3. Avhandlingens forskningsstrategi, datamateriale, og metode
3.6 Spørreskjemaundersøkelse (artikkel 3 og 4)
3.6.5 Analyse
Na metodologia da Folkcomunicação, diante dos inúmeros elementos e manifestações a ela inerentes, um estudo taxionômico preciso facilita didaticamente a identificação dos objetos pesquisados. Com esta finalidade, José Marque de Melo lançou em 2008, o livro Mídia e Cultura Popular, no qual a taxionomia da Folkcomunicação é parte temática. A obra reúne, de forma sistematizada, o conjunto de textos sobre folkcomunicação escritos pelo autor num período de 40 anos – daí sua densidade e importância, em especial para os pesquisadores da cultura popular associada à comunicação de massa.
Uma das propostas de Marques de Melo é contextualizar como a folkcomunicação se reatualiza, na sociedade vigente, enquanto fronteira entre o folclore (resgate e interpretação da cultura popular) e a comunicação de massa (difusão industrial de símbolos, por meio de aparatos mecânicos ou eletrônicos, direcionados a audiências amplas, anônimas e heterogêneas). Para isso, parte da fundação do conceito de folkcomunicação por Beltrão, influência de Lazarsfeld e Câmara Cascudo, resistência encontrada entre folcloristas conservadores e comunicólogos; até chegar à atualização e legitimação dos postulados da disciplina por pesquisadores contemporâneos – com recorte no aprofundamento das pesquisas em folkmídia.
Marques de Melo explora confluências e desvios do folclore do homem industrial de McLuhan e aborda o processo de transmutação da identidade cultural brasileira considerando vestígios da mestiçagem. Ao ampliar as fronteiras, o autor ressalta as pesquisas voltadas às apropriações folkmidiáticas – citando fontes e matrizes conceituais – e também a importância do ativista midiático para as classes subalternas, com olhar à obra do professor Osvaldo Trigueiro (2008).
42
Mídia e Cultura Popular descreve e dimensiona perspectivas e estratégias
metodológicas relacionadas à pesquisa folkcomunicacional, e deixa como legado uma taxionomia esboçada da tipologia da folkcomunicação, que inclui diversos elementos folk. A classificação é dividida em gêneros, formatos e tipos. Os gêneros (Tab.1) ocupam quatro áreas – Folkcomunicação Oral (Tab.3), Visual (Tab.4), Icônica (Tab.5) e Cinética (Tab.6) – subdivididas em formatos (Tab.2) e tipos. Nos tipos integrantes a cada formato, encontra-se outra grande diversidade de elementos identificados, passíveis para investigação na disciplina. Sublinha-se que a taxionomia proposta foi atualizada a partir de esboço criado por meio de diálogos entre Marques de Melo e Luiz Beltrão no ano de 1979.
Tabela 1: Folkcomunicação – Gêneros.
FOLKCOMUNICAÇÃO – Gêneros
Folkcomunicação Oral canal auditivo | códigos verbal/ musical. Folkcomunicação Visual canal óptico | códigos linguístico/ pictórico. Folkcomunicação Icônica canais óptico/táctil | códigos estético/ funcional. Folkcomunicação Cinética múltiplos canais | códigos gestual/ plástico. Fonte: Adaptada de Marques de Melo (2008), p. 91.
Tabela 2: Folkcomunicação – Formatos.
FOLKCOMUNICAÇÃO – Formatos
Folkcomunicação Oral canto, música, prosa, verso, colóquio, rumor, tagarelice, zombaria, passatempo, reza.
Folkcomunicação Visual escrito, impresso, mural ou pictográfico.
Folkcomunicação Icônica devocional, diversional, decorativo, nutritivo, bélico, funerário, utilitário.
Folkcomunicação Cinética agremiação, celebração, distração, manifestação, folguedo, festejo, dança, rito de passagem.
Fonte: Adaptada de Marques de Melo (2008), p. 91.
Tabela 3: Folkcomunicação Oral – Formatos e Tipos.
GÊNERO: FOLKCOMUNICAÇÃO ORAL
FORMATO TIPO
Canto aboio, acalanto, canto de bebida, cantiga de mendigo, canto de trabalho, coreto, embolada, pregão, toada.
Colóquio conversa fiada, conchavo.
Música baião, chimarrete, chula, choro, dobrado, lundu, moda de viola, samba de breque.
Passatempo adivinhação, charada, provérbio
Prosa conto de fadas, lenda, saudação, sermão.
Reza bendito, incelência, ladainha.
Rumor boato, fofoca.
Tagarelice bordão, gíria, palavrão.
Verso cantoria, glosa, parlenda, trova.
43
Tabela 4: Folkcomunicação Visual – Formatos e Tipos.
GÊNERO: FOLKCOMUNICAÇÃO VISUAL
FORMATO TIPO
Escrito abaixo-assinado, carta anônima, carta devota, correio sentimental, corrente.
Impresso almanaque de cordel, almanaque de farmácia, graça alcançada, literatura de cordel, literatura mediúnica, livro de sorte, oração milagrosa, panfleto, santinho de propaganda, volantes publicitários, xilogravura popular.
Mural cartaz, folhinha, faixa, grafito de banheiro/latrina, jornal mural, pichação de parede, pasquim em verso.
Pictográfico adesivo, camiseta, epitáfio, flâmula, legenda de caminhão, pintura mediúnica, tatuagem.
Fonte: Adaptada de Marques de Melo (2008), p. 92-93.
Tabela 5: Folkcomunicação Icônica – Formatos e Tipos.
GÊNERO: FOLKCOMUNICAÇÃO ICÔNICA
FORMATO TIPO
Bélico armas, fardas, estandartes, troféus.
Decorativo adornos pessoais, bordados de cama e mesa, cestaria, ornamentos domésticos, figuras de enfeite, luminárias.
Devocional amuleto, ex-voto (promessa), imagem de santo, medalha, presépio.
Diversional boneca de pano, boneco de barro, brinquedo artesanal, jogos infantis.
Funerário coroas, lápides, mortalhas, túmulos.
Nutritivo bolos, biscoitos, pães.
Utilitário faiança, mobiliário, vestuário. Fonte: Adaptada de Marques de Melo (2008), p. 93.
Tabela 6: Folkcomunicação Cinética – Formatos e Tipos.
GÊNERO: FOLKCOMUNICAÇÃO CINÉTICA
FORMATO TIPO
Agremiação bloco carnavalesco, clube de mães, comunidade de base, escola de samba, escola dominical, mutirão, troça.
Celebração afoxé, candomblé, macumba, missa crioula, procissão, peregrinação, toré, umbanda, vigília a Iemanjá.
Dança batuque, caiapó, catira, congada, caruru, ciranda, coco-de-roda, dança de Moçambique, flamengo, frevo, galope, jongo, marcha- rancho, maxixe, mazurca, quadrilha, samba, sapateado, tango, ticumbi, valsa, xaxado.
Distração amarelinha, bazar, capoeira, circo mambembe, horóscopo, jogos de bicho, mafuá, mamulengo, pelada de várzea, quermesse, rodeio crioulo, tourada, vaquejada.
Festejo carnaval, festa cívica, festa da padroeira, festa da produção, festa do divino, festa junina, festa natalina, micareme/micareta, forró, funk carioca, rap paulista.
Folguedo baiana, bumba-meu-boi, cavalhada, chegança, caboclinho, fandango, folia de reis, guerreiro, marujada, maracatu, pastoril, reisado, taieira.
Manifestação campanha, comício, desfile, greve, marcha, passeata, parada, queima de Judas, trote de calouro
Rito de passagem aniversário natalício, batizado, boda, chá-de-bebê, chá-de-cozinha, despedida-de-solteiro, formatura, velório.
44 Certamente tal taxionomia é passível de reavaliação – diante, especialmente, do cenário multimidiático atual, o qual permite que a xilogravura, por exemplo, esteja disposta em diversas plataformas que não apenas o cordel. Isto, contudo, não enfraquece a importância da taxionomia esboçada, que tem caráter efetivamente didático. Uma ilustração de como esta classificação corrobora para identificar elementos do folclore presentes na mídia pode ser encontrada nas pesquisas de Maia (2012)17 e Martins e Pinheiro (2012)18. A primeira, no uso da taxionomia para observar a construção da cultura popular no jornal impresso diário, com foco no Caderno 2 do Jornal Correio da Paraíba; a segunda, na análise de elementos folk em episódios do programa televisivo Turma do Cocoricó, exibido na Tv Cultura.
Metodologicamente, a taxionomia lançada por Marques de Melo tende a colaborar, quali e quantitativamente, com os estudos folkcomunicacionais vindouros. Acima de tudo, auxilia na observação dos elementos da cultura popular presentes em cada meio de comunicação, em cada manifestação folkcomunicacional dum País imenso em território e culturas.
1.3 Região no Brasil, comunicação e culturas populares: de Beltrão à Idade Mídia
Como já demonstrada, a teoria criada por Beltrão está intimamente ligada ao local. Em 1974, ele abordou este assunto sob o tema Comunicação Popular e Região no Brasil (BELTRÃO, 2013), numa conferência em Guaratinguetá, no Congresso da União Cristã Brasileira de Comunicação Social (UCBC). Em suas palavras, a região foi colocada como um laboratório para o estudo da comunicação popular, salientando a importância desta e da cultura popular num país imperado por elites políticas, intelectuais e religiosas. Abordou ainda a influência do líder de opinião na decodificação, interpretação e transmissão de mensagens a outros meios de interesse coletivo.
Quando Luiz Beltrão entrelaçou a comunicação popular à região, compreendeu esta como locus de peculiaridades geográficas e antropossociológicas. Quase quarenta anos
17 MAIA, Andrea Karinne Albuquerque. A construção da cultura popular no jornal impresso diário. Revista
Temática. João Pessoa-PB: PPGC-UFPB, ano 8, n. 7, p. 7, jul. 2012. Disponível em:
http://www.insite.pro.br/2012/Julho/culturapopular_jornalimpresso_diario.pdf. Acesso em 20 de agosto de 2012.
18 MARTINS, Júnia; PINHEIRO, Júnior. Breve análise de elementos da cultura (folk) em episódios do programa
Cocoricó. Anais do XIV Congresso de Ciências da Comunicação da Região Nordeste. Recife-PE, jun. 2012. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/regionais/nordeste2012/resumos/R32-1200-1.pdf. Acesso em 20 de agosto de 2012.