Prezado Colega,
Convido V. Sa. para participar da pesquisa colaborativa que será realizada para atender ao problema de pesquisa, questões norteadoras e objetivos propostos (em anexo) na investigação intitulada CONTRIBUIÇÃO DO BUDISMO PARA A AUTOCONSTRUÇÃO DO SER HUMANO NA PERSPECTIVA DE UMA EDUCAÇÃO PARA A INTEIREZA, sob a orientação da Profa. Dra. Leda Lísia Franciosi Portal.
Serão realizados oito encontros semanais, com três horas de duração cada, em sala de aula do Prédio 15 da PUCRS em dia e horário a ser definido conforme disponibilidade do grupo. Durante os encontros serão abordados, com uma concepção não religiosa, os seguintes ensinamentos budistas: motivação pura, meditação, os quatro pensamentos básicos (nascimento humano precioso, lei de causa e efeito, impermanência e ciclo de sofrimento) e as quatro qualidades incomensuráveis (compaixão, amor, equanimidade e regozijo). Esse roteiro faz parte do Treinamento Bodisatva para a Paz constante no livro Para Abrir o Coração de Chagdud Tulku Rinponche (2013).
Será fornecido material teórico de apoio e serão utilizados recursos e ferramentas da área do coaching e funcionamento de grupos, com propostas metodológicas diversas: aula expositiva dialogada; estudos de texto; mapa conceitual, utilização de filmes, e outros recursos, conforme o planejamento anexo.
A presente pesquisa requer comprometimento quanto à presença e à participação ativa em todos os encontros.
Cordialmente,
_________________________________ Vanessa Canever
ANEXO B
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO
Eu, ____________________________________________________________, concordo em participar da pesquisa desenvolvida pela Mestranda em Educação VANESSA CANEVER na investigação intitulada CONTRIBUIÇÃO DO BUDISMO PARA A AUTOCONSTRUÇÃO DO SER HUMANO NA PERSPECTIVA DE UMA EDUCAÇÃO PARA A INTEIREZA. Também autorizo a utilização das informações por mim fornecidas como referencial para a produção de sua dissertação de Mestrado no PPGEdu/PUCRS, na linha de pesquisa Pessoa e Educação, sob a orientação da Profa. Dra. Leda Lísia Franciosi Portal. Estou ciente de que minha identidade será preservada, sendo considerado o sigilo e o anonimato tanto na coleta de dados quanto na divulgação dos resultados, que a minha colaboração é voluntária, não implicando em lucros nem em prejuízos de qualquer espécie e que os dados coletados poderão ser divulgados por meio de publicações científicas ou educativas, como artigos e apresentações em eventos relacionados à área da pesquisa aqui tratada. Declaro ainda que recebi informações de forma clara e detalhada a respeito dos objetivos e da forma como participarei desta pesquisa, podendo receber respostas a qualquer momento sobre qualquer dúvida a respeito dos procedimentos e de outros assuntos relacionados com esta pesquisa.
Porto Alegre, ___________________ de 2015. ________________________________________________________ Participante ________________________________________________________ Vanessa Canever Mestranda em Educação
ANEXO C
Refletindo sobre ações positivas e negativas e suas consequências (Estratégia criada pela professora Carliza Timm, da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Américo Ribeiro Mendes – Caxias do Sul/RS email: [email protected])
Na tentativa de minimizar os conflitos que ocorriam durante o recreio e em sala de aula nas minhas turminhas de 2º ano (2010-2012) e depois nas turmas de 3º ano (2013-2015), inventei a seguinte estratégia, que está baseada numa atividade sugerida em inúmeros livros de autoajuda e mesmo de livros religiosos que incentivam a análise da própria mente: numa caixa (de sorvete transparente) tenho tampinhas verdes e vermelhas e dois potes (de maionese vazios, bem limpinhos, para aproveitar!!!) Escolhi dois dias na semana para fazer o exercício, de modo que todos nos disciplinemos para realizar a atividade. Não faço a atividade todos os dias porque acaba sendo cansativo para as crianças, pois isso demora, às vezes, quase meia hora.
As crianças me contam como foi o recreio, do que brincaram, como agiram consigo e com os colegas. Quando brincam bem, ou seja, quando usam o corpo para algo que lhes traga alegria e contentamento e que não prejudique os demais, colocamos uma tampinha verde no potinho intitulado “Ações positivas” e quando agem de modo a ferir e causar sofrimento para si e para os outros, colocamos tampinhas vermelhas no potinho “Ações negativas”.
No começo, aceitamos as contribuições mais simples, do tipo: “Brinquei de pega- pega, de esconde-esconde, etc.” Com o tempo, vamos questionando por que esta brincadeira traz felicidade ou sofrimento para os colegas. Um dos objetivos é que eles comecem perceber as consequências de suas ações para a felicidade ou sofrimento dos outros seres, sejam eles humanos ou não. É importante destacar a consequência para os outros e não só para si, como ficar de castigo no recreio. Aos poucos, vamos introduzindo conceitos de valores, como respeito, generosidade, paz, etc. Também podemos trabalhar algumas ações universais que estão presentes em várias tradições religiosas como, por exemplo: não matar, não roubar, amar, etc. Trabalhamos não só o que não deve ser feito, mas a virtude inversa, como por exemplo: a ação de matar deve ser combatida com a ação virtuosa de salvar vidas, no caso das crianças, salvar a vida de pequenos insetos, como formigas, aranhas, e outros. Estas ações também são relatadas durante a atividade.
Com o tempo, vamos aprofundando cada vez mais, ao mesmo tempo que nós mesmos, professores e professoras, vamos praticando as ações positivas na nossa vida e evitando ações negativas. Isto é muito importante, porque a fórmula mais eficiente para ensinar, como todos sabemos, é pelo modelo. Se o professor mata, fala de forma rude, grita, fofoca dos outros, enfim, se não pratica a virtude e evita a
desvirtude, não tem como ser modelo para os alunos. Então, além das ações mencionadas, podemos incluir outras como:
- falar de forma gentil x falar de forma rude/grosseira;
- falar coisas úteis, positivas x falar coisas inúteis que só causam mal aos outros como as fofocas;
- oferecer/ser generoso (dividir o lanche, por exemplo) x tomar o que não foi dado; - se sentir feliz quando os outros ganham algo ou quando estão felizes x desejar tudo que é dos outros (roubo e cobiça, como por exemplo, querer ser esperto e sempre querer só receber o lanche dos outros e nunca dar);
- dizer a verdade/ser honesto x mentir/enganar; - reconciliar disputas x semear discórdia;
- desejar o bem e a felicidade dos outros e cultivar o desejo de ajudar a todos x desejar o mal.
Etapas da atividade:
1. O professor pega o material (potinhos e tampinhas), dispõe sobre a mesa e solicita que quem quer relatar suas ações, levante a mão.
2. Um por um relata sua ação e o professor questiona se é uma ação positiva ou negativa e por que. Se for positiva, coloca a tampinha no pote de ações positivas e se for negativa no potinho de ações negativas. Os potes devem ter os títulos colados.
3. Este procedimento é feito durante, no máximo, 20 min, para que a turma não se canse demais.
4. Premiação: Quando um dos potinhos for todo preenchido, a professora faz a contagem das tampinhas com os alunos. Após, se subtraem as tampinhas vermelhas das verdes. Se o resultado for igual ou maior que o número de alunos da turma, toda a turma é premiada com algo: assistir a um filme, ir ao parquinho, pintar uma mandala, guloseimas. Caso seja menor, os potinhos são esvaziados e o processo se reinicia, buscando que os alunos reflitam porque não conseguiram atingir a quantidade total. A ênfase é que a premiação depende do trabalho conjunto do grupo e todos têm que ajudar uns aos outros a melhorar suas ações.
Obs: Esta estratégia de premiação difere daquelas em que se premiam os alunos individualmente, o que reforça a competição e a individualidade. Ao contrário, a turma toda precisa trabalhar em conjunto e se ver como um grupo para ser premiada. Outro aspecto interessante é que eles mesmos podem votar o que querem ganhar como prêmio.
ANEXO D
Oito Versos que Transformam a Mente:
1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes, Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.
2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas, E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa, Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos, Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem, Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo, Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos, E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas69, E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.
69 As oito preocupações mundanas são: 1. Desejar elogios 2. Rejeitar críticas 3. Desejar o prazer