Del III Utdypende gjennomgang
11.3 Vurdering av dagens
Na arquitectura defensiva existem três tipos de estruturas antrópicas: as muralhas, os fossos, e as pedras fincadas.
Naturalmente, que o elemento defensivo principal é a muralha, surgindo os restantes em associação a esta, colmatando ou aumentando o potencial defensivo do sítio.
Deste modo, a muralha salienta e amplia as características defensivas naturais do sítio, e os restantes equipamentos surgem em articulação directa com esta estrutura.
No caso do Castro de Segóvia, foram identificadas três estruturas defensivas artificiais, duas linhas de muralha e um campo de pedras fincadas.
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4.3.2.1. A muralha.
Habitualmente, os castros da Extremadura possuem boas defesas naturais e artificiais, como muralhas e barreiras de pedras fincadas (Romero Carnicero, 1984, 10). Por norma, têm pequenas dimensões entre 1 e 3 ha (Rodríguez Díaz, 2001: 270) e apenas um recinto. Neste sentido, importa referir que o Castro de Segóvia se enquadra nesta definição apresentando apenas um recinto com um perímetro muralhado de aproximadamente 1ha.
As muralhas constituem a defesa principal, sendo muitas vezes a única defesa. São habitualmente de pedra seca, de média dimensão, de estrutura simples, com paramentos verticais ou em talude (Ibidem:13).
A muralha do Castro de Segóvia é uma extensa estrutura pétrea, constituída por blocos de pedra de pequena e média dimensão. Através de uma intensa batida de campo, bem como, de uma sondagem realizada em 2009, foi possível caracterizar a forma e a técnica construtiva desta estrutura.
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A técnica construtiva é relativamente comum em estruturas defensivas identificadas em Castros Vetões (Álvarez Sanchez, 2008: 45-71). São formadas por pedras de média dimensão e edificadas com recurso à técnica da pedra seca, em talude.
Os blocos têm uma forma e dimensão muito irregular, utilizando diferentes matérias- primas, como xisto, calcário e pedras granitóides.
A sua estrutura é simples, constituindo o principal elemento defensivo artificial edificado no sítio. A planta da muralha corresponde ao desenho natural da parte superior do cabeço, nos seus contornos Norte e sul.
Na escavação de 2009 no Castro de Segóvia, foi possível efectuar uma sondagem de caracterização de uma muralha, tendo ficado perceptível que era composta por duas estruturas escalonadas e paralelas, implantadas no declive, directamente sobre a rocha. Estas estruturas distam entre si cerca de um metro e apresentam uma face visível do lado Norte e Sul do cabeço. O espaço entre estruturas foi preenchido por um enchimento de pedras de modo a consolidar as estruturas.
Existem várias problemáticas que importa discutir em torno à arquitectura defensiva, uma das quais é a identificação das portas de acesso ao interior dos castros.
No Castro de Segóvia, a informação disponível é pouco esclarecedora. Sabemos apenas que a muralha não está presente nas vertentes Este e Oeste. A vertente Este apresenta uma escarpa mais suave e uma plataforma inferior onde se encontra o campo de pedras fincadas.
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Figura 9 Identificação da muralha no decurso dos trabalhos de prospecção.
A vertente Oeste foi alvo de sucessivas destruições, sendo o local com maior probabilidade de ter existido uma porta. Contudo, a estrada de acesso ao marco geodésico, construída nos anos 50, e a construção de um reservatório de água, nos anos 80, destruíram todos os vestígios arqueológicos que pudessem ter existido desse lado do cabeço, tendo cortado, inclusive, o substrato rochoso.
Uma questão amplamente discutida é o âmbito cronológico destas estruturas, pois os elementos tipológicos com um carácter cronológico mais estrito das muralhas encontram-se nas suas portas. Na ausência destes elementos a sequência estratigráfica e o faseamento do sítio permitem esclarecer esta questão.
A associação deste elemento defensivo à primeira fase de ocupação parece inequívoca, pois as estruturas domésticas da fase 1 foram adossadas a esta estrutura, presumindo-se assim a sua anterioridade.
Tornando-se a muralha uma das primeiras, senão a primeira, estrutura edificada no sítio, torna-se evidente uma intencionalidade defensiva e uma delimitação do espaço habitado, pois não foram encontradas estruturas fora do perímetro da muralha.
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Figura 9 Alçado exterior da muralha.
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4.3.2.2.Campo de Pedras Fincadas.
Pedras fincadas ou "cheavaux-de-frise" são um conjunto de pedras dispersas por uma ou várias áreas, em torno a um castro ou oppidum, que amplia as características defensivas naturais ou edificadas do sítio. Surgem habitualmente dispostas em redor da muralha. Relativamente à sua origem, uma síntese dos locais onde se regista este tipo de equipamentos foi apresentada no colóquido "Cheveaux de frise i fortificació en la Primera Edat del Ferro Europea (Alonso et alii, 2003).
No que respeita ao território peninsular, a dispersão dos sítios arqueológicos da Idade do Ferro que apresentam campos de pedras fincadas foi publicada por Berrocal Rangel (2004 e Berrocal Rangel e Moret , 2007: 22), sendo evidente uma concentração a Norte e Nordeste da Península Ibérica.
Pese embora as estruturas de pedras fincadas estejam documentadas num vasto território europeu, tendo chegado até às ilhas britânicas (Alonso et alii, 2003), são escassos os exemplos conhecidos a Norte dos Pirinéus (Moret, 1991:11), parecendo ter existido um desenvolvimento regional autóctone da utilização destas estruturas no noroeste peninsular (Berrocal Rangel e Moret, 2007: 22).
Na área entre o interior alentejano e a Estremadura espanhola há um conjunto de sítios que apresentam estruturas de pedras fincadas como o Passo Alto (Soares, 2003), Castrejon del Capote (Berrocal Rangel, 1994) ou o próprio Castro de Segóvia.
Neste sentido, importa referir a longa diacronia de construção e utilização destas estruturas que na Península Ibérica estão documentadas desde o Bronze Final até um período tardio da Idade do Ferro (Berrocal Rangel, 2004). Entre os sítios arqueológicos fortificados do interior Sul do território português com ocupação da Idade do Ferro, conta-se, por exemplo, o Passo Alto (Soares, 2003), o Alto do Castelinho (Gibson et al., 1998; Correia e Burgess, 2004), Mértola (Hourcade, Lopes e Labarthe, 2003), Mesas do Castelinho (Fabião, 1998; Estrela, 2010) e Garvão (Correia, 1996; Ponte, 2012: 24),
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entre outros. Contudo, apenas os dois primeiros sítios possuem espaços com “pedras fincadas”, não podendo perder-se de vista que as referidas estruturas podem, objectivamente, datar do Bronze Final, cronologia das suas muralhas.
De acordo com a realidade arqueológica conhecida, todas estas estruturas de pedras fincadas estão implantadas em sítios interiores, a uma distância de, pelo menos, 50km da costa (Moret e Berrocal Rangel, 2007: 23).
Um campo de pedras fincadas pode apresentar uma disposição e extensão variável, consoante as características topográficas da sua implantação. Contudo encontra-se sempre associado a outros aparelhos defensivos, como muralhas e fossos.
A sua implantação surge normalmente em zonas mais débeis do ponto de vista da defensibilidade, que habitualmente correspondem a áreas de pendente menos escarpada e de mais fácil acesso.
Embora se possa pressupor uma acumulação de estruturas defensivas, utilizadas como sucessivas barreiras a transpor para aceder aos sítios, situação que se verifica nos Castros do NO (Fonte, 2008, 22), em alguns locais, como Segóvia, a presença desta estrutura vem substituir a muralha, ou seja, o campo de pedras fincadas surge apenas numa zona onde a muralha é inexistente.
Esta estrutura possui um carácter multi-funcional defensivo e monumental. A sua distribuição ao nível peninsular centra-se em três regiões com escassa ou nula relação espacial entre elas.
O principal elemento comum entre estas regiões onde se verifica uma concentração de sítios com fortificações com pedras fincadas é possivelmente a abundância de matéria- prima na sua envolvente (Moret e Berrocal Rangel, 2007).
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Figura 11 –Pendente Este do Castro de Segóvia
No caso particular de Segóvia, a matéria-prima empregue da edificação das estruturas defensivas, muralha e pedras fincadas, corresponde ao substrato geológico local.
As pedras fincadas não possuem um ordenamento ou dimensão pré-definida, parecendo ter sido colocadas aleatoriamente no terreno, dispersas por toda a plataforma inferior do lado Este.
Dado que o afloramento rochoso apenas está visível na parte mais alta do cabeço e que os elementos pétreos perceptíveis na restante área correspondem a estruturas edificadas, consideramos ter existido uma acção antrópica com uma intencionalidade defensiva. Lamentavelmente por imperativos de tempo os trabalhos de campo realizados em 2009 não puderam contemplar, devido à dimensão da área a limpeza e registo detalhado desta realidade, ficando, deste modo e aberto a caracterização pormenorizada desta estruturação.
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