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Nessa sequência de encontros deste terceiro momento das Rodas de Saberes, e a partir deles, as equipes e o Supervisor Técnico organizaram cafés da manhã como um ritual de acolhimento, o que favoreceu a conversa informal e a integração entre os Trabalhadores, proporcionando um momento leve e descontraído, mesmo para quem havia acabado de atravessar a cidade.

Outro ritual adotado nestes encontros foi iniciar a discussão retomando sua missão de espaço democrático, de troca de saberes, de participação voluntária e de ser um dispositivo dos Trabalhadores, com o objetivo, inclusive, de que se chegar ao ponto onde não fosse mais necessária a função de um facilitador, ou Apoiador, para que o dispositivo ocorresse.

Do ponto de vista Institucional, um dos avanços se deu com a inserção definitiva da

Roda dos Saberes nos relatórios oficiais do programa SMS, pelo Supervisor Técnico,

explicando que se tratava de uma oportunidade de circular saberes, experiências, vivências, dificuldades, recursos, ideias, afetos e poderes. Um espaço aberto para as equipes, uma forma de subjetivação, inspirada na experiência de La Borde, que dispunha de um dispositivo semelhante. Colocou-se o cunho democrático fundamental e a participação voluntária, e que naquele mês havia sido realizada discussão sobre as políticas de saúde que subsidiavam o trabalho do Programa. Esta ação não só colocava uma evolução no processo dialogado da

Roda de Saberes com a Instituição, mas também, uma maturidade do próprio dispositivo

que tinha seu funcionamento e princípios mais claros e estabelecidos.

A questão das metas, outra dimensão Institucional e cara aos Trabalhadores ocuparam um espaço nas discussões da Roda de Saberes. Era uma pauta bastante controversa nos demais espaços de discussão do programa, mas não neste. Ali os Trabalhadores puderam colocar-se de forma queixosa sem que isso fosse interpretado de maneira negativa, pelo contrário, eram acolhidos, ouvidos, discutidos, mas também convidados a propor outras formas de medir os resultados do APD, o que gerou propostas de formas de organização do processo de trabalho que equacionassem a delicadeza característica do programa com as metas e de outros indicadores que eram levados à gerência do programa. Esta reflexão sobre o próprio trabalho desenvolveu crítica e uma maior apropriação deste pelo Trabalhador.

Nessa relação que a Roda dos Saberes produziu entre Trabalhadores e Supervisor Técnico ou Apoiador, identificou-se que a forma singular de cada reunião do dispositivo tinha relação com o encontro entre as pessoas que ele agenciava. Havia as mais produtivas e

outras menos, assim, o Supervisor Técnico não deveria tomar para si a responsabilidade sobre isso, o que também impediria que os Trabalhadores se apropriassem do dispositivo.

Na dimensão da Instituição de um modelo de gestão democrático, as iniciativas e ações do Supervisor Técnico/Apoiador, especialmente a proposta de intercâmbio entre as equipes, foi resultado de um trabalhoso processo interior ainda em curso, que busca emancipar-se de seus próprios manicômios mentais, do apego a lugares hierárquicos, com o objetivo de desconstruir o papel e a imagem de Supervisor, e assim utilizá-lo de forma emblemática para favorecer a transformação do modelo assistencial e gerencial nos seus campos de influência (Oliveira, 2009).

Assim, o Supervisor Técnico/Apoiador implicou-se radicalmente no processo de cogestão, democratizou este lugar e desconstruiu seu próprio suposto saber hierárquico, favorecendo, também, a desconstrução do mito de meritocracia.

A meritocracia é incremento da ideologia neoliberal individualista, onde tudo será responsabilidade e atributo da capacidade e da eficiência individual. No neoliberalismo, forma hegemônica de subjetividade em nosso mundo, o cotidiano é esvaziado politicamente; as relações de opressão, as explorações, as diversas formas de dominação são invisibilizadas e atribuídas ao Território do psicológico, portanto o fracasso e o sucesso são considerações individuais associadas ao bem e ao mal (Coimbra; Leitão, 2003). Desta forma, o Supervisor Técnico buscou aproximar sua atuação do Apoio Paideia de Campos (2003).

Esse novo método de exercício da gestão busca superar as formas tradicionais de se estabelecer relações e de se exercitar as funções gerenciais. Funções de dirigente ou de liderança devem sair do lugar de dirigente-titular, suposto-sabido e todo-poderoso, saltar para colegiados com função operacional, interna às organizações, numa relação construtiva entre sujeitos em pé de igualdade, mesmo com saberes, poderes e papéis distintos (Campos, 1998).

Conforme gráfico 8.3 – nele também se vê o número de participantes, as datas e a frequência dos encontros do terceiro momento da Roda de Saberes - o Público Alvo foi pautado em sete de dez encontros. Com isso, as discussões de caso nas equipes se aprofundaram e os manejos de caso foram mais bem sucedidos, para isso, houve o envolvimento de menos questões e referências pessoais, como o moralismo.

Gráfico 7.3 - Segundo Momento da Roda de Saberes – de novembro de 2012 a fevereiro de 2014. Pausas e Encontros ocorridos com número de participantes (colunas) por data e assunto

Fonte: listas de presença e diário de campo entre 2010 e 2014.

Assim, os Trabalhadores também se empoderaram de novas tecnologias e se apropriaram de conceitos que aumentaram a possibilidades de discussão com outros serviços de saúde e de construção de rede no Território.

A vivência de diferentes Territórios e, com isso, a ampliação da capacidade de circulação por eles foi favorecida aos Trabalhadores pelo processo de intercâmbio iniciado neste momento da Roda de Saberes.

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Público Alvo; Território

Público Alvo; Território; Apoio

Território; Trabalhador; Apoio

Não houve encontro

Público Alvo; Território;

Não houve encontro

Público Alvo; Território;

Pú li o Alvo; Apoio;…

Território; Trabalhador;

Público Alvo; Território

Não houve encontro

Não houve encontro

Público Alvo; Terrritório

Não houve encontro

Território; Tra alhador;…

Não houve encontro

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