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Vold som strategi

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4.4 Ulike grader av femininitet

4.4.2 Vold som strategi

O agressor não escolhe por vontade própria ser assediador, é um processo inconsciente. O assediador é imbuído de sentimentos que o levam a cometer assédio, ele tem necessidade de ser admirado, de sentir-se superior. Para o assediador, dominar a vítima é uma realização, uma forma de mostrar seu poder para si e para os outros (Vicker, 2002), pois o medo e a insegurança lhe corroem a vida profissional. O medo é um sentimento normal e importante para garantir a sobrevivência humana. Ter medo garante a segurança, no entanto, quando o medo é demasiado intenso, faz com que se perca o bom senso, ultrapassando o limite da sensatez. O trabalhador, possuído de um forte medo de perder o emprego, o cargo, o prestígio e a acensão profissional, passa a perseguir o colega de trabalho. Por acreditar que seus interesses estão em risco, o que nem sempre corresponde à verdade, o outro é visto como um inimigo ameaçador. Ao mesmo tempo é tomado de insegurança e medo de ter suas fraquezas descobertas, por este motivo, o assediador tenta sufocar qualquer tipo de crítica ou questionamentos em relação ao

seu trabalho ou atitudes. “O indivíduo que tiraniza seus subordinados é um inseguro por excelência” (Prata, 2008, p.153).

O ser humano é dotado de sentimentos como vontade de poder, vaidade, orgulho, narcisismo, egocentrismo e inveja, sentimentos que não são patológicos, ao contrário são normais. As pessoas gostam de ser valorizadas, reconhecidas e por vezes manipulam situações para se favorecer (Fridmam e Schstack, 2004). O problema reside, no ponto em que esses sentimentos ultrapassam os limites da normalidade, tornando-se um aditivo para o assédio moral e outros comportamentos inadequados e patológicos.

Maslow (Friedman e Schustack, 2004) na sua teoria criou a pirâmide da hierarquia de necessidade para descrever as necessidades humanas. Nas duas últimas fases da pirâmide, ele fala da estima e realização pessoal. Na fase da estima, o autor fala da necessidade do reconhecimento, o ser humano necessita que o outro reconheça suas capacidades e habilidades. Na realização pessoal, a pessoa procura ser aquilo que ela pode ser. Ser visionado, estar em destaque, ser reconhecido são desejos que o assediador nutre, e tudo fará para garantir tê-los. O filósofo Alemão Nietzsche escreveu o livro “Vontade de Poder” (2008), no qual discorre sobre o desejo humano de poder, o desejo humano de ser legitimamente soberano em relação a todos os outros, de apresentar a si mesmo como fim último da existência. Segundo o filósofo, o poder age nos homens como uma força que precisa ser despertada, mas para isso precisa encontrar algum tipo de resistência, para que possa ser efetuada e ao mesmo tempo ser mostrada aos demais. A vítima de assédio é alguém com quem o assediador pode mostrar todo seu poder e alimentar seu desejo de poder; quanto maior a dor e o sofrimento da vítima, maior é a sensação de poder do assediador.

A vaidade é outro sentimento presente no assediador. A vaidade é o sentimento de atrair a admiração e está relacionada com o sentimento de inferioridade; quem está seguro de suas competências e habilidades não está em busca da aprovação do outro. Já os vaidosos e inseguros “procuram criar nos outros, a seu respeito, uma boa opinião que eles não têm de si” (Nietzsche, 2004, p.189). A vaidade é um sentimento presente na natureza humana, alguns demonstram sua vaidade na

aparência, ou mesmo na sua generosidade, gloriando-se de ser generoso. A vaidade faz surgir uma alegria efémera, rapidamente passageira, que precisa ser renovada constantemente. A pessoa dominada por esse sentimento é conhecida como narcisista, escrava da própria vaidade, a pessoa é obrigada a qualquer sacrifício para ostentar sua vaidade. São comuns os exemplos de pessoas que, em nome da beleza, sacrificam a saúde e o bem-estar. No mundo do trabalho, altamente competitivo, a vaidade do assediador não permite que ele se defronte com alguém que tenha virtude ou qualidade maior que a sua, “a vaidade dos outros só nos contraria quando vai contra a nossa vaidade” (Nietzsche, 2004, p.98).

O agressor é normalmente uma pessoa orgulhosa. O orgulho decorre do amor- próprio, de reconhecer seu próprio brio. Em certa medida o orgulho é bom para autoestima, porém o orgulho em exagero leva à crença de que se é melhor do que o outro. A bem da verdade, sempre existirá alguém com uma ou mais qualidades maiores que as do outro, a cada ser humano é dada uma virtude maior em algo e uma dificuldade em outra. Porém, para o orgulhoso, dotado de um sentimento de inveja e inferioridade, é inconcebível que o outro tenha virtude maior que a sua. O orgulhoso tem dificuldade em aceitar as críticas, preferindo o convívio com os bajuladores. O orgulhoso não gosta de ouvir a verdade, nem consegue pedir ajuda. No assédio moral, o orgulhoso assediador pode perseguir sua vítima em virtude de reconhecer nela virtudes que lhe faltem, ou mesmo por não conseguir admitir os erros que tenha cometido em relação à vítima. O orgulhoso não consegue reconhecer suas falhas, nem pedir desculpa. Um pedido de desculpa, além de fazer reconhecer seu erro, implica para o orgulhoso a possibilidade de perder sua autoridade e imagem de competente.

A inveja talvez seja o sentimento mais negado pelo ser humano, a maioria das pessoas não admite sentir inveja. Prata (2008) coloca que a inveja é o sentimento necessário à preservação e evolução da nossa espécie. Cada conquista do outro gera o sentimento de desejar avançar, de também conquistar o que o outro já conquistou. Quando um trabalhador recebe uma promoção, cria no demais o desejo de também serem promovidos e se esforçarão para tal. Pode-se dizer que essa é uma inveja saudável que gera uma competição saudável. Por outro lado existe a

inveja predatória, aquela que tenta aniquilar o outro. O primeiro exemplo de inveja predatória é encontrado na Bíblia, quando Caim possuído de inveja, mata seu irmão Abel. A inveja tem estreita relação com uma autoestima baixa. O invejoso se sente infeliz pela conquista do outro, ou por não possuir o que o outro conquistou ou porque a conquista do outro põe em perigo o seu lugar. Esse pensamento não corresponde à realidade, porém o invejoso acredita que o outro é um risco para si. O invejoso não admite para si mesmo tais sentimentos, e finge desprezo pelo objeto de conquista do outro. A inveja foi o sentimento mais citado pelas vítimas de assédio moral (Prata, 2008).

O agressor teme aquele profissional que se destaca pelo seu trabalho, pela sua criatividade, pela sua competência interpessoal, pois o trabalhador competente ameaça o lugar que o assediador teme perder. Na tentativa de se defender e defender seus interesses, o assediador buscará as falhas e caçará em sua vítima tudo que possível para desqualificá-lo, até mesmo poderá tecer comentários inadequados para tornar o ambiente de trabalho hostil a sua vítima. Qualquer coisa pode ser objeto de inveja; por mais insignificante que pareça para alguns, o objeto de inveja assume importante significado para quem o deseja.

Normalmente, o assediador é composto de um misto de sentimentos: inveja, orgulho, medo, insegurança, baixa autoestima, que o levarão à prática do assédio moral, pois o assédio funciona como uma maneira de o agressor manter seu próprio equilíbrio.

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