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Durante os trezentos anos de governo ptolomaico, a história de Alexandria se caracterizou pela negociação constante dos reis macedônios com os nativos, pois a dinastia teve que incorporar elementos da cultura faraônica e aceitar a autoridade dos templos para ser aceita e legitimada no Egito. Porém ao mesmo tempo, os reis nunca hesitaram em reforçar a percepção da superioridade da cultura grega, algo manifestado claramente na criação de instituições que preservariam e afirmariam incessantemente a força da herança clássica promovida pela dinastia. Assim, o Museu e a Biblioteca foram os lugares por excelência onde a cultura grega foi perpetuada, reproduzida e estimulada. Através das duas instituições, a Grécia Clássica pôde se manter viva e pulsante. Esses centros de perpetuação do conhecimento grego e da produção de novos saberes foram fundamentais para tornar Alexandria cada vez mais notória naquele mundo. Por meio dos estabelecimentos, o ideal de promover a imagem de uma Alexandria essencialmente grega era nítido, já que a base dos conhecimentos estava nos autores clássicos, mesmo que servissem apenas de inspiração para novos escritos.

As duas instituições não eram estáticas e muito se transformaram no decorrer da história alexandrina, embora no contexto de implantação e desenvolvimento pelos primeiros Ptolomeus, o ideal era reforçar ali o conhecimento de um cânone grego básico para helenos de origens diversas e com pouco em comum. No contexto da decadência de Atenas como a principal metrópole intelectual do Egeu, o enfraquecimento cultural foi percebido pelos reis do Egito. Assim, em certo sentido, Alexandria foi desenvolvida para preencher esse vazio e se tornar a “nova Atenas”. Atenas não perdeu o seu espaço como centro educacional, mas deixou de ser a única opção entre os eruditos quando passou a competir com Alexandria. Aproveitando-se de sua preponderância política nas terras conquistadas por Alexandre, os reis investiram grandes somas para atrair para a sede real “especialistas” das mais variadas regiões. Dessa forma, era reunido um grupo de estudiosos itinerantes, que aperfeiçoavam seus conhecimentos no Museu e

produziam saberes inovadores, por meio da troca de informações e da experimentação em novos setores.

Através do patrocínio real, a corte helenística atraiu para a metrópole, pensadores de todo o mundo grego, muitos dos quais já tinham perdido o forte vínculo com suas terras de origem (FRASER, 1972, p. 306). Assim, essa “intelligentsia” do Museu e da Biblioteca estabeleceu uma ligação forte com os reis (FRASER, 1972, p. 310). Em seu período de formação não há como dissociar as instituições de um ideal de legitimar a nova realeza instalada em território egípcio, tanto que, quando a dinastia entrou em crise e interrompeu esse patrocínio, houve um grande afluxo de eruditos da cidade, que começaram a migrar para outros centros. Assim, a efervescência intelectual de Alexandria começou a diminuir ainda no período helenístico. Segundo Fraser (1972, p. 79), a situação insegura da cidade não era mais atrativa para a elite cultural. O historiador ressalta que o patrocínio real foi um fenômeno predominante do séc. III e aumentou novamente com Cleópatra e Aulete (1972, p. 312). O fim do patrocínio para as artes causou aos poucos uma “alienação” em Alexandria, pois sua elite intelectual e crítica começou a emigrar da cidade, e Roma absorveu essa saída de estudiosos alexandrinos (FRASER, 1972, p. 809). Apesar de perder força no século II e diminuir o ritmo da produção de conhecimentos com o fim do patrocínio real, a interrupção pode também ter sido um fenômeno importante para dar vida própria às instituições até então completamente atreladas à realeza.

Para a formação da Biblioteca foi adquirido e copiado a maioria dos clássicos da literatura grega e de outros povos. Através da formação desse notável acervo, reuniu-se pela primeira vez e em enorme escala a cultura literária de diversas partes do mundo. Dessa forma, outros povos puderam pela primeira vez, explicar em grego suas tradições para os gregos (MOMIGLIANO, 1991, p. 14). Um intercâmbio intelectual e uma produção de saber ímpar foram sendo desenvolvidos entre os eruditos das duas instituições, e muitos desses estudiosos depois saíam de Alexandria para ensinar em outros lugares do Mediterrâneo. Ou seja, formou-se uma cultura de pensadores itinerantes e um acúmulo de conhecimentos, novos e antigos, compartilhado por essa “elite intelectual”. Dessa forma, Alexandria conquistou enorme atratividade, reunindo estudiosos de muitos lugares e levando seus sábios para outros locais, provocando assim, uma “integração das elites” e um saber comum e inovador. O conhecimento dos clássicos servia como um elemento forte de ligação e identificação entre os que o

possuíam. Nesse sentido, em um contexto de maior mistura entre povos a paideia era um eixo de unificação.

Edward Watts apresenta uma boa definição dessa rede intelectual que estava plenamente formada no Império Romano:

O mundo romano era uma vasta coleção de cidades e vilas espalhadas como ilhas por todo um mar de zona rural. Dentro dos limites dessa cidade estavam homens cultos, mas a conexão entre esses homens e seus compatriotas culturais era raramente sustentada por contatos cara a cara. Todavia, a administração do império se apoiava nesses homens, e qualquer um que esperasse ter seus interesses protegidos precisava desenvolver uma rede de conexões dentre a classe culta. A formação cultural e educacional compartilhada por todos se apoia no coração dessas redes. (2006, p. 7) 7

A tendência de muitos estudiosos de saírem de suas terras nativas para aprender com um professor renomado ou em um centro intelectual específico ajudou a reforçar a conexão entre a elite intelectual (WATTS, 2006, p. 9). Toda essa “rede intelectual” foi se configurando desde o início do período ptolomaico e teve Alexandria como o maior centro.

Fala-se muito da decadência das instituições na era imperial, no entanto, por mais que sua efervescência tenha diminuído, continuaram exercendo prestígio entre os intelectuais do império. Além disso, a simbologia atrelada aos estabelecimentos não se perderia tão facilmente. Watts (2006, p. 152) sugere que por proporcionar um conhecimento compartilhado e acessível a todos que circulavam na Biblioteca, a instituição pode ser vista como um fator de integração das elites acadêmicas do Mediterrâneo, pois os intelectuais posteriormente levavam o saber adquirido para outros locais, fazendo a sabedoria circular por várias regiões. Desde a fundação, o Museu e a Biblioteca começaram a produzir um alto nível de cultura intelectual em Alexandria, tornando a cidade atrativa para uma grande multiplicidade de estudantes (WATTS, 2006, p. 147).

Apesar da redução de patrocínio à imigração de intelectuais para a Biblioteca no Império, o patrocínio ao Museu continuou e aumentava ainda mais conforme alguns

7“The Roman world was a vast collection of cities and towns scattered like islands throughout a sea of countryside. Within this city were cultivated men, but the connection of these men to their cultural compatriots were rarely sustained by face-to-face contact. Nevertheless, the administration of the empire rested upon these men, and anyone who hoped to have his interests protected needed to develop a network of connections among the cultured class. The common cultural and educational background that they all shared lay at the heart of these networks.”

imperadores se interessassem pela instituição. Era comum também que esses eruditos se destacassem na vida pública de suas cidades, pois muitas trocas intelectuais aconteciam através da política. Autores importantes de outros centros gostavam de visitar Alexandria, mesmo que não se fixassem na cidade, talvez para divulgar seus trabalhos e obter reconhecimento (WATTS, 2006, p. 153-154).

Alan Bowman (2010, p. 105) destaca que sob o império há evidências para atividades mercantis realizadas dentro da elite intelectual alexandrina. Assim, não eram grupos tão separados como se supunha. Tais vestígios sugerem que não se tratava de uma elite isolada e alheia à dinâmica da metrópole, mas envolvida e consciente do ritmo vertiginoso de comercialização da região, na qual Alexandria tinha um papel preponderante.

Devido à circulação de saberes e de ideias proporcionada por essas instituições, elas tiveram um importante papel em reunir homens com interesses intelectuais comuns, mesmo que fossem de etnias e religiões diferentes, e tais eruditos viajavam com frequência para Roma (CAPPONI, 1975, p. 9). A presença desses homens na capital do Império talvez ajudasse a anunciar a importância de Alexandria, dos saberes lá produzidos e das contendas vivenciadas pelos seus habitantes, o que chamou a atenção para a sua efervescência cultural e social. Ou seja, trata-se de um momento de intercâmbio intenso e de diálogos profundos entre culturas diversas, e Alexandria foi colocada no centro desse processo.

A Biblioteca de Alexandria teve um papel crucial na disseminação dos clássicos gregos e na sua preservação para a posteridade. Dessa forma, o Egito foi a fonte através da qual grande parte dessa literatura chegou a Roma. Sem a Biblioteca e os escritores do círculo de Calímaco, a literatura da Roma de Augusto seria de uma natureza muito diferente, embora os escritores romanos dificilmente atribuíssem sua ancestralidade literária ao Egito (DALBY, 2000, p. 172).

Alan Samuel (1983, p. 67-74) enfatiza o conservadorismo dos gregos nessas instituições, justificando que seus membros aceitavam pouquíssima literatura de outros povos em seu cânone, e que mesmo a literatura contemporânea grega tivera pouca aceitação nos círculos literários. Ou seja, dever-se-ia preservar não apenas os escritos gregos, mas principalmente autores tradicionais como Homero. O autor afirma que dentre os novos textos produzidos em Alexandria, se tornaram mais populares àqueles inspirados nos modelos gregos anteriores, e criados no ambiente de edição e

reinterpretação dos clássicos. Samuel realça ainda que, mesmo quando algum escrito egípcio alcançava a Biblioteca para ser retrabalhado, seu conteúdo era relativamente helenizado e esvaziado de sua base egípcia. Tal situação se explicava não apenas pelo conservadorismo dos gregos com relação ao seu cânone, mas também pela ausência de uma produção literária mais sistemática dos egípcios. Uma prova disso é que o interesse dos gregos por questões egípcias era maior que o dos próprios nativos, e mesmo dos alexandrinos, por temáticas nativas. Samuel constrói o seu argumento com base na realização de um levantamento quantitativo de papiros encontrados no período. A maior parte desses escritos são cópias de escritores do séc. V a.C. e anteriores, tendo permanecido pouco de escritos alexandrinos contemporâneos, e ainda menos de referências cruzadas à literatura egípcia (1983, p. 71-72). Seu raciocínio é convincente, porém ao querer reforçá-lo em todas as esferas, tende a ignorar os exemplos contrários à sua tese, ou seja, aqueles de originalidade e inovação do ambiente alexandrino. Quando o autor se depara com tais situações, as desconsidera e as entende como exceções.

Stephens (2003, p. 251-254) destaca a importância da Biblioteca para reforçar a noção de coletividade grega. No entanto, a autora argumenta que mesmo os clássicos gregos sendo a base de quase todos os poetas e eruditos da Biblioteca, estes eram muitas vezes usados para adaptar mitos gregos a uma nova realidade. De qualquer maneira, sabe-se muito pouco sobre o funcionamento das instituições e dos conteúdos trabalhados no local. Com relação à Biblioteca, a maioria dos escritos preservados refere-se a versões de reedição e reinterpretação de Homero. Tais gramáticos e editores alexandrinos foram cruciais ara a preservação dos textos homéricos.

Como já foi dito, os problemas dinásticos e a crise na realeza resultaram na interrupção de patrocínio aos estudiosos, que, consequentemente, começaram a sair de Alexandria em busca de outros locais de trabalho. Assim, ocorreu uma diáspora da intelectualidade alexandrina, que começou a levar o conhecimento lá adquirido para outros núcleos, resultando em um fortalecimento, expansão e integração dos conhecimentos da elite intelectual do Mediterrâneo.

Infelizmente as poucas fontes disponíveis a respeito das instituições são tardias (do período romano) e remetem mais ao prestígio que legaram, do que ao seu funcionamento e história no tempo de maior efervescência. Ou seja, sobreviveram na documentação mais como um mito a ser desvendado pelos historiadores contemporâneos.

Mesmo que no período romano os dois estabelecimentos já não tivessem mais o esplendor e fervor da época dos Ptolomeus, ainda dispunham de prestígio, renome e impunham respeito pelo trabalho realizado no passado. Nesse sentido, muito ainda se falava das instituições, e o fato de a maior disponibilidade de relatos ser da época imperial, indica que o fascínio e o respeito pelos órgãos permaneceram, mesmo depois do enfraquecimento como centros de difusão de saberes.

A despeito da intensa produção literária realizada na Biblioteca, e dos trabalhos de reedição e revisão de clássicos gregos, é intrigante o fato de não ter sobrevivido nenhum relato minucioso a respeito da história de Alexandria, na perspectiva dos nativos e intelectuais que trabalhavam nos acervos. Por que uma cidade com tamanha cultura literária legou tão pouco de sua própria história? Como as duas instituições priorizavam os conhecimentos clássicos e novas interpretações da literatura grega talvez interessasse pouco mapear uma nova história de Alexandria, pois a memória reforçada pelos autores era justamente a ligação da cidade com o passado grego. Como Alexandria era uma cidade nova, planejada e sem uma tradição consolidada, era necessário fabricar sua memória e associá-la ao passado grego de mais prestígio, criando assim uma identidade alexandrina ligada à experiência grega. Até mesmo os “nacionalistas” da cidade, os gregos do Ginásio, estavam mais interessados em criticar o império e exaltar a cidade de forma indireta, do que em elaborar uma memória própria de Alexandria8. Criticar Roma talvez tivesse efeitos mais imediatos do que produzir uma literatura mais focada nas antiguidades alexandrinas.

A obra de Robert Smith The Art of Rhetoric in Alexandria: Its Theory and

Practice in the Ancient World (1974) é o único trabalho conhecido voltado para os usos da retórica em Alexandria. Portanto, trata-se de uma inestimável contribuição para entender a vida intelectual da cidade. O autor analisa a abrangência da prática da retórica na metrópole, e conclui que principalmente no período romano, conforme Atenas minguava como autoridade no assunto, o treinamento retórico ensinado desde o período ptolomaico se intensificou em Alexandria, com a chegada de imigrantes treinados no tema. No entanto, é perturbador o fato de terem sido preservados apenas os exercícios de retórica influenciados pelos antigos oradores gregos, enquanto em Roma estava se desenvolvendo uma tradição mais voltada para as cortes. Apesar da popularidade de oradores latinos como Cícero no império, não há evidências da

popularidade de nenhum deles em Alexandria (1974, p. 111-113). Os exemplos trabalhados pelos alunos eram situações da antiga história grega, e não foram encontrados modelos de conjunturas mais contemporâneas debatidas pelos estudantes (1974, p. 119). Smith enfatiza o fato de não ter se desenvolvido em Alexandria uma escola que abordasse as questões cívicas e polêmicas ocorridas da cidade. Ao invés disso, os ensinamentos continuavam presos nos exemplos gregos do passado, enquanto a própria Alexandria com todos os seus problemas entre as comunidades cívicas teria sido o contexto ideal pra isso (1974, p. 137).

É intrigante que justamente os alexandrinos, famosos naquele contexto por testarem a lei até os seus limites, não deixaram testemunhos de seus debates nesses treinamentos em retórica (SMITH, 1974, p. 120). A situação não poderia ser uma consequência da vigilância cerrada imposta por Roma? A vigília teria resultado em uma espécie de “censura” nesse meio letrado, promovendo uma ênfase maior nos divertimentos e na preservação da memória helênica antiga para reforçar continuamente a identidade grega da cidade. Bowman (2007, p. 177) ressalta a frequência de viagens dos intelectuais alexandrinos no período de Augusto, sugerindo que a circulação dessas elites intelectuais ainda era constante e que a cidade continuava preponderante no seu papel como centro de estudos. Mesmo que a educação pós-elementar estivesse disponível também em outras grandes metrópoles, a reputação de Alexandria como um núcleo de estudos renomado atraía aqueles pais ansiosos para providenciar aos filhos uma educação grega completa (ROWLANDSON; HARKER, 2004, p. 145).

Ballet (1999, p. 145) questiona sobre podermos ou não chamar Alexandria de a “nova Atenas” e argumenta que a metrópole nunca substituiu totalmente a capital intelectual do mundo grego com relação ao saber global e conceitual, voltado para novos conceitos de ciências, linguagem e nutrido de projetos filosóficos. O saber acumulado em Alexandria não suscitava reflexões originais sobre o homem e o cosmos, pois preservava principalmente os conhecimentos antigos. Os gêneros popularizados em Alexandria como a mímica e as novelas eram inspirados nas antigas tragédias e comédias gregas e mais voltados para os divertimentos e para a descontração, do que para temas filosóficos (BALLET, 1999, p. 173). Comparada à Atenas, faltava a Alexandria uma tradição literária própria. Assim, tratava-se de outro tipo de helenismo, que para se difundir teve que adotar a tradição literária da Grécia Clássica. Nesse sentido, é provável que a “modernidade” de Alexandria fosse vista pelos gregos como

um fator de diferenciação, inferiorizando a nova metrópole. Trapp (2004, p. 127-128) argumenta que até mesmo Náucratis tinha mais prestigio entre alguns gregos pela sua antiguidade em relação a Alexandria, por sua tradição mais “sólida” e por ter sido formada por colonos fechados para o ambiente externo e novas influências.

Sob o Império Romano, Alexandria não era mais o centro cultural imponente que fora sob os Ptolomeus, mas sua população continuava sofisticada e amava os “prazeres da vida”. Jones (1978, p. 37) ressalta sua adoração por diversão, piadas e brincadeiras e seu repúdio por autoridades. Dessa forma, além dos aspectos culturais, Alexandria também se tornou atrativa como um centro de entretenimentos. No período romano, os alexandrinos ficaram conhecidos por sua devoção ao teatro, a espetáculos públicos e divertimentos, o que lhes rendeu uma fama de debochados, engraçados e pouco concentrados em assuntos que demandavam seriedade. Haas (1997, p. 84) observa que procissões e espetáculos públicos de homenagem ou demonstração de hostilidade a indivíduos eram comuns em Alexandria.

Os locais para entretenimento e festivais foram todos construídos sob os Ptolomeus, que não economizaram em festas para exaltarem a si mesmos e se popularizarem (MCKENZIE, 2008, p. 48). Alguns espaços foram inovados ou transformados no período romano, como o hipódromo que se transformou em circo para a corrida de cavalos, embora ainda fosse usado como estádio pelos atletas (MCKENZIE, 2008, p. 220). Apesar da fama dos alexandrinos como “baderneiros” ter se difundido principalmente no Império, confusões decorrentes de corridas de cavalos já são mencionadas pelo poeta do período ptolomaico Teócrito (STEPHENS, 2003, p. 248). Mckenzie (2008, p. 112) identificou a influência da pintura alexandrina em Roma, introduzida por artistas alexandrinos moradores da metrópole, ainda no período ptolomaico. O número de egípcios em Roma aumentou consideravelmente as relações comerciais e os contatos culturais, dentre esses egípcios havia escravos, músicos e atores.

O objetivo até aqui foi ressaltar a notoriedade e importância de Alexandria em variadas esferas e demarcar os elementos que a destacavam e a tornavam objeto de admiração e atenção diante de Roma. Já foi realçada a centralidade cultural da metrópole e sua posição como ponto de encontro de muitos povos, mas toda essa agitação da cidade não teria sido alcançada sem a sua dinâmica comercial.