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Action plan

In document Strategic Plan for Sami Church Life (sider 88-94)

A recolha dos dados fez-se através da entrevista semiestruturada, tendo como base um guião pré-estabelecido com algumas perguntas-chave que tinham como intenção orientar o discurso do/a entrevistado/a. Os autores Bogdan e Biklen (1994) defendem que este tipo de entrevista permite a obtenção de dados comparáveis entre diversos indivíduos.

A entrevista constitui a técnica mais utilizada quando se opta por um método qualitativo, sendo considerada por alguns autores como poderosa, pelo facto de implicar uma interação entre o entrevistado e o investigador. Esta técnica permite a obtenção de uma grande quantidade de informação acerca de diversos aspetos, bem como uma maior flexibilidade relativamente ao esclarecimento do significado das questões. Além disso, a entrevista também possibilita a recolha de elementos associados à linguagem corporal do entrevistado, que não seriam possíveis de obter através de um questionário. (Silverman, 2000 citado em Coutinho, 2013; Gil, 1989).

Assim, a escolha da entrevista semiestruturada pressupõe a construção de um guião, que se encontra estruturado em dimensões de análise, englobando um conjunto de perguntas-chave, que têm a função de orientar as respostas do entrevistado e, posteriormente, de facilitar a análise dos dados. Então, pode dizer-se que a utilização da entrevista exige um planeamento prévio, que envolve etapas desde a escolha da amostra e do local até ao momento da sua concretização.

O guião da entrevista deve ser construído com base nos objetivos definidos para a investigação, de forma a, no final, ficarem consolidados. Uma vez que este trabalho se focou em empresas certificadas e não certificadas pela norma SA8000, houve necessidade de adaptar algumas questões, tendo em conta a categoria a que pertencia cada uma delas. Desta forma, as duas versões do guião podem ser consultadas no Apêndice 3. Em ambas as versões do guião, procurou-se perceber o enquadramento organizacional, refletido ao longo de todo o guião, abordando temáticas como: os motivos que originaram a criação da empresa, caracterização atual, valores e missão, existência e conhecimento por parte dos stakeholders de diversos documentos organizacionais (código de conduta, balanço social e relatório de Sustentabilidade ou Responsabilidade Social). De forma mais concentrada naquele que é o tema central desta investigação, foram definidas questões acerca da Responsabilidade Social Corporativa, que se prendiam principalmente com a definição deste conceito, bem como as vantagens e desvantagens que lhe vê associadas, enumeração das práticas dinamizadas pela empresa (interna e externamente), explicação de como são percecionadas as práticas pelos stakeholders e como são atendidas as suas expetativas, interesses e necessidades, esclarecimento de como surgiu o interesse pela RSC, avaliação

entrevista às empresas certificadas, para além do supra designado, houve interesse em compreender mais pormenorizadamente qual a importância da certificação da norma SA8000, como decorreu o processo de certificação, bem como as implicações que teve para as partes interessadas. No caso das empresas não certificadas, definiu-se questões que tinham como objetivo perceber se já existiu interesse por parte da empresa em obter a certificação e por que motivo, e que vantagens consideram que traria uma certificação como esta.

3.5.1. Procedimento de recolha e tratamento dos dados das entrevistas

Como referido anteriormente, depois de identificadas diversas empresas que cumpriam os critérios definidos, foi enviado um email, onde se apresentava todo o enquadramento da investigação e se solicitava a colaboração da organização. Uma das dificuldades sentidas nesta primeira fase foi as escassas respostas ao pedido. No entanto, depois de uma visita às empresas no sentido de reforçar a importância da participação neste estudo, foi notória a sua adesão, com grande empatia e interesse pelo trabalho, procedendo-se ao agendamento das entrevistas, conforme a disponibilidade dos/as entrevistados/as.

Todas as entrevistas se iniciaram com um esclarecimento dos seus objetivos e a importância da colaboração do/a entrevistado/a, como também referido por Gil (1989). Depois disto, foi necessário motivar o entrevistado, informando de que, apesar de existir um guião, seria uma conversa onde expunha as suas perspetivas pessoais e da organização. Posteriormente, o/a entrevistado/a foi informado da confidencialidade e anonimato dos dados recolhidos. Além disso, foi necessário proceder à gravação da entrevista para que se pudesse transcrever a mesma na íntegra, sem se perder dados relevantes. Ao/À entrevistado/a foi, depois disto, entregue uma declaração que continha todas estas informações, à qual foi requerida a sua assinatura (consultar apêndice 4).

Apesar de se tratar de uma entrevista semiestruturada, no decorrer da mesma, o guião foi sendo adaptado, para que se conseguisse esclarecer certas afirmações. As entrevistas tiveram uma duração média de 35 a 45 minutos e decorreram sempre nas instalações das diversas empresas.

Após a aplicação das entrevistas, procedeu-se à sua transcrição. De acordo com a perspetiva de Bogdan e Biklen (1994), os dados recolhidos a partir de uma investigação qualitativa devem ser analisados em toda a sua riqueza, respeitando-se a forma como foram transcritos. Deste modo, esta investigação procurou sempre preservar todos os dados recolhidos, relacionando-os sempre que possível com a temática da RSC.

Deste modo, e como anteriormente mencionado, definiram-se dimensões de análise, divididas em subcategorias, que se relacionavam diretamente com as questões do guião. Coutinho (2013, p. 217) corrobora esta ideia dizendo que “as unidades de análise podem organizar-se em categorias concetuais, e essas categorias podem representar aspetos de uma teoria que se pretende testar”.

No caso da primeira dimensão, esta serve apenas para contextualizar a dinâmica da empresa, sendo que é a partir de alguns dados aqui recolhidos que se compreende a integração de aspetos relacionados com a RSC na estratégia da empresa. Já a segunda, aborda vários aspetos da RSC, nomeadamente, representações pessoais do conceito, as práticas dinamizadas (interna e externamente) e avaliação dos retornos, a importância dada à RSC e perspetivas futuras. A terceira dimensão centra-se na questão da certificação da norma SA8000, tendo sofrido adaptações nas empresas certificadas e não certificadas, conforme já explicado. Contudo, ambas as empresas puderam expressar-se acerca da importância da existência desta norma. Em particular, nas empresas certificadas, o propósito era de compreender a importância atribuída à certificação, como decorreu o processo de certificação e qual o envolvimento dos stakeholders. No caso das empresas não certificadas, os tópicos abordados incluíam as vantagens da obtenção da certificação e se existe/existiu alguma intenção por parte da empresa de tentar a certificação.

O quadro seguinte visa sintetizar todas estas dimensões: Tabela 2 – Resumo das Dimensões de Análise

DIMENSÃO ASPETOS ABORDADOS POR DIMENSÃO

CONTEXTUALIZAÇÃO DA

ORGANIZAÇÃO

Características da empresa (número de colaboradores, dimensão); Estratégia e identidade organizacional;

Existência de certos documentos organizacionais e conhecimento destes por parte dos stakeholders;

IMPLEMENTAÇÃO DE

POLÍTICAS E PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA

Importância da RSC para a organização;

Representação pessoal de aspetos relacionados com o conceito; Identificação das práticas de RSC dinamizadas pela empresa e como são percecionadas pelas partes interessadas;

Comunicação interna e externa;

Avaliação das práticas atuais e dos retornos decorrentes do investimento em RSC;

Perspetivas futuras relativas à RSC.

CERTIFICAÇÃO DA

NORMA SA8000

Representação pessoal da importância da existência da norma SA8000; Importância da certificação em RS da empresa (certificadas);

Processo de certificação (certificadas);

Envolvimento dos stakeholders na certificação;

Vantagens da obtenção da certificação (não certificadas); Desejo de obtenção da certificação (não certificadas);

Posteriormente, procedeu-se à análise de conteúdo dos dados. Na perspetiva de Guerra (2006), a análise de conteúdo centra-se em descrever as situações, ao mesmo tempo que interpreta o sentido em que foi dito, o que significa que para além de um nível de descrição dos fenómenos, falamos também de um nível de estabelecimento de relações de causalidade e de interpretação. Gil (1989, p. 164) confirma também que:

“[…] à medida que as informações obtidas são confrontadas com informações já existentes, pode chegar-se a amplas generalizações, o que torna a análise de conteúdo um dos mais importantes instrumentos para a análise das comunicações em massa”.

Como forma de facilitar todo o processo de análise, foi utilizado o software MAXQDA.

Posto isto, a última etapa desta investigação espelha o resultado da análise de conteúdo, com recurso à técnica utilizada – a entrevista – estabelecendo uma relação com a literatura, de forma a possibilitar uma resposta cabal à problemática.

CAPÍTULO IV – ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS

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