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3.1   Proteinkonsentrasjon  i  AndoSan™  og  ulike  fraksjoner

A Zona Sul da capital paulistana abrange uma região formada por cinco

subprefeituras: Capela do Socorro, Campo Limpo, Cidade Ademar, M’Boi Mirim e

Parelheiros. Veja mapa

54

abaixo:

53 SILVA, Jane de Souza. Urbanização de favelas em área de proteção de mananciais: O caso da

comunidade Sete de Setembro. 2003. Dissertação de mestrado. Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003.

54 Mapa disponível no site oficial da prefeitura de São Paulo: www.portal.prefeitura.sp.gov.br. Acesso em:

Como vimos anteriormente, essa é uma das regiões da cidade de São Paulo

caracterizada como a mais carente. Grande parte da população que mora nessa região vive

abaixo da linha da pobreza, com um alto percentual de favelas localizadas nas

proximidades das represas Billings

55

e Guarapiranga

56

. Os três distritos mais pobres da

cidade de São Paulo estão localizados na Zona Sul: Parelheiros, Marcilac e Grajaú.

55 É um dos maiores e mais importantes reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo. Foi

construída nas décadas de 1930 e 1940 pela empresa de energia elétrica Light (responsável pelo abastecimento de energia da cidade de São Paulo). O objetivo de sua construção era armazenar água para gerar energia elétrica para usina hidrelétrica de Cubatão. Em função do elevado crescimento populacional, a represa Billings possui grandes trechos poluídos com esgotos domésticos e industriais.

É na Zona Sul que está a principal reserva florestal da Mata Atlântica da cidade

de São Paulo e onde se encontra o Autódromo de Interlagos e o aeroporto de Congonhas.

Edison Luiz Oliveira, que fez um estudo sobre as transformações sócio-espacial

da metrópole e investigou a Zona Sul de São Paulo, explica que a partir dos anos de

1930, com a aceleração do crescimento metropolitano, houve uma crescente procura por

imóveis, o que favoreceu a expansão da venda de terrenos e imóveis urbanos. Com o

aumento da demanda por habitação, principalmente pela classe trabalhadora, uma vez que

a cidade foi massiçamente ocupada por trabalhadores estrangeiros que ajudavam a

engrossar os encurtiçamentos, aluguéis e as vilas operárias, houve um déficit estrutural

conhecido como a crise da habitação. Um modo encontrado para suprir a necessidade de

habitação dos trabalhadores foi a periferização e a autoconstrução que foi “conduzindo a

ocupação mais efetiva dos loteamentos abertos e à abertura de uma grande quantidade de

novos loteamentos, em todos os quadrantes da futura região Metropolitana (Zona Sul)

57

.”

A ocupação desses loteamentos clandestinos e irregulares representava, por um

lado, uma solução viável para os trabalhadores, por ser um produto de necessidade

essencial e de preço acessível, mas por outro lado, as conseqüências dessa “nova” forma

de habitação foi o crescimento desordenado e a ocupação de loteamentos irregulares e

clandestinos, portanto, em desacordo com as normas urbanísticas e não possuindo a

mínima estrutura urbana como, por exemplo, água, esgoto, luz, asfalto, etc. A reprodução

desse tipo de loteamento cresceu também porque representava lucratividade aos

loteadores e proprietários fundiários.

Por causa da abundância de terrenos baratos nos anos 50 e 70, a Zona Sul vai

atrair as indústrias de forma significativa, como a metalúrgica, mecânica, química e

farmacêutica. “Em 1965, somente no subdistrito de Santo Amaro, havia 332 indústrias

com mais de 5 empregados, 90 delas eram de metalúrgicas, 48 mecânicas e 34

56 Fundada em 1907 pela empresa Light. A partir da década de 1920, a represa serviu como reservatório de

água para distribuição domiciliar da capital. Também é utilizada para controle de cheias e para o lazer da região. Nas suas margens, existem praias artificiais e marinas de barcos.

57 OLIVEIRA, Edison Luiz. Projeto Interlagos. A praia que faltava à São Paulo: Contradições e

significado da inserção de Santo Amaro/Zona Sul na formação sócio-espacial/metropolitana. 1996. Dissertação de mestrado. Faculdade de FFLCH. USP. São Paulo, 1996, p. 91.

químicas

58

.” Um grande impulso para a industrialização da Zona Sul foi a construção das

marginais do rio Pinheiros.

No início dos anos de 1940, e representativamente a partir dos anos de 1960, a

Zona Sul de São Paulo teve um assustador crescimento, bem como toda a grande São

Paulo. Juntamente com o crescimento populacional, os problemas urbanos também

aumentaram. Como nos explica Oliveira, a falta de infra-estrutura e saneamento básico

são aspectos comuns de um grande número de bairros que surgem da noite para o dia em

todos os quadrantes da grande Metropole, carência que é mais sentida e dolorosa nos

setores de habitação e transporte, pois impõe um sofrimento inominável a milhões de

pessoas. E acrescenta que

o aparecimento da periferia, ocorre com destaque na Zona Sul, pois é

onde se dá o maior incremento demográfico em termos do contexto da

Capital, entre os anos 50 e 70. Ao mesmo tempo, a tendência verificada

no período anterior, em relação ao assentamento residência, das

camadas médias e abastadas neste subespaço da Capital permaneceria.

59

Daí se percebe a diferenciação entre os bairros situados mais ao norte da zona

sul, nos subdistritos Ibirapuera, Jabaquara e Santo Amaro (bairros bem equipados,

arborizados e com casas que denotam um status social mais elevado), em relação aos

subdistritos Capela do Socorro, Parelheiros e Campo Limpo, regiões onde predominam

casebres e favelas. No final dos anos 70 e início dos anos 80 e 90, devido a grande

quantidade de loteamentos irregulares, o poder público passou a fiscalizar e regularizar os

loteamentos clandestinos, o que resultou na valorização dos terrenos e, portanto, no

aumento dos preços. Em conseqüência, o número de favelas começou a crescer de forma

assustadora.

Essa tendência teve como conseqüência a proliferação de favelas na

zona sul que, em 1987, concentrava 47% da população favelada da

capital (...) outra conseqüência foi a multiplicação de loteamentos

clandestinos nas regiões de mananciais, onde foram abertos 213

loteamentos clandestinos entre 1976 e 1994, perfazendo um total

58 OLIVEIRA, Edison Luiz. Projeto Interlagos. A praia que faltava à São Paulo: Contradições e

significado da inserção de Santo Amaro/Zona Sul na formação sócio-espacial/metropolitana. 1996. Dissertação de mestrado. Faculdade de FFLCH. USP. São Paulo, 1996, p. 106.

59 OLIVEIRA, Edison Luiz. Projeto Interlagos. A praia que faltava à São Paulo: Contradições e

significado da inserção de Santo Amaro/Zona Sul na formação sócio-espacial/metropolitana. 1996. Dissertação de mestrado. Faculdade de FFLCH. USP. São Paulo, 1996. p. 125.

aproximado de 35 milhões de metros quadrados de área loteada na área

de proteção aos mananciais, do município e São Paulo.

60

A ocupação da região da bacia do Guarapiranga começou na década de 1960,

quando uma massa de trabalhadores desempregada foi atraída pela possibilidade de

empregos nas indústrias que chegaram à região e pela oferta de loteamentos. “Em 1991,

aproximadamente 18% da população (cerca de 100 mil pessoas) moravam em favelas

situadas à margem da bacia

61

.” Com a velocidade da expansão urbana o governo não

conseguiu oferecer infra-estrutura básica para atender essa demanda. Hoje vivem mais de

550 mil pessoas, ocupando área de baixo padrão habitacional em favelas ou loteamentos

clandestinos, somente na região da periferia da Zona Sul. A falta de fiscalização do poder

público favoreceu o crescimento descontrolado da região, apresentando uma densidade

maior do que a permitida.

A forma como foi e continua sendo ocupada compromete os mananciais

de modo que parece irreversível, em que pese o esforço de entidades

ambientalistas e da ação do poder público visando controlar esse

processo que ainda continua. Lotear à revelia dos preceitos legais foi

essa a resposta prática dos proprietários de chácaras para as políticas

públicas e em recusa ao ônus que lhe recaia com a imobilização das

formas de uso

62

.

A lei de proteção aos mananciais foi ineficiente, pois não conseguiu nem

proteger a região contra a degradação ambiental e nem conter o avanço populacional. Mas

continua sendo alvo de preocupação e ação do poder público. Uma demonstração disso é

a nota oficial divulgada pela prefeitura de São Paulo, no dia vinte e nove de agosto de

2007, publicada em seu site oficial, referente à demolição de casas construídas na região

da zona sul de São Paulo. Foi uma operação em defesa às águas, realizada pela

fiscalização estadual em parceria com a municipal, em que foram derrubadas 97 casas na

região da subprefeitura Capela do Socorro, com objetivo de proteger a àrea de

preservação ambintal onde se situam as represas Billings e Guarapiranga, responsáveis

pelo abastecimento de 1/3 de água potável da capital.

60 OLIVEIRA, Edison Luiz. Projeto Interlagos. A praia que faltava à São Paulo: Contradições e

significado da inserção de Santo Amaro/Zona Sul na formação sócio-espacial/metropolitana. 1996. Dissertação de mestrado. Faculdade de FFLCH. USP. São Paulo, 1996. p. 134.

61 SILVA, Jane de Souza. SILVA, Jane de Souza. Urbanização de favelas em área de proteção de

mananciais: O caso da comunidade Sete de Setembro. 2003. Dissertação de mestrado. Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. São Paulo, 2003. p.27.

62 SEABRA, Odette Carvalho de Lima. São Paulo: a cidade, os bairros e a periferia. In: CARLOS, Ana fani

Alessandri; Oliveira, Ariovaldo Umbelino de(orgs). Geografias de São Paulo: representação e crise da metrópole. São Paulo: Contexto, 2004, p. 126.