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VILLAGE INTERVIEWS REPORTS I Name of village: Mpingira

O fotojornalismo começou quando alguns fotógrafos começaram a apontar a máquina fotográfica para acontecimentos, com o intuito de os registar e mostrar. As primeiras fotografias tiradas com esse intuito datam do início da década de quarenta do século XIX, sendo exemplificativo o caso de um daguerreótipo que destruiu um bairro de Hamburgo, em 1842, realizado por Carl Fiedrich Stelzner. Nesse mesmo ano tinha sido lançada, em Londres, a primeira revista ilustrada do mundo, a Illustrated London News.

As primeiras revistas ilustradas não reproduziam fotografias, pois os processos técnicos que permitiriam a inclusão de fotografias junto com os textos só seriam inventados no último quartel do século XIX. Mas nessas revistas já eram abundantes as ilustrações elaboradas a partir de fotografias, e em muitas dessas ilustrações aparecia mesmo a menção “elaborada a partir de fotografia”, o que documenta o potencial de credibilidade e verosimilhança que a fotografia ia adquirindo.

Em Paris, começou a ser publicada, em 1843, a Illustration, a segunda grande revista ilustrada a ver a luz do dia. Foi também durante esse ano que um funcionário fixou, em daguerreótipo, a cerimónia de assinatura de um tratado de paz entre a França e a China.

Nos Estados Unidos, a primeira fotografia de um acontecimento público foi realizada em 1844. Trata-se de um daguerreótipo da autoria de William e Fredecrik Langenheim, mostrando uma multidão reunida em Filadélfia por ocasião da eclosão de uma série de motins.

A Guerra Americano-Mexicana de 1846-1848 foi o primeiro conflito a merecer que um daguerreotipista fotografasse oficiais e soldados. A partir dessas fotos fizeram-se ilustrações para as revistas.

Em Abril de 1848, foi publicada no Sunday Times uma reprodução, sob a forma de gravura, daquele que talvez se possa considerar como o primeiro daguerreótipo político "publicado" na imprensa: The Great Chartist Crowd.

Em 1849, um ou mais fotógrafos anónimos fotografaram os soldados e oficiais envolvidos no cerco de Roma, mais um prenúncio da atenção que o fotojornalismo iria devotar à guerra.

Os pioneiros da "reportagem" fotográfica assistiram, ainda, à cerimónia de abertura da reconstrução do Crystal Palace, em Sydenham, em 1854, e ao baptismo do príncipe imperial em Notre-Dame de Paris, em 1856. Pelo meio, em 1855, Roger Fenton partiu para a Guerra da Crimeia, com quatro assistentes e uma enorme parafernália de equipamento, entre o qual uma carroça-laboratório, indispensável para a revelação imediata das fotografias (usava-se a técnica do colódio húmido sobre vidro). Fenton realizou a primeira foto-reportagem extensa de guerra, embora tenha sido uma reportagem propagandística e censurada, encomendada pelo Governo britânico, a contas, como já se disse, com os textos críticos de William Russell.

Nas fotografias de Fenton, como, mais tarde, nas fotografias de Brady, Gardner e outros da Guerra da Secessão americana, é, diga-se, notória a inter-relação entre as possibilidades técnicas e os conteúdos: nas guerras daquele tempo era impossível obter instantâneos das batalhas. As imagens desses conflitos concentram-se, por isso, mais na paisagem bélica do que nos processos de guerra em si, embora na Guerra Civil Americana os fotógrafos tivessem actuado sem censura, o que lhes permitiu, ao mostrarem o sofrimento, a destruição e a morte, contribuir para despir a guerra da auréola de epopeia.

Também surgiam na imprensa da época ilustrações, elaboradas a partir de fotografias, que documentavam o processo de industrialização em curso, como as de Robert Howlett da construção do maior navio a vapor da época, o Leviathan, publicadas, em 1858, na Illustrated Times.

A Nadar, célebre retratista francês, deveu-se a primeira fotografia aérea, em 1858, as primeiras fotografias com iluminação artificial (esgotos de Paris) e as primeiras fotografias de uma entrevista (as fotos do filho de Nadar à entrevista que o seu pai fez ao químico Chevreul, por ocasião do centenário deste, em 1886, das quais doze foram publicadas no Journal Illustré).

O século XIX foi também um século relevante para a fotografia documental. As imagens de locais distantes e povos diferentes, bem como dos “vizinhos do lado”, encheram as páginas da imprensa da época, como aconteceu com as vistas de Constantinopla, de James Robertson, publicadas na Illustrated London News, com as fotos da conquista do Oeste Americano, de Alexander Gardner, Thimothy O' Sullivan e William Henry Jackson, e ainda com as fotos dos levantamentos etnográficos dos índios norte-americanos, publicadas na imprensa ilustrada e na imprensa popular.

Alguns dos pioneiros da fotografia documental com valor jornalístico descobriram o poder persuasivo e denunciante da imagem fotográfica, tendo-o aproveitado para a “intervenção social”, começando, por exemplo, a mostrar,

fotograficamente, o trabalho infantil nas minas e nas fábricas e as duras condições de vida dos pobres. Outros aproveitaram a fotografia para documentar os espaços, as condições de vida e de trabalho e a cultura e práticas quotidianas de grupos marginais (como as prostitutas). A vontade de registo misturou-se, assim, com a opinião e a vontade de intervenção. Foram vários os fotógrafos que contribuíram para o nascimento do fotodocumentalismo de “compromisso social”, como Thomson, Riis, Atget e Hine.

É interessante notar que o documentalismo social na imprensa (americana) nasceu nos tablóides e não nos jornais mais sérios nem nas revistas ilustradas. Mas, se é interessante, não é, de todo, surpreendente: afinal, as "cruzadas morais" sempre se enquadraram nas esferas de interesse do jornalismo "sensacionalista".

Paralelamente à fotografia documental e à fotografia de acontecimentos, desenvolveu-se a fotografia de retrato e a fotografia arquitectónica, que ainda hoje têm presença no fotojornalismo.

No fundo, pode dizer-se que, visando dar testemunho do que viam, encobertos pela capa do realismo fotográfico, os “fotojornalistas” do século XIX começavam já a ambicionar substituir-se ao leitor, sob mandato, na leitura visual do mundo. Para se legitimarem, fizeram despontar uma retórica fotográfica da "objectividade", obtendo imagens sem censura nem truncagens. Porém, certas vezes as intenções de fidelidade ao real que esses fotógrafos demonstravam eram atraiçoadas por alguns ilustradores, que, por vezes, acrescentavam pormenores da sua imaginação aos desenhos informativos no momento em que elaboravam ilustrações a partir dos originais fotográficos.

As exigências do público, dos profissionais e dos consumidores levaram, também, a avanços tecnológicos, que permitiram ganhos para o conteúdo das fotografias. As conquistas técnicas permitiram a evolução dos conteúdos fotográficos ao longo de todo o século XIX. Entre essas conquistas avulta a diminuição dos tempos de exposição, ligada à melhoria da qualidade das lentes e à adopção de novos processos, como o do colódio húmido (cerca de 1851).

A técnica do colódio húmido contribuiu para destronar o daguerreótipo (um processo fotográfico que só permitia a obtenção de um positivo). Com o fim do reinado do daguerreótipo e com a disseminação dos processos negativo- positivo, produziram-se mudanças na cultura, nas rotinas e convenções profissionais.

Para o fotojornalismo, a conquista do movimento revelou-se de importância vital, uma vez que permitiu "congelar" a acção, impressioná-la numa imagem quase em tempo real, capturar o imprevisto, chegar ao instantâneo e, com ele, acenar com a ideia de verdade. O mesmo se passou com a melhoria das lentes, que permitiu a fotografia de pessoas sem que estas se apercebessem da presença do fotógrafo, com ganhos para a naturalidade e, assim, também para a

verosimilhança.

Em 1880, foi inventado o halftone, um processo que permite a impressão de fotografias em conjunto com o texto. A partir desse momento, as fotografias foram roubando às ilustrações o espaço nas revistas e nos jornais. Em 1884, por exemplo, o Illustrierte Zeitung, de Leipzig, consubstanciou o espírito renovador do fotojornalismo, ao publicar, recorrendo ao processo do halftone, dois instantâneos (fotografias que valem mais por existirem do que pela qualidade que apresentam) de Ottomar Anschütz sobre as manobras do exército alemão.

Nas duas últimas décadas do século XIX, surgiram revistas ilustradas só com fotografias em vários pontos do Globo, como a Illustrated American, de 1890, em cujo primeiro número se inseriam 75 fotos. A 4 de Março de 1880, a fotografia chegou à imprensa diária, com a publicação de uma foto de um bairro de lata no diário The New York Daily

Times, bem a tempo de ser aproveitada pelos jornais populares do final do século XX, que, como vimos, usaram

abundantemente a fotografia (em alguns casos truncada) como meio apelativo e como elemento de ancoragem do design.

Realce ainda que foi Brady (um dos fotojornalistas da Guerra Civil Americana) a ter a ideia inovadora de montar a primeira agência distribuidora de fotos de actualidade, embora se tenha arruinado no empreendimento A fundação da londrina Illustrated Journals Photographic Supply Company, a primeira agência fotográfica "de facto", em 1894, inaugurou uma era de expansão do fotojornalismo. À Illustrated Journals, outras agências se seguiram, como a

Underwood & Underwood (EUA), em 1896, e a Montauk Photo Concern (EUA), estabelecida em 1898, que empregou

a primeira fotógrafa americana a fazer nome – Frances Benjamin Johnson. Em 1899, surgiu em Londres a Illustrated

Press Bureau, que concorreu com a Illustrated Journals. Estas agências forneciam fotografias aos jornais e revistas,

entregando-as, regra geral, em mão.

A primeira revista a usar a fotomontagem nasceu em França em 1898 – chamava-se La Vie au Grand Air e abordava essencialmente temas desportivos. Esta revista inovou profundamente no campo gráfico, não apenas através do recurso à fotomontagem como também recorrendo, por exemplo, a planos detalhados sobrepostos a planos gerais e ao

rompimento da mancha gráfica habitual. Nesse ano, publicavam-se já, regularmente, doze revistas ilustradas nos EUA, dez no Reino Unido, nove em França, sete na Alemanha e Áustria e uma ou mais noutros países europeus, como Portugal. Tornavam-se conhecidos os rostos das figuras públicas e visualizavam-se os acontecimentos que, neste sentido, se tornavam mais familiares.

Pode concluir-se, face ao exposto, que as primeiras fotografias para a imprensa e as primeiras práticas fotojornalísticas do século XIX indiciam alguns dos temas, rotinas produtivas e convenções do fotojornalismo contemporâneo e mostram também a força da imagem informativa.