2 Teoretiske perspektiver
3.1 Om valg av design
3.1.1 Vitenskapsteoretisk ståsted
De acordo com o objetivo proposto para presente estudo, procurou-se verificar as transformações ocorridas na indústria editorial de livros no Brasil face da abertura da economia ao mercado mundial e sob o prisma da afirmação de GONÇALVES (1999) de que a globalização é a concomitância de três conjuntos de determinantes, de conteúdo tecnológico, político e econômico.
Sobre a dimensão da evolução tecnológica podemos concluir que as transformações foram relevantes para a indústria nacional no sentido de que o acesso a novas tecnologias, principalmente a renovação da indústria gráfica, e aquisição de
sistemas de editoração mais avançados, reduziu as barreiras à entrada de novos concorrentes e tornou mais fácil o exercício da atividade do editor. Da mesma forma as tecnologias de informação e de informática simplificaram os mecanismos de controle e gestão das empresas. A Internet sobre a qual se gerou muita expectativa inicialmente, está exercendo papel importante no mercado, como ponto alternativo de compra pelos consumidores, enquanto que o volume de comércio por meio deste canal vem evoluindo gradualmente. Os canais tradicionais permanecem sendo importantes na cadeia de comercialização. As expectativas também geradas em torno do livro eletrônico e dos novos materiais, tais como o e-paper, são interpretadas com certo ceticismo pelos editores e, de parte destes os esforços permanecem no sentido de manter-se a mídia tradicional impressa, até que surjam opções capazes de substituí-la não só como meio de publicação, mas como tecnologias capazes de remunerar adequadamente o capital cultural e intelectual envolvido na produção editorial e a cadeia de produção como um todo.
Identificou-se também que as tecnologias envolvidas na produção de livros são basicamente ferramentas de editoração e o suporte da indústria gráfica. Em ambos os casos a origem das tecnologias utilizadas é predominantemente importada, com exceção dos softwares de gestão que são recursos desenvolvidos no Brasil. Os esforços de P&D que eram mínimos antes da abertura da economia hoje praticamente não existem.
Os resultados obtidos corroboram as informações apresentadas na fundamentação teórica (Item 2.1.3.1) no sentido de que: a) houve melhoria em termos de atualização tecnológica; b) as melhorias foram realizadas mediante aquisição de tecnologias importadas em sua maioria; c) o investimento em P&D foram reduzidos e perderam sentido diante de recursos tecnológicos importados mais baratos; d) expandiu- se o uso da tecnologia da informação, de ferramentas modernas de gestão; e) o comércio eletrônico apresenta participação crescente no mercado de livros; f) e, apesar do faturamento crescente do setor, os avanços tecnológicos não significaram crescimento do mercado quando descontada a inflação.
A política liberalizante do anos 90 que facilitou a entrada de produtos, máquinas e equipamentos, recursos tecnológicos, capital, etc., aliada a redução da inflação e da estabilização do câmbio atraiu a atenção das editoras estrangeiras interessadas principalmente em explorar o potencial do mercado brasileiro.
Do ponto de vista político não houve mudanças significativas diretas em termos de regulação do setor. Houve, contudo uma postura compradora mais agressiva de livros didáticos por parte do governo federal, o que também pode ser uma decorrência da necessidade de melhorar os níveis de educação e de qualificação da população em preparação para um país de economia aberta e carente de recursos humanos mais instruídos e preparados para enfrentar a concorrência internacional. Este aumento das compras governamentais por outro lado acaba sendo outro aspecto a atrair os editores estrangeiros.
A produção literária nacional, por sua vez, tem hoje qualidade reconhecida e conquistou um espaço importante de forma que os autores nacionais predominam entre as obras publicadas no Brasil. Esta qualidade literária, ou seja, de matéria-prima abundante, aliada à melhoria da oferta do parque gráfico em termos de tecnologia e de quantidade de empresas, bem como aos melhores índices de educação e das compras governamentais crescentes, são aspectos que atraem os investidores estrangeiros em busca de mercados com potencial de crescimento. Principalmente os grandes grupos que dispõem de recursos para investimento e que são originários de mercados maduros, tais como Europa e Estados Unidos, onde altas taxas de crescimento são mais difíceis de serem alcançadas.
O modo de entrada das editoras estrangeiras é preferencialmente mediante a compra de editoras nacionais, o que encurta o caminho para a formação de um acervo de títulos e autores. Para editoras que atuam mundialmente isso significa a possibilidade de exploração em escala mundial da produção literária dos autores brasileiros. Diante disso os anúncios de novos grupos internacionais interessados no Brasil tornam-se cada vez mais freqüentes.
Essa transferência crescente dos direitos dos autores nacionais para as mãos do capital externo ainda não preocupa, mas merece um acompanhamento já que as editoras estrangeiras devem estar negociando contratos com os autores nacionais incluindo direitos de reprodução de suas obras no exterior. Isso por um lado é bom porque divulga a cultura nacional no estrangeiro, mas por outro lado limita o poder de captação e manutenção de autores pelas editoras nacionais. As empresas que atuam exclusivamente no Brasil dispõem de menor poder econômico para financiar a antecipação de direitos autorais, principalmente se considerado, além do poder
proporcionado pelos ganhos de escala internacional das editoras estrangeiras, o alto custo do capital no Brasil.
A participação cada vez maior do capital externo na detenção dos direitos sobre a produção literária e do mercado editorial brasileiro contribui para o aumento da vulnerabilidade externa do país já que boa parte dos recursos da venda dos direitos que revertem para o país pode acabar sendo remetidos ao exterior na forma de remessas de lucros pelas empresas estrangeiras aqui estabelecidas.
O ingresso de estrangeiros mediante aquisições não significa necessariamente aumento da concorrência, mas sim somente uma transferência do patrimônio e dos direitos sobre ele ao capital externo, ou seja, um processo de desnacionalização de setor.