3. Analyse av inntektsulikhet ved bruk av familie og husholdning som økonomiske
3.3 Analyse av inntektsulikhet for totalpopulasjonen, i spesielle grupper i samfunnet og på
Desde que a ciência econômica se tornou um campo especializado do conhecimento, vários foram aqueles que tentaram apresentar uma interpretação sobre como as sociedades utilizam seus recursos para produzir bens de valor e distribuí-los entre diferentes indivíduos. Da teoria clássica do comércio internacional de Adam Smith e de David Ricardo até a consagrada escola da Nova Economia Internacional de Paul Krugman e Elhanan Helpman, busca-se a explicação do sucesso de determinadas nações na produção de riqueza e na sua participação no comércio internacional.
Para Além (1999), esta discussão vem sendo intensificada tendo em vista que, com a globalização da economia, a participação mais efetiva nos fluxos comerciais internacionais passou a ser um dos temas centrais na manutenção da ordem econômica dos diversos países. Diante desta perspectiva, as preocupações das nações desenvolvidas, em termos de estabelecimento de políticas industriais, voltam-se para a questão da competitividade, um recente indicador de sucesso econômico das nações como sinônimo de habilidade em atingir-se rápido crescimento econômico e por um longo período de tempo.
Segundo a autora, as políticas de competitividade dos países da OECD (antigamente denominadas pelos mesmos de “políticas industriais”) são conduzidas na direção de um crescente investimento em conhecimento no âmbito das empresas, tendo como objetivo central acelerar o processo de capacitação tecnológica e de investimento em P&D nas mesmas. Estas políticas estariam intimamente associadas à liderança destes países na exportação de manufaturados intensivos em tecnologia e, por conseqüência, no ranking das exportações mundiais.
Concordando com esta posição, Cavalcanti e Gomes (2001) afirmam que a competitividade das empresas não mais está baseada em vantagens comparativas oriundas dos
fatores clássicos de produção – terra, capital e trabalho. Na nova economia estas vantagens deixam de ser relevantes diante do novo fator de produção: o conhecimento.
Os autores citam relatório publicado pela OECD (1999) o qual indica que, no ano de 2000, o conhecimento foi responsável por mais de 50% do PIB dos países desenvolvidos, destacando ainda que a crescente redução dos custos de obtenção da informação apontam claramente para um aumento da participação do conhecimento na geração de riqueza para as organizações e para as nações.
O conceito de competitividade assume diversas formas dentro da bibliografia especializada.
Braga (1999) afirma que o conceito de competitividade é melhor compreendido quando levamos em consideração diferentes níveis de análise. Cada nível de análise - país, indústria, empreendimento e produto - tem um conjunto de medidas específicas que permite um entendimento das particularidades do conceito.
Scott e Lodge (apud Braga, 1999, p.14), definem competitividade como “a habilidade de um estado-nação produzir, distribuir e servir bens na economia internacional em competição com bens e serviços produzidos em outros países, e fazê-lo de maneira tal a conseguir um padrão de vida crescente”. A medida final de sucesso é o aumento no padrão de vida. Ser competitivo como país significa estar apto a empregar recursos nacionais, notadamente a força de trabalho da nação, de maneira a conseguir um nível crescente de receita real por meio da especialização e do comércio.
O Aldington Report (apud Braga, 1999, p. 15) têm conceitos de competitividade
baseados em uma companhia. Segundo o artigo, “uma empresa é competitiva se ela pode produzir produtos e serviços de qualidade superior e custos mais reduzidos do que seus competidores domésticos. Competitividade é sinônimo de um desempenho de lucro de longo
prazo de uma empresa e de sua habilidade em compensar seus empregados e prover retornos su- periores para seus proprietários.
Porter (1993) afirma que o único conceito significativo de competitividade para as nações é a produtividade das suas indústrias, que depende tanto da qualidade do produto como da eficiência com a qual ele é produzido. Para competir em setores sofisticados, os fatores situacionais que mais importam para as empresas são os que a nação oferece como recursos humanos especializados ou um know how científico especial. Estes fatores são decorrentes da combinação de quatro atributos que moldam o ambiente no qual as empresas competem e que promovem a criação da vantagem competitiva da sua nação. São eles:
a) Condições de fatores: qualidade e especialização dos inputs básicos para gerar competitividade (recursos naturais, recursos humanos, capital, infra-estrutura física, infra-estrutura administrativa, infra-estrutura de informação, infra- estrutura científica e tecnológica);
b) Condições de demanda: sofisticação da demanda doméstica e a pressão dos consumidores locais por modernização;
c) Indústrias correlatas e de apoio: a presença ou ausência, no país, de indústrias abastecedoras e correlatas que sejam internacionalmente competitivas;
d) Estratégia, estrutura e rivalidade das empresas: contexto formado pelos investimentos corporativos, tipos de estratégias empregadas e a intensidade da concorrência local.
Dentro deste enforque, a prosperidade nacional pode então ser criada, não sendo simplesmente o resultado de dotes naturais ocasionalmente herdados.
Porter ainda destaca que o governo assume um “inevitável” papel no desenvolvimento econômico, dados os desafios de suas ações em vários dos aspectos
relacionados ao ambiente empresarial como o estabelecimento de políticas do meio ambiente, de educação ou e de infra-estrutura. Além disso, a sofisticação da demanda doméstica é influenciada pelos processos e padrões de regulamentação, garantia dos direitos dos consumidores e manejo do grau de abertura comercial. Todavia, Porter aponta que o governo não deve ser visto como um provedor de auxílio ou apoio à indústria, mas sim como um catalisador. Ele deve encorajar mudanças, promover a rivalidade doméstica e estimular a inovação.
Estudo do MDIC (2000) aborda a competitividade através do conceito de cadeias produtivas, através do qual visualiza-se a cadeia de modo integral, identificando debilidades, estrangulamentos e potencialidades nos elos. Paralelamente, a análise da cadeia produtiva permite identificar os elos dinâmicos, identificando os condicionantes da competitividade em cada segmento.
A competição internacional se faz entre cadeias. Por isso, este estudo aponta que a inserção brasileira na economia internacional deve estar estruturada a partir de cadeias produtivas, num trabalho cooperativo entre o setor privado, os trabalhadores e o governo na busca de uma isonomia competitiva interna, tendo como referência o ambiente internacional.
Coutinho e Ferraz (1994) destacam que a competitividade tornou-se um imperativo do cenário contemporâneo, dentro do escopo da rápida mudança tecnológica e da globalização financeira. A compreensão da questão da competitividade e o adequado enfrentamento dos desafios trazidos por este conjunto de transformações devem começar pelo reconhecimento de sua complexidade, derivada da conjugação das suas três dimensões:
a) Empresarial: fatores ou condicionantes de domínio das empresas, como produtividade, lucratividade, qualidade, inovação, marketing, recursos humanos, estratégia e a forma de gestão;
tecnologia, à configuração da indústria e sua relação com escala de produção e a dinâmica específica da concorrência;
c) Sistêmica: fatores ou condicionantes macro-econômicos internacionais (mercado internacional), avanço do conhecimento, infra-estrutura oferecida, tributação, sistema financeiro e aspectos políticos e institucionais, que mais diretamente influenciam o desempenho geral ou especifico das cadeias em algumas das variáveis econômicas analisadas: na mão-de-obra contratada, no comércio exterior, nos custos da estrutura produtiva ou nos obstáculos que essa mesma dimensão impõe à superação dos problemas competitivos identificados no plano micro (empresarial) e setorial (estrutural), como o “custo Brasil”.
Para Macedo (2001), o baixo índice de competitividade das empresas brasileiras pode ser explicado por algumas das principais características que marcaram historicamente os padrões de desenvolvimento da economia brasileira, em particular aquelas vinculadas ao seu processo de industrialização, que ocorreu em condições tardias em relação ao desenvolvimento industrial de países como a Inglaterra, os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão. Os avanços da industrialização brasileira, verificados principalmente a partir dos anos 30 até o final dos anos 90, quase sempre estiveram associados a uma forte intervenção do estado e a elevados níveis de protecionismo contra a concorrência externa.
Uma das principais características deste processo foi a sua recorrência a tecnologias importadas, aliada à nossa dificuldade em gerar internamente um sistema nacional de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Estes antecedentes históricos contribuíram para a percepção dominante entre as empresas e os homens de negócios nacionais de tratar a tecnologia como algo acabado e pronto para ser aplicado. Esta “alienação” terminou por construir um sentimento de desconfiança em relação ao desenvolvimento tecnológico no Brasil, prejudicando-o e excluindo-o
da tendência mundial de participação em redes internacionais de relacionamento e alianças estratégicas na área da informação e do conhecimento.
Nessas condições e em um contexto nacional de intenso protecionismo e de inadequada infra-estrutura, foi possível a vários empreendimentos industriais usufruírem de elevados graus de monopólio e adotar estratégias mais conservadoras de expansão dos seus negócios, restringindo investimentos em P&D e intensificando suas atuações no mercado doméstico.
Este cenário só mudaria no início dos anos 90, quando um novo padrão de desenvolvimento firmou-se na economia brasileira. Processos como o de institucionalização de programas voltados à qualidade e à produtividade da indústria nacional, de maior abertura comercial externa, de relativa estabilidade monetária da economia brasileira, de menores incertezas na condução de políticas macroeconômicas, de redefinição dos padrões de intervenção do setor público, de privatizações de empresas estatais e de desregulamentação do fluxo de investimento diretos do estrangeiro estão redefinindo os referenciais que orientam as decisões empresariais.
Relatório do IEDI (2000) traz dados sobre a competitividade das exportações brasileiras no final da década de 90. Segundo este estudo, os produtos da pauta brasileira que pertenciam a setores que apresentavam demanda crescente no comércio mundial representavam 52% das exportações no final do período 1991/94 e foram reduzidos para apenas 36% no final do período 1994/98.
O que pode estar ocorrendo é que a pauta de exportações do Brasil esteja “envelhecendo” e mais restrito a exportar aqueles produtos que se encontram em declínio no mercado mundial, ressalvados, com louvor, alguns novos produtos. Ou seja, o país passa a ser altamente deficitário em produtos de demanda crescente, em setores de maior dinamismo no
comércio mundial, em setores de mais elevada tecnologia, em manufaturas, em setores de grande potencial de produtividade e competitividade de exportação (setores de mais alto coeficiente de importação) e até em setores exportadores (os de mais alto coeficiente exportação/produção). Conserva-se superavitário em produtos de demanda decrescente, em setores intermediários e em regressão no comércio mundial, em segmentos de menor intensidade tecnológica, em alimentos e matérias-primas e em produtos manufaturados com base em recursos naturais. O estudo ainda ressalta que boa parte da responsabilidade pela má performance das exportações brasileiras recai, desta forma, sobre a estrutura física da sua pauta, na qual cerca de 60% dos produtos são commodities agrícolas e industriais, com baixa elasticidade de renda nos mercados mundiais, com um comportamento de preço cíclico e com uma tendência secular de baixa.
Coutinho e Ferraz (1994) apontam que a erosão da competitividade brasileira manifesta-se na perda da importância do país no comércio internacional a partir da segunda metade da década de 80. Embora o perfil das exportações nacionais tenha evoluído no sentido de uma maior presença de produtos industrializados, a inserção atual da indústria brasileira no mercado internacional caracteriza-se pela exportação de commodities intensivas em recursos naturais e/ou energia e de bens intensivos em mão-de-obra barata.
Os autores destacam que o desempenho recente mostra que esse tipo de inserção apresenta limites tendo em vista a saturação dos mercados e a tendência declinante dos preços nos setores “comoditizados”, caracterizados por serem pouco dinâmicos e suscetíveis a crises de demanda. O rápido crescimento da capacidade produtiva em outros países do terceiro mundo com salários tão baixos quanto à média brasileira, mas que apresentam crescentes níveis de qualificação, tende a reduzir dramaticamente as possibilidades de êxito para as organizações que atuam nestes setores. Particularmente, uma ameaça potencial emerge de países como a China, nos quais baixos salários combinam com altos níveis de qualificação tecnológica e capacidade de
promoção comercial internacional.
Todavia, independente das condições sistêmicas e estruturais do contexto brasileiro, os autores afirmam que as empresas devem esforçar-se no estabelecimento de um novo formato organizacional e de gestão que contemple o principal fator crítico de sucesso no atingimento de níveis desejáveis de competitividade - a cooperação:
a) dentro das unidades fabris em uma nova atitude gerencial e em técnicas de organização celular dos processos de trabalho; e
b) entre empresas, pela formação de sistemas de cooperação em redes (networks) entre fornecedores e produtores, entre produtores e consumidores e até entre empresas rivais em torno de projetos de capacitação tecnológica e gerencial e de promoção comercial.
Paralelamente, são necessárias ações explícitas para que a força de trabalho esteja orientada e motivada para criar, adquirir e transformar conhecimentos, o que requer ampla disseminação de atitudes empreendedoras em toda a organização.
Em resumo, este conjunto de características sublinha a inequívoca obsolescência do modelo vertical hierarquizado consagrado pelo modelo fordista de funções multidivisionais. Os desafios competitivos contemporâneos impõem ao esforço de gestão empresarial a tarefa de definir e implementar políticas indutoras de comportamentos orientados para a melhoria contínua de produtos e eficiência de processos, o que passa, inevitavelmente, em investimentos permanentes em aprendizado.
Em contraste a estas afirmações, cabe destacar a visão crítica de Krugman (1997) sobre a questão da competitividade, ressaltando que a maioria das pessoas que emprega o termo o faz sem maiores reflexões e que há uma excessiva preocupação com a competitividade sustentada em termos empíricos, quase totalmente infundada.
Krugman afirma que a maioria dos autores tentou definir a competitividade como uma combinação de desempenho no comércio internacional com aspectos estruturais dos países. Isto vem criando um sentimento generalizado de que as nações estão concorrendo entre si com preocupante intensidade, o que, na visão do autor, não é verdade. A metáfora da competição – a imagem de países competindo entre si no mercado mundial do mesmo modo como fazem as empresas – é, de fato, muito atraente porque é aparentemente fácil de compreender. Como conseqüência, Krugman afirma que esta “obsessão perigosa” resulta em três fatores prejudiciais: a) gastos excessivos de dinheiro público na formulação e execução de programas para aumentar- se a competitividade das nações: b) aumento do protecionismo e de guerras comerciais; e c) perda do foco das políticas governamentais, notadamente em economias emergentes.
Todavia, é importe ressaltar que há predominante concordância entre os autores pesquisados no sentido de que, para inserir-se no mercado global, as empresas devem ser competitivas, pressupondo sempre a inovação e a adaptação de conhecimentos ao processo de produção e a cooperação entre as empresas como agentes para atingir-se níveis desejáveis de competitividade.
Para a maioria destes autores, considerando a atual conjuntura da economia internacional, o estabelecimento de políticas de competitividade articuladas entre governos, agentes de desenvolvimento, bancos e empresas, assume fundamental importância para a criação de condições estruturais e sistêmicas que permitam promover a capacidade inovativa das empresas e melhorar sistematicamente a atratividade do ambiente de negócios.