A participação brasileira no PISA ocorre desde 2000, apresentando um considerável aumento no número de participantes, conforme o quadro 7 pode esclarecer.
PISA 2000 PISA 2003 PISA 2006 PISA 2009
Número de alunos
participantes 4.893 4.452 9.295 20.127
Resultado em Leitura 396 403 393 412
Resultado em Matemática 334 356 370 386
Resultados em Ciências 375 390 390 405
QUADRO 7: Comparativo dos resultados das três aplicações do Pisa no Brasil Fonte: INEP (2010)
Como pode ser observado no Quadro 7, houve um aumento expressivo no número de participantes desde a primeira edição (311%). Em 2009, participaram 20.127 estudantes referentes a 947 escolas e 552 municípios. Apesar dos resultados dos alunos brasileiros ainda estarem aquém do desejado, a média da OCDE, percebe-se um crescimento, sobretudo, em Matemática. Com relação a esse conhecimento, houve um avanço: de 334 pontos, no ano 2000, para 386 pontos, em 2009. Em Ciências, passou de 375 para 405 e, em Leitura, de 396 para 412. Dessa forma, alcançou-se a meta do Plano de Desenvolvimento da Educação37 de atingir a média de 395 pontos.
A seguir, o Quadro 8 mostra a melhoria entre os desempenhos obtidos em 2000 e 2009, lembrando que a ênfase foi em Leitura nas duas avaliações.
QUADRO 8: Diferença de desempenho entre 2000 e 2009 Fonte: INEP (2010)
Nota-se que o Brasil está entre os três países que mais evoluíram na educação na década avaliada. Em 2000, a média brasileira era de 368 pontos, contra 401 pontos obtidos em 2009. A educação brasileira evoluiu 33 pontos nos exames realizados no período entre 2000 e 2009, cumprindo, assim, a meta do Plano de Desenvolvimento da Educação de atingir a média 395 pontos. Esse resultado torna o Brasil o terceiro país a aumentar a diferença entre a primeira avaliação (2000) e a última (2009). Foi superado pelo Chile, 37 pontos, e por Luxemburgo, com 38 pontos.
Embora o Brasil tenha conquistado a 3ª posição dentre os países que mais evoluíram, não podemos deixar de mencionar, por um lado, que ainda falta muito para se atingir níveis dos países com melhores desempenhos e, por outro, mostra que estamos avançando, de alguma forma, em termos de políticas públicas educacionais.
Segundo a avaliação feita pela OCDE, as políticas educacionais do Brasil melhoraram nos últimos dez anos, mas são insuficientes para pôr os estudantes brasileiros entre os melhores.
No Quadro 9, pode-se comparar o desempenho dos países da América Latina.
QUADRO 9: Desempenho dos países da América Latina Fonte: INEP (2010)
Dentre os países da América Latina participantes do PISA, o Brasil (53º lugar no ranking de todos os países participantes) está na 4ª posição. Superou Argentina e Colômbia. Ficou 19 pontos atrás do México (49º lugar no ranking de todos os países participantes), 26 pontos, do Uruguai (47º lugar no ranking de todos os países participantes) e 38 pontos atrás do Chile (45º lugar no ranking de todos os países participantes).
O Quadro 10 mostra o desempenho por Unidade da Federação. Foram destacados os estados que atingiram a meta do PDE de 395 pontos nessa avaliação.
Classificação
Geral ClassificaçãoLeitura ClassificaçãoMatemática ClassificaçãoCiências
O rd em UF Média O rd em UF Média O rd em UF Média O rd em UF Média 1 DF 438,955 1 DF 449,423 1 DF 424,835 1 DF 442,606 2 SC 428,239 2 SC 438,094 2 SC 411,864 2 SC 434,759 3 RS 423,892 3 RS 433,133 3 RS 410,025 3 MG 428,635 4 MG 422,254 4 MG 430,602 4 MG 407,526 4 RS 428,518 5 PR 417,234 5 SP 424,447 5 PR 405,017 5 PR 423,526 6 ES 414,052 6 ES 423,578 6 ES 397,301 6 ES 421,278 7 SP 408,812 7 PR 423,159 7 RJ 392,887 7 SP 411,587 8 RJ 408,055 8 RJ 419,804 8 SP 390,402 8 RJ 411,475 9 MS 403,982 9 MS 413,812 9 MS 389,472 9 GO 408,984 10 GO 402,115 10 GO 412,340 10 GO 385,022 10 MS 408,661 11 RO 391,818 11 RO 398,731 11 RO 379,070 11 RO 397,654 12 MT 389,265 12 MT 398,451 12 MT 378,761 12 TO 392,234 13 PB 384,933 13 BA 391,478 13 PB 376,307 13 MT 390,583
14 TO 382,112 14 TO 390,691 14 BA 368,746 14 PB 388,531 15 BA 381,508 15 AP 390,410 15 PE 368,293 15 CE 385,021 16 PE 380,553 16 PB 389,960 16 AP 365,313 16 RR 384,596 17 AP 377,990 17 PE 389,006 17 PI 364,181 17 PE 384,360 18 PA 375,972 18 AM 386,584 18 TO 363,410 18 BA 384,301 19 CE 375,852 19 RR 383,623 19 PA 362,759 19 PA 381,760 20 RR 375,688 20 RN 383,480 20 CE 361,171 20 PI 379,955 21 PI 373,947 21 PA 383,397 21 RN 360,168 21 AC 378,961 22 SE 372,219 22 AC 383,193 22 RR 358,846 22 SE 378,510 23 RN 371,016 23 CE 381,364 23 SE 358,835 23 AP 378,247 24 AM 370,927 24 SE 379,312 24 AM 353,198 24 AM 373,000 25 AC 370,717 25 PI 377,706 25 AC 349,996 25 RN 369,400 26 MA 355,491 26 MA 363,015 26 AL 347,575 26 MA 362,326 27 AL 354,276 27 AL 362,554 27 MA 341,131 27 AL 352,699
QUADRO 10: Desempenho por Unidade da Federação Fonte: INEP (2010)
Observa-se, no Quadro 10, que o estado mais bem avaliado, considerando a média de pontos nacional – 395 – foi o Distrito Federal, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo. São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás não atingiram a meta em Matemática. Observa-se também que o Brasil apresenta uma grande desigualdade entre as regiões.
O Gráfico 5 apresenta um comparativo do resultado da média do Brasil em relação à média dos países da OCDE.
GRÁFICO 5: Média do Brasil e dos países da OCDE Fonte: INEP (2010)
Ainda é possível comparar os resultados obtidos por diferentes dependências administrativas. As escolas públicas federais obtiveram como média geral 528 e, em Leitura, 535. As escolas privadas atingiram a média geral de 502, sendo a proficiência em Leitura avaliada em 516. Por fim, as escolas públicas não federais apresentaram um resultado muito díspar das outras dependências administrativas, já que a média geral foi 391 e, em Leitura, 403. Isso coloca a escola pública brasileira muito próxima a países como o Panamá e o Peru (Cf. Quadro 8), cujos os resultados não são avaliados como bons, de acordo com a matriz do PISA.
Diante desses resultados, é possível avaliar o impacto de fatores socioeconômicos no desempenho dos alunos participantes do PISA. Segundo documento publicado pela OCDE (2011a), dentro do Programa Internacional de Avaliação de estudantes (PISA), entre outras análises, ocorre a avaliação da influência dos fatores socioeconômicos dos países no desempenho apresentado por seus estudantes nas provas. Esse contexto socioeconômico é medido pelo chamado Índice de Situação Econômica, Social e Cultural, calculado com base nas informações fornecidas pelos estudantes desde a educação e ocupação dos pais, patrimônio até a existência de mesa para estudo e número de livros em casa.
De acordo com a OCDE (2011a), o Brasil está entre os 13 países com a menor performance em leitura, se comparado à média da OCDE. No documento, a OCDE (2011a) revela que, em todos os países e economias que participaram do PISA 2009, há uma relação entre o prazer da leitura e o bom resultado, os estudantes que leem por prazer tendem a ser leitores mais proficientes que estudantes que não leem por prazer. O tempo que se gasta lendo por prazer está fortemente relacionado ao desempenho. Melhores leitores tendem a ler mais porque eles são mais motivados a ler, o que leva a melhorar o vocabulário e habilidades de compreensão.
Na avaliação desse contexto, a OCDE (2011a) revela que, entre os países convidados, mais de 1/3 dos estudantes reportaram que não leem por prazer. A pontuação média desses estudantes, 460 pontos no PISA em leitura, está bem abaixo da média dos países membros da OCDE, 493 pontos. Outro 1/3 dos estudantes da OCDE leem por 30 minutos ou menos por dia. Seu desempenho médio, 504 pontos, está na linha da média da OCDE. Outros 17% dos estudantes dos países da OCDE leem entre meia hora e uma hora por dia e alcançam uma pontuação média de 527 pontos. Estudantes que reportam ler mais tempo – entre uma e duas horas por dia – e leitores assíduos, que leem por prazer por mais de duas horas diárias, alcançam pontuação de 532 e 527 pontos, respectivamente.
Nesse contexto, os materiais de leitura disponíveis ao aluno também interferem no desempenho. Na média, nos países da OCDE, 62% dos alunos leem jornais pelo menos várias
vezes por mês; 58% leem revistas; 31% leem ficção; 22% leem histórias em quadrinhos; e 19% livros de não ficção. Segundo a OCDE (2011a), ler ficção por iniciativa própria do estudante parece estar positivamente associado a um desempenho maior no PISA 2009; enquanto ler histórias em quadrinhos está relacionado a menor avanço na proficiência leitora. Na média, nos países da OCDE, estudantes que leem ficção por iniciativa própria pelo menos várias vezes por mês pontuam 53 pontos acima daqueles que fazem isso com menor frequência.
Tais dados revelam que a responsabilidade dos sistemas educacionais, mais do que cumprir o programa curricular estabelecido pelos parâmetros oficiais, é assegurar que aquilo que se oferece como conteúdo de aprendizagem vale a pena ser aprendido. Em outras palavras, a proposta educativa deve despertar a curiosidade dos estudantes, mobilizá-los à investigação e à ação, desde as atividades realizadas até a seleção do material textual a ser disponibilizado para o estudante. No que se refere especificamente à leitura, as habilidades de leitura devem ser estimuladas por meio de perguntas que desenvolvam a imaginação e o pensamento crítico. Essa constatação é o cerne dessa investigação, à medida que procuramos entender se tais premissas embasam escolas bem avaliadas pelo PISA.
Nesse âmbito, cabe compreendermos como a avaliação dos sistemas educacionais pode contribuir para essa concepção de leitura e de formação dos alunos. Entendemos que uma avaliação é incapaz de mensurar toda a informação dada como conhecimento plenamente adquirido e assimilado, até mesmo porque nem todo conhecimento adquirido é avaliável. Contudo, tal instrumento pode contribuir para identificar aspectos ignorados pelo aluno e pelo próprio processo de ensino, transformando a avaliação em um exercício contínuo de formação, para os alunos, os professores e o sistema educativo como um todo.
Para tanto, no item a seguir, apresentaremos a pesquisa TALIS que enfoca a avaliação do próprio sistema educacional, o que pode encaminhar as nossas reflexões na análise das escolas bem avaliadas pelo PISA, interligando os resultados obtidos às práticas educativas desenvolvidas nas escolas.