5 Resultater fra evaluering av deltakernes utbytte av SMIL (delprosj B)
5.7 Viktigste utbytte av deltakelse
A sala de aula é um espaço de encontro entre pessoas com um objetivo comum: o aprendizado.
Por muito tempo esse espaço presenciou encontros que não proporcionaram o alcance desse objetivo, pois as diferenças individuais não foram consideradas no momento do ato pedagógico.
Quantas vezes ouvimos dos professores as comparações entre “os mais
atrasados” e os “mais adiantados”. Quantas vezes, nós mesmos enquanto alunos,
nos classificamos perante o desempenho geral da sala. E o quanto carregamos conosco as marcas da discriminação ao nosso próprio desempenho...
A sala considerada “homogênea” costuma ser a mais cobiçada pelos professores, pois têm a ilusão de que os alunos aprendem da mesma maneira, ao mesmo tempo, facilitando assim o uso de uma metodologia única para todos. No caso de fracasso, a responsabilidade é transferida para o aluno, seu contexto familiar, seu patrimônio genético.
Com a discussão sobre diversidade, sobre as desigualdades sociais que se transformam em desigualdades escolares, surgem alguns estudos nas áreas de currículo e formação de professores e aquela visão tende a mudar.
Um dos autores que ajuda a entender as diferenças na sala de aula é Philippe Perrenoud, sociólogo suíço. Em seu livro Pedagogia diferenciada: das intenções à
ação, Perrenoud explica que as pedagogias diferenciadas:
(...) não voltam as costas para o objetivo primordial da escola que é o de tentar garantir que todos os alunos tenham acesso a uma cultura de base comum. Ao contrário, diz ele, considerar as diferenças é encontrar situações de aprendizagem ótimas para cada aluno (...) (apud ANDRÉ, 2002, p.12)
Sendo assim, ao considerar as diferenças na sala de aula, o professor transforma-se em orientador desses alunos que são o verdadeiro centro do processo educativo. Perrenoud afirma que diferenciar o ensino não significa individualizar o ensino, o que acontece é que o “acompanhamento e os percursos são
individualizados”. (idem, p. 20)
Numa situação de ensino em que são usadas avaliações classificatórias, em que o erro é considerado única e exclusivamente algo que deve ser evitado, a idéia de pedagogia diferenciada vem para “desconstruir” essa pedagogia vigente. O erro passa a ser encarado como parte do processo de aprendizagem, e a avaliação passa a ser utilizada como instrumento formativo da aprendizagem do aluno.
Aprender a ver o erro como normal, aprender a interpretá-lo, libertando-o de todo caráter negativo e punitivo, passando a utilizá-lo de forma mais construtiva e produtiva, como um indicador privilegiado para dar uma ajuda personalizada ao percurso escolar do aluno, seria uma via real para o tratamento das diferenças existentes no grupo- classe. (PINTO In ANDRÉ, 2002, p. 48)
Quando ampliamos as diferenças visíveis entre os alunos ou quando são
diferenças significativas, no dizer de Amaral (2002), como no caso dos alunos com
deficiências na rede regular de ensino, ampliamos também os desafios na educação como um todo. Porém, como afirma Rodrigues,
(...) a diversidade e a heterogeneidade da escola não advêm de se estar implementando a escolarização de crianças e jovens com necessidades educativas especiais em classes regulares, mas simplesmente do facto de que a própria sociedade é heterogênea e multifacetada. Os alunos ditos com necessidades educativas especiais
são apenas um caso no seio da diversidade da população escolar, embora sejam aqueles que carecem de maior atenção e acompanhamento. (apud RIBEIRO & BAUMEL, 2003 p. 15)
No cotidiano da sala de aula essas diferenças podem servir como ponto de partida para o professor criar situações que atendam as necessidades de cada um, mas podem também ativar no professor as defesas, como por exemplo, a negação das diferenças e, nesse caso, das deficiências. Segundo Amaral (1995, p. 116), a negação pode se concretizar de três modos:
o A atenuação – que se expressa por comportamentos específicos ou falas do tipo “Não é tão grave assim...”
o A compensação – na qual “mas” é a palavra essencial, por exemplo: “Deficiente, mas tão inteligente”.
o A simulação – na qual o “como se” é utilizado para instrumentalizar a negação, sendo ilustrada por falas como: “É cega, mas é como se não fosse”.
Voltando a Perrenoud, ele procura mostrar que “em vez de uma ‘indiferença
às diferenças’, deve-se falar em diferenciação intencional e diferenciação involuntária.” (apud ANDRÉ, 2002, p. 17). Segue explicando que a diferenciação
intencional é aquela dirigida às potencialidades do aluno, seja qual for sua condição de aprendizagem. É voltada para beneficiar os alunos por meio de discriminações
positivas, principalmente àqueles que se encontram em algum tipo de desvantagem
quanto à aprendizagem.
Quanto à diferenciação involuntária, apontada por Perrenoud, configura-se como uma diferenciação selvagem, em que pouco, ou quase nada se faz pelo benefício do aluno, pois se trata de um processo com efeitos bastante negativos, no qual só há o reforço das desigualdades, produzindo o fracasso escolar. André (2002, p. 17) explica esse tipo de diferenciação na sala de aula:
às vezes movido pelas contingências da situação, pela urgência em resolver um problema ou mesmo por questões de insegurança ou de afirmação pessoal, o professor pode vir a tratar diferentemente seus alunos: dando mais ou menos atenção a alguns do que a outros, sendo mais paciente ou mais agressivo com alguns do que com
outros, respondendo com maior interesse e dedicação às perguntas de alguns do que às de outros.
Os efeitos dessa forma de tratamento atingem a relação professor-aluno e conseqüentemente a qualidade de ensino e de aprendizagem.
Lígia Amaral (1995) afirma que a deficiência “jamais passa em brancas
nuvens”. Por mais que haja a intenção da inclusão de todos na escola, independente
do tipo ou grau de deficiência, ela mesma “ameaça, desorganiza, mobiliza”. E na escola de educação especial não é diferente. Cada um que chega com suas necessidades gera reações das mais diversas no grupo: professores, alunos e funcionários.
O que Amaral argumenta é que nesses momentos ocorre a “hegemonia do emocional”, pois o diferente “foge ao esperado, ao belo, ao eficiente, ao perfeito.” Esta autora faz uma ressalva quanto a sua própria experiência de vida, relatos e observações: “essa hegemonia desorganizadora do emocional (...) cede o passo a
uma convivência não atípica (...) depois de superadas as fases iniciais de impacto e descompensação psíquica.” (p. 112)
Sempre que nos sentimos, de algum modo ameaçados por algo – ou pela perda de algo, segundo a Psicanálise, ativamos nossos mecanismos de defesa do ego e, um desses mecanismos bastante utilizado quando se trata de deficiências é o da negação.
Como trabalhar no contexto escolar com essas inter-relações, buscando o que Amaral chamou de uma “convivência não atípica”, ou seja, com um nível relativo de abertura ao novo, de “aceitação ativa” (outro termo que usa em seus estudos), sem contudo negar a realidade? Como superar as “fases iniciais de impacto e
descompensação psíquica” frente a diferença/deficiência?
Pesquisas apontam para a questão da resistência por parte de professores e o medo frente às situações de inclusão de alunos com deficiência na escola. O novo traz a ansiedade, que por sua vez, traz duas possibilidades: a de enfrentamento da
realidade tal qual ela é; ou o acionamento dos mecanismos de defesa, que de certa forma perpetuam a situação existente, colocando-a com uma “roupagem” nova. Parece óbvio que esse mecanismo perpetue o preconceito, os estereótipos, a exclusão.
O fato é que indissociáveis, ambos – mecanismos psicológicos de defesa e ideologias defensivas – podem, e muitas vezes precisam, ser entendidos como reações a situações de ameaça e perigo inerentes, simbolicamente, à presença do desconhecido, do estranho, do novo, do diferente, do deficiente (AMARAL, 1995, p. 149)
Que caminho trilhar, então, para buscarmos esse enfrentamento da realidade tal qual se apresenta, que não seja por meio do ataque ou da fuga (como os inúmeros exemplos da História da Humanidade)?
Amaral aponta um caminho:
re-significar a diferença/deficiência constitui-se, em realidade, num incomensurável desafio. Representa um movimento no sentido de des- adjetivar (“des” como prefixo que indica ação contrária) o substantivo diferença, que tem sido profundamente impregnado de conotações pejorativas quando aliado à questão da deficiência. (...) Insisto: des- adjetivar a deficiência é um caminho (...) ser diferente não é ser melhor ou pior; a diferença não é boa ou ruim, maléfica ou benéfica (...) simplesmente é. (idem, p. 148)
Outro ponto importante a ser enfocado é a construção social da diferença/deficiência, que se dá por meio da perpetuação de preconceitos, estereótipos e estigmas. Os produtos culturais veiculados pelos meios de comunicação de massa são fortes divulgadores dessas “imagens” preconceituosas, a própria ciência, os profissionais, enfim, sem uma consciência crítica da situação recorreremos ao moto contínuo da exclusão. O âmbito relacional da diferença/deficiência é apontado como o início de um processo maior, social.
(...) relações limpas não caminham para patologias relacionais crônicas, não são falsificadas e portanto não são, em si, geradoras de sofrimento (...) A ausência intrínseca de adjetivação valorativa da diferença pode levar, em conseqüência, a relações despidas de
hierarquia entre aqueles que são diferentes/deficientes e os que não são (...) (idem ibidem, p. 150)
Retornando à pedagogia das diferenças, vale ressaltarmos seus princípios norteadores (idéias mestras da escola nova):
• O aluno deve ser o centro do processo educativo e o professor seu orientador (fonte de recursos e apoio).
• A aprendizagem ocorre através de processo ativo de envolvimento do aprendiz na construção do conhecimento, interagindo com o meio e com o outro.
• Ensino voltado para as competências e trabalho com projetos, pesquisas e situações-problema.
Vale ressaltar que, mesmo com essas condições, não haverá garantias de sucesso no alcance dos objetivos de ensino com todos os alunos. Daí a importância da diferenciação do ensino, que significa “organizar as interações e atividades de
modo que cada aluno se defronte constantemente com situações didáticas que lhe sejam as mais fecundas” (apud ANDRÉ, 2002, p. 19)
Quando falamos das diferenças em sala de aula, abordamos várias dimensões. Aqui pretendo enfatizar a dimensão relacional, a das relações interpessoais. Para uma aproximação a essa dimensão, busco a teoria de Carl Rogers.