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Vurdering av sensorisk kvalitet på filet

No artigo “Introdução à psicanálise e às neuroses de guerra” (1919), Freud retoma a idéia de que o desenvolvimento do tema melancolia esteve atrelado ao conceito de libido narcísica, apontando a limitação de sua teoria da libido para abarcar alguns tipos de patologias. Comenta também que a teoria da libido foi originalmente exposta apenas em relação às neuroses de transferências da época de paz; por isso, foi muito fácil demonstrar nesses casos a validade da teoria pelo uso da técnica psicanalítica. Porém, assume que a aplicação da teoria da libido “a outros distúrbios que depois agrupamos como as neuroses narcísicas” (1919, p. 225) tornou-se difícil. Diz que “uma demência precoce, uma paranóia ou uma melancolia comuns, são, essencialmente, material bastante inadequado para demonstrar a validade da teoria da libido” e reconhece que “só se tornou possível estender a teoria da libido às neuroses narcísicas depois que o conceito de uma ‘libido narcísica’ foi exposto e aplicado” (idem).

Segundo Freud, libido narcísica é uma quantidade de energia sexual ligada ao próprio ego e que encontra satisfação nele, tal como habitualmente encontra satisfação apenas em objetos. Ele deposita muita esperança nesse conceito reafirmando sua posição de cientista aberto a novas soluções quando diz: “esse desenvolvimento inteiramente legítimo do conceito de sexualidade promete fazer pelas neuroses mais graves e pelas psicoses tanto quanto se possa esperar de uma teoria que está avançando com uma base empírica” (idem).

No texto de 1921, “ Psicologia de grupo e análise do ego”, Freud mais uma vez aborda o tema melancolia. Como de outras vezes em que introduz esse tema, aponta as limitações de suas construções teóricas anteriores e usa o quadro clínico da melancolia para exemplificar os avanços teóricos conquistados por ele. Como o próprio editor inglês observa, esse texto tem pouca ligação com o antecessor, “Além do princípio do prazer” (1920). Por estar preocupado em explicar a psicologia dos grupos com base na psicologia da mente individual e em alicerçar a investigação da estrutura anatômica da mente, Freud

desenvolve de maneira aprofundada nesse texto de 1921, as idéias lançadas nos artigos “Sobre o narcisismo: uma introdução” (1914b) e “Luto e melancolia” (1917 [1915]), que foram finalizadas em “O ego e o id”( 1923).

Assim, Freud reafirma que a identificação com um objeto que é renunciado ou perdido, como um substituto para esse objeto (configurando a introjeção dele no ego), não é novidade, pois esse é um processo observado em crianças pequenas. E cita que a melancolia é um exemplo de introjeção que possui como causa a perda real ou emocional de um objeto amado. Relembra que a característica principal do estado melancólico é a autodepreciação do ego, combinada com autocensuras e autocríticas, e que, de acordo com as descobertas feitas em sua clínica, essas atitudes aplicam-se, na verdade, ao objeto e representam uma vingança do ego sobre esse objeto. Nesse ponto do artigo, realça a importância da construção metapsicológica relativa à melancolia como fundamental para os desenvolvimentos teóricos posteriores, afirmando: “essas melancolias, porém, nos mostram mais alguma coisa, que pode ser importante para nossos estudos posteriores” (1921, p. 119). A partir de então, passa a expor o modelo explicativo para os quadros melancólicos, aproximando-o da teoria do superego, que será finalizada em 1923. Apresenta que na melancolia o ego é dividido em duas partes, uma das quais vocifera contra a outra. A parte atacada é a que foi alterada pela introjeção e contém o objeto perdido. E a outra, que se “comporta tão cruelmente”, é desconhecida, mas abrange a consciência. Reconhece que, “em ocasiões anteriores”, hipotetizou que no ego se desenvolve uma instância capaz de isolar-se do resto do ego, entrando em conflito com ele. É essa instância, denominada de “ideal de ego”, que ele renomeia como superego no texto de 1923, “O ego e o id”.

O texto de 1921, “Psicologia de grupo e a análise do ego”, é importante, pois nele Freud assume que em “Luto e melancolia” deixou sem solução a distinção entre ego e ideal do ego, bem como à dupla espécie de vínculo que isto possibilita: a identificação (introjeção) e a colocação do objeto no lugar do ideal do ego , passando a analisar apenas o aspecto da identificação com o objeto. Nesse texto, Freud também revela sua observação clínica acurada ao admitir a existência de diferentes quadros clínicos depressivos, reconhecendo as nuances desses quadros e afirmando que, em geral, essas diferenças só são percebidas nas oscilações extremas da mania e da melancolia. No

entanto, sabe que uma mudança para a mania “não constitui característica indispensável da sintomatologia da depressão melancólica” (1921, p. 142), pois existem melancolias simples, em crises isoladas, e outras recorrentes, que não evoluem para a mania.

Nesse momento de sua elaboração teórica, Freud se detém na distinção das oscilações dos estados de ânimo (melancolia e mania) mas, também aborda mais claramente a diferença entre um quadro melancólico psicogênico e quadros não- psicogênicos. As patologias do primeiro tipo - as quais uma causa precipitadora desempenha papel etiológico - são as que ocorrem após a perda de um objeto amado, por morte ou qualquer circunstância exigindo a retirada da libido do objeto. E as espontâneas - nas quais as causas precipitantes externas não desempenham papel decisivo - são as que se tornou “costume” considerar não-psicogênicas, pois os fundamentos das oscilações de estado de ânimo são desconhecidos. Também nesse momento mais uma vez reconhece a limitação de suas proposições ao afirmar: “só poucos casos de melancolia foram submetidos à investigação psicanalítica” (idem).