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Alternative forutsetninger

Nesta seção, os depoimentos dos Supervisores e dos PCOPs elucidam a prática da Formação de Gestores em uma perspectiva interdisciplinar e indicam as possibilidades de uma Formação nessa abordagem.

Começo com as respostas dos Supervisores às questões disparatórias, conforme sistematizadas no quadro abaixo.

S1 “Assim, com reuniões periódicas, com um conteúdo atrelado às reais necessidades da escola, numa perspectiva interdisciplinar, acredito ser possível conseguir focar a atuação dos gestores nos aspectos pedagógicos e estruturar suas ações fazendo com que se sintam menos sufocados”.

S2 “A questão da interdisciplinaridade passa pela reflexão da função social da escola bem como pela consciência que dela devem ter todos os atores que atuam no ambiente escolar.”

Quadro 3.5 – Depoimento dos Supervisores de Ensino Frente a indicação da Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo para uma postura interdisciplinar do gestor

Os dois Supervisores demonstram ter contato com a Proposta da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que indica uma postura interdisciplinar convergente ao desenvolvimento da competência cognitiva e da consciência ética e política do aluno, apresentando como base o estudo dos conhecimentos de cada disciplinar e seus pontos de intersecção (Caderno do Gestor, 2003, v. 3)..

Os Supervisores acreditam ser viável uma formação interdisciplinar na escola, condutora ao exercício da cidadania e a uma postura democrática, como se pode ver no próximo quadro:

S1 “(...), preparar estas orientações, sob uma perspectiva interdisciplinar, tem suas dificuldades. Entre elas: divergência de interesses, dificuldades dos gestores em “enxergar” o todo e não só as partes e a dificuldade em articular os conteúdos transmitidos com o vivido e com o mundo que nos cerca”.

S2 “A interdisciplinaridade, como nova atuação científica e profissional vai exigir de toda equipe gestores e docentes, um esforço que supere sua visão minimalista disciplinar, para enquadrar- se num cenário mais amplo e rico em que os valores definidos na Proposta Pedagógica propiciem a construção de uma escola e, por conseqüência, de uma sociedade verdadeiramente democrática.”

Quadro 3.6 – Reflexão dos Supervisores sobre uma prática interdisciplinar na escola que conduza ao exercício da cidadania e a uma postura gestora favorável ao exercício democrático

dificuldades podem ser encontradas no que tange à obtenção da equipe para o assunto;

a Interdisciplinaridade como ciência e ação profissional pode levar a escola a um cenário construtor da cidadania e de uma sociedade democrática.

É encorajador atestar por meio do depoimento dos Supervisores de Ensino , a possibilidade de se conceber a Oficina Pedagógica como um lócus formador de Gestores Educacionais sob uma ótica interdisciplinar, como se pode verificar pelo quadro abaixo:

S1 “A Oficina Pedagógica pode e deve ser um espaço de formação continuada para gestores (...) um espaço onde o gestor distante do problema, possa talvez “enxergá-lo” com outros olhos; enfim, um espaço produtivo para uma convivência social e coletiva que privilegie o aprimoramento do exercício profissional”.

S2 “Em uma visão interdisciplinar, talvez não tão nova, é pouco vivenciada e precisa contar com gestores conscientes, líderes distantes e em constante atualização, para o que a Oficina Pedagógica poderá dar sua contribuição, exercendo um papel de formação em serviço para nossos diretores de escola”.

Quadro 3.7 – Visão dos Supervisores quanto a Formação Continuada de Gestores sob uma perspectiva interdisciplinar tendo a Oficina Pedagógica como espaço formador

A expressão dirigida à Oficina Pedagógica (“pode e deve ser um espaço de formação continuada para gestores...”) legitima sua potencialidade formadora e ainda possibilita o exercício das relações interpessoais para o aprimoramento profissional.

S1 “(...) para a construção de novas práticas na escola é necessário que o gestor, juntamente com o coordenador pedagógico, crie na Unidade Escolar um ambiente formador de docentes através dos HTPCs e demais reuniões pedagógicas. Acredito que a Oficina Pedagógica tenha que instrumentalizar estes gestores com um currículo que promova debates sobre gestão de pessoas, do espaço escolar (...)”

S2 “Entendo que a construção da Proposta Pedagógica da Escola se tornará possível somente quando a equipe gestora, o corpo docente e todo o corpo de funcionários estiverem integrados e atuantes na mesma linha de ação e embasados nos mesmos princípios e nos mesmos ideais. Os valores definidos pela escola a serem trabalhados pelos docentes, é que vão formar o cidadão que saiba atuar na sociedade “...)”

Quadro 3.8 – Confirmação à asserção anterior

Diante das declarações aqui explicitadas e dos estudos realizados neste trabalho de pesquisa, evidencia-se que práticas interdisciplinares e formação

continuada de gestores nessa perspectiva, constituem uma combinação perfeita para se aferir um futuro promissor a Educação.

Passo agora aos comentários dos PCOPs. Abaixo, o quadro mostra o componente curricular assumido por cada um deles:

PCOP Componente Curricular

1 Física

2 Educação Física e Tecnologia 3 Arte

4 Matemática

5 Educação Especial Inclusiva

Quadro 3.9 – Área de atuação dos Professores Coordenadores da Oficina Pedagógica (PCOPs)

Esse quadro demonstra que os PCOPs são especialistas em diversas áreas do conhecimento, além de formadores de profissionais da Educação, o que corresponde a um substrato fértil à prática interdisciplinar, ou seja, formam uma importante liga para as relações entre as disciplinas.

A seguir, entra o quadro que sintetiza os depoimentos dos PCOPs:

PCOP1 “Quando a sociedade em geral entender que independente de demanda, o objetivo maior é o de formar cidadãos plenos, aí sim será possível trabalhar interdisciplinarmente (...) As relações interpessoais são importantes pois se estamos a pensar em interdisciplinaridade, o educador mais do que ninguém deve ser articulado e versátil no seu ambiente de trabalho, para dessa maneira interagir com os pares”

PCOP2 “O espaço da Oficina Pedagógica é um ambiente propício para formação continuada de Gestores Educacionais aonde vem sendo trocadas vivências e experiências. Contudo este trabalho poderia ter uma amplitude maior, melhor e mais específica se os professores pudessem freqüentar estes encontros de formação para aprimoramento de sua disciplina e/ou de forma interdisciplinar. (...) na verdade é com as relações interpessoais que se começa um trabalho coletivo e coeso, o que facilita o trabalho em grupo, para que seja possível uma proposta onde a interdisciplinaridade aconteça nesses espaços.”

PCOP3 “Considero muito importante as relações interpessoais e intersubjetivas desenvolvidas nos espaços educativos, pois, são através das relações que construiremos a base de um possível projeto interdisciplinar”.

PCOP4 “A dificuldade maior para se preparar Orientações Pedagógicas sob uma perspectiva intedisciplinar na Oficina Pedagógica é a existência de grande quantidade de serviços que não se referem à formação de professores (...) Essa rotina da Oficina Pedagógica dificulta a realização de reuniões periódicas para a preparação de reuniões periódicas entre os PCOPs das diversas áreas de conhecimento para a preparação de Orientações Pedagógicas. Propiciar espaço para as relações interpessoais e intersubjetivas o que a Oficina Pedagógica pode fazer e isso me parece de extrema importância para o desenvolvimento pessoal do

Educador”

PCOP5 “Para mim a maior dificuldade em preparar as orientações, sob a perspectiva interdisciplinar é que todas as áreas exigem um raciocínio, um aprendizado, um conteúdo muitas vezes extenso que não vão ao encontro às necessidades dos alunos com deficiência, necessitando de adaptações significativas e não significativas, de pequeno, médio e grande porte, e os professores não estão preparados a atuarem dessa forma, pois ficam preocupados em cumprir um currículo pré-estabelecido não levando em conta as reais necessidades. O contato humano, o trabalho com pessoas de diferentes áreas engrandece o convívio, aumenta os espaços culturais e nos leva a sermos pessoas mais conscientes no trabalho pedagógico levando em conta a diversidade.

Quadro 3.10 – Análise dos depoimentos dos Professores Coordenadores da Oficina Pedagógica (PCOPs) quanto ao estudo interdisciplinar na formação continuada de Gestores Educacionais e as relações interpessoais nesse processo

A análise dos depoimentos dos PCOPs possibilita duas interpretações concomitantes: uma evidencia que não há uma ação interdisciplinar na Oficina Pedagógica, haja visto que os obstáculos relatados são pontuados: excesso na demanda de serviços burocráticos, dificuldade em se unificar as área do conhecimento e a solicitação de serviços não pertinentes à formação de educadores pela SEE; a outra revela o desejo expresso em se trabalhar interdisciplinarmente e os benefícios das relações interpessoais para a qualidade do processo educativo e profissional.

Os PCOP1, PCOP2, PCOP3 e PCOP4 articulam a ação interdisciplinar às possibilidades de relações interpessoais para o desenvolvimento, com sucesso, de um trabalho coletivo, pelo qual as competências de cada disciplina possam vincular-se umas às outras.

O PCOP5 se preocupa com a inclusão social de alunos com necessidades especiais e com a diversidade humana. Por esse motivo, entende ser difícil pensar em interdisciplinaridade na Formação de Educadores. Reitera que os professores não estão preparados para trabalhar interdisciplinarmente por se aterem ao cumprimento do currículo preestabelecido, não considerando as necessidades de adaptação curricular exigidas pelos alunos com necessidades especiais.

Concluído este capítulo, passo, a seguir, a apresentar minhas considerações finais, que visam sintetizar o percurso até aqui desenvolvido e

apontar as possíveis contribuições deste trabalho para a Formação de Gestores em uma perspectiva interdisciplinar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa admite a verificação das possibilidades interdisciplinares, no que tange à formação continuada de Gestores Educacionais, quando revela reflexões pertinentes que conduzem tal empreitada (Cursos de Formação Continuada para Gestores) a preparar suas concepções neste perfil.

Analisando o desenrolar do estudo, é possível verificar que uma Formação Continuada de Gestores que valorize a busca de suas próprias concepções ontológicas, epistemológicas e praxiológicas, tão destacadas pela interdisciplinaridade, é capaz de conduzir esses profissionais ao autoconhecimento e a terrenos férteis para promover intervenções produtivas, que estimulem a autonomia nos processos de decisões pedagógicas e valorizem as experiências profissionais. A partir desse processo, os Gestores estarão aptos a:

fomentar competências que facilitem as relações interpessoais de seus profissionais, motivando o trabalho em equipe;

articular sua equipe de maneira que esta possa ter condições favoráveis para a autoformação profissional;

reconhecer em si suas potencialidades, focando seu desenvolvimento intersubjetivo e cognitivo como ser humano e profissional;

mobilizar hábitos de estudos e pesquisas como fontes enriquecedoras de práticas pedagógicas eficazes, reorganizando-as de forma a obter novas atitudes educacionais contextualizadas com a realidade vivenciada na escola e na comunidade;

permitir, no bojo de sua escola, a autonomia intelectual e a liberdade de expressão, tão necessárias ao exercício democrático e participativo, caracterizando e fundamentando assim sua forma de Gestão;

oportunizar ao seu corpo docente, discente e de serviços gerais, acesso aos meios culturais que lhes são relevantes, a partir do contato direto a eles ou por meio de textos, imagens e tecnologias disponíveis;

motivar seus colaboradores a terem atitudes de dinamismo e comprometimento, legitimando o direito ao conhecimento e a uma educação de qualidade;

equilibrar os projetos preestabelecidos do Currículo Oficial com o currículo próprio da escola, contemplando dessa maneira seu Projeto Político Pedagógico e suas reais necessidades.

Ao se verificarem os depoimentos das cinco Gestoras, evidencia-se que a sensação de solidão no exercício da profissão aclara a necessidade de momentos de intercâmbios intersubjetivos onde vivências, ideias, angústias e dificuldades podem ser compartilhadas nos momentos de relações interpessoais com os pares. Esse exercício de interação facilita sobremaneira a busca de soluções de problemas.

Nota-se ainda que a prática das relações interpessoais de Gestores durante os Cursos de Formação Continuada desencadeia hábitos que servem de matéria prima para se transcrever esse exercício também na escola junto aos docentes, discentes e demais segmentos profissionais atuantes na escola.

A pesquisa demonstra que a função da Gestão no contexto educacional vigente (início do século XXI) consiste em atender uma geração de pessoas que está às voltas com a globalização e com as tecnologias. Para tanto, deve o Gestor promover ações concernentes a esta atual realidade social que se apresenta, postulando então em seu perfil elementos mais pedagógicos do que administrativos. Nota-se, pela pesquisa, que esta ação se faz urgente e necessária.

Evidencia-se também a relevância de uma postura democrática e formadora do Gestor frente à construção de uma escola aprendente; uma escola que envolva toda a equipe de profissionais, e não só a de alunos, na busca dos conhecimentos e no desenvolvimento intelectual; uma escola que traduza como resultado a intencionalidade da Educação, que é a de elaborar

cidadãos que saibam viver em sociedade e atuar nela, reduzindo dessa maneira a degeneração social.

Confirma-se que a hipótese de se conceber uma Formação Continuada para Gestores sob uma perspectiva interdisciplinar é possível quando os estudos que dão corpo a esta pesquisa retomam os registros da LDB e da Legislação Estadual da Educação, que indicam uma ação educacional interdisciplinar e uma postura gestora que possibilite essa ação.

Reiterando a afirmação anterior, encontra-se nos depoimentos dos supervisores a intenção de que a Interdisciplinaridade seja refletida como um fator de função social escolar e de consciência entre todos os atores envolvidos no processo educacional. Os supervisores indicam que a Interdisciplinaridade conduzirá a escola a obter um esforço que supere a visão minimalista disciplinar, moldando-se a um cenário enriquecido de valores definidos em sua Proposta Pedagógica e construindo-se democraticamente.

Enfatizam, ainda, que a escola não é tão somente um espaço de instrução ou de ações profissionais; é, pois, um espaço que apresenta como função o convívio entre as pessoas de identidades diversas, interligadas em um propósito comum. Para tanto, é importante o Gestor priorizar a partilha dos bens culturais imateriais, como solidariedade, respeito, conhecimento, amor e alegria, endossando assim a importância de se possuir uma atitude Gestora Interdisciplinar, já que no cerne da Interdisciplinaridade tais valores são de grande relevância.

Ao seguir a linha de raciocínio traçada pela pesquisa, identifica-se que os aspectos epistemológicos e ontológicos dos Gestores os conduziriam, se houvesse interesse, a refletirem e atuarem interdisciplinarmente em suas escolas, caracterizando dessa maneira o aspecto praxiológico.

A Formação Continuada, portanto, representa um fator facilitador para uma postura interdisciplinar do Gestor. Soma-se a isso ainda a concordância de interesses profissionais entre a equipe envolvida no processo pedagógico da escola.

No entanto, a divergência dos fatores relacionados, com a dificuldade do Gestor e seus colaboradores em visualizar o todo e não somente as partes que o constituem, representa um entrave substancial para se articularem reflexões, concepções e práticas interdisciplinares.

A pesquisa demonstra que uma atitude gestora calcada em preceitos interdisciplinares facilitaria sobremaneira as relações interpessoais e a mediação de conflitos e a construção de uma escola aprendente e democrática, na qual a participação representa um fator constante e motivador de práticas pedagógicas eficazes. A pesquisa demonstra, ainda, que um perfil interdisciplinar conota princípios como humildade, desapego, ousadia, paciência e respeito, valores salutares para uma ação de intervenção educativa necessária para que a dimensão pedagógica se configure em aprendizagem.

A pesquisa mostra com clareza o propósito a que veio, apontando caminhos para uma formação continuada de Gestores Educacionais sob uma perspectiva interdisciplinar, tendo como espinha dorsal ações gestoras democráticas e participativas.

O trabalho identifica também os pontos positivos de uma Formação Continuada Para Gestores Educacionais focados nos aspectos ontológicos, epistemológicos e praxiológicos da interdisciplinaridade e elucida os professores que pleiteiam um cargo de Gestor Educacional de escola pública sobre o ressignificado da gestão no atual contexto social e as principais dificuldades encontradas no exercício da profissão.

Esta pesquisa foi capaz de demonstrar os pontos positivos de se possuir uma postura interdisciplinar no cenário da Gestão Educacional Democrática e participativa e a necessidade de o Gestor se conceber como um eterno aprendiz.

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