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Work tasks – enthusiasm, conflicts and negotiations

5. THE WORK TASKS OF A ‘FAMILY MEMBER’

5.1. Work tasks – enthusiasm, conflicts and negotiations

A década de 1980, em âmbito mundial, foi marcada pela consagração do modelo neoliberal na economia dos Estados Unidos e do Reino Unido. Esse modelo prevê a menor interferência possível do Estado na atividade econômica, como estímulo à iniciativa individual e à competição. Já o contexto histórico brasileiro era, na referida década, de abertura do Regime de Ditadura Militar que o País vivia desde o Golpe de 1964. Contudo, considerando a influência dos países capitalistas, em especial dos Estados Unidos sobre o Brasil, podemos observar também aqui a influência dos pressupostos neoliberais na economia.

Germano (1994) destaca como período de declínio e esgotamento da ditadura Militar o período que vai de 1974, com a eleição de Geisel ao término do Governo Figueiredo, em 1985. Para tanto, cita como iniciativas liberalizantes: o abrandamento da censura à imprensa; a busca de apoio para o processo de abertura, junto a jornalistas e editores de alguns dos principais órgãos de imprensa do País; encontro de Geisel com representantes da Igreja por meio da CNBB; encontro com lideranças sindicais e com defensores do estado de direito; o fim do AI-5 em 1978; a concessão da anistia política em 1979 e a restituição das eleições diretas para governadores

em 1982, entre outras. Mas salienta que esse não foi um percurso linear, visto que o autoritarismo esteve forte em várias ocasiões, à medida que a oposição aumentava sua influência na sociedade e o Regime perdia força (GERMANO, 1994, p. 215).

Assim vivendo uma crise de legitimidade o Estado começou a mudar sua forma de ação em relação às classes subalternas, procurando obter consenso social por meio de uma mudança no discurso e na forma de relacionamento com as mesmas. Os discursos ganharam materialidade por meio de planos, programas, e projetos destinados aos “carentes” quais sejam: criação do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), Conselho de Desenvolvimento Social e o Fundo de Assistência Social (FAZ). Além disso, foram implantados também programas de impacto político que procuram envolver a “participação comunitária” como: Programa de Nutrição e Saúde (PNS - 1975); Sistema Nacional de Emprego (SINE – 1975); Programa Nacional de Desenvolvimento de Comunidades Rurais (PRODECOR – 1976); Programas de Bem-Estar do Menor (1977); Programa de Ações Socioeducativas e Culturais para as Populações Carentes no Meio Urbano, PRODASEC, e do Meio Rural – PRONASEC (1980); Criação do Fundo de Investimento Social- Finsocial (1982); Projeto Vencer (para crianças de sete a quatorze anos não alfabetizadas) – 1984 etc. No entanto, com esses programas, não se obteve “justiça social”, pois as bases da desigualdade permaneceram e foram mesmo agravadas ao longo dos anos 1980 (GERMANO, 1994, p. 223- 256).

O Governo Geisel foi marcado pelo desenvolvimento de grandes projetos econômicos como Itaipu e ferrovia do aço, diga-se de passagem, diretamente vinculados à acumulação do capital e financiados com vultosos recursos externos. Já o Governo Figueiredo teve como prioridade efetuar o pagamento da dívida externa.

A partir de 1981, portanto tem início um ciclo de crise econômica que conduz o país à recessão e mesmo à estagflação: desemprego, queda da produção industrial, aumento da inflação, compressão salarial. A desigualdade da distribuição da renda acentua-se, revertendo a ligeira melhora que ocorrera no período 1976-1981 (GERMANO, 1994, p. 268).

Em 1984, o Brasil já entrava em seu quarto ano consecutivo de declínio econômico. Entre 1980 e 1983, o PIB, em termos per capita caíra 13%. E foi assim que anos de progresso econômico arduamente conquistado foram devorados pela

crise. E, para tentar sair da crise, o Governo recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ficando, assim sujeito aos seus ditames. No entanto, “entre 1970 e 1987, o País apresentou um dos maiores crescimentos econômicos do mundo (apesar da crise dos anos 1980), incluindo-se entre os dez maiores PIBs do globo” (GERMANO, 1994, p. 277). No entanto, segundo dados publicados pela Folha de São Paulo, em 1990, a sua distribuição de renda, era, igualmente uma das piores do mundo em 1989. (GERMANO, 1994, p. 268 - 277), o que significa que, no período governado por José Sarney (1986-1989), não houve melhoria em relação à distribuição de renda, deixando evidente que crescimento econômico não significa melhores condições sociais para a população.

Ricardo Carneiro e José Carlos Miranda (1986), ao tratarem da economia brasileira na década de 1980, ressaltam que o período de 1981-1983 foi caracterizado pelo ajuste estrutural decorrente da política econômica imposta pelo FMI; dito de outra forma, foi um período marcadamente recessivo e com inflação altíssima que saltou do patamar de 100% em 1981/82 para 230% em 1983/84. Já em 1984, apesar da insistência em políticas econômicas restritivas, o excepcional desempenho da balança comercial provocou uma gradativa retomada da produção corrente. Em 1985, houve uma gradual recuperação da demanda interna com crescimento da agropecuária, da indústria (construção, transformação, extrativa mineral). Houve, então, um crescimento do PIB, em 1985 de 8,3%, esse crescimento apoiou-se na elevação do salário médio e do emprego com a consequente expansão da massa salarial e aumento do consumo (salário médio da indústria cresceu 6,3% e o emprego 13,4%). No entanto, embora a recuperação do salário e do emprego tenha ocorrido de forma geral, ela foi sensivelmente maior para os salários mais altos e para o emprego industrial. (GERMANO, 1994, p. 9-12). Não podemos deixar de mencionar que no campo político o ano de 1985 foi marcado pelo fim do Governo Militar, dando início à chamada “Nova República”.

A política econômica da Nova República

[...] inicia-se com um conjunto de medidas caracterizadas pelo ecletismo. Combinam-se um diagnóstico conservador sobre as origens do déficit público e seus efeitos sobre a inflação e uma política salarial mais generosa, fruto dos maiores compromissos sociais do novo regime (CARNEIRO; MIRANDA, 1986, p. 13).

O Ministério da Fazenda iniciou uma nova fase da política econômica ao substituir o Ministro Dornelles por Dílson Funaro. Assim, com a posse de uma nova equipe econômica no Ministério da Fazenda e no Banco Central,

[...] reduziu-se substancialmente o grau de conflito interno na condução da política econômica da Nova República. A orientação desenvolvimentista, até então defendida pela SEPLAN (Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento), tornou-se a opção estratégica da administração Sarney (PRESSER, 1986, p. 266).

Carneiro e Miranda (1986) comentam que a estratégia econômica montada na Nova República, a partir de setembro, configurou-se como uma alternativa de elevado risco, visto que

[...] reorientar o crescimento econômico para o mercado interno, após quatro anos de recessão, com as finanças públicas e o balanço de pagamento submetidos à pressão constante das dívidas interna e externa e, ainda mais com a inflação no patamar de 230%, apoiada num sistema de indexação que tornou o sistema mais vulnerável a pressões de custo e a choques de oferta, configurava-se cada vez mais inviável (CARNEIRO; MIRANDA, p. 18).

No entanto, para esses autores, a política econômica da Nova República após setembro de 1985 e, em particular, após o plano de estabilização, pode ser considerada como uma política de transição para um novo padrão de desenvolvimento econômico.

O estado de Minas Gerais não fica alheio a essa dinâmica do capitalismo e foi nesse contexto que aconteceu o processo de consolidação e de crescimento da indústria de cerâmica em Monte Carmelo. No entanto, os processos de trabalho e extração da matéria matéria-prima (argila) continuavam a acontecer de forma precária e com instrumentos e máquinas arcaicos; o combustível de queima continuava sendo a lenha (em grande parte lenha nativa do cerrado) retirada para dar espaço ao plantio de lavouras de café e soja na região.