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Figurer og tabeller, bestandsutvikling for sentrale sjøfuglarter

A primeira questão que se propõe como critério de projeto diz respeito à emergência de conjuntos de HIS inseridos na dinâmica da vida urbana, mais precisamente em uma ZEIS-3. Conforme exposto anteriormente, o espaço urbano gera dois valores a serem considerados: um é o dos produtos em si (edifícios, ruas, infra-estrutura, etc,), o outro é sua localização, deste modo, a localização do lote e seu tempo de deslocamento com relação à aglomeração da cidade, dos empregos e da infraestrutura urbana são de extrema importância (VILLAÇA, 1998).

Ao se propor HIS em áreas melhor localizadas com relação às áreas centrais e concentradoras da maior parte dos empregos formais da cidade, ou seja, nas ZEIS-3, discute-se, consequentemente, a redução no tempo de viagem da

63 população residente e possibilita a construção da cidade por meio desses empreendimentos.

Outro ponto importante a inserção da população de baixa-renda (até 3 salários mínimos) em áreas providas de equipamentos urbanos (saúde, educação, transporte, lazer e cultura). Desta forma, destaca-se importante levantar os equipamentos do entorno para, em seguida, verificar suas relações de uso com o conjunto e, em caso de carência, seu houve ou não a previsão em projeto destes equipamentos urbanos. Isto garante o acesso democrático ao espaço da cidade, a partir de uma ação do Estado que pode promover a mudança da mentalidade colonial e alterar a prática de outros segmentos da sociedade

Este trabalho também se atenta ao fato de que a produção da habitação, em seus mais diversos estratos sociais, pode ser construtora de um território de cidadania, fundamental para a vida urbana e a continuidade do conceito de cidade em sua prática.

3.1.2. Acessos ao empreendimento de HIS

Para uma melhor inserção urbana, apontam-se os acessos ao empreendimento de HIS e suas conexões com os equipamentos do entorno. Para Gehl (2009, p. 151), a distância que a maioria das pessoas considera aceitável para ser percorrida a pé é de aproximadamente 500 metros.

Desta forma, as distâncias entre os empreendimentos e os núcleos de transporte públicos disponíveis devem ser vencidas a pé ou de um modo em que se equacione o acesso por intermédio de outro meio de transporte, assim como o acesso destes pedestres ao conjunto habitacional. Segundo Gehl (2009, p. 121;

tradução nossa), "a importância para a vida cidadã de um sistema integrado de

transporte se pode observar nas cidades em que o transporte se realiza sempre a pé."

64 Sendo assim, considera-se importante a proposta de novas vias que articulem o Empreendimento à cidade e ao mesmo tempo possa servir de ponto de encontro e interação social entre moradores do conjunto e do bairro.

3.1.3. O Espaço Social na HIS e sua Relação com o Bairro — empreendimento de HIS aberto à cidade ou segregado

Como a razão deste trabalho é investigar a construção da cidade através da inclusão social é de extrema relevância que as atividades sociais se realizem entre os edifícios que compõem o Empreendimento de Habitação de Interesse Social e a cidade.

De acordo com Ghel (2009), para que haja vida social entre os edifícios é necessária que haja pessoas, pedestres, transeuntes, ou seja, assim como afirma Jacobs (2011), é preciso que haja vida nas calçadas. Segundo Ghel (2009), existem três categorias de atividades exteriores que as pessoas costumam realizar: "atividades necessárias", "atividades opcionais" e "atividades sociais". As atividades necessárias incluem as atividades que as pessoas são mais ou menos obrigadas a realizar (ir ao colégio, fazer compras, esperar o ônibus ou uma pessoa, ou seja, as tarefas necessárias à vida cotidiana, geralmente relacionada ao ato de caminhar). As atividades opcionais são aquelas em que se participa apenas quando há o desejo e se o tempo e lugar permitem fazê-lo (dar um passeio, passar um tempo aproveitando a vida, sentar-se ao sol), ou seja, atividades que se realizam quando as condições físicas exteriores convidam-nas a acontecerem. "Quando os ambientes exteriores são de pouca qualidade somente as atividades estritamente necessárias realizam- se. [...] Um bom entorno torna possível uma grande variedade de atividades humanas distintas" (GHEL, 2009, p. 19).

Por fim, Gehl (2009) afirma que as atividades sociais são aquelas que dependem de outras pessoas e que se desenvolvem em espaços públicos (incluem jogos infantis, as saudações e conversas, diversas classes de atividades comunitárias e os contatos de caráter passivo, ou seja, o ver e ouvir outras pessoas), essas atividades desenvolvem-se de maneira espontânea, consequência direta das pessoas que circulam e permanecem nesses espaços exteriores. Nesse

65 sentido o autor afirma que "a estrutura física, o projeto, sustenta tanto visual como funcionalmente, a estrutura social desejada para a zona residencial" (GEHL, 2009, p. 67).

Contrário a esse conceito de espaço aberto e democrático, atualmente no Brasil, conforme visto anteriormente, os condomínios fechados são a forma mais desejável de habitação para a classe alta em São Paulo (CALDEIRA, 2000). Esses espaços segregados contribuem para exclusão social e distanciamento entre ricos e pobres na cidade de São Paulo e em todo o Brasil.

Em contraponto a esse modelo, conforme abordado por Ghel (2009), para que haja vida (atividades) entre os edifícios é necessário que haja pessoas, pedestres, etc., estar em meio a outras pessoas supõe uma oportunidade atrativa e animada de receber estímulos.

As cidades vivas – onde as pessoas podem interagir – são sempre estimulantes porque são ricas em experiências; diferentemente das cidades sem vida, que apenas podem evitar serem pobres em experiências e, portanto, monótonas, por mais coloridas e variedade formal que se aplique aos edifícios (GHEL, 2009, p. 29).

Desta forma, entende-se que a construção de espaços autosuficientes de seu entorno, murados e segregados não proporcionam as condições necessárias para que haja a integração social entre as diversas classes que compõem uma cidade, necessárias para construção de uma cidade mais democrática, pelo contrário, esses espaços segregados, autossuficientes e desconectados de seu entorno, ao voltarem-se para dentro de si, aumentam a sensação de insegurança de seu entorno. Esse modelo priva as áreas adjacentes ao Empreendimento de permeabilidade visual e, consequentemente, reduzem a incidência de olhos voltados para a rua (JACOBS, 2011), ou seja, esse modelo nega a cidade, seus problemas de desigualdade social e acentuam o problema da insegurança no espaço público.

A habitação de interesse social, mais precisamente as inseridas em ZEIS 3, permitem a construção de uma cidade mais democrática, conforme visa o estatuto da cidade. Contudo é preciso atentar-se para que não haja a repetição de modelos praticados pela iniciativa privada e nem padrões ultrapassados de inserção de HIS, como a repetição indiscriminada de plantas carimbadas a esmo que não se

66 conectam ao entorno, ou mesmo a implantação de empreendimentos de HIS em áreas afastadas, desprovidas de estrutura e equipamentos urbanos mínimos, etc.

Desta forma, é de extrema relevância que as HIS inseridas em ZEIS 3 permitam, através da previsão de espaços abertos de uso público em seu térreo, a construção de uma cidade mais democrática que possibilite a integração social e entre as diversas classes sociais que compõem a sociedade e a cidade de São Paulo.