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Grunneier- og partssammensatte verneområdestyrer

1.2 B AKGRUNN FOR NASJONALPARK - OG VERNEOMRÅDESTYRER

1.2.1 Grunneier- og partssammensatte verneområdestyrer

No capítulo, A clínica bem hum orada, pudem os transitar entre os diferentes espaços analíticos, sej a na poltrona do analista ou no divã do analisando, diga- se de passagem , um a dinâm ica absolutam ente coerente com a tem ática do hum or. Os diferentes autores convidados para esta conversa nos ilum inaram com suas singulares reflexões e versões do m esm o. Pudem os inclusive, delinear com m aior nitidez, de que form a o hum or se faz presente para cada um destes analistas. A intrínseca articulação entre hum or e riso foi desvendada, segundo a fundam entação de que o hum or está m ais além do que um a piada, poderíam os dizer que é um estado de espírito.

Para se ter um m aior aprofundam ento da form a em que o desenvolvido teoricam ente ocorre na prática, conversarem os com alguns autores que abordam a questão. Resgatarem os fragm entos de casos clínicos apresentados na bibliografia utilizada na pesquisa, assim com o os obtidos diretam ente em entrevistas com analistas. A partir destes, poderem os realizar análises que enriqueçam e afinem nosso olhar em relação aos efeit os do hum or, diant e do que viem os desenvolvendo at é o m om ento.

Maria Stela de Godoy Moreira ( 2006) assinala, em seu texto Função

integrativa do hum or, que a aplicação do hum or na clínica psicanalítica é

um a proposta controvertida para m uitos, pois este recurso oferece um a grande am plitude de efeitos para os suj eitos. Diante desta constatação, a autora afirm a que m uitos psicanalistas operam essa ferram enta de m aneira cautelosa ou até m esm o cética, no tem or de despertar o oposto do que desej am , sendo esta, um a rigorosa resistência. Apóia a aposta de Slavutzky ( 2005) , segundo a qual se acredita que profissionais enrij ecidos diante às exigências do enquadre hesitam em esboçar risos e m uito m enos gargalhadas, tem endo contam inar ou prej udicar a transferência, perdendo com isso, a possibilidade de se aproveitar dos positivos efeitos do hum or.

Entretanto, a psicanalista acredita que a utilização do hum or na clínica “ cria condições necessárias à reorganização da constelação psíquica

do paciente, porque m odifica o teor das identificações introj etivas e proporciona ao analisando novas possibilidades de relação obj etal” ( Moreira, 2006, p.95) . I dentifica em sua prática clínica que os efeitos do hum or evoluem com o se um nível em ocional m ais profundo tivesse sido alcançado, em que, quando o riso é despertado, um tipo de ativação intrapsíquica é ativado, podendo perm anecer até a próxim a sessão. Apresenta em seu texto a seguinte vinheta clínica:

I chtus, de 19 anos, queixa- se de dificuldades para com preender o que lê e de sua m em ória fraca. Não consegue se expressar: observo pausas freqüentes em que perde o fio da m eada, as frases são incom pletas e reticentes. Som ente no decorrer da análise consigo organizar os dados esparsos de sua história.

I chtus desistiu de estudar e passava os dias deitado, no quarto, sem ler e sem ouvir m úsica. A única coisa pela qual se interessava eram os peixes, estando corretam ente inform ado sobre os nom es científicos, dados de alim entação e procriação. Desde nossos prim eiros encontros, fala com um a voz m onótona sobre tópicos fragm entos que não seguem qualquer lógica ou seqüência tem poral.

Durante o trabalho se perm itia sentir de tal m aneira desconectado, que eu m e sent ia confusa e sonolent a, com o se t am bém estivesse isolada e subm ersa em águas profundas. I chtus não respondia às m inhas interpretações. Depois de dois m eses de análise ele se tornou ainda m ais quiet o, at é que t ivem os som ent e sessões silenciosas, nas quais ele perm anecia fora de contato, im óvel e rígido. ( ...) [ Em um a das sessões] , I chtus veste um a cam iseta da m esm a cor que a blusa que estou usando. Essa coincidência m e fez lem brar um tipo de peixe colorido que eu havia observado num a loj a perto do m eu consultório, cham ado “ crom ato- pélvis” e considerado m uito bonito devido à sua pélvis verm elha. Depois de quarenta m inutos de silêncio, um a im agem insólita surgiu na m inha m ente: parecem os dois peixes m udos num aquário. Se eu lhe “ em prestasse” a m inha cabeça, será que ele falaria com igo? Decidi então em pregar esse recurso bem rudim entar, m etoním ico, para m e dirigir a ele e disse sorrindo:

- Parecem os dois “ crom at o- t órax” , com nossas cam isas verm elhas.

A ilustração deste caso m ostra- se especialm ente rica para o encam inham ento de nossas reflexões, um a vez que traz em si diversos aspectos dos quais estam os abordando: um a das prim eiras características que se destaca, quando vam os analisar m ais profundam ente o caso, é que a analista, para elaborar seu chiste, apropriou- se de um a tem ática que estava absolutam ente articulada com os parâm etros transferenciais daquela exclusiva relação terapêutica: a linguagem e os interesses que nela circulam . A produção do com entário hum orístico surgiu com o produto da construção daquele encontro e dificilm ente se poderia aplicar a outra circunstância, ou m esm o a outro paciente. O que enfatizo é que a piada encontrou pertinência naquele específico contexto, isto é, a iniciativa para realizar o com entário surgiu de um a “ coincidência” , devido ao fato de estarem am bos com cam isetas verm elhas, o que lhe rem eteu a lem brança dos peixes com sim ilar pélvis. Sua fala considerou e reconheceu o suj eito que estava diante de si, não era um com entário qualquer, m as sim , um a piada elaborada, alinhada com o cenário e suas personagens.

No relato, é interessante notar que a iniciativa de apresentar este chiste surgiu da inquietação da própria analista diante do constante e interm inável silêncio. Surge, assim , da analista em direção ao analisando, entretanto, em sua form ulação, ela está absolutam ente im plicada, isto é, a piada designa- se a dois peixes no aquário, e não apenas um , não apenas a um a referência ao paciente. A analista, aparentem ente, não tem e m ergulhar no aquário e ocupar a m esm a cena que seu paciente. Sua intervenção não aparece descolada e desconectada da situação que se evidencia, pelo contrário, ela com parece em sua interpretação, poderíam os sugerir, que ela se propõe estar “ em outro lugar” , rir de si, para então, tam bém oferecer outro lugar a seu paciente. A posição séria e inflexível, com batida por alguns dos autores que lem os anteriorm ente, aqui não se configura, um a vez que ela se dispõe “ se m olhar” , “ sair do terreno seguro” e provocar algum m ovim ento na cena paralisada. Esta postura coincide plenam ente com o que André Com te- Sponville ( 1995) apresenta no livro Pequeno tratado das grandes virtudes: “ o hum or ri de

si, ou do out ro com o de si, e sem pre se inclui, em t odo o caso, no disparate que instaura ou desvenda” ( p.232) .

Finalm ente, com o ela bem diz, aplicou um recurso bastante rudim entar, um a divertida brincadeira com as palavras, dizendo crom ato- tórax, ao invés de crom ato- pélvis: “ na m etoním ia, a base para a subst it uição não é a sem elhança subent endida entre o sentido próprio e o figurado; é resultado da analogia e do deslocam ento entre palavra em um a relação seqüencial, pela substituição de sons ou im agens adj acentes ou contíguas” ( Moreira, 2006, p. 98) . É possível levantar a hipótese de que a intervenção bem hum orada teve com o efeito abrir o cam po sim bólico e perm itir outras associações. Diante da leve m odificação de palavras, a analista im anta seu paciente, um a vez que reconhece a presença da pélvis entre eles. A interpretação assum e um teor vital.

Supom os, então, que a leve m odificação das palavras, pode ou não, ter causado algum efeito. Aliás, com o será que o paciente reagiu à piada? Será que gargalhou, será que se ofendeu, será que se m anteve estagnado? Será que a analista quando arriscou sua piada previa a reação? Poderem os conferir no trecho seguinte:

Apesar de I chtus perm anecer em silêncio, pude observar, algum as sem anas m ais tarde, que m inha intervenção foi eficiente ( ...) pois propiciou o início de um a conversa e, m ais tarde, de um sonho. ( ...) Um a coisa dita hoj e, pode ter efeito um a sem ana ou m eses depois. Fragm entos desse m om ent o, dispersos no espaço, surgem num a sessão post erior em que descreve ver, na sala onde estávam os, peixes com cara brava e cheios de dentes grandes na boca aberta. ( ...) Mais um a vez tom o a palavra e relem bro o que ele j á m e falou inúm eras vezes sobre o crom ato- pélvis, que, quando assustado, “ com e os filhotes” . Então ele chega à conclusão: “ é necessário transferir o pai para outro aquário” .

Um a estrondosa risada não pôde ser observada, nem m esm o um a aparente ofensa por parte do paciente. Mas, certam ente, não perm aneceu a paralisia: a analista, ao averiguar os efeitos de sua intervenção, observa que os m edos de seu paciente dim inuíram , ele retom ou a fala, contando

que sua m ãe e ele tiveram que fugir da casa de seu padrasto, pois tem iam pelas suas vidas.

Poderíam os dizer que o paciente respondeu à piada? Que ela teve efeit os sobre ele? Seria difícil negar. Talvez não t enha sido com um a risada, m anifestação m ais com um e não tenha sido im ediato. Mas o efeito é explicito. A noção tem poral, neste paciente, não pode ser m edida pelo t em po cronológico e, est e fat o t am bém foi reconhecido pela analist a, quando ela avalia que sim , sua piada teve efeito, apesar da resposta apenas chegar após algum as sessões. Neste contexto, o que seria então o hum or?

Despropósit o que est abelece ligações ent re elem ent os habit ualm ent e desunidos, invert e deliberadam ent e um a relação ent re fat os, valores ou preposições, exagera a realidade exist ent e at é o paradoxo ou o insólit o, coloca problem as e m ét odos cont rários ao bom senso ou lógica. ( ...) Hum or com o pont e ou rupt ura pode ser ut ilizado com int uição e sensibilidade clinica pelo analist a, criando um a nova abert ura para a curiosidade e para a dúvida, aum ent ando a t olerância à frust ração e desenvolvendo as possibilidades do pensam ent o ( Moreira, 2006, p. 94) .

A seguinte vinheta clínica, recolhida a partir de entrevista com um psicanalista, ilustra brilhantem ente os efeitos do hum or enquanto potência de provocar um distanciam ento da situação dolorosa e possibilitar novos olhares sobre a m esm a:

Tenho um a analisanda, um a j ovem m ulher, que passou por perdas fortes, sobretudo a m orte do pai quando tinha quatro anos, além de outras perdas im portantes na fam ília. Essas, que m arcaram a m ãe, o próprio pai, enfim , ela tem um a história fam iliar bastante trágica e traz um fundo m elancólico m uito forte. Ela inicia todas as sessões com a apresentação de um a dor m uito intensa. Ela tinha um proj eto profissional

para sua vida, que im plicava um a prova, e nesta fracassou. Em várias situações da vida ela se vê fracassada. Um fracasso cultivado de um m odo m uito cruel.

A paciente fala dessa dor, que traz um fundo m elancólico forte. Na relação com ela, quando o hum or em erge, porque isso não é um a coisa deliberada, não é um a técnica que eu digo – “ vou usar o hum or, vou ser engraçadinho agora” . Entretanto, quando se apresenta, a analisanda consegue ficar um pouquinho m ais nôm ade, sair de um a posição totalm ente unívoca, consegue abandonar por algum tem po a versão construída do fracasso.

Devido aos rigores éticos psicanalíticos quanto ao sigilo dos relatos de casos clínicos, nesta tem os um a m enor am plitude de detalhes, entretanto, igualm ente valiosa. Este vinheta nos contem pla com um a característica que extensam ente desenvolvem os na parte teórica, porém que ainda não havia sido explicitam ente apresentada na prática. Esta se refere ao descolam ento e distanciam ento que o hum or propõe em situações que há um a paralisia na posição dram ática e um a atrofia na elaboração sim bólica do suj eito.

Com o relata o analista, “ ela inicia todas as sessões com a apresentação de um a dor m uito intensa” , a breve descrição nos evidencia que esta j ovem teve um percurso m arcado por intensas dores e perdas. A dim ensão traum ática que acom ete os suj eitos e que vem a ocupar a com pletude do espaço psíquico im possibilita que outros sentidos sej am atribuídos, ao reconhecer estritam ente o doloroso. A paralisia da ordem psíquica é desorganizadora, j ustam ente porque o suj eito não consegue contorná- la através da palavra.

A escuta e a palavra inauguram a possibilidade de um a dialética, ao se construir um a necessária distância da em ergência. A busca pela análise é em si, um a grande predisposição para que um novo circuito psíquico se instale, para tornar- se possível o resgate da subj etividade e a integração do indivíduo. Entretanto, é necessário um em penhado trabalho de am bas as partes para que o relato dram ático possa ser reconhecido e substituído por outros m eios de enfrentam ento. Apesar de não descrever de quais

form as, explicitam ente, o hum or se apresentou, o analista afirm a que, a partir dele, a paciente pôde se im aginar em outros lugares que não os fundadores de sua condição sofrida. Mesm o que por apenas alguns instantes, o traj e dram ático foi substituído por outro m elhor hum orado e vital.

Quando o hum or se apresenta “ a analisanda consegue ficar um pouquinho m ais nôm ade, sair de um a posição totalm ente unívoca, consegue abandonar por algum tem po a versão construída do fracasso ( ...) cultivado de um m odo m uito cruel” . A própria interpretação em butida na fala do analista, j á é em si, um a afirm ação do que vínham os desenvolvendo teoricam ente, quanto à possibilidade do hum or, inverter, subverter e transform ar a realidade estagnada e concreta do sofrim ento.

Com o descolam ento das defesas, novos canais são abertos para a circulação do dircurso, para o reconhecim ento de outras possibilidades de ser, de estar e de se relacionar consigo próprio e o m undo que o circunda. A “ desdram atização discursiva” , term o utilizado por Birm an ( 2005) , esvazia o teor fatal da am argura, provoca um desengano na paralisia da ordem psíquica e da escassez sim bólica. A capacidade de ver a porta de saída da posição dram ática, m esm o que pelo rápido intervalo de um a graça ou de um a risada, é o ‘estopim ’, é o com eço fundam ental para entrada em outra posição psíquica. Rir de si m esm o é por si só, o certificado de que a ordem sim bólica foi m obilizada. I dentificam os neste relato, a potência libertária conferida ao hum or, na qual, o suj eito ganha asas, se apropria do discurso e pode se desatar das rígidas am arras da posição psíquica im posta. Suas verdades absolutas podem ser refutadas e revistas. Através disso, sua visão pode se estender para além do estabelecido.

A im portância da contextualização da piada ou do com entário hum orístico tam bém foi destacada pelo psicanalista, quando diz: “ não é um a coisa deliberada, não é um a técnica que eu digo – vou usar o hum or - vou ser engraçadinho agora” . Com o vim os com Moreira ( 2006) , a fala do analista deve estar encadeada, ou até m esm o enraizada, no singular universo de cada analisando. Não pode ser aplicada invariavelm ente, descolada de seu contexto. O im pacto do com entário, os m últiplos

significados que podem ser criados, reinventados e renovados, assim com o os deslizam entos de sentido, m ais se potencializarão, quanto m ais proxim am ente estiverem relacionados com a vida psíquica do paciente, assim com o ocorre em qualquer interpretação do analista.

A predisposição por parte da paciente diante da busca pela análise, m encionada há pouco, é fundam ental para que a fala do analista possa atravessar a barreira da resistência e penetrar a psique da analisanda. Supõe- se que m uitas são as tentativas de interpretações, nem todas recepcionadas ou com preendidas pelos pacientes. I nclusive, pois, estar em análise não é o suficiente para provocar m ovim entos na regulação psíquica. Faz- se necessário um a im plicação no processo. O desafio é posto tam bém diante do analista, caso este considere que, lançar despropositadam ente interpretações, fará com que aquele que se recosta no divã, cam inhe em suas elaborações.

Am bos os casos apresentaram os aspectos fundam entais para que um a pertinente análise da inferência do hum or na vida psíquica dos suj eitos sej a realizada. Apesar de nos sustentarm os a partir da observação que os analistas fazem de seus pacientes, seus relatos, nos perm item fazer as articulações entre a conceituação teórica do hum or e sua incidência na prática. Ao focar algum a das intervenções dos analistas e respostas dos pacientes, pudem os identificar o que vínham os apontando teoricam ente até aqui.

O desafio que é proposto para adiante é afinar a ótica dos ditos hum orísticos aos outros am bientes pelos quais os indivíduos circulam , isto é, nos distanciarem os do setting clínico, para averiguar quais são os reflexos dos recursos hum orísticos no cotidiano da sociedade e de seus habitantes.