Com relação às técnicas de coleta de dados, Roesch (2009) afirma que as mais comuns nas pesquisas qualitativas são as entrevistas, observação e uso de diários. Nesta pesquisa, foram usados como instrumentos de coleta de dados a pesquisa bibliográfica, a análise documental, a observação participante e as entrevistas em profundidade.
Barros e Junqueira (2006, p. 47) destacam que a primeira etapa de um trabalho de pesquisa “será a pesquisa bibliográfica, com a leitura e o fichamento das obras selecionadas”. A pesquisa bibliográfica foi a primeira fase deste projeto e serviu para fundamentação de seu referencial teórico e de orientação para os passos seguintes.
A revisão bibliográfica incluiu livros e artigos sobre estrutura organizacional, comunicação organizacional e mapeamento de processos. A partir daí, foi elaborado o roteiro da coleta de dados.
No entanto, durante toda a pesquisa, por várias vezes o pesquisador voltou a consultar a bibliografia para sanar dúvidas ou obter mais informações. Como observa Stumpf (2006), a revisão da literatura, além de constituir-se em etapa específica do trabalho de pesquisa, ocorre ao longo de todo o trabalho acadêmico, inclusive na análise dos resultados.
Em seguida à pesquisa bibliográfica, seguiu-se uma etapa de análise de documentos do IFSC. O objetivo foi o de identificar como está formalmente estruturada a área de comunicação do IFSC e obter mais dados sobre as atividades
desempenhadas pelos servidores da área na organização. Foram consultados os seguintes documentos do IFSC:
a) Regimento Geral e regimentos internos dos campi; b) Estatuto;
c) Portarias;
d) Instruções normativas; e) Política de Comunicação;
f) Atas de reuniões do Colégio de Dirigentes; g) Relatórios de gestão da Dircom.
Também foi consultado o Sistema de Gestão de Pessoas do IFSC, um banco de dados online, disponível em http://dgp.ifsc.edu.br (acesso restrito). O objetivo foi fazer um levantamento do quantitativo de servidores que trabalham nos setores de comunicação, traçar um perfil deles com relação a sua formação e cargos que ocupam e obter os contatos (e-mail e telefone) para marcação das entrevistas.
O passo seguinte foi a realização de entrevistas em profundidade, seguindo um roteiro base, com dirigentes e servidores do IFSC que atuam na área de comunicação dentro da organização. A entrevista em profundidade é a técnica fundamental da pesquisa qualitativa, para Roesch (2009). Ela tem como objetivo “entender o significado que os entrevistados atribuem a questões e situações em contextos que não foram estruturados anteriormente a partir das suposições do pesquisador” (ibidem, p. 159).
Segundo Duarte (2006, p. 62), a entrevista em profundidade busca “recolher respostas a partir da experiência subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informações que se deseja conhecer”. Ela permite colher dados por meio de interpretações e reconstruções da realidade.
As perguntas nesse tipo de entrevista “visam a explorar um assunto ou aprofundá-lo, descrever processos e fluxos, compreender o passado, analisar, discutir e fazer prospectivas”
(DUARTE, 2006, p. 63). A entrevista em profundidade não proporciona uma visão objetiva do tema de pesquisa nem prova nada, mas possibilita uma construção baseada em relatos de interpretação e experiências. O entrevistado descreve processos complexos nos quais está ou esteve envolvido.
Quanto à sua estruturação, classificam-se as entrevistas em profundidade realizadas para esta pesquisa de semiestruturada. Esse tipo de entrevista caracteriza-se por questões abertas, com objetivo de captar a perspectiva do entrevistado.
De acordo com Duarte (2006), na entrevista semiestruturada, ou semiaberta,
as questões, sua ordem, profundidade, forma de apresentação, dependem do entrevistador, mas a partir do conhecimento e disposição do entrevistado, da qualidade das respostas, das circunstâncias da entrevista. (p. 66)
Na entrevista semiestruturada, as perguntas são poucas e amplas, podendo as questões-chave serem alteradas no decorrer da conversa (DUARTE, 2006). O objetivo desse tipo de entrevista é fornecer elementos para que o pesquisador compreenda uma situação ou estrutura de um problema. Buscou- se um modelo neutro de entrevista, para atingir a impessoalidade e equilíbrio na relação entre entrevistador e entrevistado.
O objetivo das entrevistas em profundidade presenciais foi conhecer as atividades desenvolvidas em cada setor e as dificuldades encontradas para realizá-las. Foram analisadas como são distribuídos atualmente os processos de comunicação entre Reitoria e campi e as estruturas que cada um possui para desempenhá-las.
Pretendia-se avaliar também como esses processos poderiam ser mais bem distribuídos para que as necessidades de comunicação da organização e de seus membros sejam
atendidas, assim como a política de comunicação institucional, levando-se em conta as especificidades da organização e da administração pública federal.
As entrevistas em profundidade foram feitas presencialmente porque, conforme afirma Cury (2007), o levantamento sobre os processos deve ser feito com os funcionários diretamente envolvidos neles, no local de trabalho em que o processo é realizado.
Em alguns casos, os servidores dos campi mostravam como faziam o trabalho e até produtos que surgiam dos processos, como os boletins informativos, o que, na visão do pesquisador, ajudou a compreender o trabalho desenvolvido e enriqueceu a pesquisa.
A observação participante foi usada durante todo o período da pesquisa, a partir da qualificação do projeto, em novembro de 2013. Segundo Roesch (2009), nessa técnica de coleta de dados o pesquisador tem permissão para observar, entrevistar e participar no ambiente de trabalho em estudo.
Ela pode ser feita de maneira encoberta – quando, por exemplo, o pesquisador emprega-se na organização, mas os pesquisados não sabem do estudo que está sendo feito – ou de maneira aberta, quando todos sabem a respeito do trabalho, como foi o caso desta pesquisa.
Não faria sentido fazer diferente, pois o pesquisador é servidor do IFSC e está inserido na equipe da Dircom, que coordena a análise para criação ou adequação das estruturas de comunicação dos campi e da Reitoria. Com a observação, a intenção foi obter mais informações além daquelas oriundas de documentos e entrevistas, compreendendo o funcionamento dos processos ligados à comunicação organizacional, as disputas de poder e os conflitos dentro do setor.