2.4 Forskningsprosessen
2.4.5 Troverdighet og overføringsverdi
De forma simplificada, pode-se afirmar que o objetivo final da Ecologia Industrial é contribuir como ferramenta para o alcance do desenvolvimento sustentável, colaborando com
a manutenção e melhoria das condições naturais e ambientais no mundo. Para Cohen- Rosenthal (2004, p. 1111), o objetivo da EI é, no mínimo, gerar o menor dano possível aos sistemas industriais e ecológicos por meio da eficaz circulação de materiais e energia. Lifset e Graedel (2002, p. 10) resumem: “de maneira simplista, o objetivo é melhorar e manter a qualidade ambiental”. Já para Allenby (1994, p. V), é “melhor entender como nós podemos integrar as preocupações ambientais às nossas atividades econômicas”. Porém, simplificações desse conceito não permitem atingir as múltiplas dimensões da pesquisa e prática neste campo.
Mais detalhadamente, em função de os sistemas industriais dependerem de recursos que se encontram em quantidade limitada na natureza, a Ecologia Industrial deve promover seu uso sustentável, operando da maneira mais eficiente possível. Apesar de no passado a humanidade ter desenvolvido formas alternativas de diminuir a degradação ambiental, não se pode assumir a posição otimista de que substitutos para recursos naturais serão sempre encontrados (ODUM, apud GARNER e KEOLEIAN, 1995, p. 6).
Outro objetivo é garantir a saúde da população global. Uma vez que os seres- humanos interagem com o meio ambiente e dele são dependentes, suas atividades não podem ser separadas do funcionamento de todo o ecossistema. Da mesma forma, a saúde humana está diretamente ligada à qualidade da saúde de outros componentes do meio ambiente. Corroborando essa posição, um estudo realizado pelo World Resources Institute (2003, p. 22), o Millennium Ecosystem Assessment, Ecosystems and Human Well-being: A Framework for
Assessment, afirma que
[...] o bem-estar humano, assim como o progresso na direção do desenvolvimento sustentável, estão diretamente ligados à melhoria da gestão dos ecossistemas da Terra, de modo que se garantam sua conservação e uso sustentável.
A promoção de equidade entre gerações e entre sociedades é mais um foco. Segundo Garner e Keoleian (1995, p. 6), esgotar recursos naturais e degradação da saúde ecológica a fim de encontrar objetivos a curto prazo pode pôr em perigo a habilidade das futuras gerações de atender as suas necessidades. A desigualdade entre povos também se mostra como preocupação presente, como evidenciado pelo extremo desequilíbrio no uso dos recursos entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, em que os primeiros usam uma quantidade desproporcional de recursos quando comparados aos demais.
Para Frosh e Galloupollus (1989), os benefícios para as indústrias são claros, uma vez que as empresas poderão minimizar custos ao mesmo tempo em que aderem a uma mentalidade econômica que considera custos e benefícios ambientais. Para a sociedade, os pesquisadores afirmam que as pessoas terão a chance de aumentar seus padrões de vida sem arcar com efeitos da degradação ambiental que reduzem sua qualidade de vida a longo prazo.
Os objetivos da EI demonstrados por Lowe (2001) resumem a proximidade deste conceito com a ideia de desenvolvimento sustentável, abrangendo os pilares que o sustentam (social, ambiental e econômico): a) preservar a viabilidade ecológica dos sistemas naturais; b) garantir qualidade de vida aceitável às pessoas; e c) manter a viabilidade econômica dos sistemas industriais e comerciais.
Alcançar esse novo padrão de desenvolvimento industrial, porém, possui seus percalços. Erkman (2001, p. 533) se manifesta quanto aos desafios desse novo campo, sendo o maior deles a profunda reorganização do sistema industrial, de modo que este sistema evolua para um modo de operação compatível com a biosfera no longo prazo. Dessa forma, a autora lista quatro desafios que devem ser alcançados dentro da abordagem proposta pela Ecologia Industrial:
• Resíduos e subprodutos devem ser explorados sistematicamente: assim como ocorre com a cadeia de alimentos nos ecossistemas naturais, devem ser criadas redes de recursos e resíduos de modo que todos os resíduos e subprodutos gerados pelo sistema sejam absorvidos pelo próprio sistema. A reciclagem tradicional, segundo a autora, é somente um aspecto de uma série de outras estratégias de recuperação de resíduos.
• Perdas decorrentes da dispersão devem ser minimizadas: novos produtos e serviços devem ser desenvolvidos para minimizar a dispersão ou, pelo menos, eliminar seus efeitos danosos15.
• A energia deve depender menos de hidrocarbonetos fósseis: a utilização de combustíveis fósseis é freqüentemente lembrada como um dos grandes responsáveis pelos problemas ambientais. Defende-se aqui o consumo mais responsável desses itens e o incentivo à mudança para fontes energéticas alternativas.
15 Segundo a autora, “hoje, nos países industrializados, o uso e consumo humanos são, em geral, os que geram
maior poluição que o processo de manufatura. Produtos como fertilizantes, pesticidas, pneus, solventes, etc., são inteira ou parcialmente dispersados no meio ambiente à medida que são utilizados” (ERKMAN, 2001, p. 533).
• A economia deve ser desmaterializada16: objetiva-se aqui minimizar os fluxos totais de matéria e energia à medida que novos serviços são oferecidos.
No tocante à desmaterialização, ainda segundo Erkman (2001), “o progresso técnico torna possível a obtenção de uma maior quantidade de serviços utilizando uma quantidade menor de matéria”, como a produção de objetos mais leves ou substituindo materiais. Afirma ainda que o processo de desmaterialização não é tão simples quanto parece, uma vez que esse tipo de mudança pode levar à fabricação de produtos de vida útil mais curta, o que resultaria em maior consumo de recursos e geração de lixo.
Vale lembrar, porém, as ressalvas formuladas por Veiga (2006, p. 110) e Furtado (1974, p. 20) quanto à ingenuidade do otimismo tecnológico em acreditar que o progresso técnico é suficiente para a redução das mazelas ambientais causadas pelo crescimento econômico. Erkman (2001, p. 533) elenca duas estratégias diferentes de desmaterialização sendo debatidas, sendo a primeira mais branda. Nela, chamada de desmaterialização relativa, torna-se possível obter uma maior quantidade de produtos e serviços de uma dada quantidade de matéria, assumindo o foco no aumento da produtividade de recursos. Na segunda estratégia de desmaterialização, tida como absoluta, objetiva-se a redução do fluxo de matéria circulando dentro do sistema industrial em termos absolutos. Para a autora, uma das melhores maneiras de desmaterializar a economia é incentivar a mudança da racionalidade herdada da Revolução Industrial, de maximização da produção: na EI, o objetivo é priorizar o uso, em outras palavras, gerar a mudança para uma sociedade orientada para serviços.
A busca por modelos industriais que se encaixem na perspectiva biológica de aproveitamento de materiais e energia é emblemática na Ecologia Industrial, tanto que “muitos com fraca familiaridade com o campo acharam erradamente que a EI focava somente nos esforços para estabelecer parques ecoindustriais” (LIFSET e GRAEDEL, 2002, p. 4). Porém, em função da aplicabilidade, resultados e eficácia observados, é no estudo do conceito dos parques industriais ecológicos em que este trabalho se concentrará a seguir, expondo suas características, definições e conceitos.
16 Para Ausubel (apud AGARWAL e STRACHAN, 2006), desmaterialização é definida como o declínio, ao
longo do tempo, no peso dos materiais ou na energia utilizada. O autor argumenta ainda que a desmaterialização pode ser traduzida em menor quantidade de lixo tanto na produção quanto no consumo.