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2 Teoretiske perspektiver

4.3 Om stolthet og lojalitet

Fizemos uma abordagem cronológica contendo uma pequena revisão bibliográfica que trata do cerne da pesquisa, ou seja, fala como o lúdico pode facilitar a aprendizagem em sala de aula.

A escola é considerada o espaço formal de ensino e aprendizagem, mas, muitas vezes, este processo em determinados conteúdos, como é o caso da saúde, é considerado pelos estudantes como algo enfadonho e de difícil compreensão.

Desde a Idade Média já se utilizava o lúdico como estratégia de aprendizagem. Nessa época o homem é sensível ao lúdico como parte da sua natureza metafísica, convive com o brincar, com o riso e valoriza a piada. Esta característica é destacada por Tomás de Aquino que situa o lúdico nos fundamentos da realidade, bem como, no ato criador da Sabedoria divina (LAUAND, 2006). Quer dizer, o lúdico é visto como a sabedoria de Deus, entendendo que Deus cria brincando, pois é próprio da sabedoria o ócio da contemplação de tal forma como ocorre nas atividades do brincar.

O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer dizer "jogo”. Se estivesse limitado a sua etimologia, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo.

Para Almeida (2009, p.1), o lúdico passou a ser reconhecido:

como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo.

Assim, quando o aprender envolve a ludicidade, o indivíduo é motivado a criar, a envolver-se nas atividades e isso viabiliza o desenvolvimento da autonomia e o prazer pelo novo conhecimento, o prazer por querer descobrir, o prazer do aprender e da descoberta.

Nessa perspectiva, a prática do lúdico permeia em certos aspectos a educação medieval, como ilustra o escritor Umberto Eco no centro da trama de sua obra “O Nome da Rosa” que é o impedimento medieval da leitura de um tratado de Aristóteles sobre o riso. Outros educadores medievais como Alcuíno, Petrus Alfonsus, Hoswitha de Gandersheim e D. Alfonso X, o Sábio, consubstanciam formalmente o lúdico como princípio pedagógico. Para eles e para Tomás de Aquino “deve-se” ensinar por meio do brincar. Esses pensadores da Idade Média, embora eruditos percebem quão acentuada é a pedagogia popular que acreditam viabilizar o aprender. São eles que nessa época afirmaram o lúdico em charadas, teatros, anedotas ou jogos como imprescindíveis para educação.

Segundo Lauand (2006) existem características semelhantes nesses educadores medievais, pois viam a religião como um tema transversal e que a partir dela podiam vivenciar o brincar de forma explícita com fortes finalidades metafísicas, afirmando que,

se a cultura erudita medieval tem esse cunho popular e lúdico, o que não dizer das manifestações culturais espontâneas do povo: o teatro anônimo, os cantadores de feira etc.? (LAUAND, 2006, p.4).

Assim, no processo de ensino e aprendizagem quando permeado pelo lúdico, o homem é convidado a aprender de uma forma diferente, a sentir prazer em buscar e, ao encontrar, ao descobrir vem a contemplação pela sabedoria. Tal contemplação pelo conhecimento é considerada a finalidade educativa da educação na proposta de Tomás de Aquino (LAUAND, 2006).

Santo Agostinho (354-430 citado por NEVES, 2007, p.1), afirma que “o lúdico é eminentemente educativo no sentido em que constitui a força propulsora de nossa curiosidade a respeito do mundo e da vida, o princípio de toda descoberta e de toda criação”. Segundo este autor, o lúdico pode ser uma importante metodologia para auxiliar no processo de ensino e aprendizagem contribuindo para a minimização das dificuldades dos estudantes, desinteresse, evasão, entre outros.

Já na época do Império observavam-se crianças brincando, seja com o imaginário ou com materiais concretos. Quer dizer, a mãe que brinca com a criança, o professor que possibilita situações lúdicas em sala de aula, independente da idade, viabilizam um espaço mais aconchegante e significativo para a aprendizagem desse indivíduo.

Entretanto, cabe destacar que o lúdico como qualquer outra estratégia educativa não é suficiente para articular todo o conteúdo do currículo escolar. Como outras estratégias de aprendizagem, apresenta possibilidades e limitações.

No que diz respeito às possibilidades, coloca o indivíduo em contato com o brincar, com o prazer em aprender, viabilizando a elevação da sua autoestima. É esse momento de jogo e brincar que permite ao educador perceber os aspectos emocionais envolvidos na aprendizagem.

As atividades lúdicas podem também ser utilizadas como mediadoras de avanços dos estudantes, tornando a sala de aula um ambiente de harmonia favorável para aprendizagem.

Segundo Neves (2007), estudos demonstram que as atividades lúdicas auxiliam aos estudantes a explorar sua criatividade, melhorar suas atitudes no processo de ensino e aprendizagem, pois realizam descobertas, inventam, elaboram estratégias e promovem mudanças. Com relação aos limites, este autor aponta para a impossibilidade de integrar todos os conteúdos do currículo escolar a partir dessa estratégia de aprendizagem.

Mas, Oliveira, Fontes e Teixeira (2005) chamam atenção para o cuidado ao utilizar o lúdico. Informam que muitas vezes ele é usado apenas para ocupar o tempo, sem nenhum objetivo definido, não sendo, portanto, percebido como atividades educativas. Daí a importância de se pensar no lúdico como uma ferramenta, um recurso que auxilia a atividade docente.

Tal ferramenta segundo Carvalho (2004) também foi utilizada em outras áreas do conhecimento, por exemplo, na Psicanálise era aplicada para aprofundar o simbolismo inconsciente do jogo. Outros autores vão além desta possibilidade. Para Weiss (2003), a palavra ‘lúdico’ vai além do sentido processual de “jogar”, mas também de “brincar”, “representar” e “dramatizar” como condutas semelhantes na vida infantil. Nesta mesma linha encontramos Jean Piaget em suas pesquisas sobre construção do pensamento e da sociabilidade, mostrando a elaboração do jogo nas diferentes idades, o que nos permite ter alguns parâmetros para a observação do jogo infantil.

A atividade lúdica encontra papel educativo no desenvolvimento infantil importante na escolaridade das crianças que vão conhecendo, se desenvolvendo, se

familiarizando e construindo o mundo a partir de intercâmbios sociais, das diferentes histórias de vida das crianças e dos pais, e dos professores.