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Welcome to Yamal, a peninsula in western Siberia that extends over 700 km from the forest tundra transition to

In document FRAM FORUM 2017 (sider 30-34)

Entramos no ciclo da aprendizagem quando reconhecemos que queremos fazer algo de forma diferente e saímos dele quando o novo hábito é adquirido.

Após o diálogo sobre esses temas, foram realizadas as meditações shamata, contemplativa e purificação de carma, e como prazeres de casa ficou definido: meditar (shamata e contemplativa da lei de causa e efeito) e observar a fala.

Saí satisfeita do encontro, por perceber a auto cobrança diminuindo; os participantes estavam se auto observando e refletindo a respeito de suas ações. A sensação que tive é que o assunto tratado no encontro ajudou nessas reflexões, em especial, quanto às consequências e à responsabilidade dos seus atos.

Avaliação Parcial

No final desse quarto dia, enviei duas perguntas aos participantes, por e- mail, a fim de avaliar o desenvolvimento dos encontros até então realizados. A seguir, apresento as duas perguntas, com as respostas de quatro (dos seis) participantes:

A forma como os encontros estão sendo desenvolvidos está favorável para o autoconhecimento e crescimento individual?

Álvaro: Sim. A partir dos encontros tenho percebido um movimento constante em minha vida, que é o de reencontro comigo mesmo. Este, tem me possibilitado o autoconhecimento, e a compreensão de aspectos que anteriormente por não ter o entendimento que agora nos é mostrado passavam despercebidos, ou simplesmente não os entendia. Hoje reflito que no meu caso especificamente, são esses aspectos, muitas vezes pequenas nuances, que fazem com que a minha vida tenha uma outra significação, um sentido realmente diferente do que vinha tendo antes do nosso estudo em grupo. A impressão é nítida, há de fato a partir desse processo, dos estudos que fazemos, uma evolução. Trata-se, no meu ponto de vista, da ressignificação da vida que estamos fazendo através do contato com os ensinamentos budistas.

Fabiana: Acho ótima a forma como os encontros foram estruturados. O espaço de uma semana entre cada encontro possibilita-me refletir sobre o tema abordado e observar minha conduta ao longo dos dias. A sequência dos conhecimentos parece estar numa ordem excelente para o desenvolvimento da aprendizagem. A partir da aprendizagem tenho me autoconhecido e mudanças no meu comportamento têm ocorrido. Estou muito feliz em participar dos encontros.

Cinara: Sim, esses quatro encontros me possibilitaram e continuam me estimulando a me olhar de forma mais serena e tranquila, mas, também, firme. Me percebo um pouco mais atenta ao que sinto, penso, falo e faço. Sei que posso melhorar muito, mas o importante está sendo poder perceber que estou caminhando, dando pequenos passos, mas ao mesmo tempo tenho bem presente que são significativos e que estão provocando mudanças também significativas na minha forma de ser. Cristina: Sim, as aulas estão unindo teoria e prática o que favorece o aprendizado.

Há aspectos que podem ser melhorados? Caso afirmativo, quais? Álvaro: Penso que não.

Fabiana: Não me ocorrem solicitações de melhoria. Acho que tudo está ótimo

Cinara: Estou muito feliz com a forma como os encontros estão sendo conduzidos. Gratidão!!!

Os termos budistas poderiam ser explicados sempre que mencionados, pois os conceitos, por não serem familiares, são esquecidos (sugestão trazida no encontro).

Cristina: Creio que os encontros poderiam ter uma carga horária menor, ou menos encontros, ou seja, poderiam ter menos encontros, com a mesma carga horária, ou a tarde toda com 4 horas, assim não necessitaríamos ir tantas vezes e diminuiria o período. Talvez em um mês, com 4 encontros de 4h. Hoje estamos fazendo 8 com 3h, total 24h. Talvez pudesse reduzir para 20 horas, enfim, mas não sei se tem condições pela quantidade de ensinamentos. E na realidade pra mim está mais puxado em virtude das minhas demandas.

Embora dois participantes não tenham respondido as perguntas concluí, pelas respostas obtidas, não ser necessário ajustar o planejamento.

Nessa avaliação parcial e nas falas ao longo dos encontros, pude vislumbrar que os ensinamentos, até agora abordados, geraram nos participantes, auto observações, reflexões, novas percepções e compreensões, maior atenção e consciência, auto conhecimento, reencontro consigo, ressignificação da vida, mudanças de comportamento e sentimentos de felicidade, serenidade e tranquilidade.

Muito gratificante vislumbrar as observações, a ampliação de consciência e as transformações que ocorreram ao longo das semanas.

Quinto encontro: Aimpermanência é permanente

Nada é permanente, exceto a mudança.

Heráclito

Data: 09-04-15

Objetivos  Compreender a lei da impermanência.

 Diminuir o estresse gerado por preocupações com as mudanças  Usufruir o momento presente.

 Treinar meditação shamata e contemplativa, com foco na impermanência

Conteúdo

 Os quatro pensamentos básicos: Impermanência

Nessa semana, resolvi começar o encontro com a meditação shamata (com quatro objetos diferentes) e só depois ouvir sobre as vivências da semana. Pareceu- me que o grupo ficou mais calmo e presente.

Todos falaram e percebeu-se que os participantes que mais colocam em prática os ensinamentos são os que demonstram melhores resultados:

Álvaro: Estou me reencontrando comigo mesmo. Sabe quando você parece que está reencontrando algo que você já fazia ou buscava (o budismo)? Estou buscando falar o menos possível. Sempre fui de ouvir, em especial aos mais velhos. Procurei não gastar energia falando.

Fabiana: Tenho percebido que é fácil conviver com as pessoas. A partir de agora, o que importa é eu ser do meu jeito, não preciso agir diferente para tentar agradar. Tem um estado de ser que tem que ser mantido. Sempre falei impulsivamente, consegui perceber os momentos que falei mal. Teve um momento que não falei, mas escondido, fiz careta (risos). Perceber isso foi muito legal porque pude transformar. Às vezes deu dor de estomago, um cansaço até físico por ficar me observando 24h por dia, mas estou gostando. Criar um ser que se quer e adotar para as 24h do dia. Percebi mais o jeito que eu falava com as pessoas. Antes eu ficava chateada de não ter os resultados que eu queria, mas hoje vejo que o meu posicionamento que não era o melhor e por isso não tinha o resultado desejado. Hoje vejo que existem outras formas melhores de fazer. A responsabilidade é minha – está tudo sob controle quando pensamos que fomos nós que causamos aquilo. Fiquei feliz de perceber que somos responsáveis pelo que acontece com a nossa vida, mas que também precisamos olhar para podermos fazer diferente.

Cinara: Estou conseguindo organizar melhor as minhas atividades. Sinto que ainda tenho muitas questões para fazer. Me sinto mais atenta ao que falo, faço, ao que os outros falam e como eu reajo.

Felipe: Como as identidades se manifestam pela fala eu percebi que tudo o que as pessoas falavam eu posso ver como algo positivo. Decidi que era Deus através de um mestre (a pessoa) me ajudando. Ressignifiquei as conversas nesse sentido. O controle das tuas emoções, tudo está dentro de ti... Sentia uma profunda compaixão por aquele que “me desafiava”. Tive uma semana mais leve, mais tranquila. Com essa ressignificação você pode conversar com Deus o tempo todo. Mudei o filtro do olhar. O que temos visto aqui tem tudo a ver com minha busca. Disse a mim mesmo “relaxa q tu está indo bem – vive o presente.”.

Marcia: Em todos os aspectos eu me observei num alto grau de estresse. Observei que eu estava querendo as coisas do meu jeito, mas cada coisa tem seu tempo. Isso foi bom, me dar conta. Acho que temos dois caminhos: ou posso ficar me fazendo de vítima ou eu decido que vou tratar bem as pessoas e... estou vivendo o agora.

Cristina: Estou me observando mais em todos os sentidos. Tive muita dor de cabeça. Dor no ombro. Na minha mente muito pensamento e pensamentos tortuosos. E continuo falando demais. Continuo fazendo coisas que quero muito mudar.

Em um primeiro momento, pensar que tudo o que vivemos é fruto do que nós mesmos criamos pode gerar um certo desânimo ou um pensamento “como sou ruim”, caso estejamos num momento de sofrimento, porém, após maior análise e contemplação acontece o que foi descrito por Fabiana, nos sentimos capazes de ter uma vida melhor.

Em virtude desse momento ser exatamente a metade dos encontros, resolvi fazer uma revisão dos conteúdos abordados o que foi fundamental para o grupo visualizar o entrelaçamento dos ensinamentos e a importância de que, a cada semana, eles se somam.

Refletimos e dialogamos sobre a Lei da Impermanência: dos objetos, das emoções, das situações, dos fenômenos; sobre a importância de viver o presente, aproveitar a preciosidade da vida humana e sobre o que levamos e o que deixamos na vida.

Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje.

Existe algo que podemos dizer que é permanente? O universo, a terra, a família, a vizinhança, os relacionamentos, o corpo, nosso carro, residência, trabalho, nossos interesses e valores, nosso relógio, nosso tempo, nossos pensamentos?

Embora tudo seja impermanente, buscamos segurança e estabilidade. Embora a morte seja inevitável, preferimos não falar, e sequer pensar, sobre ela. Refletir sobre a morte e entender a impermanência nos possibilita lançar uma nova perspectiva sobre a nossa vida. Quando nos damos conta de que a morte pode acontecer a qualquer momento, provavelmente damos mais atenção à vida, aos que estão ao nosso redor, abrimos mão de certas situações comuns e mudamos nossas prioridades.

Quando olhamos cada aspecto da nossa vida como impermanente (os nossos bens, as nossas relações, nosso corpo), valorizamos cada momento presente, pois sabemos que não durará para sempre e, quando perdemos, sofremos menos por já estarmos cientes de que esse dia chegaria.

E assim como nossas alegrias e tudo o que nos traz felicidade um dia termina, os dias tristes, difíceis e tudo o que não gostamos, também acabam e isso nos auxilia a encararmos qualquer desafio de forma mais otimista.

A consciência de que nada é duradouro confere equilíbrio às nossas vidas. Percebemos que o que quer que aconteça de bom ou ruim é impermanente, mais cedo ou mais tarde o pêndulo irá para a direção oposta. Quanto mais apegados formos a alguma coisa, mais infelizes ficaremos quando a perdermos. No entanto, não rejeitamos a felicidade por sabermos que é impermanente; em vez disso, tornamo-nos menos apegados às condições que a produziram. (CHAGDUD, 2013, p. 213)

Foi proposta uma reflexão em conjunto, baseada nos ensinamentos de Lama Michel (LO DJONG)43 sobre “a certeza da morte e a incerteza do momento da morte”, orientada por quatro questionamentos: 1) Vou morrer? 2) Quando? 3) Se eu morresse hoje o que seria de mim? o que levo comigo e o que deixo para os outros? 4) O que estou fazendo hoje para cultivar o que continua e o que vou deixar para os outros? Foram realizados dois exercícios em que os participantes imaginaram-se com apenas mais um ano de vida e outro, com apenas mais um dia e, ao final, foi proposta uma meditação contemplativa sobre o assunto.

Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do envolvimento obsessivo com coisas comuns. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o último, intensificaremos a prática para não desperdiçar nem fazer mau uso da nossa preciosa oportunidade humana. (CHAGDUD, 2010, p. 79)

De prazeres de casa ficou acordado a observação da impermanência no cotidiano e continuar praticando a meditação shamata e contemplativa, não apenas em relação ao assunto desse encontro, mas também aos abordados anteriormente.

O grupo fazia anotações e demonstrava estar totalmente comprometido. Senti que o grupo ficou “mexido”, muita reflexão. A impermanência dos objetos e dos fenômenos pareceu-me ser vista de forma positiva, entretanto, a impermanência dos seres, ou seja, a morte, não, pois é um tema mais delicado, porém, tive a sensação de que o grupo ficou motivado a usufruir mais seu nascimento humano precioso, o presente e as pessoas que amam.

Sexto encontro: Encontrando as causas da felicidade Data: 16-04-15

Objetivos  Entender as raízes do sofrimento

 Compreender a dualidade, os venenos da mente e os padrões mentais e emocionais.

 Entender as raízes da felicidade temporária e permanente

 Treinar meditação shamata e contemplativa, com foco nas causas da felicidade temporária e definitiva.

Conteúdo

 Os quatro pensamentos básicos: ciclo de sofrimento

Nesse encontro, foi solicitado a cada participante que trouxesse uma imagem do seu objeto de devoção para ser o foco de concentração da prática de shamata. Para os que não trouxeram, foram disponibilizadas imagens de Budas44. Pôde-se perceber que os participantes estão mais familiarizados com a meditação shamata, inclusive pela sua postura durante a prática (mais concentrados e menos agitados).

Nas suas falas observou-se, novamente, que os participantes que colocaram os ensinamentos em prática obtiveram maior ganho. “Saberemos que a nossa contemplação sobre a impermanência está dando resultado, quando não ficarmos tão abalados com as mudanças”. (CHAGDUD, 2013, p. 213):

Álvaro: A impermanência para mim foi um esclarecimento e me levou a ganhos importantes. Desde buscar contato com pessoas e a compreensão que isso é uma passagem, quanto a não perder tempo, viver mais no presente. Foi maravilhoso. Parece que foi pouco tempo, mas muito ganho.

Fabiana: “Mudanças de planos” foi o que procurei observar e era o que me causava uma certa chateação. Agora é mais fácil. Não que seja uma ferramenta para ficar mais fácil, mas está ficando mais fácil. Não tive problema para observar essa semana, foi mais tranquilo.

Cinara: Para mim a semana foi boa. É bom quando a gente se permite olhar e busca ser mais clara na comunicação, o quanto fica mais tranquilo o retorno do outro. Com que intenção eu falo ou eu faço alguma coisa? Quando eu falo de forma amorosa, a pessoa pode até sofrer na hora, mas ela vai saber que minha intenção não era ferir e, no tempo dela, ela vai poder entender. O filme Poder Além da Vida foi um presente.

Felipe: (não pôde estar presente por doença em pessoa da família)

Marcia: “As respostas estão dentro de você”, só que quando a gente não está bem, esse pensamento não funciona, e a meditação tem me ajudado a compreender. Em uma situação eu posso ficar desesperada ou dizer ok. Mesmo diante dos momentos desafiadores podemos dar conta. A meditação me mostra que eu tenho a essência divina, mesmo no momento desafiador. A semana foi mais tranquila.

Cristina: Tenho ido muito à missa, sou católica, mas tenho tudo em casa, desde Yemanjá até Buda. Fiquei feliz por colocar mais a yoga, e eu queria colocar mais coisas, e coloquei mais uma atividade aeróbica. Tenho feito tudo com intensidade, com vontade. Eu me sinto mais calma, mais tranquila, e me sinto aceitando o que está vindo.

Após todas as falas, Cristina afirmou:

Cristina: Agora percebo como minha fala foi fútil, relacionado a academia, corpo, em comparação com os outros, estou me sentindo culpada.

Essa afirmação trouxe o gancho para desenvolver o assunto da culpa, que embora não constasse no planejamento geral, foi incluído e demonstrou ter sido realmente importante.

Foi conversado sobre o assunto, realizado um exercício, para que todos pudessem refletir sobre a inutilidade da culpa e mencionado que o ensinamento do encontro também poderia clarear esse aspecto.

No budismo não há culpa, mas sim responsabilidade. A culpa traz um sentimento negativo, um pensamento “sou ruim” ou “não devia ter feito isso”, “isso é errado” e, normalmente, “pesa”, o que dificulta “sair” desse sentimento. Foi mencionado um exemplo, extraído do vídeo Lo Djong45, sobre a criança que fez algo “errado”, não é positivo dizer “não foi nada” nem “como que você fez isso”, mas sim acolher e ter compaixão, dizer “ok, não foi bom, mas você pode melhorar”. Conosco acontece da mesma forma, não resolve ficarmos nos culpando, nem justificando (“só agi assim porque o fulano ou a sociedade...”), mas, sim, assumirmos a responsabilidade, reconhecendo o ato desvirtuoso e fazendo um compromisso sincero de não repetir.

Após, foi realizado um exercício em que todos ficaram com a visão prejudicada, mas cada um de uma maneira diferente (em virtude de estarem usando um óculos com formatos e lentes de cores diversas), com o intuito de ilustrar o fato de que vemos o mundo e os fenômenos do nosso modo e, embora diverso do outro, interagimos como se todos enxergássemos do mesmo jeito.

Esse é um dos problemas que enfrentamos diariamente, cada um tem uma visão, um pensamento, uma expectativa e se o outro não corresponde, há conflito. Ter consciência da diversidade da realidade que o outro vê ou está vivenciando pode proporcionar maior compreensão e interação de acordo com a sua visão (como quando conversamos com uma criança e falamos segundo a linguagem dela) e, consequentemente, conquistamos harmonia nos relacionamentos46.

Em seguida, foi solicitado a cada um que fizesse uma tabela com três colunas, preenchendo as duas primeiras com uma lista dos seus sofrimentos pessoais e na segunda, suas causas.

O budismo pode ser visto como algo negativo por falar em sofrimento, porém, como os mestres ensinam, só é possível tomar um remédio eficaz se soubermos qual a doença que temos. Além do mais, não haveria razão de falar em sofrimento se não houvesse uma forma de evitá-lo (quarta nobre verdade: existe um caminho para a cessação do sofrimento).

45 https://www.youtube.com/watch?v=gg4d-CX-gX4 46

A fim de ilustrar o fato de que os fenômenos dependem da visão do observador assistimos ao vídeo

Mecânica Quântica. O experimento da fenda dupla.

Ao compreendermos o ciclo de sofrimento começamos a ter vontade de sair dele e buscar algo que nos traga não felicidade temporária, mas, sim, duradoura, uma paz interior.

Quando tomamos consciência do sofrimento e das limitações da existência cíclica, isso nos motiva a encontrar uma saída, da mesma forma que, quando nos damos conta de que estamos doentes, buscamos remédio. (CHAGDUD, 2010, p. 110)

Quando entendemos o carma e a impermanência, por exemplo, entendemos o que nos causa alegria e tristeza, apego e aversão e que tudo o que um dia nos causou felicidade pode nos causar sofrimento: um novo celular, que depois fica defasado, nos deixa viciados ou presos por termos que estar 24h por dia disponível; uma casa nova, linda e maravilhosa, que depois exige gastos e tempo com manutenção ou acaba ficando pequena quando aumentamos a família; um novo amor que acaba sendo um ser insuportável de conviver ou alguém que morre e sentimos saudade.

Ao compreender que a virtude e a desvirtude determinam se a nossa experiência será de felicidade ou de tristeza, de prazer ou de dor, cabe-nos uma escolha: podemos mudar as nossas ações e cultivar qualidades virtuosas buscando liberação para nós e para todos os seres, ou podemos continuar a criar desvirtude, perpetuando o sofrimento. (CHAGDUD, 2010, p. 110)

Como sair do ciclo de sofrimento?

O segredo para acabar com o sofrimento e encontrar a paz está na transformação da mente: remover a nossa negatividade, incrementar as nossas qualidades positivas e revelar a nossa verdadeira natureza. (...) Quatro tipos de obscurecimentos impedem a percepção da nossa natureza. O primeiro é o obscurecimento intelectual, ou dualismo: acreditar que o eu, o outro e tudo o que acontece entre os dois realmente existe. O segundo são os cinco venenos da mente47. O terceiro é seguir as idas e vindas do apego e da aversão, o que cria o carma. O quarto são hábitos: os padrões mentais e emocionais estabelecidos e reforçados pelo carma e pelos venenos da mente, que são levados de uma vida para a outra. Ao remover estes quatro obscurecimentos, arrancaremos a raiz das causas do sofrimento. (CHAGDUD, 2013, p. 157)

Com base nos ensinamentos, criei um gráfico que pudesse ilustrá-los, a seguir apresentado:

47 São vários os venenos da mente, mas os cinco principais, segundo o budismo, são: ignorância, apego, raiva, inveja e orgulho.

Ilustração 15: Ciclo do Sofrimento

Fonte: Elaborado pela autora Esse gráfico ilustra o fato de que tudo começa com um “eu” que se identifica e cria a dualidade, olhando o outro, as coisas e os fenômenos com uma opinião, um julgamento, de gosto / não gosto / tanto faz, chegando a quero / não quero / neutro. Com isso surgem os venenos mentais, pois se quero algo, não quero perder, portanto sinto medo e/ou apego; se perco, sinto frustração e/ou raiva; se quero algo e não tenho, sinto tristeza; se outro tem, sinto inveja; se tenho muito, sinto orgulho;

se tenho a possibilidade de ter, sinto ansiedade; se não quero algo e tenho, sinto aversão, tristeza ou raiva; se não quero algo, mas posso ter, sinto medo; se sinto indiferença sinto apatia, torpor.

Esse padrão de pensamento propicia uma determinada ação que desencadeia um resultado e que vai reforçar o padrão de pensamento, gerando o carma (ensinamento do quarto encontro). Com a prática contínua dessas ações

In document FRAM FORUM 2017 (sider 30-34)

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