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Algorithms for Coreference Resolution

3. Related Work

3.2. Algorithms for Coreference Resolution

Como proposto, a teoria da cooperação, em sua vertente positivista, não é somente uma epistemologia da cooperação internacional, mas um modelo de cooperação baseado em grande medida na microeconomia neoclássica ortodoxa, e mistura certas análises epistemológicas com as suas concepções de mundo. Contudo, esse modelo não oferece respostas satisfatórias para uma cooperação no período de globalização e também não se evidencia como uma proposta que traga o equilíbrio almejado, mas que pode levar, como uma de suas consequências, desigualdades consideráveis e instabilidades. Nessa medida, penso que uma cooperação internacional não pode ser concebida aos moldes da microeconomia neoclássica ortodoxa e que, nas relações internacionais, se requer um modelo que consiga resolver os desequilíbrios estruturais, que necessitam mais do que parceiros maximizadores. Nesse aspecto, o foco de uma cooperação internacional deveria ser a estabilidade e a paz, e não somente uma eficiência. Por isso, penso que um modelo de cooperação entre países e

56 povos deveria considerar a estabilidade como constitutiva dessas relações, e não apenas como uma das possibilidades de suas consequências.

Um modelo de cooperação, o qual vise à solução dos desafios internacionais e à busca de objetivos em comum em um período de desnacionalização, deveria ir além da proposta da teoria da cooperação neoliberal. Da mesma forma, a concepção da estabilidade hegemônica tem sido contestada como um modelo que possa, de fato, trazer soluções para a presente ordem internacional. Meu argumento é que uma cooperação internacional sustentável deveria partir dos pressupostos e constatações da teoria construtivista, que dá um peso considerável para as normas e identidades desenvolvidas em comum. Por estabilidade, entendo a resolução dos desequilíbrios, ou seja, uma cooperação que traga desenvolvimento humano, social e econômico para os países, na medida em que possam alcançar uma participação mais produtiva e construtiva na ordem internacional.

Os conceitos de coordenação, que visam a resolver dilemas de comum aversão, e de colaboração, que procuram resolver problemas de comuns interesses, baseiam-se na utilidade dos atores envolvidos, de modo a maximizar os seus ganhos autointeressados. Em outras palavras, são tentativas de chegar a um equilíbrio do ótimo de Pareto, onde as decisões feitas de modo individual geram coletivamente um desequilíbrio ou um resultado sub-ótimo:

The dilemma of common interests occurs when there is only one equilibrium outcome that is deficient for the involved actors. In others words, this dilemma arises when the Pareto-optimal outcome that actors mutually desire is not an equilibrium outcome. In order to solve such dilemmas and assure the Pareto-optimal outcome, the parties must collaborate, and all regimes intended to deal with dilemmas of common interests must specify strict patterns of behavior and insure that no one cheats.113

Desse modo, os atores envolvidos procuram atingir um equilíbrio ótimo para os seus ganhos. Os regimes, assim definidos pela teoria da cooperação sustentadas na microeconomia neoclássica ortodoxa, são, em essência, instrumentais. Nessa concepção, quando não existem incentivos de curto ou longo prazo, a cooperação tende a não ocorrer. No entanto, no mundo globalizado, existem questões internacionais que precisam de decisões que podem não trazer a eficiência planejada e maximizada para os membros envolvidos, mas que necessitam de resoluções. Por isso, uma cooperação internacional deveria desenvolver medidas mais equitativas, por exemplo, em questões humanas, técnicas e políticas, como se trabalhará na sequência do capítulo.

57 A proposta de cooperação da teoria convencional está inserida no viés da economia ortodoxa neoclássica, que se define pela ideia da eficiência:

In graduate school I was told that ’economics is about equity and efficiency: we don’t really know how to deal with equity, so we will focus on efficiency’. The outer circle, as I see it, includes those economists who reject that conclusion, who are at least as concerned with equity as with efficiency. This means that I will attempt to embrace most of the heterodox school but will leave out the Austrians.114

A eficiência, pretendida pelos teóricos convencionais da cooperação internacional, admite que “quando ninguém pode melhorar sua situação sem piorar a de outrem, a alocação de recursos é chamada no sentido de Pareto por causa do grande economista e sociólogo italiano Vilfredo Pareto (1848-1923)”.115 Quando se pensa em eficiência na economia se está pensando na forma de Pareto. Mas a eficiência de Pareto refere-se a mercados competitivos em uma concorrência perfeita. Mesmo que os mercados competitivos alcancem a eficiência, eles podem produzir muitas desigualdades na distribuição dos recursos:

Eficiência é melhor que ineficiência, mas não é tudo na vida. Em equilíbrio competitivo, alguns indivíduos podem ser muito ricos, enquanto outros vivem na mais abjeta miséria. Uma pessoa pode ter habilidades muito apreciadas, e outras não. A competição pode levar a uma economia eficiente com uma distribuição muito desigual de recursos.116

Uma cooperação que possui como o seu principal objetivo uma eficiência no equilíbrio paretiano pode ter, como consequência, desigualdades acentuadas. Como o próprio modelo da teoria da cooperação neoliberal propõe, no mesmo sentido da teoria microeconômica neoclássica, os desequilíbrios que a proposta pretende resolver são baseados nas falhas do mercado da economia, ou seja, quando o mercado não produz os resultados eficientes, da eficiência de Pareto. As principais falhas do mercado são: competição imperfeita, em que monopólios e oligopólios dominam; informação imperfeita, falta de informação que determina uma ineficiência; externalidades, ações que afetam os outros sem que precisem pagar por resultados maléficos, ou sem ser remunerados por resultados benéficos; bens públicos, o custo de um indivíduo adicional de usufruir um bem é zero, e seria proibitivo o custo de tentar impedi-lo de usufruir o seu uso. São essas as falhas que a proposta

114

GOODWIN, Neva. From Outer Circle to center Stage: The Maturation of Heterodox Economics. In: Future Directions for Heterodox Economics. Michigan, EUA: The University of Michigan Press, 2008. p. 38.

115 STIGLITZ, Joseph E.; WALSH, Carl E. Introdução à Microeconomia. Rio de Janeiro: Campus, 2003. pp. 171-

172.

58 da teoria da cooperação neoliberal tenta corrigir. Outros desequilíbrios internacionais são ignorados pela teoria, principalmente, as desigualdades econômicas e de capacidades.

A corrente denominada de teoria econômica neoclássica tem dominado os estudos de economia entre várias gerações de pensadores, e teve transformações ao longo do tempo. John Maynard Keynes considerava os clássicos da economia e neoclássicos como uma escola única, que denominou, simplesmente de clássicos, para contrastar com a sua teoria.117 Dentro algumas características, pode-se destacar: a racionalidade maximizadora, que consegue estabelecer o comportamento dos agentes; um individualismo metodológico, ou seja, “one starts with individual rationality, and the market translates that individual rationality into social rationality”118; e a teoria do equilíbrio geral, que afirma que a demanda e a oferta igualam-se e o mercado inclina-se ao equilíbrio e à eficiência.

Essas características foram postas em desafio por vários economistas e cientistas sociais, contudo, continuam a exercer predomínio para várias análises da economia, e no exercício de medidas econômicas, sobretudo, por agregar uma simplicidade lógica. De maneira geral, a teoria econômica neoclássica continua a oferecer forte influência em toda a economia, além de áreas que se dedicam a estudos sociais e humanos. No entanto, o pesquisador da história do pensamento econômico, David Colander argumenta que:

My argument is not that neoclassical economic ideas are not still used; they are. My argument is only that they are not constraining attributes; they are not requirements of what a current economist must do to have a reasonably good chance for success.119

Para John B. Davis, a distinção entre economistas ortodoxos e heterodoxos é epistemológica, quando se determinam diferentes assunções sobre o que alguém pode saber e qual devem ser os fenômenos que precisam ser estudados, e ontológica:

Thus the underlying defense of individualism in mainstream economics is that individuals alone exist and that society is a merely theoretical construct. But if only individuals exist, and if world is not chaotic, then there must exist stable patterns of interaction between them. Proofs of equilibrium are accordingly “existence” proofs. And, that these stable patterns of interaction exist in the world can then only be true because real individuals behave in a highly predictable way, that is, are in fact rational. In contrast, heterodox economists believe that institutions are real and social structures are real and not just epiphenomenal manifestations of individual

117 COLANDER, David. The Death of Neoclassical Economics. Cambridge Jornals: Journal of the History od

Economic Thought, Volume 22, June 2000, pp. 127-141. p. 131.

118

Idem, Ibidem, p. 134.

59 behavior. They also believe that really existing cause-and-effect processes depend upon the arrow of time.120

A teoria da cooperação neoliberal compartilha com a teoria microeconômica neoclássica algumas assunções. Os Estados são os atores racionais que maximizam a sua utilidade. Eles, através da cooperação internacional, vão adquirir a eficiência que precisam através de um ajuste de interesses. O uso do individualismo metodológico como ponto de partida da cooperação faz com que as normas e os arranjos sociais e institucionais estejam em um segundo plano. Um equilíbrio é atingido mesmo que esse traga ou mantenha desequilíbrios e instabilidade. O objetivo é manter uma eficiência, que sem a cooperação, seria não-ótima. O objetivo não é fundamentalmente resolver desequilíbrios, é manter um equilíbrio já formado ou encontrar outro mais eficiente, ao resolver as falhas dos mercados.

Nesse modelo de cooperação, os desequilíbrios tendem a ser exógenos ao modelo. Na medida em que o objetivo é melhorar a eficiência, problemas que provocam instabilidade internacional não são tidos como tais. Desse modo, é perfeitamente plausível entender que a questão das desigualdades que levam ao subdesenvolvimento e a crises internacionais, e as injustiças geradas por um comércio internacional, podem ser desconsideradas. A característica do individualismo permite a tolerância para os desequilíbrios.

Outra característica da teoria da cooperação neoliberal retirada da microeconomia neoclássica é basear um problema coletivo, e macro, em uma mera agregação de um fenômeno micro. O comportamento coletivo é uma agregação de escolhas individuais - uma soma das partes - de atores microeconômicos que dado as suas preferências maximizam as suas utilidades. Nesse modelo, a redução do macro ao micro faz com que normas sejam vistas como um resultado do comportamento individual, e não como uma construção coletiva com objetivos coletivos, com normas socializadas, vistas do ponto de vista de uma identidade de propósitos, como observa Staveren:

In other words, what distinguishes a real-world economic agent from the representive agent of traditional textbooks is that she is a social being, (…) through the following of certain non-moral norms, habits, and routines. Macroeconomic phenomena are not merely aggregations of individual behavior but very often include important interaction effects.121

120

DAVIS, John B. Heterodox Economics, the Fragmentation of the Mainstream, and Embedded individual Analysis. In: Future Directions for Heterodox Economics. Michigan, EUA: The University of Michigan Press, 2008. p. 60.

121

STAVEREN, Irene van. A pluralist approach to intermediate macroeconomics. In: The Handbook of Pluralist Economics Education. London: Routledge, 2009. p. 98.

60 Verifica-se, de fato, que o nexo entre racionalidade-individualismo-equilíbrio, da concepção microeconômica neoclássica está presente no modelo da cooperação convencional. A ideia é que, a partir de atores maximizadores de utilidade, consigam atingir um ajuste de interesses, de modo a garantir uma eficiência, e um equilíbrio considerado como ótimo. No entanto, tal equilíbrio é instável, ou seja, não considera a resolução de desequilíbrios como uma prioridade para a garantia da estabilidade e da paz internacional. A eficiência pode ser conquistada à custa da manutenção ou do aumento das desigualdades e desequilíbrios entre as regiões, sem nenhum problema ou impedimento nesse modelo de cooperação. A estabilidade poderia vir como uma entre as consequências desse equilíbrio. Contudo, a proposta de não considerar a estabilidade, o ajuste de desenvolvimento entre países e as desigualdades de desenvolvimento de capacidades humanas dentro desses, ocasiona uma fenda para o referido modelo de cooperação. A cooperação em si pode estar de antemão já comprometida na medida em que muitos países insatisfeitos não terão as capacidades necessárias para cooperar de forma efetiva ou sem a disposição necessária.

Nesse sentido, proponho que o desenvolvimento dos países e os desequilíbrios, em um modelo de cooperação internacional, devem ser considerados como constitutivos dentro do processo de construção de consensos nos regimes internacionais. O que se objetiva não é apenas uma eficiência, mas também um equilíbrio equitativo nas relações internacionais para uma cooperação que, de fato, garanta as condições para uma ordem mais pacífica e com uma participação mais efetiva dos países menos desenvolvidos. Na era de uma globalização que estreita as relações entre os povos, e com o desencadeamento de crises políticas e econômicas que afetam todos os países, uma cooperação internacional deveria estar à procura de medidas efetivas para reduzir as tensões internacionais. Um modelo de cooperação que proporcione um desenvolvimento social e econômico mais equilibrado entre as regiões precisa ser considerado como uma via importante para a possibilidade de uma estabilidade política internacional.