9 Konklusjon – verdiene av Oslofjorden
Vedlegg 2: Analyse av brukerkonflikter basert på medietreff fordelt på kommuner – forslag til søkestrenger
9 Uma situação de ensino é um conjunto de relações explícita ou implicitamente estabelecidas, entre
um grupo de alunos ou aluno, o sistema educacional (incluindo ferramentas ou materiais) e professor para permitir aos alunos que construam/reconstruam algum conhecimento (aprendizagem) (REIS, 2011, p.5)
A forma como os jovens e adultos aprendem tem sido objeto de estudo na área educacional. As reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem na EJA são relevantes para o aprimoramento dos projetos pedagógicos nas escolas, de maneira a transformar a escola em uma instituição que existe em função do aperfeiçoamento da sociedade.
Um dos grandes desafios enfrentados por educadores da EJA é utilizar uma metodologia de ensino adequada às especificidades dos alunos, valorizando suas crenças, experiências e respeitando os ritmos de aprendizagens e estruturas de pensamento. Nesta investigação, assume-se que a uma forma de proporcionar reflexões desta natureza pode vir de situações nas quais o estudante é convidado a construir os conhecimentos por meio de problematizações consistentes.
Neste sentido, a Teoria das Situações Didáticas, desenvolvida por Brousseau (1986), considera as relações existentes entre o aprendiz, o professor, o saber e o meio onde acontece o aprendizado, e estabelece fatores determinantes para a aprendizagem, pois permite que o aluno formule hipóteses, construa modelos, estabeleça relações e faça comparações, atuando, assim, na construção do próprio conhecimento.
O objeto de estudo dessa teoria não é o aluno e sim o processo de aprendizagem, o que se dá por meio de um conjunto de relações explícitas e/ou implícitas estabelecidas entre um ou mais alunos, o meio (milieu) e o professor, com a finalidade de permitir aos estudantes a construção do saber.
Desta forma, o autor considera que:
Uma “situação” é um modelo de interação de um sujeito com um meio determinado. O recurso de que esse sujeito dispõe para alcançar ou conservar um estado favorável nesse meio é um leque de decisões que dependem do emprego de um conhecimento preciso. Consideramos o meio como um subsistema autônomo, antagônico ao sujeito (BROUSSEAU, 2008, p.21).
Para Almouloud (2007), a teoria das situações didáticas apoia-se em três hipóteses:
1- O aluno aprende adaptando-se a um milieu que é fator de dificuldades, de contradição, de desequilíbrio, um pouco como acontece na sociedade humana. Esse saber, fruto da adaptação, manifesta-se pelas respostas novas que são as provas da
aprendizagem (BROUSSEAU, 1986, p.49). Esta hipótese é uma referência à epistemologia construtivista de Piaget, segundo a qual a prendizagem decorre dos processos de adaptação, no sentido biológico do termo, desenvolvidos pelo sujeito diante de situações problemáticas.
2- O milieu não munido de intenções didáticas é insuficiente para permitir a aquisição de conhecimentos matemáticos pelo aprendiz. Para que haja essa intencionalidade didática, o professor deve criar e organizar um milieu no qual serão desenvolvidas as situações suscetíveis de provocar essa aprendizagem.
3- A terceira hipótese postula que esse milieu e essas situações devem engajar fortemente os saberes matemáticos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem (ALMOULOUD, 2007, p. 32).
Neste sentido, é considerado meio tudo que interage com o aluno e causa contradições e conflitos, provocando mudanças, de forma a desafiá-lo a encontrar respostas para as situações-problema.
Brousseau (1996) se refere ao meio (milieu) como um subsistema com o qual o aluno deve lidar diretamente. Esse meio é inicialmente definido como o conjunto de tudo aquilo que age sobre o aluno ou sobre o que o aluno age, isto é, este meio tem caráter material, teórico, social e cognitivo, de modo a instar o aluno, dada sua natureza antagonista, a se adaptar às situações apresentadas e a construir o saber desejado.
Neste processo, o professor deverá criar situações que possibilitem mudanças no meio, a fim de levar o aluno à construção de novos saberes, pois
a ação de um professor possui um forte componente de regulação dos processos de aquisição do aluno. O próprio aluno aprende pela regulação de suas relações com o meio. As regulações cognitivas têm a ver com o meio a-didático, em que parte da estrutura é determinada pela organização definida pelo professor (BOUSSEAU, 2008, p. 56).
Entre as responsabilidades do professor neste processo, está a de preparar situações e propor atividades que levem os alunos a resolver problemas, além de fornecer os meios necessários para que os mesmos construam seu próprio conhecimento. De acordo com Brousseau (1996), se o aluno aceita o desafio para si de resolver o problema que lhe foi proposto e obtém sucesso, ele adquirirá novos conhecimentos, certificando-se de que os mesmos foram apreendidos. Assim, o professor deve efetuar a devolução de um problema, a qual, na definição de Brousseau (2008, p. 91), “é o ato pelo qual o professor faz com que o aluno aceite a
responsabilidade de uma situação de aprendizagem (a-didática) ou de um problema e assume ele mesmo a consequência dessa transferência”.
Outro elemento importante da teoria, a situação adidática é parte essencial da situação didática. De acordo com Almouloud (2007), nesta situação, a intenção de ensinar não é revelada ao aluno, entretanto, ela foi planejada e constituida pelo professor a fim de proporcionar ao aluno condições para a apropriação do novo saber.
Para Brousseau (2008), a situação adidática se caracteriza da seguinte forma:
Do momento em que o aluno aceita o problema como seu até aquele que se produz a resposta, o professor se recusa a intervir como fornecedor de conhecimentos que quer ver surgir. O aluno sabe que o problema foi escolhido para fazer com que ele adquira um conhecimento novo, mas precisa saber também que esse conhecimento é inteiramente justificado pela lógica interna da situação e que pode prescindir das razões didáticas para construí-lo. Não só pode como deve, pois não terá adquirido, de fato, esse saber até que consiga usar fora do contexto de ensino e sem nenhuma indicação intencional (BROUSSEAU, 2008, p.35).
Neste contexto, entende-se que, em uma situação adidática, o papel do professor é fundamental para que o aluno atue na construção do saber, ainda que essa função não tenha natureza de intervenção limitante como ocorre nos modelos reprodutivistas.
O autor francês associa sua teoria a quatro dialéticas norteadoras: ação, formulação, validação e institucionalização.
4.1.1 Dialética de ação
Na dialética de ação, o aluno é colocado em uma situação na qual, diante de um problema que lhe é colocado, cuja intenção é a construção de um conhecimento, possa agir e receber informações sobre tal ação. Para isso, o aprendiz usa seus conhecimentos e procedimentos mais imediatos por meio da interação com o milieu. Nesta fase, não é necessário que o aluno consiga explicitar os mecanismos e elementos utilizados, geralmente as tentativas possuem o caráter experimental do conhecimento. Uma boa situação de ação, segundo Almouloud (2007), deve permitir ao aluno julgar o resultado de sua ação e ajustá-la, se necessário, sem a intervenção do professor, graças à retroação do milieu. Assim, vale lembrar que, na estruturação de uma situação, é fundamental que o professor escolha dados convenientes para
que o aluno tenha condições de agir em busca de soluções para determinado problema.
4.1.2 Dialética de formulação
A formulação de um conhecimento, segundo Brousseau (2008) corresponde à capacidade do aluno de retomá-lo (reconhecê-lo, identificá-lo, decompô-lo e reconstruí-lo em um sistema linguístico). Para Freitas J., (2008), em situação de formulação, o aprendiz já emprega, na solução do problema que lhe foi proposto, alguns modelos ou esquemas teóricos explícitos, além de evidenciar um trabalho com informações teóricas de forma bem mais elaborada. Neste sentido, Brousseau (2008, p. 29) ressalta que o meio que exigirá do sujeito o uso de uma formulação deve envolver outro sujeito a quem o primeiro deve comunicar sua informação.
Assim, nas situações de formulação, os alunos são conduzidos a explicitar as estratégias utilizadas, transformando o conhecimento implícito em explícito. A situação de formulação, de acordo com Brousseau (1996), consiste ainda em proporcionar ao aluno condições para que ele construa uma linguagem adequada às informações que deve comunicar, retome a ação, e se aproprie do conhecimento de maneira consciente.
4.1.3 Dialética de Validação
Na dialética de validação os alunos tentam convencer os interlocutores da veracidade das afirmações. A estratégia é demonstrada através da utilização de uma linguagem matemática apropriada. De acordo com Brousseau (2008, p. 30), na comunicação, o emissor não é apenas um informante, mas um proponente, e o receptor, um oponente. Ambos colaboram no esforço de vincular de forma segura um conhecimento a um campo de saberes já consolidados. Cada qual pode posicionar- se em relação a um enunciado e, havendo discordâncias, pedir uma demonstração ou exigir que o outro aplique suas declarações na interação com o milieu.
Dessa forma, Almouloud (2007) sintetiza que a dialética da validação busca o debate sobre a certeza das afirmações, o que permite a organização das interações com o milieu: “O objetivo é a validação das asserções que foram formuladas no momento da ação e da formulação, podendo referir-se a diferentes níveis de validade:
sintática, semântica ou mesmo pragmática (relativa à eficácia do texto)” (ALMOULOUD, 2007, p.40).
4.1.4 Dialética de institucionalização
Tem o objetivo de estabelecer o estatuto formal do saber matemático em relação aos conhecimentos surgidos durante a atividade em classe. A dialética da institucionalização é considerada a sistematização do que foi construído durante o trabalho investigativo dos estudantes. Nesse momento, o professor expõe os conhecimentos relevantes evidenciados pelos alunos durante a validação e sua ligação com os outros conhecimentos e saberes já estabelecidos. Em outras palavras, as situações de institucionalização são “aquelas em que o professor fixa convencionalmente e explicitamento o estatuto cognitivo do saber” (ALMOULOUD, 2007, p. 40).
Assim, após o professor ter feito a institucionalização, o saber torna-se, potencialmente, componente do repertório cognitivo do indivíduo ou grupo, e pode ser incorporado pelos alunos em seus esquemas mentais, tornando-o disponível para resolução de problemas matemáticos.
A teoria das situações didáticas tem fundamental papel nas análises efetuadas nesta pesquisa, como se verá no capítulo correspondente, mais adiante.