2 Materialer og metoder
2.1 Preparering av prøver
2.1.5 Vann-‐og-‐etanol ekstraksjon
2.1.5.2 Videre behandling etanoluløselig vannekstrakt, EIW
Pretende-se suscitar, após a descrição factual que se objetiva, ainda que brevemente, alguns elementos importantes da aula inaugural proferida por Michel Foucault no
“Collège de France”, a 2 de dezembro de 1970. No discurso de Foucault acerca de “A ordem do discurso”, é possível encontrar bases sólidas para se pensar em abordagens sobre sistemas
de exclusão. Outrossim, verificar-se-á uma tentativa de “vigilância” através da Comissão dos 13 que, na verdade, trabalhou com uma “vontade de verdade” e, inusitadamente, em uma operação de avanço na tecnologia do poder, ao mesmo tempo um retrocesso inquisitorial de regresso ao desejo de “punir” bruscamente, como num processo medieval da disseminação do medo. Não obstante, também posteriormente à narrativa factual, entretecer-se-á uma breve abordagem da “disciplina” de Foucault na “antidisciplina” de Certeau, a saber, uma operacionalização do panóptico nos lugares praticados propostos por Certeau.
Por entre o desejo de falar, de fundamentar para lutar e de vigiar para controlar, eis que o discurso havia se acentuado de forma bastante perspicaz no bojo dos
285 FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir, p. 169.
trabalhos doutrinários, com a formação da Comissão dos 13. No funcionamento de um dispositivo panóptico, criou-se uma situação de vigilância plena, em que a belicosidade do discurso agravou-se e eclodiu nas decisões institucionais mais relevantes para a culminância no primeiro cisma da Convenção Batista Brasileira.
Assim, na 44ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira, ocorrida em janeiro de 1962, na cidade de Curitiba, constituiu-se um dispositivo panóptico condizente com uma disciplina fiscalizadora. Entretanto, não se tratava somente da consolidação de tal dispositivo, mas também se alimentou a expectativa sobre uma produção em torno de uma
“vontade de verdade” acerca da doutrina do Espírito Santo, o que indica não somente uma
fragilidade teológica na denominação, mas também um desejo por compreender melhor seus fundamentos teológicos, tendo em vista a necessidade daquele ensejo.
Segundo Rubens Lopes:
“Os fatos vieram demonstrar que esse dispositivo foi bem armado. É verdade que não houve o desejado acordo, porque o problema tem raízes doutrinárias”. 287
Suscita-se, portanto, a seguinte pergunta: de que fatos estava falando o presidente Rubens Lopes? Acaso seria o fato do cisma ocorrido na Convenção Batista Brasileira? Ora, o que se sabe é que houve a intenção acerca da criação de um dispositivo que pudesse incitar buscas pela “verdade”, o que evidentemente está fortemente vinculado aos esforços do exercício da vigilância. A Comissão dos 13 teria sido um dispositivo disciplinar armado para contornar as divergências doutrinarias e solidificar a doutrina do Espírito Santo ou teria se formado um sistema de exclusão pela vontade de verdade? Deve-se considerar que havia membros favoráveis e contrários ao Movimento de Renovação Espiritual, entretanto, mesmo assim, haviam 7 supostos neutros que, na verdade, posicionaram-se de forma contrária ao Movimento.
A Comissão trabalhou durante um ano depois de sua formação. Após o trabalho que desenvolveram, decorrido algum tempo, aconteceu a 45ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira, reunida com a Primeira Igreja Batista de Vitória em 26 de
janeiro de 1963, na cidade de Vitória, Estado do Espírito Santo 288. Existem atas das reuniões
da Comissão dos 13, contendo detalhes bastante interessantes sobre as discussões 289.
No ensejo da Assembléia, os congregacionais puderam ouvir o primeiro relatório da Comissão dos 13, contendo o parecer oficial da Comissão 290. O relatório foi lido por José dos Reis Pereira e não por Rubens Lopes, pois este último estava na presidência da Assembléia. Segundo o “Relatório da Comissão sobre o problema denominacional
relacionado com a doutrina do Espírito Santo”, a Comissão dos 13 “realizou 14 reuniões em ocasiões distintas em São Paulo, Rio e Vitória”. As reuniões teriam sido “demoradas e os assuntos” teriam sido discutidos “com todo vagar, com oração e elevação espiritual”.
O primeiro item do parecer traz a alegação de que, “dada a natureza da
matéria, a Comissão não apresenta um parecer final e, por isso, não define, nesta conjuntura, a doutrina bíblica do batismo no Espírito Santo”. Interessante é a percepção de que, mesmo
depois de um ano, com prováveis estudos teológicos, não se pôde apresentar, com base no pensamento batista, um parecer que aclarasse definitivamente o que os batistas entendiam sobre o Espírito Santo. Seria essa indefinição um motivo para que se fizesse mais um ano de estudos ou realmente o aporte da doutrina batista e os estudos teológicos realizados pela Comissão dos 13 não seriam suficientes para fazer as afirmações necessárias?
No segundo item encontra-se uma justificativa para a omissão quanto à definição da doutrina do Espírito Santo. Para a Comissão, “a expressão “batismo no Espírito
Santo” nunca foi definida em declarações de fé publicadas pelos batistas”. Além disso,
reconhece-se que há muita divergência no trato dessa doutrina, pois os teólogos e pastores batistas não eram tão conclusivos quanto às opiniões. Seria esse o motivo real de não se fazer uma definição sobre a doutrina do Espírito Santo ou queriam prolongar as divergências entre os líderes batistas?
Porém, mesmo reconhecendo a impossibilidade de ousar definições sobre a doutrina do Espírito Santo, a Comissão diz que “a crença no batismo no Espírito Santo como
uma “segunda bênção”, ou seja, como segunda etapa na vida cristã ou seja ainda como uma nova experiência posterior à conversão não tem sido crença que caracterize os batistas brasileiros”. Com isso, parecem indicar a impossibilidade de se cultivar, nas igrejas batistas,
as experiências pentecostais referentes ao batismo no Espírito Santo.
288 Cf. TOGNINI, Enéas e ALMEIDA, Silas Leite de. História dos Batistas Nacionais, p. 130.
289 Convenção Batista Brasileira. Atas da Comissão dos 13 constituída pela 44ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira. In: Atas, Relatórios e Pareceres da 45ª Assembléia Anual, p. 180 a 188.
Da mesma forma, assim como a Comissão rejeitou o batismo com o Espírito Santo num momento subseqüente ao da salvação entendida nas categorias batistas, também defendeu que “a prática do que ainda hoje chama de “dom de línguas” e “dom de curas
milagrosas” é igualmente estranha às crenças e práticas características dos batistas brasileiros”.
Assim, a Comissão dos 13 advogou com veemência que o consenso dos batistas sobre a atuação do Espírito é “que ela se faz como um processo em toda a sua vida,
processo esse que chamavam “de “santificação progressiva” a qual depende da cooperação do próprio crente”.
A Comissão entendia e fez constar que, para o sujeito que havia vivenciado a experiência religiosa, ela era, de fato, genuína. Entretanto, “de modo nenhum” poderia
“constituir um exemplo ou um padrão a ser imitado por outros crentes, tampouco pode constituir base para doutrinamento dos outros ou para campanhas de avivamento”.
Embora a Comissão tenha feito as afirmações acima mencionadas, ainda assim, no terceiro item alegou que não havia “divergência entre os batistas da Convenção
Batista Brasileira nos pontos fundamentais que são os que constam da “Declaração de Fé das Igrejas Batista do Brasil”.
A Comissão dos 13, no quarto item, “achava” que deveriam reafirmar o direito de que “cada batista” poderia pronunciar-se livremente “sobre sua matéria, mas em
linguagem cristã em que perceba preeminência do amor e o sincero desejo de um fortalecimento espiritual”.
No quinto item, os integrantes da Comissão dos 13 “achavam” que a ênfase na “doutrina do batismo no Espírito Santo” estava originando alguns “abusos”, a saber, em
primeiro lugar, “a realização de reuniões em que notam os mesmos vícios próprios de reuniões pentecostais; isto é, a confusão no ambiente, a gritaria, os descontroles físicos, o falar de línguas e outros excessos de emocionalismo”; em segundo lugar, havia, “uma atitude de orgulho espiritual que não” queria “admitir opiniões opostas e que classifica os que não experimentam as mesmas emoções e experiências de carnais e mundanos”; em terceiro lugar, haviam “tentativas ostensivas ou veladas de proselitismo entre outras igrejas”.
No sexto item, verifica-se que a Comissão dos 13 “achava conveniente que” aquela Convenção advertisse aos que porventura assim procedam, que estão saindo fora da
linha apostólica da ordem e da decência e que prejudicam com tal comportamento as relações entre as igrejas”. Mediante a essas afirmações, a Comissão dos 13 parece indicar
certa sensibilidade ecumênica, porquanto seus integrantes repudiaram o proselitismo e a veemência das ações ostensivas dos militantes do Movimento de Renovação Espiritual.
A Comissão, por fim, no sétimo item, sugeriu três coisas. Em primeiro lugar, que houvesse “por parte dos pastores e dos crentes em geral um estudo mais objetivo da
obra e principalmente do método de atuação do Espírito Santo”. Em segundo lugar, “que os crentes e igrejas se” abstivessem “de atitudes precipitadas e hostis mesmo quando”
estivessem “separados uns dos outros por divergências doutrinárias no tocante à obra do
Espírito Santo”; e, finalmente, em terceiro lugar, “que, aprovado este parecer, a Comissão continue suas reuniões e observações, examinando, inclusive, experiências espirituais de diversos irmãos e obreiros e apresentando no próximo ano parecer final sobre a matéria de que também constem os resultados práticos da decisão ora tomada”.
Ao final das muitas discussões e da fala de diversos oradores, que mais divergiam do que se faziam cordatos, o plenário aprovou por unanimidade o parecer da Comissão dos 13 291.
Após a aprovação, em meio a muita confusão plenária, o pastor Nilson Rodrigues Costa perguntou qual seria o andamento sobre o último ponto do parecer, a respeito da continuidade dos trabalhos da Comissão dos 13. A mesa esclareceu à Costa que os trabalhos continuariam para que houvesse plausibilidade nas definições e análises quanto à doutrina do Espírito Santo.
O primeiro parecer da Comissão dos 13 e a proposta de continuidade dos trabalhos suscitam um questionamento fundamental. Por que Rubens Lopes, presidente da Comissão, entendeu que seria necessário continuar estudando a doutrina do Espírito Santo se a Comissão já havia apresentado um parecer? Por que seria necessário levar os questionamentos adiante se já havia m sido feitas diversas recomendações? A tarefa da Comissão dos 13 era mesmo “estudar a doutrina do Espírito Santo” ou havia algo a mais? Afinal, tratava-se de uma resolução doutrinária ou de um confronto de poder?
Tognini também faz um questionamento parecido:
“Na segunda etapa discutir-se-iam outros aspectos da doutrina do Espírito Santo e dons espirituais. Em Vitória, dei por terminado o meu trabalho na Comissão dos Treze. O relatório contou com a aprovação de seus treze membros. No meu modo de ver, deveríamos pôr aí, ponto final. Continuar seria interferir em questão de consciência e tocar em pontos secundários em doutrinas, nos quais os batistas não são unânimes. Percebi que o
pastor Rubens almejava definir determinados pontos doutrinários sobre o Espírito Santo para declarar: “isto é doutrina batista. Se você concorda é batista, se discorda, não é batista”. Ora, isso nunca foi espírito batista, antes é uma coerção descabida e imperialista” .
292
A Convenção Batista Brasileira parece ter sido mais ponderada do que a Convenção Batista Mineira. Porém, ainda assim, intentou, através do dispositivo disciplinar, uma vigilância através de uma visão generalizada sobre o andamento das ações e das literaturas, bem como da política denominacional. Para Tognini, Rubens Lopes quis, na verdade, definir aqueles que eram batistas e os que não o eram. Contudo, o presidente da Convenção Batista Brasileira alega que a Comissão dos 13 se referia a um “shake-up” denominacional impulsionado pelo Movimento de Renovação Espiritual293. Portanto cabe a
pergunta: Quando alguém está disposto a fazer um “shake-up”, também está disposto a propor um discurso de exclusão que opera na busca pela “verdade” politizada? Ou então: Por que alguém, como presidente da Convenção Batista Brasileira, quereria montar o desconforto de um discurso inquietante?
Desse modo, a Comissão, de fato, continuou seus trabalhos; contudo, ficou sem três dos seus integrantes, Enéas Tognini em agosto de 1963, José Rego do Nascimento em outubro do mesmo ano e Thurmon Bryant, que teria viajado de férias para os Estados Unidos. Segundo Rubens Lopes, a Comissão foi reduzida a 10 pastores, no entanto, prosseguiu em seus trabalhos. Para Tognini, “o prosseguimento da Comissão dos Treze seria
fator decisivo para dividir a denominação” 294. No entanto, também se observa que o Movimento de Renovação Espiritual foi irredutível e não parou a militância, pelo contrário, intensificou suas ações através de seus propagandistas e propositores, o que transgrediu o que fora recomendado pela Comissão dos 13.
A 46ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira, reunida na cidade de Recife, na segunda quinzena de janeiro de 1964, congregada no templo da Igreja Batista da Capunga, na sexta sessão da assembléia, abriu a oportunidade, como estava predeterminado, para o relatório da Comissão dos 13 acerca da doutrina do Espírito Santo.
292 . TOGNINI, Enéas e ALMEIDA, Silas Leite de. História dos Batistas Nacionais, p. 134 e 135. 293 COMISSÃO DOS TREZE. Doutrina do Espírito Santo, p. 6 e 7.
O relatório da Comissão dos 13, apresentado na 45ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira, foi reiterado quase que de forma absoluta, com alguns acréscimos 295. Entretanto, houve uma recomendação suplementar. Recomendou-se:
“1. Que as igrejas, orientadas por seus pastôres, sejam intransigentes no repúdio ao mundanismo e se esforcem no cultivo de uma vida espiritual intensa, cujos frutos se manifestem na conversão de almas, no gôzo cristão e na edificação dos fiéis.
(Êste ponto foi aprovado, por unanimidade, na 8.ª sessão).
2. Que os pastôres realizem estudos a respeito da doutrina do Espírito Santo, ministrando o ensino correto das Escrituras sobre o assunto, bem como levando suas igrejas a realizarem estudos sôbre a doutrina do Espírito Santo através das Escolas Dominicais, usando para isso a revista especial a ser preparada pelo Departamento de Escolas Dominicais, de acôrdo com decisão já tomada por esta Convenção
(Aprovado)
3. Que as igrejas e pastores que se tenham afastado das doutrinas batistas e se aproximado das doutrinas pentecostais sejam convidados com todo amor a um reestudo de sua posição à luz do parecer ora apresentado. Caso persistam em manter pontos de vista contrários à posição doutrinária sustentada pela Convenção Batista Brasileira, sintam-se à vontade para uma retirada pacífica e honrosa, em benefício da paz na causa de Deus. Tal recomendação se limita àqueles que fazem de suas convicções divergentes motivo de atividade ostensiva, provocando inquietação, confusão e divisão (Aprovado na 8.ª sessão, por 422 a 14 votos)” . 296
De fato, em linguagem levemente charmosa na sua forma, a “recomendação
suplementar” convida aos pastores e igrejas militantes no Movimento de Renovação
Espiritual, que estavam no escopo da Comissão dos 13, em que 3 eram contrários e, agora, os 6 neutros pareciam, de igual forma, ser também contrários, a que deixassem a Convenção Batista Brasileira. Segundo a referida recomendação, essas pessoas, como atividades ostensivas, estavam “provocando inquietação, confusão e divisão”. Portanto, a doutrina do Espírito Santo foi mais bem elaborada e a Comissão dos 13 fez um trabalho bastante sólido para consolidá-la no âmbito da instituição. Dessa forma, aquele que fosse contra os cânones da Comissão, e que estivesse “provocando inquietação, confusão e divisão”, foram convidados a uma retirada. Ora, uma das características de uma instituição é a constituição
295 No anexo 8 consta o relatório na íntegra.
296 Convenção Batista Brasileira. Ata da Convenção Batista Brasileira. In: Atas, Relatórios e Pareceres da 46ª Assembléia Anual, p. 171 e 172.
normativa de seus fundamentos, pois estabelece seus limites e delimita as ações decorrentes dos seus membros. Assim, não é possível estar numa instituição e contrariar seus cânones.
Desse modo, a “declaração final da Comissão dos 13” foi votada e aprovada com 459 favoráveis e 67 contrários. Contudo, depois da aprovação, alguns dos 67 mensageiros que haviam votado contra o “parecer final” encaminharam uma “proposta
especial” ao plenário congregacional 297. Os proponentes alegavam-se neutros em relação às duas correntes e diziam-se interessados pela “causa de Deus”.
A “proposta especial” foi escrita pelos pastores Tiago Nunes de Lima, Silas de Brito Lopes, Valvídio de Oliveira Coelho, João Duduch, Isaías Batista dos Santos, James E. Musgrave Jr, A. Antunes de Oliveira, Elias Brito Sobrinho e Tito Assis Ribeiro. Tal proposta alertava para o fato de que a Convenção Batista Brasileira, em reunião plenária, havia aprovado “por maioria esmagadora o parecer inicial da Comissão dos Treze”, em que constava a impossibilidade de definição sobre a doutrina do Espírito Santo. A “proposta
especial” também advertiu acerca da impossibilidade de atender o terceiro item da “recomendação suplementar” da chamada Comissão dos 13, tendo em vista o curto espaço
de tempo que se estava oferecendo para os reestudos acerca das divergências doutrinárias. A proposta foi a seguinte:
“a) Que o parecer da Comissão dos Treze fique sobre a Mesa até a próxima Assembléia Convencional, a fim de dar tempo a que se ponham em prática diversas recomendações do próprio documento.
b) Que o parecer, as atas e seus anexos, as monografias e outros documentos relacionados com a matéria, seja publicados no Jornal Batista, sob a supervisão do seu redator, para que haja ampla oportunidade de esclarecimentos do nosso povo até a próxima Assembléia Convencional”. 298
A “proposta especial”, que concedia uma reavaliação das posições político- doutrinárias, não “passou” pelo plenário, pois recebeu 456 votos contrários e apenas 172 votos favoráveis. Segundo Tognini, os líderes estavam desejando ultimar os trabalhos da Comissão dos 13 299.
Houve um período bastante efervescente entre o ano de 1964 e 1965, porque o Movimento de Renovação Espiritual estava realmente impactando o cenário batista das igrejas locais. Segundo Ferreira, o “fermento” havia atingido o campo fluminense, através da
297 No Anexo 9 a “proposta especial” é reproduzida na íntegra. 298 Ver Anexo 9.
Igreja Batista do Fonseca, presidida e pastoreada pelo pastor Samuel Chagas, o qual tinha chegado de São Paulo com afigurações pentecostais. Conforme o autor, Chagas levou a Igreja a excluir alguns membros que lhe eram opositores nos anseios carismáticos.
“As igrejas de Niterói estavam apreensivas e perplexas com o que se passava. Em conseqüência disso, em 12 de novembro de 1963, a Associação Batista Niteroiense enviou à Igreja do Fonseca uma carta pedindo que ela se definisse, no prazo de três meses, sobre seu comportamento doutrinário. “O pastor comentou sobre a carta dizendo que era iníqua e que não se devia responder”.300
A Convenção Batista Fluminense foi chamada para participar das conversações acerca da Igreja Batista do Fonseca. O presidente daquela Convenção, Ebenézer Soares Ferreira, se reuniu com o grupo insatisfeito da Igreja, bem como com um grupo que estava com Chagas.
“O Pastor Samuel Chagas compareceu com um grupo de irmãos que já estavam bem “chumbados” com os ensinos e práticas pentecostais, trazendo um memorial no qual, defendendo-se, acusava-se mais ainda. Em certa parte do documento ele afirmava: O batismo do Espírito Santo é experiência distinta do novo nascimento (regeneração e conversão). É a segunda bênção, pela submissão, total entrega, segunda a obra da graça, plenitude do Espírito”. 301
Curiosamente, quer por acaso ou por premeditação devido à confusão dos pastores e igrejas em Niterói, a 47ª Assembléia da Convenção Batista Brasileira foi realizada em janeiro de 1965, no templo da Igreja Batista de Niterói. O presidente Rubens Lopes alegrou-se pelo grande número de mensageiros que se fizeram presentes ao encontro plenário.
O assunto que estava sendo tratado naquela Assembléia Convencional era uma campanha de evangelização. Portanto, o ano de 1964 para os batistas foi motivado por um preparo com a finalidade de conduzirem as igrejas no ideal de evangelização, a fim de cumprir os objetivos da idealizada campanha de evangelização que ocorreria no ano de 1965. No entanto, os caminhos da Assembléia foram se modificando, pois de evangelização o assunto rumou para o Movimento de Renovação Espiritual 302.