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Vurderinger av konfliktpotensialet mellom fugl og vindenergianlegg

 

Do  ponto  de  vista  histórico,  especialmente  em  grandes  áreas  metropolitanas  brasileiras, é possível verificar que a deficiência e/ou a não aplicação de planejamento  urbano  apropriado  possivelmente  decorrente  da  combinação  da  falta  de  conhecimento  especifico  da  legislação  aeroportuária,  com  a  falta  de  diálogo  entre  o  operador  do  Aeroporto  e  o  Poder  Público  local,  acabaram  por  impor  restrições  e  consequências  graves  tanto  no  entorno  dos  Aeroportos  –  e  naturalmente  aos  seus  moradores  –  como  às  próprias  infraestruturas,  que  hoje  se  vêem  impedidas  ou  em  graves dificuldades para conviver com a cidade.  

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No entanto, deve‐se ter em mente que a existência dos Aeroportos, não importa suas  dimensões  e  muitas  vezes  suas  localizações,  são  fatos  concretos  e  incontornáveis.  Já  estão instalados e ocupam espaços consolidados,  aos quais as cidades devem buscar  maximizar  seu  uso  e  potencialidades,  seja  por  eles  próprios,  seja  através  da  intermodalidade. 

 

As  relações  com  a  cidade  refletem  no  espaço  físico,  impactando  não  só  territorialmente, como também econômica, política e socialmente. Villaça observa, em  seu  estudo  sobre  espaço  intra‐urbano,  que  o  transporte  aéreo,    depende  dessas  diversas  interações  de  naturezas,  econômica,  política  e  social,  para  ser  capaz  de  promover  uma  expansão  urbana  física  e  também  observa  que  a  sua  integração  demanda por transporte intra‐urbano. 

 

Um  porto  ou  Aeroporto  podem  até  fazer  surgir  uma  cidade  em  torno  de  si,  mas  não  pelos  transportes  que  oferecem  e  sim  pelos  empregos;  estes,  sim,  podem vir a gerar uma demanda por transporte ‐ que será intra‐urbano e nada  terá  a  ver  com  o  transporte  oferecido  pelo  porto  ou  Aeroporto.  Com  o  transporte  extra‐urbano  apenas,  sem  o  transporte  intra‐urbano  de  passageiros, não pode haver expansão urbana. (VILLAÇA, 2001, p.81) 

 

Ascher  contribui  quando  afirma  que  o  uso  dos  meios  de  transporte  rápido  e  das  telecomunicações pelas empresas contribui para reestruturar cidades e territórios. 'O  desenvolvimento  da  net‐economia  muda  os  critérios  de  localização  das  atividades  e  participa  principalmente  na  reconfiguração  das  centralidades  e  na  espacialização  comercial.  A  logística  torna‐se  uma  função‐chave  no  processo  de  produção  e  suscita  novos tipos de equipamentos multimodais e multisserviços (as plataformas logísticas)'.  Nesse  sentido,  o  autor  comenta  que  os  Aeroportos  passam  a  ser  rodeados  por  inúmeras e variadas empresas, atraídas pela acessibilidade aérea e terrestre. (ASCHER,  2010, p.53) 

 

Além  de  possuir  potencial  de  atrair  negócios  e  serviços,  os  aeroportos  também  exercem  pressão  na  demanda  por  sistemas  de  água,  energia,  transporte  público  e  outras infraestruturas urbanas nas áreas onde são implantados, principalmente ligados  a  acessibilidade,  e  por  isso  passam  a  nortear  novos  vetores  de  desenvolvimento 

urbano  ou  a  consolidar  áreas  e  regiões  que  já  vinham  se  desenvolvendo.  Essa  constatação traz consigo uma série de interesses, políticos, imobiliários, econômicos,  etc.  que  não  necessariamente  convergem,  principalmente  quando  não  se  conta  com  um  órgão  central  de  promoção  e  ordenamento  de  tais  infraestruturas  e  quando  o  diálogo entre os atores envolvidos é prejudicado por interesses divergentes ou grande  dissonância  de  conhecimentos  relativos  ao  assunto,  suas  potencialidades  e  implicações.  

 

Compete  aqui  uma  abordagem  que  vá  além  da  técnica  pois  trata‐se  de  uma  infraestrutura  geradora  de  impactos  diretos  nos  investimentos  locais  através  do  sistema  tributário  federal,  estadual  e  municipal  (impostos  sobre  serviços  e  produtos,  taxas de importação e exportação, etc.).  

 

O  significado  político  da  infraestrutura  está  associado  à  expressão  do  poder  nacional  e  da  estratégia  governamental  para  alcançar  os  objetivos  adotados.  Qualquer  decisão  relativa  à  infraestrutura  aeroportuária  tem  um  sentido  político,  na  medida  que  ela  indica  uma  direção  e  um  nível  de  esforço  que  favorecerão  ou  privilegiarão  uma  cidade,  uma  região,  uma  atividade  macroeconômica,  um  projeto  ou  até  mesmo  uma  necessidade  determinada  (SILVA, 1990, p.118). 

 

Nesse  contexto  político,  torna‐se  importante  acrescentar  as  considerações  de  Rolnik  (2000),  nas  quais  a  autora  aborda  a  importância  de  articulação  entre  instâncias  de  poder  público  (municipal,  estadual  e  federal)  e  seus  respectivos  órgãos,  empresas  e  autarquias,  sendo  estes  os  proprietários  de  terras  nas  áreas  urbanizadas.  Segundo  a  autora,  'o  caso  de  áreas  portuárias,  aeroportos,  entorno  de  rodovias,  entre  outros,  constituem  áreas  onde  quase  sempre  se  estabelece  tensão  entre  município  e  o  proprietário  ou  concessionário  das  áreas,  resultando  em  territórios  obscuros  e  intocáveis  do  ponto  de  vista  da  legislação  municipal.  A  dificuldade  de  gestão  desses  territórios  pode  produzir  grandes  vazios  urbanos  em  áreas  centrais  ou  invasões  em  grande  escala'.  Pode‐se  complementar  observando  que,  no  caso  dos  aeroportos,  as  divergências  entre  agentes  envolvidos  e  a  irresponsável  má  gestão  podem  acarretar  em subutilização da infraestrutura inviabilizando a utilização plena de sua capacidade  operacional, afetando investimentos e prejudicando o município e seus munícipes.   

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Compartilha‐se  do  entendimento  de  Rolnik  ao  enfatizar  ser  'necessária  uma  recontratação entre os diferentes agentes públicos no sentido de sincronizar a posse, a  regulação e a gestão da terra urbana, permitindo ao município um acesso real a essas  áreas, em combinação com os órgãos envolvidos em cada caso. Dessa maneira, poderá  ser combatida a omissão do poder público frente à ambiguidade que caracteriza o uso  e ocupação de terras públicas'.   

Entre  os  principais  operadores  de  aeroportos  do  mundo  (alguns  dos  quais  mencionados  como  estudos  referenciais  nesta  Dissertação),  a  gestão  de  políticas  permanentes  de  diálogo  com  as  municipalidades  tocadas  pela  infraestrutura  é  parte  do dia‐a‐dia das suas operações. Operadores de Aeroportos de classe mundial sabem  que  sem  adequado  e  constante  diálogo  com  as  comunidades  locais  e  respectivos  Poderes Públicos constituídos, potenciais importantes dos seus ativos podem ficar sob  constante  ameaça  de  subutilização  ou  até  de  interrupção  de  uso,  na  hipótese  dos  efeitos colaterais se mostrarem maiores do que os benefícios oferecidos as populações  locais.    3.2.3. O PARADOXO: PLANO x REALIDADE    É de conhecimento que, em observância às recomendações do Ministério das Cidades,  os  Planos  Diretores  Municipais  vêm  sendo  elaborados  e  aprovados,  porém  ao  serem  desenvolvidos  de  forma  isolada  acabam  se  tornando  ineficientes  na  promoção  de  articulações  entre  municípios  podendo  trazer  consigo  efeitos  negativos  e  contraditórios  diante  da  lógica  das  redes  entre  cidades.  Essa  situação  agrava  o  descompasso entre as políticas urbanas e os planos setoriais, tende a comprometer o  próprio desenvolvimento local e gerar tensões nos processos de urbanização e uso do  solo  na  escala  regional  e  intra‐urbana  e,  dentre  outros  efeitos,  pode  vir  a  afetar  diretamente as infraestruturas de transporte responsáveis justamente por fomentar a  integração e as dinâmicas territoriais.  

 

Esse  aspecto  foi  apontado  no  sentido  de  se  colocar  que,  além  da  necessidade  de  integração  entre  os  Planos  Diretores  Aeroportuários  e  Municipais,  é  também 

primordial que os Municípios desenvolvam seus Planos Diretores de forma estratégica,  em  acordo  com  o  sistema  de  desenvolvimento  de  redes  intramunicipais  buscando  cooperação  e  intercâmbios.  Esse  aspecto  pede  ainda  mais  atenção  nas  cidades  que  possuem  aeroportos  pois  estas  constituem  centros  urbanos  especializados  e  polarizadores e de grande influência socioeconômica. 

 

Nesse  ponto  cabe  também  advertir  que,  mesmo  que  os  Planos  Diretores  Aeroportuários  sejam  desenvolvidos  em  conformidade  com  os  Planos  Diretores  Municipais e vice‐versa, isso ainda não é sinônimo de êxito no relacionamento cidade,  região metropolitana e aeroporto. Corre‐se o risco dos planos serem implementados  de formas independentes, sem articulação entre si gerando áreas de conflitos. Duarte  (2012,  p.226)  exemplifica  essa  hipótese  citando  o  Aeroporto  Internacional  de  São  Paulo.  O  autor  comenta  que  o  Aeroporto  se  tornou  um  enclave  regional  quase  autônomo dentro do Município de Guarulhos e por outro lado, em razão dos milhares  de  empregos  gerados  pela  sua  atividade  aeroportuária,  o  mesmo  contribuiu  com  o  adensamento  populacional  de  regiões  limítrofes  a  sua  área  patrimonial  impróprias  para a ocupação urbana residencial. 

 

Caldas  colabora  nesse  sentido  afirmando  sobre  a  necessidade  de  cooperação  entre  gestores municipais e aeroportuários: 

 

[...]  o  planejamento  aeroportuário  reclama  uma  atuação  mais  cooperativa  entre seus gestores e os demais representantes dos segmentos locais, visando  à  efetiva  integração  entre  o  aeroporto  e  as  atividades  urbanas  que  se  desenvolvem em seu entorno como garantia de desenvolvimento sustentável,  seja  nos  aspectos  social,  econômico  ou  ambiental,  consolidado  pelo  envolvimento  e  participação  direta  dos  diferentes  atores  interessados  no  futuro das cidades. (CALDAS, 2008, p.328) 

 

Trata‐se  de  um  cenário  bastante  complexo,  que  envolve  múltiplas  escalas,  vários  setores,  diversas  questões  legais  e  que  carece  de  esforços  e  colaboração  entre  diversos  atores.  Nessa  perspectiva,  de  orientar  possíveis  interações  e  um  bom  relacionamento  entre  atores  envolvidos,  a  existência  de  Manuais,  como  o  desenvolvido pelo IAC (Manual de Implementação de Aeroportos ‐ IAC, 2003), objetiva 

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fornecer as principais orientações relativas à implementação e operação adequada de  uma unidade aeroportuária e busca auxiliar no entendimento das normas específicas  do  setor  de  forma  a  direcionar  e  facilitar  as  ações  dos  agentes  municipais.  Nesse  sentido, o Manual do IAC ressalta "a importância da atuação das prefeituras no sentido  de  preservar  a  segurança  operacional  dos  aeródromos,  inserindo  em  suas  leis  de  parcelamento  e  uso  do  solo  as  restrições  impostas  pela  legislação  aeronáutica  e  de  meio ambiente às propriedades vizinhas aos aeródromos (Manual de Implementação  de Aeroportos ‐ IAC, 2003, p.10).    Tendo em vista o que dispõe a Constituição Federal, a competência para legislar sobre  direito urbanístico é da União, dos Estados e do Distrito Federal (art. 24, I), porém aos  Municípios compete, segundo o Título III, Capítulo IV, art. 30, Item VIII, "promover, no  que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do  uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano." Logo, as Prefeituras têm o dever  de elaborar uma lei municipal de uso do solo que esteja em conformidade as restrições  impostas pela legislação aeronáutica, em especial, com o Plano Básico de Zoneamento  de  Ruído,  com  os  gabaritos  estabelecidos  pelo  Plano  de  Zona  de  Proteção  de  Aeródromos. Por fim, é imprescindível que as legislações municipais sustentem diálogo  com  o  disposto  na  legislação  aeronáutica  evitando  assim  possíveis  acidentes  e  a  má  utilização operacional do aeroporto.    Acredita‐se que, uma 'boa' relação da cidade com a infraestrutura aeroportuária seja  fundamental para o aumento das vantagens pelo aeroporto oferecidas e minimização  das desvantagens próprias da atividade aeronáutica.    

O  resultado  desse  esforço,  por  outro  lado,  conta  com  os  instrumentos  de  participação coletiva, assegurada através do acesso aos estudos de impacto de  vizinhança  e  às  audiências  públicas  realizadas  ao  longo  do  processo  de  validação das propostas do plano, como forma de permitir o estabelecimento  de  práticas  democráticas  para  ratificação  das  diretrizes  de  planejamento,  abrindo  oportunidades  para  discussão  mais  ampla  das  consequências  das  ações  adotadas  e,  por  conseguinte,  o  compromisso  com  sua  implementação  (CALDAS, 2008, p.330). 

Todavia é necessário entender os seus reflexos e perspectivas, uma vez que se tratam  de infraestruturas essenciais para a competitividade das cidades, regiões, empresas e  trabalhadores. Aeroportos mal planejados do ponto de vista urbano, que não estejam  inseridos de forma apropriada nas suas respectivas cidades e regiões, estão fadados a  se tornarem áreas de grande porte, subutilizadas e portanto com grande potencial de  degradação delas próprias e dos seus entornos.    3.2.4. O AEROPORTO E A INTERMODALIDADE   

Parte‐se  do  pressuposto  que  a  intermodalidade  seja  fator  crucial  para  a  integração  Urbana  de  Aeroportos.  Admite‐se  que  as  questões  de  mobilidade  e  acessibilidade  sejam de extrema relevância na pauta dessa discussão, já que aumentam sinergias e  promovem  inclusão  e  integração.  Essas  questões  também  estão  diretamente  relacionadas ao nível de serviços oferecidos pelos aeroportos, tanto no segmento de  passageiros  quanto  de  cargas.  É  preciso  que  o  acesso  ao  aeroporto  seja  garantido,  veementemente,  em  face  ao  intenso  fluxo  de  pessoas  que  atualmente  faz  uso  desse  modal e ao número também crescente de mercadorias transportadas.  

 

Tanto os benefícios sócio econômicos, quanto a atração de atividades econômicas não  dependem exclusivamente da relação entre a infraestrutura e sua inserção urbana, ou  seja,  do  planejamento  urbano  de  seu  entorno  e  do  uso  estabelecido  às  terras  adjacentes.  A  interconexão  com  outros  modais,  como  o  ferroviário  e  o  rodoviário,  constitui fator essencial para o funcionamento e desenvolvimento da infraestrutura.   

O planejamento de uma infraestrutura de transporte terrestre, de apoio ao transporte  aéreo,  deve  apresentar  entre  as  suas  diretrizes,  a  promoção  de  ligações  rápidas  aos  centros residenciais e empresariais e a capacidade de escoamento do tráfego entre o  aeroporto  e  o  seu  entorno  de  modo  a  minimizar  o  ônus  dos  impactos  causados  nas  comunidades residentes nas proximidades, reduzindo engarrafamentos e dificuldades  de acesso ao aeroporto e promovendo qualidade urbana aos trabalhadores do próprio  aeroporto e das pessoas que trabalham em suas imediações. 

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Ao  discutirmos  a  implantação  ou  ampliação  de  um  aeroporto,  torna‐se  claro  analisar  o  envolvimento  que  este  processo  tem  com  a  cidade.  Parece  uma  revelação evidente do fenômeno urbano: A rede de transporte aérea, com fins  de facilitar deslocamentos, exige uma rede de transportes e infraestrutura de  suporte a estes deslocamentos, neste caso, de transportes terrestres. (SOUZA,  2008, p.136) 

 

Não  se  pode  fechar  os  olhos  às  consequências  do  tráfego  rodoviário  no  entorno  dos  aeroportos,  tanto  para  a  infraestrutura,  quanto  para  a  cidade.  A  cidade,  em  especial  nas áreas mais próximas ao aeroporto, pode vir a ser prejudicada com o aumento do  número  de  veículos  nas  redes  de  tráfego,  congestionamentos,  poluição,  etc.  e  esses  mesmos  fatores  podem  comprometer  ou  afetar  a  confiabilidade  do  próprio  empreendimento,  o  aeroporto.  Sob  o  ponto  de  vista  desta  autora,  uma  possível  solução estaria no investimento em transportes de massa, de maior capacidade, como  metrôs  e  trens  rápidos  em  articulação  à  outros  meios  como  exemplo  os  ônibus  capazes de promover melhores e maiores conexões com o aeroporto, como constata‐ se  em  qualquer  das  experiências  internacionais  analisadas  nesta  Dissertação.  No  limite, não seria incorreto afirmar que não há Aeroportos plenamente operacionais e  potencializados  sem  que  estejam  interligados  de  maneira  inteligente  com  outros  modais,  oferecendo  aos  seus  usuários  a  possibilidade  de  rápida,  acessível  economicamente e eficiente mobilidade. 

 

Sabe‐se que atualmente, um dos grandes desafios do setor é fazer com que o acesso e  egresso  aeroportuário,  no  caso  brasileiro  ainda  hoje  feito  essencialmente  através  de  automóveis,  sejam  mais  eficientes.  Porém  esse  cenário  envolve  intrincadas  soluções  visto  que,  apesar  da  acessibilidade  ser  fator  de  interesse  ao  gestor  aeroportuário,  a  gestão dos transportes não está sob sua responsabilidade, ao mesmo tempo em que  os  efetivos  responsáveis  pelas  redes  de  transporte  público,  no  Brasil,  com  raras  exceções,  são  comprovadamente  ineficientes  no  exercício  das  suas  atividades,  bastando para comprovar essa afirmação analisar os dados de satisfação da população  brasileira com a qualidade de transporte urbano que lhes é oferecido.  

 

Sobre  o  sistema  viário  periférico,  o  IAC  orienta  que  deve  ser  projetado  em  sintonia  com o planejamento municipal e em conformidade com recomendações de segurança 

das  operações  aéreas.  A  responsabilidade  pela  construção,  manutenção  e  gerenciamento dos acessos de superfície aos aeroportos normalmente está a cargo de  Prefeituras,  Secretarias  de  Estado  (Transportes,  Obras  e/ou  Planejamento),  Departamentos  Estaduais  de  Estradas  de  Rodagem  (DER)  ou  do  Departamento  Nacional  de  Estradas  de  Rodagem  (DNER).  Assim,  é  fundamental  que  sejam  estabelecidos,  em  todas  as  fases  de  planejamento,  entendimentos  entre  as  autoridades responsáveis pelo desenvolvimento do aeroporto e os órgãos envolvidos.   

Mais  uma  vez,  encontramo‐nos  diante  do  desafio  do  diálogo  no  planejamento,  num  cenário cuja a eficiência e sucesso dependem da integração entre gestores de esferas  diferentes,  nesse  caso,  municipal  e  aeroportuária,  não  hierarquizados  e  que  não  necessariamente  comungam  de  princípios  e  objetivos  comuns.  Evidencia‐se  novamente a necessidade de se pensar e direcionar ações em consonância. 

 

A  ausência  de  planejamento  da  interligação  dos  modais  de  transporte  e  também  da  mobilidade  urbana  conectados  ao  aeroporto,  vai  de  encontro  a  lógica  do  aeroporto  como  instrumento  de  desenvolvimento  urbano.  Sem  a  real  possibilidade  de  prover  conexões,  da  cidade  para  o  aeroporto,  do  aeroporto  para  a  cidade  e  dessas  cidades  para  outras  cidades,  a  difusão  e  'espacialização'  do  desenvolvimento  urbano  e  socioeconômico  torna‐se  um  desafio  quase  impossível.  Outro  efeito  colateral  é  o  enfraquecimento da atratividade local, pois uma cidade com baixa acessibilidade não é  capaz  de  atrair  interesse  de  novos  negócios,  comércios,  serviços  e  investimentos.  Somado a isso podemos conjecturar que, com deficiência nas conexões e portanto na  propagação  de  desenvolvimento,  o  empreendimento  aeroportuário  tende  a  produzir  áreas isoladas e/ou de segregação espacial.    Cabe aqui a citarmos Castells e Borja, que caracterizam a mobilidade e acessibilidade  como pontos chave na garantia de articulação do sistema urbano '[...] a acessibilidade  e mobilidade internas são requisitos indispensáveis para a competitividade da cidade  no meio econômico e para que cumpra sua função de integração social'. (CASTELLS e  BORJA, 2004, p.251).   

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Visto  também  como  plataforma  logística,  o  aspecto  da  intermodalidade  dos  transportes  rodoviário,  ferroviário  e  marítimo,  enfatiza  a  necessidade  dessa  articulação e, nesse sentido o desenvolvimento das acessibilidades rodoferroviárias às  redes  de  transporte  aéreo  e  portuário  é  parte  fundamental  no  aproveitamento  das  dinâmicas  de  desenvolvimento  advindas  da  logística.  Esse  pensamento  já  vem  sendo  incorporado em outros países e acredita‐se que deva também ser melhor aplicado no  país. 

 

Güller e  Güller reforçam  esse  pensamento  quando  afirmam  que  a  acessibilidade  dos  aeroportos  vai  melhorar  ainda  mais  no  futuro.  'Tem‐se  realizado  enormes  investimentos  em  acesso  terrestre,  principalmente  para  impulsionar  o  desenvolvimento do tráfego aéreo. Agora, faz‐se essencial prever o valor agregado que  um  nó  de  intercâmbio  intermodal  desse  tipo  pode  ter  sobre  o  desenvolvimento  de  áreas metropolitanas. Em lugares com circulação de muitas pessoas, surgem também  grandes  oportunidades  de  negócios.  Conexões  intermodais  em  todos  os  níveis,  do  local  ao  internacional,  muitas  vezes,  podem  fomentar  o  desenvolvimento  urbano  ao  redor do aeroporto e diretamente em seu território'. (GÜLLERe GÜLLER, 2002, p.138‐ 139) 

 

Não se pode negar que, muitos dos nossos Aeroportos encontram‐se dentro de áreas  urbanas  e,  sendo  esse  mais  um,  dentre  os  fatores  que  tornam  indispensável  a  concepção de planos estratégicos integrais, esses planos não podem ser pensados de  forma  separada  e  devem  abarcar  tanto  o  ordenamento  territorial  como  o  planejamento de transportes e isso pressupõe uma atuação conjunta, tendo em vista a  existência de diferentes funcionalidades de operação de cada ente envolvido. 

 

Em  vista  da  importância  desse  tema,  a  intermodalidade  é  um  tópico  presente  em  discussões atuais e vem sendo considerada com destaque na estruturação dos editais  de  concessão  aeroportuária.  Também  está  na  pauta  de  planos  e  ações  do  Estado  de  São  Paulo,  já  há  tempos6,  o  Plano  Integrado  de  Transportes  Urbanos  ‐  PITU  2020,  contempla a integração aeroportuária com as seguintes opções, a se concretizarem até        

6 COMAER,  Comando  da  Aeronáutica  Departamento  de  Aviação  Civil,  Aeroportos  e  Privatizações,  Proposta  de  Privatização Aeroportuária para o Brasil, 2003.