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A model of a strategic consumer

A CONSUMER AS AN ENTRANT

1. A model of a strategic consumer

4.7.1.1 Sequência das funções e estilo

Com relação ao estilo dos contos maravilhosos aqui estudados, observa-se na maioria deles, um intrincamento inicial, com acontecimentos e descrições nem sempre necessários ao enredo, além da repetição de episódios e falas fixas, como preparação à realização das funções de dano (A) e partida ( ), pela introdução de funções diversas que deveriam surgir mais tarde, o mesmo ocorrendo antes da travessia ao Outro Reino (G). Por exemplo, a função de afastamento () no Conto 1 e no Conto 2 (sequência narrativa principal) apareceu de forma repetitiva (cinco vezes no primeiro conto e quatro vezes no segundo), até que acarretasse o dano/carência e, consequentemente, a partida ( ) do herói/heroína. Verifica-se também a presença de motivos cegos, que parecem deslocados do todo, podendo ter sido acrescentados posteriormente. Esse prolongamento excessivo, foi detectado também no Conto 4, Conto 5 e Conto 6. A exceção dá-se no Conto 3, com a introdução do doador do meio mágico já nas primeiras linhas, praticamente sem descrições, as quais só tomam corpo a partir da chegada do herói ao Outro Reino.

Outra característica apresentada nos Contos 1, 2, 4, 5 e 6, é a presença de elementos que remetem de modo mais ou menos direto à sociedade e cultura celtas.

4.7.1.2 Doadores e auxiliares mágicos

Com relação aos doadores, apenas o Conto 5 tem como primeiro doador (D) a canônica velhinha que vive em uma cabana. Nos outros contos, os estilos se misturam: alguns possuem formas tardias, como por exemplo, a mãe morta (Conto 1), a esposa (Conto 2), a estalajadeira (Conto 5) e o cavaleiro (Conto 3).

Os meios mágicos, que nos mitos eram animais da floresta, em quatro dos contos são animais domésticos, advindos de modificações socioculturais: gatinho (Conto 1), cavalo (Conto 2, Conto 3, Conto 4). As exceções são a raposa do Conto 4 (animal da floresta, comum na Irlanda), a fada do Conto 5 (inerente ao folclore celta) e a corda no Conto 6.

4.7.1.3 Floresta e cabana

O Conto 4 é o único que apresenta a forma canônica da floresta como obstáculo ao Outro Reino, embora a cabana esteja ausente. Os outros contos apresentam como substitutos à floresta regiões montanhosas (Conto 1), e mares e ilhas nos demais.

É curioso observar que dois contos apresentam uma espécie de assimilação “invertida” (para o mal) das funções de doador e fornecimento do meio mágico: no Conto 2 (sequência de encaixe), a esposa do herói Niall bate nele com um ramo mágico, metamorfoseando em animais, até que ele é obrigado a fugir. O mesmo se dá no Conto 5, quando o irmão do herói (antagonista) recebe de um velho um meio mágico para metamorfosear o herói, causando-lhe dano.

Há também a presença doadores involuntários nos Contos 1 (segunda sequência: bruxa), no Conto 2 (sequência de encaixe: criança), Conto 5 (velho de olhos estranhos), que beneficiam o herói/heroína sem que tenham a intenção de fazê-lo.

4.7.1.4 Tarefas difíceis

Os Contos 1, 2, 4 e 6 apresentam a imposição de tarefas difíceis (M) logo no início, sendo que no Conto 4 é imposta pelo rei em troca da mão de sua filha e metade de seu reino, embora, após o cumprimento da mesma, o herói não se casa com a princesa prometida, mas com outra encontrada no Outro Reino. No Conto 5, a tarefa é imposta em troca da sucessão ao trono do pai (e não do sogro).

No Conto 1, as duas tarefas impostas são descaracterizadas: a primeira não oferece recompensas, apenas castigo em caso de fracasso; a segunda é feita na forma sublimada de

um pedido, e no Conto 2, ela é imposta como consequência ao dano A: o antagonista exige que o herói parta em busca de objetos do Outro Reino.

4.7.1.5 Elementos oriundos de influências sociais tardias

Nos Contos 4, 5 e 6, os heróis apresentam atributos virtuosos: no Conto 4, o herói evita diversão com música, bebidas e mulheres; no Conto 5, evita jogos e flertes, não se deixando seduzir pelas mulheres; no Conto 6, não tem ambição de riquezas materiais (o trono) e tem como característica a modéstia e piedade.

Nos Contos 1, 3, 4, 5 e 6 as personagens mulheres apresentam a modalidade do saber- fazer, o que pode advir do papel atribuído às mulheres na sociedade celta, onde desempenhavam funções consideradas predominantemente masculinas pelas outras sociedades da Antiguidade (ELLIS, 2007, p. 81-95).

4.7. 2 Estada do herói/heroína no Outro Reino até seu retorno ao lar ()

4.7.2.1 Sequência das funções e estilo

Normalmente, há maior estabilidade na sequência das funções a partir do meio do conto, ou seja, quando o herói se desloca ao Outro Reino (PROPP, 2002, p.191). Entretanto, o Conto 1, em sua segunda sequência narrativa, apresenta embaralhamento devido às funções de perseguição (Pr), salvamento (Rs) e castigo do antagonista (U) antes da realização de tarefas difíceis (M e N); enquanto que o Conto 2, em sua sequência narrativa principal, tem as funções interrompidas devido ao encontro com novo doador e recebimento meio mágico (D e F) e devido ao encaixe de uma nova sequência narrativa, enquanto que em sua sequência de encaixe, as funções permanecem em ordem, exceto pela inclusão de nova tarefa difícil (M) logo na chegada do herói ao Outro Reino, embaralhando-se bastante quando este retorna ao lar sem ter cumprido sua missão, tendo que retornar ao Outro Reino, quando elas se tornam novamente estáveis. O Conto 5 também apresenta embaralhamento das funções devido à repetição da função de doador e recebimento do meio mágico (D e F) e a recuperação de sua antiga aparência (K) após a realização das tarefas difíceis. No Conto 6, há a introdução das funções de doador e recebimento do meio mágico (D e F), ardil () e pretensões infundadas dos falsos heróis (L). Assim, apenas os Contos 3 e 4 não apresentam alterações no padrão da sequência das funções no Outro Mundo. Essas alterações podem ter ocorrido como parte do

próprio estilo do conto, que é afeito às repetições constantes (principalmente nos casos de D, F, M e N), e as outras, como () e (L) podem servir para dar colorido ao enredo, criando um efeito de maior expectativa no público. Além disso, os Contos 1, 2 e 3 apresentam motivos cegos, desconectados do todo, dando a impressão de terem sido absorvidos de outro conto.

Alguns dos contos analisados apresentam o Outro Reino como um local desconhecido, mas outros mencionam regiões históricas: o Conto 1 (segunda sequência narrativa) cita Munster, Ulster e Connacht; o Conto 2 (sequência narrativa principal) cita a França; o Conto 3 cita o reino dos Gregos; o Conto 4, a Grécia, Marrocos e Espanha. Essa inovação é devida às influências regionais e, portanto, tardias, de onde os contos foram engendrados. O mesmo se dá com relação a elementos inerentes à mitologia celta, como no Conto 1, Conto 2 e Conto 5, em que é mencionada a Espada de Luz como objeto de valor obtido pelo herói no Outro Reino.

4.7.2.2 Características do Outro Reino

Com exceção do Conto 1, todos os outros apresentam o Outro Reino como possuindo mar, ilhas ou praias, seja ele localizado no além mar, no subterrâneo ou sob a água: característicos da cultura mitológica celta (MOORE, 1891, p. 4).