9. Diskusjon av implikasjoner fra Basel III
9.4 Virkninger for makroøkonomien
A partir dos objetivos propostos, observamos a necessidade de analisar as dimensões do evento por meio de olhares diferentes para,
em seguida, identiicar os principais atributos observados e se eles apresentam convergências, contraposições ou ausência de qualquer relação entre si. Retomando o problema de pesquisa “como a Parada da Diversidade de Bauru representa as lutas do movimento homos- sexual nessa cidade”, pretendemos compreendê-lo com base nos resultados obtidos.
Para isso, foram estabelecidas três categorias a partir das di- mensões de um evento propostas por Rennan Mafra, deinidas como “espetacular”, “festiva” e “argumentativa”. Inserimos ainda uma quarta que, sob a ótica das relações públicas, relete a imagem do evento: a “organização” que remete à eicácia do planejamento. Propõe-se identiicar, por meio de cada um dos métodos utilizados para a coleta de dados, quais são as dimensões que se sobressaem, permitindo, então, inferências sobre as representações que o evento constrói. Resumidamente, as dimensões constituem:
• Espetáculo: instaura um âmbito extraordinário, com o ob- jetivo de capturar a atenção do público, instaurando um estado de contemplação nas pessoas, compreendidas como audiência;
• Festa: potencializa os vínculos entre os públicos, deinidos como participantes, ao promover o envolvimento senti- mental e afetivo através do divertimento e da cerimônia; • Argumentação: produz elementos para justiicar uma ação,
e estimula o diálogo, tendo o público como interlocutor. • Organização: remete à etapa inicial do planejamento de um
evento, no qual são elencadas as ações necessárias para sua realização e a preparação para eventuais intercorrências, a im de evitar qualquer mácula à imagem do evento. Embo- ra a etapa do pré-evento seja o momento de se estruturar o planejamento, o recorte desse trabalho tem como foco os resultados observados durante o evento.
Diante da deinição das categorias expostas, foram aplicados três métodos distintos para a coleta de dados. Como o corpus de aná-
lise é a Parada da Diversidade, é importante ressaltar uma de suas características básicas enquanto evento: sua realização ocorre em um momento único. Por isso, para responder ao problema e ques- tões de pesquisa desse estudo, entendemos a importância de uma observação presencial do evento para captar detalhes que possam se enquadrar nos critérios já estabelecidos para análise, por meio da realização de uma observação sistemática presencial.
Retomando os conceitos apresentados pela Teoria da Agenda e enquadramento, e considerando a relevância dos veículos noticiosos para pautar os temas para a agenda do público, bem como para pro- mover visibilidade às lutas do movimento da diversidade de Bau- ru, julgamos fundamental, para os objetivos do presente trabalho, compreender quais são as representações mediáticas construídas por meio da cobertura jornalística do evento.
O terceiro método utilizado foi a entrevista com três represen- tantes da ABD, que participaram efetivamente da organização do evento. Os entrevistados estão diretamente envolvidos com a área de comunicação do movimento e estão ligados ao movimento desde o início, em 2008.
Cada um dos métodos apresenta, inicialmente, a descrição dos dados e, em seguida, a análise interpretativa. Os dados e as conclu- sões obtidas com cada um dos três métodos foram utilizados para se chegar às respostas das questões de pesquisa e retomar o proble- ma de pesquisa a im de identiicarmos se a visão e os propósitos dos organizadores estão condizentes com o que foi apresentado no evento e com as representações mediáticas construídas pelas ma- térias dos jornais impressos. Assim, foi realizada uma triangula- ção dos métodos conforme sugerem os pesquisadores de estudo de caso, Gil (2009) e Yin (2010), a im de promover a convergência de evidências e, então, apresentar as conclusões dessa pesquisa. Va- mos, agora, especiicar um pouco mais os métodos da triangulação e como foram utilizados.
Observação sistemática presencial
A observação é um dos recursos mais importantes para a obten- ção de dados na investigação cientíica, conforme aponta Antonio Carlos Gil. Em outros delineamentos de pesquisa, ela pode ser o único procedimento para a coleta de dados, já nos estudos de caso, a observação está sempre acompanhada de outras técnicas e métodos e sua importância está na aproximação do pesquisador com os fatos, que são percebidos sem intermediação. Antonio Carlos Gil explica que “é mediante a observação que o pesquisador entra em contato direto com o fenômeno que está sendo estudado” (Gil, 2009, p.71). Há diversas modalidades de observação e o pesquisador deve optar por aquela que atenda aos objetivos propostos.
Para esse estudo foi utilizada a observação sistemática presen- cial. Nessa modalidade, o pesquisador estabelece o que deverá ser observado. Por isso, é necessário estabelecer os critérios que deverão nortear a observação, por meio de um plano de observação que deve- rá contemplar ainda as formas de registrar a observação e a organiza- ção das informações, conforme explica Gil (2009).
Por se tratar de um evento de grande porte, a observação foi rea- lizada com o apoio de seis colaboradores voluntários, orientados pela pesquisadora. Com base nos estudos de Marconi e Lakatos (2010), as ocorrências puderam ser observadas por vários ângulos a im de evitar que acontecimentos relevantes pudessem icar despercebidos. Outro ponto importante da observação em equipe é a oportunidade de confrontar os dados coletados.
Os colaboradores receberam material de apoio para a pesquisa contendo prancheta, papel sulite, caneta e as orientações impressas com questões que deveriam auxiliar nos aspectos a serem observa- dos para se enquadrarem nas categorias de análise. Cada um utilizou também câmera fotográica ou aparelho celular pessoal para regis- tros de imagens que pudessem ilustrar situações observadas. Os colaboradores foram alocados em pontos distintos e acompanharam todo o trajeto da Parada, desde o início da concentração até o parque Vitória Régia, onde foi realizado o show de encerramento do evento.
A descrição da observação consta nesse trabalho a partir das considerações da pesquisadora. Os dados obtidos com os cola- boradores foram utilizados para comparar e identiicar aspectos relevantes por meio das categorias de análise, com o objetivo de elucidar as dimensões do evento e fatores ligados ao planejamento. Algumas das imagens registradas estão inseridas no trabalho e têm como objetivo ilustrar alguns pontos observados, não se tratando de objeto de análise.
Análise das matérias jornalísticas impressas
Com base nas categorias de análise propostas, foi analisada a cobertura jornalística dos dois jornais impressos de Bauru, o Jornal da Cidade (JC) e o Bom Dia. Retomando o conceito de enquadra- mento como “uma abordagem que salienta o caráter construído da mensagem, revelando a sua retórica implícita, entranhada em textos supostamente objetivos, imparciais e com função meramente refe- rencial” (Soares, 2006, p.450), a proposta, nesse trabalho, é identii- car os vieses implícitos na produção textual.
A repercussão que um determinado tema pode atingir pela mídia inluencia a agenda dos leitores. Pretendemos, por meio do discurso mediático, identiicar os principais aspectos salienta- dos na cobertura da Parada da Diversidade de Bauru, por meio do enquadramento. Foram analisados os dois jornais impressos de Bauru, na cobertura do evento, no dia 27 de agosto de 2012 e os dados obtidos foram comparados para identiicar se há relação entre eles. Os dados foram exibidos em quadros distribuídos nas categorias propostas: espetáculo, festa, argumento e organização. Além disso, foram identiicadas as principais expressões e termos utilizados pelos jornais para se referir à Parada. Essa análise é im- portante para se compreender como esses meios de comunicação criam representações sobre o evento e, consequentemente, são disseminadas ao público.
Entrevistas
Foram realizadas entrevistas com três militantes da ABD, di- retamente ligados à organização da Parada da Diversidade: um dos idealizadores do movimento da diversidade, o assessor de imprensa, responsável pelo relacionamento com os meios de comunicação e a pessoa responsável pela logística do evento, que coordenou o pro- cesso de organização da Parada. O objetivo dessa coleta de dados é buscar compreender a percepção do próprio movimento sobre a Parada da Diversidade e compará-la com os resultados dos outros dois métodos, buscando-se, portanto, contribuir para responder às questões propostas.
Entendemos que está evidente para esses idealizadores a pro- posta da marcha, como uma oportunidade para se expressar publi- camente à sociedade, assim como um momento de “relaxamento” de algumas normas sociais, como as manifestações públicas de afeto, as fantasias e a dança em um espaço público. No entanto, pretende- mos identiicar se a forma como é planejado e realizado contribui para ressaltar a argumentação do evento, ou seja, que se trata de uma forma de protesto para reivindicar os direitos desse público e não apenas um momento de diversão.
Foram realizadas entrevistas com questões semiestruturadas. Duarte (2011) explica que as questões, nesse tipo de entrevista, têm origem no problema de pesquisa e são apresentadas da forma mais aberta possível. Há um roteiro predeterminado com poucas ques- tões, no entanto, explora o máximo de cada questão antes de prosse- guir para a próxima.