da Parentalidade”
“ Identificar o papel do Enfermeiro na avaliação do desenvolvimento da vinculação”
“A Parentalidade, vinculação e afetos” – Enfª Carla Lopes Método Expositivo Apresentação em PowerPoint (PP) 25’ (2ª comunicação)
“Dar a conhecer o Papel Parental articulando com a linguagem CIPE” “Apresentar intervenções de enfermagem para a promoção da parentalidade recorrendo à linguagem CIPE e ao programa informático SClínico”
“Intervenções de enfermagem promotoras da parentalidade: articulação com a linguagem cipe e aplicação ao Sclínico” – Enfª Mª Cristina Barbosa
Expositivo/ Demonstrativo Apresentação em PP 25’ (3ª comunicação) “Identificar como a promoção do desenvolvimento infantil pode ser promotor da parentalidade”
“Descrever papel do enfermeiro como promotor do desenvolvimento infantil junto da criança e família” “Identificar orientações sobre atividades
promotoras do
desenvolvimento”
“Promover a discussão entre os enfermeiros sobre preparação da criança para procedimentos com base da idade e nas características de desenvolvimento”
“Promoção do desenvolvimento infantil como uma janela de oportunidades para a facilitação da parentalidade” – Enfª Sandra Costa
“Dados” e “tendências” Desenvolvimento infantil
Escalas de avaliação em saúde infantil Crianças com risco de desenvolvimento e desenvolvimento alterado
Intervenções sobre a promoção do desenvolvimento infantil
Atividades promotoras do desenvolvimento
Preparação da criança para procedimentos com base da idade e nas características de desenvolvimento Expositivo Método Ativo - discussão e partilha em grupo Apresentação em PP Compêndio de bolso com escala de Mary Sheridan, orientações sobre atividades promotoras do desenvolvimen to e de preparação da criança para procedimentos 25’
Avaliar o painel apresentado Método
Ativo 10’