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Alternative 3 - Heating of water for space heating

3.2 Sluppenvegen 10

3.2.3 Alternative 3 - Heating of water for space heating

Os achados da terceira etapa da pesquisa de mestrado suscitam duas perguntas: 1) “Por que as introduções de Pneumologia têm maior grau de padronização em relação às introduções das demais áreas?” e 2) “Por que as introduções de Educação Especial são tão diferentes das outras?”. Encerra-se este capítulo com a proposição de respostas para essas questões.

Antes de mais nada, cabe colocar sob os holofotes números que permitem compreender melhor o que está em jogo na primeira pergunta. Na última etapa da investigação feita, oito macroestruturas foram identificadas. As 12 introduções de

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Pneumologia são as que apresentam maior concentração: distribuem-se em 3 macroestruturas apenas; 9 delas têm uma mesma macroestrutura. As 12 introduções de Química, por sua vez, têm distribuição moderadamente concentrada: distribuem-se em 4 macroestruturas; 5 têm uma configuração, outras 5, outra e as 2 introduções restantes têm cada qual uma macroestrutura diferente. As 12 introduções de Botânica apresentam menor concentração: distribuem-se em 5 macroestruturas. Por fim, as introduções de Educação Especial são as que têm maior dispersão: as 12 seções distribuem-se em 6 macroestruturas. Afinal, por que as introduções de Pneumologia têm maior grau de padronização?

Propõe-se aqui a seguinte resposta: isso pode ser reflexo do alto nível de industrialização no qual a produção científica do Jornal Brasileiro de Pneumologia se encontra. Uma das palavras-chave da industrialização é “padronização” e, por isso, essa relação faz sentido. Quanto mais elevado for o nível de industrialização na produção científica de uma dada publicação, maior será também – supõe-se – o grau de padronização nos textos.

No entanto, por quais razões o nível de industrialização da produção científica do periódico de Pneumologia pode ser considerado alto?

Faz-se essa leitura em decorrência das seguintes razões. Primeiro, porque há a indicação do IMRD em suas instruções aos autores [INSTRUÇÕES..., 2009] e porque, dos 197 artigos científicos do periódico examinados na segunda etapa da pesquisa de mestrado, 99,5% correspondem integralmente ao modelo. Segundo, porque se detecta nas instruções e nos números da revista grande definição nos tipos de trabalhos científicos. Nas instruções, há o detalhamento das categorias “artigos originais”, “comunicações breves”, “relatos de caso”, “cartas ao editor”, “revisões e atualizações” [INSTRUÇÕES..., 2009]. Nos diferentes números da

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publicação, encontram-se principalmente os seguintes tipos de trabalhos: “artigos originais”, “relatos de caso”, “artigos de revisão” e “cartas ao editor”. Em terceiro lugar, pois a revista privilegia textos breves. Em suas instruções aos autores, constam os seguintes limites máximos de extensão: 3.000 palavras para “artigos originais”, 1.500 palavras para “relatos de caso” e “comunicações breves”, 800 palavras para “cartas ao editor” e 5.000 palavras para “revisões e atualizações” [INSTRUÇÕES..., 2009]. Em quarto lugar, porque em geral são publicados 6 ou 12 números do periódico por ano [JORNAL BRASILEIRO DE PNEUMOLOGIA, 2004- 2011], montante considerado grande – não é raro que revistas de Letras, de Linguística e de Educação, por exemplo, se limitem a 2 ou 3 números anuais. Em quinto, porque a autoria dos artigos da publicação é aparentemente fragmentada. Faz-se essa afirmação com base em duas medidas-resumo dos números de autores dos textos de origem das introduções de Pneumologia examinadas na terceira etapa da pesquisa de mestrado: a média, que é igual a 5,3 autores por texto, e o desvio- padrão, que corresponde a 1,6. Em sexto lugar, por se tratar de revista de um ramo da Medicina, ou seja, por fazer parte de um domínio no qual parece haver presença mais expressiva de profissionais de apoio nos processos de investigação e de escrita. Em sétimo lugar, pois aparentemente há predileção na revista pela citação de textos de periódicos – mediante a observação das 283 fontes citadas nos 12 artigos de origem das introduções de Pneumologia analisadas na última etapa da investigação feita, constatou-se que 83,7% delas correspondem a textos publicados em revistas científicas. Por último, alega-se que a produção científica da publicação tem alto nível de industrialização, porque, em suas instruções aos autores, está expressa a obrigatoriedade de os termos adotados como descritores e keywords dos manuscritos submetidos se basearem nos bancos de dados DeCS e MeSH

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[INSTRUÇÕES..., 2009]. Em suma, afirma-se que sua produção é altamente industrializada porque apresenta características que concorrem para a padronização, para a especialização e para grandes montantes de trabalhos científicos.

O segundo ponto dos resultados da última etapa da pesquisa de mestrado que provoca indagação refere-se às introduções dos artigos científicos da Revista Brasileira de Educação Especial. Verificaram-se nesse material aspectos que destoam em grande medida das seções introdutórias dos artigos dos demais periódicos: 1) maior dispersão com relação às oito macroestruturas identificadas, 2) unidades com teor de problematização e reflexão nos eixos Elementos-Chave para o Trabalho e Justificativa para o Trabalho e 3) maior número de palavras. Por que essas introduções são tão diferentes das demais?

A fim de propor uma resposta para essa pergunta, recorre-se primeiro a passagens de dois gregos:

Se, nos desarranjos intestinais e nos vômitos espontâneos, o que deve ser eliminado é eliminado, eles são úteis e os doentes os suportam facilmente; se não, sucede o contrário. Ocorre o mesmo com as evacuações provocadas: se são como devem ser, são úteis e os doentes as suportam facilmente; se não, sucede o contrário. É preciso levar em conta o lugar, a estação, a idade, as doenças em que as evacuações são ou não são convenientes. (HIPÓCRATES, 2010 [3--? a.C.], p. 30, Aforismo 2);

XXXIX – Aquele que melhor sabe lidar com as inquietações que vêm de fora age de maneira que torne familiar tudo que puder; quanto ao que não puder, que pelo menos lhe não seja hostil; quanto àquilo, enfim, relativamente ao qual nem isso é possível, ele evita qualquer contato e faz tudo que é útil para mantê-lo a distância. (EPICURO, 2010 [2--? a.C.], p. 61).

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A diferença observada entre as introduções de Educação Especial e as de Botânica, de Química e de Pneumologia parece em alguma medida similar àquela que se nota entre a maioria dos aforismos de Hipócrates e as máximas de Epicuro. Estas são um convite à meditação; aqueles se assemelham a registros clínicos. As seções introdutórias de Educação Especial configuram-se, muitas vezes, como uma arena de disputas conceituais e teóricas; as demais exibem um aspecto fotográfico sobressalente.

Se considerado o trabalho de Harvey (2009 [1628]), Estudo anatômico do movimento do coração e do sangue nos animais, é possível estender essa leitura. Em comparação com produtos de pesquisas de Ciências Humanas, de Ciências Sociais Aplicadas, de Letras e de Artes, o estudo do anatomista parece ter uma fronteira mais definida entre ciência e escrita. Uma passagem como a reproduzida a seguir, por exemplo, configura-se mormente como um fruto da transposição para o texto de registros de experimentos e sugere limite mais claro entre fazer e escrever ciência:

Quando se observa, [estando] o tórax aberto, o coração de um animal vivo, qualquer que ele seja, após ter ressecado seu envoltório capsular imediato, o vemos ora em movimento, ora em repouso; portanto, [o vemos] passar de uma fase de atividade a uma fase de imobilidade.

Esse duplo fenômeno é mais evidente nos animais de sangue frio: os sapos, as serpentes, as rãs, as lagostas, os moluscos testáceos, os caranguejos do mar e todos os pequenos peixes; ele [o duplo fenômeno] se faz [mais evidente] também nos animais possuidores de sangue quente, tais como o cão e o porco, quando a observação, paciente e atenta, é levada até as proximidades da morte, até o momento em que os movimentos do coração tornam-se mais lentos e começam, por assim dizer, a se extinguir. Nesse momento, os vemos, de modo evidente e claro, tornarem-se mais

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preguiçosos, mais lentos e entrecortados por pausas mais longas; tem-se [então] todo o tempo necessário para apreciar a qualidade e para compreender o mecanismo deles. Durante sua pausa, como na morte, o coração é mole, flácido, debilitado e curvado sobre si mesmo. Durante seu movimento, ele exibe três fases principais a se considerar [...] (HARVEY, 2009 [1628], p. 219, acréscimos da fonte).

As vivissecções que permitiram as constatações expressas nessa passagem foram executadas por Harvey em um momento; a elaboração do texto, em outro. Avalia-se que tal separação entre ciência e escrita seja mais evidente não só na Medicina, mas também na Botânica e na Química. Quanto à Educação Especial, às Ciências Humanas como um todo, às Ciências Sociais Aplicadas, às Letras e às Artes, muitas das vivissecções e dissecções ocorrem no interior dos textos. É bastante comum que ciência e escrita se confundam, se sobreponham.

Para finalmente dar corpo à resposta à segunda questão apresentada, transcreve-se um último fragmento, desta vez de Lavoisier (1965 [1790], p. xiv):

A impossibilidade de separar a nomenclatura de uma ciência da ciência em si deve-se a isso, [ao fato de] que todo ramo da ciência física deve ser composto por três coisas: a série de fatos que são os objetos da ciência, as ideias que representam esses fatos e as palavras pelas quais essas ideias são expressas. Como três marcas de um mesmo carimbo, a palavra deve trazer à existência a ideia, e a ideia, ser um retrato do fato.1

Na Pneumologia, na Botânica e na Química, parece viva a busca pela semelhança entre fatos, ideias e palavras, tal como na analogia feita pelo químico

1 Passagem original da tradução inglesa: “The impossibility of separating the nomenclature of a

science from the science itself, is owing to this, that every branch of physical science must consist of three things; the series of facts which are the objects of the science, the ideas which represent these facts, and the words by which these ideas are expressed. Like three impressions of the same seal, the word ought to produce the idea, and the idea to be a picture of the fact.” (LAVOISIER, 1965 [1790], p. xiv).

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com as marcas de um carimbo. Já na Educação Especial, território representativo das Ciências Humanas, a dessemelhança entre essas coisas, avalia-se, é parte integrante da ciência e da escrita.

Enfim, por que as introduções dos artigos da Revista Brasileira de Educação Especial são tão diferentes das dos textos das demais publicações? Propõe-se aqui a seguinte resposta: porque os artigos científicos de Educação Especial, embora tenham corpo de Ciências da Saúde (uma variante do IMRD), têm alma de Ciências Humanas. A relação entre ciência e escrita é outra, de modo que a presença de padrões estruturais em suas seções é pouco provável. Ainda, sua alma a conduz à problematização e à reflexão, provocando robustez no que diz respeito ao número de palavras.

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