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1.3 V ÅR FORSTÅELSE AV OPPDRAGET

1.3.3 Verneverdier

O hum or, em seu estatuto conceitual, refere- se a transform ações de alguns afetos, segundo o Dicionário de Psicanálise: “ diz- se que no hum or a pulsão é sublim ada na m edida em que é derivada a um a produção que sugira grandeza e elevação” ( Laplanche & Pontalis, 1970, p. 638) . Esta definição do hum or em direção à “ grandeza e elevação” , cria um a cisão em relação aos risos em inent em ent e defensivos, risos desesperados, risos cínicos, que não são, conceitualm ente, do estatuto do hum or.

Um a distinção se faz necessária: hum or e ironia. Esta, quase sem pre, é voltada a outro, contra outro. Gera o riso ácido, sarcástico, dest ruidor, o riso do ódio, o riso do com bat e. Nest e cont ext o, a ironia nada m ais é que plena tristeza, com ela, apenas se pode rir contra, acusando, condenando e desprezando. O hum or, em contrapartida, pode até rir do outro, m as antes ri de si, abandona por instantes a seriedade para transm utar a tristeza em alegria, há coragem , grandeza, generosidade e liberdade. No hum or há algo de sublim e, de elevação, enquanto na ironia, há o rebaixam ento e avareza.

O hum or é um a condut a do lut o ( t rat a- se de aceit ar aquilo que nos faz sofrer) , o que o dist ingue de novo da ironia, que seria ant es assassina. A ironia fere, o hum or cura. A ironia pode m at ar; o hum or aj uda a viver. A ironia quer dom inar; o hum or libert a. ( ...) A ironia é hum ilhant e; o hum or é hum ilde. ( André Com t e- Sponville, 1995, p. 236) .

Est a cont ext ualização esclarece o que não é hum or, quem são os intrusos nas festas bem hum oradas, naquelas em que a brincadeira tem espaço a ocupar, nas quais as flexibilizações são perm itidas, o faz- de- cont a é propost o e que a rigidez e a seriedade são convert idas na leveza e na doçura que se pode extrair, apesar e m ais além , das penas e dos pesares.

Descobrim os, a partir das provocações e indagações desta pesquisa, que o hum or atua para diferentes fins. Conhecem os o hum or irreverente e rebelde, o hum or libertário, o hum or identificatório, o hum or sublim atório, entre outros. Por que definir apenas um , se podem os nos beneficiar de todos? E esta j á não é um a predisposição do hum or? Por que enrij ecer se podem os flexibilizar? Por que nos am argurarm os, se podem os nos encantar? Por que reduzir, se podem os am pliar?

Encontram os, dentre os autores apresentados, Roustang ( 1984) identificando o hum or com o um a zom baria doce, afetuosa e terna, em que a possibilidade de rir de si m esm o configura- se com o sinal de m obilização psíquica; Mannoni ( 1992) com preende que desfrutar do hum or é aceitar o sentim ento angustiante e hostil com o um a brincadeira sem im portância, ao incorporar à consciência um fantasm a inconsciente; Birm an ( 2005) apresenta o term o “ desdram atização narrativa” , isto é, o hum or com o esvaziam ento da fatalidade e da seriedade, possibilitando a m elhor circulação psíquica de experiências dolorosas; Slavutsky ( 2005) , na m esm a direção, afirm a que a possibilidade de retirar o teor trágico em relação a si próprio é o que perm ite ao suj eito defrontar- se de outra form a com o que há de horror em sua experiência psíquica, podendo rir, ao invés de chorar; Auguier ( 2005) enfatiza que através da brincadeira com as palavras, é possível inventar, criar e construir novas vias de fluxo; Kuperm ann ( 2005) nos traz a im agem do hum orista com o órfão que, constatando que j á lhe ocorreu tudo que poderia acontecer, não tem outra saída a não ser a de aprender a rir com a vida; Sam paio ( 1992) , de m ãos dadas com os palhaços, nos apresenta a potência do hum or de em baralhar e desem baralhar a realidade, o que ativa a vibração do riso, ao brincar com a superfície do m undo e de si próprio; Kehl ( 2005) nos confronta com a idéia de que o hum or denuncia a vã pretensão do controle a que os suj eitos se propõem e perm ite abordar o recalcado por atalhos surpreendentes, m esm o que em seguida, retorne a seriedade habitual; Moreira ( 2006) afirm a que o hum or estabelece ligações entre elem entos desunidos, o que aum enta a tolerância à frustração e desenvolve as possibilidades de elaboração; Costa ( 2006) entende que, através da criatividade possibilitada pelo hum or, nos convencem os que a

realidade é suportável; por fim , Mezan ( 2002) apresenta o papel do hum or na oferta de um a plataform a identificatória para os suj eitos.

Muitos são os efeit os e fins pelos quais o hum or est á present e na vida dos suj eitos, esta é um a im portante abertura desenvolvida pelo trabalho, na qual a visão polarizada e antagônica pôde ser descartada.

No hum or há um a circulação afetiva, é um signo de acolhim ento, que perm ite o suj eito rir de si e do out ro, em um m ovim ent o que, ao desnaturalizar o pensam ento, diferentes facetas da nossa experiência de viver possam aparecer, possibilitando revisar e suspender as certezas absolutas. A vida, quando invertida, nos faz ver ao contrário, ao revés, por cim a e por baixo, o que pode inaugurar um novo destino, um novo rum o. Onde apenas se esperava dor e angústia, pode brilhar o riso. O cam inho que se pode trilhar através do hum or, perm ite ao suj eito aliviar- se do tédio do cotidiano, ao criar um estado de graça que alivia as desgraças.

Driblar o pânico, espantar os m edos, aliviar as angústias, “ olhar a vida pelos binóculos do riso” , integrar as m áscaras, gerar potência e alegria onde poderia produzir- se dor, aceitar que a verdade é parcial, cultivar e m im ar o espírito, m anter a capacidade de brincar e construir a realidade.

No hum or, há paródia de si m esm o, e com ela, se estabelecem as distinções. A liberdade do pensam ento conferida pelo hum or faz com que as idéias dêem piruetas, chacoalhem os ânim os, desatem as am arras, escandalizem as censuras. Um novo estilo pode surgir, com a incorporação dos paradoxos e a produção a partir deles.