7. Basel III
7.3 Nye kapitalkrav: Sterkere globalt kapitalrammeverk
A ideia de realizar a parada em Bauru surgiu, segundo Rick Ferreira, presidente interino da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), com o objetivo de transformar Bauru em uma cidade gay
friendly (ou “amigável aos gays”). No entanto, os organizadores
ponderaram sobre os riscos de realizar um evento exclusivo ao pú- blico LGBT e entenderam que um trabalho em conjunto com os Conselhos Municipais, que apresentavam necessidades e diicul- dades semelhantes a esse público, agregaria mais força ao evento e, consequentemente, a possibilidade de aceitação da comunidade bauruense seria maior.
A ABD foi criada em junho de 2008 para coordenar a realização do evento. No dia 7 de setembro de 2008, foi realizada a primeira Parada da Diversidade de Bauru, englobando o público LGBT, mu- lheres, idosos, negros, crianças e adolescentes e deicientes. Com o tema “Homofobia é crime. Por um Estado laico de fato”, cerca de 15 mil pessoas participaram do evento, que percorreu a avenida Nações Unidas, uma das principais da cidade, até o parque Vitória Régia, um dos cartões postais de Bauru.
Com o objetivo de mobilizar a comunidade LGBT para a pri- meira edição da parada, foram utilizadas diversas estratégias de comunicação “em especial a internet e a telefonia celular. Foram acionadas as redes sociais como principal instrumento de RP,2 além
de utilizar um mailing list, abrangendo contatos num raio de 200 quilômetros de Bauru, para mobilizar a região centro-oeste” (Ferrei- ra, 2010, p.106-107). Atualmente, as tecnologias digitais são ampla- mente utilizadas, como diversos sites e blogs que divulgam e fazem a cobertura durante a parada, além de a parada constar na programa- ção de eventos no site da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT).
A segunda edição do evento também foi realizada no primeiro domingo de setembro de 2009, encerrando a programação da “Se-
mana da diversidade”. Com o apoio recebido pela Secretaria da Saú- de, Desenvolvimento Econômico e do Bem-Estar Social, a semana contou com três blocos de atividades. Em parceria com o Jornal Bom Dia e o Conselho Municipal de Turismo, a ABD promoveu o Circuito da Diversidade Gastronômica, premiando os melhores res- taurantes de Bauru, seguindo os critérios estabelecidos. As questões políticas foram discutidas por meio da realização do Fórum Social da Diversidade, que recebeu aproximadamente 600 pessoas duran- te os três dias de realização. A marcha cívica, por sua vez, contou, segundo os organizadores, com 15 mil pessoas, que percorreram a avenida Nações Unidas, sob muita chuva. O evento foi encerrado com o show de Monique Evans no parque Vitória Régia.
Em 2010, a terceira parada foi realizada no dia 29 de agosto, úl- timo domingo do mês de agosto, reunindo um público de aproxi- madamente 30 mil pessoas, segundo Ferreira (2010). Com o apoio da Secretaria do Bem-Estar Social, a semana da diversidade contou com atividades descentralizadas e simultâneas, sob o tema “Eu amo a vida – Diga não à violência”. O carro abre-alas contou com idosos e crianças que portavam faixas e cartazes de protesto contra o desca- so com esse segmento.
Nesse ano, os líderes da ABD aguardavam a aprovação, pela Câmara de Vereadores, do projeto de lei que instituiria a Semana de Combate ao Preconceito e à Intolerância. Em meio a embates polí- ticos, a semana foi regulamentada pela lei municipal 5.972 de 27 de setembro de 2010, denominando a ação como “Semana de Combate ao Preconceito e à Discriminação”. A semana consta de uma progra- mação diversiicada e aberta ao público, com debates, palestras, es- petáculos, e na edição de 2011 contou com uma mostra fotográica. A parada encerra a semana, no último domingo do mês de agosto.
Em 11 de dezembro de 2010 foi publicada no Diário Oicial de Bauru a criação do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual, vinculado à Secretaria do Bem-Estar Social. Como funções, deve assessorar e acompanhar a implantação de políticas públicas voltadas ao interesse do público GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), bem como colaborar na defesa dos direitos dessas
pessoas por meios legais necessários. Trata-se de uma importante conquista do movimento da diversidade.
Sob a organização da ABD, com apoio da Prefeitura de Bauru, o evento chegou a sua quarta edição em 2011, com o tema “A educa- ção é a solução: todos contra o bullying”. A concentração teve início às 13 horas, na praça da Paz; a abertura oicial ocorreu às 16 horas, após a execução do hino nacional, com discurso dos organizadores. O prefeito de Bauru esteve presente, como tinha feito antes, em to- das as edições do evento. Ao som de música eletrônica, quatro carros alegóricos percorreram a Nações Unidas e o encerramento ocorreu com o show da cantora Preta Gil.
Atualmente, a ABD não organiza apenas eventos voltados ao público que compõe a diversidade. A Associação articula-se tam- bém por meio de diversos projetos voltados à população carente de Bauru, como a entrega de presentes de Natal às crianças morado- ras de bairros da periferia da cidade, campanha de Páscoa, dia das crianças e outros. Essas ações contribuem para a legitimidade do movimento junto à comunidade na qual atua e, consequentemen- te, lhe promovem visibilidade, possibilitando a construção de uma imagem favorável junto a essas comunidades.
Além disso, outros tipos de eventos realizados pelo movimen- to começaram a ganhar visibilidade na mídia. O carnaval de Bauru passou a contar, há alguns anos, com a presença de duas rainhas, sendo uma delas intitulada “Rainha da Diversidade”, eleita por um concurso promovido pela ABD. Eventos com propósito de mani- festação e protesto também pautaram a agenda da Associação em 2012. No início do ano, realizou-se um “Beijaço”, como expressão de repúdio a um ato de homofobia praticado em um supermercado da cidade. Em maio, foi realizada a primeira marcha municipal con- tra a homofobia, tendo em vista outros casos que se caracterizaram como homofóbicos.
O evento é uma estratégia eicaz de visibilidade do movimen- to, pois atinge não apenas o público especíico que tem vindo de diversas localidades para prestigiar, mas conta com a presença de heterossexuais que apoiam a luta da diversidade, além da presença
da imprensa e representantes do poder público. Embora não consti- tua oicialmente no movimento o proissional de relações públicas, é possível observar diversas ações da área, como o relacionamento com as comunidades periféricas por meio de eventos, as parcerias com entidades, visibilidade mediática, divulgação do trabalho no site da ABD3, assim como a utilização de redes sociais e outros, que
vem proporcionando resultados positivos ao movimento.
Assim, a identidade do movimento da diversidade de Bauru se constrói na medida em que se sobrepõe às divergências dos diferen- tes grupos que o integram, e tornando o movimento homogêneo com o seu objetivo maior, o direito à liberdade sexual. Sua identida- de torna-se mais perceptível durante a parada da diversidade, quan- do uma minoria, que vivencia discriminações e preconceitos, ocupa uma das principais avenidas da cidade e então, em meio ao desile de cores e faixas de protestos, torna-se expressiva, e pode se manifestar perante uma plateia de espectadores. É, portanto, uma identidade em construção, de pessoas que individualmente sofrem o preconcei- to, mas que, coletivamente, adquirem força pela mobilização.