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Verneområde

In document og og Fjordane med Norges (sider 18-0)

1.3 Arealopplysningar

1.3.3 Verneområde

A discussão teórica realizada neste estudo conduz a constatação que as organizações do terceiro setor sofrem demandas em variados níveis e de diferenciados públicos.

Por parte do público beneficiário a demanda está na qualidade e quantidade dos serviços prestados, na atualização destes serviços de acordo com a dinâmica e as mudanças da sociedade, na eqüidade na distribuição dos serviços e benefícios, nos espaços de participação e deliberação conjunta, entre outras.

Para os que apóiam financeiramente, sejam financiadores públicos ou privados, estas têm o dever de prestar contas, apresentar bom desempenho e resultados, mostrar idoneidade no uso e gestão dos recursos. Aliadas a estas, surgem as demandas para a qualificação e profissionalização da gestão.

Aos que labutam em seus projetos, sejam efetivos ou voluntários, as organizações do terceiro setor devem prestar contas dos serviços e recursos, possibilitar a participação na gestão, no processo decisório, enfim gerenciá-los de maneira tal que não percam o entusiasmo, a motivação, e para isto se faz necessário manter vívidos os valores, princípios, ideais pelos quais as pessoas são atraídas e desafiadas ao trabalho.

Na relação com os outros setores – estatal e privado a demanda apresentada às organizações do terceiro setor é para que estas assumam seu papel de fiscalizadoras e denunciadoras de situações injustas que coloquem em risco e a dignidade do ser humano,

tornando-o vulnerável às ações ou omissões do estado ou do mercado. São exigidas também que atuem como propositoras ativas de políticas sociais, econômicas que resgatem e garantam a construção da cidadania para todos, além da participação na co- produção do bem comum.

As respostas a estas demandas configuram a responsabilidade social das organizações do terceiro setor. Sua efetivação passa necessariamente pela forma com estas estão estruturadas, como elas se relacionam com seus diversos públicos e por fim qual a postura das mesmas no que diz respeito ao acompanhamento e avaliação de suas ações.

A análise destas três configurações, tendo como referencial a concepção da accountability a partir da Abordagem de Orientação, portanto voltada para valores e num nível de responsabilização, atendimento de expectativas, deverão gerar as categorias pelas quais será analisada a organização AEBAS escolhida para o estudo de caso proposto no presente trabalho.

Nesta altura do trabalho busca-se atender ao problema de pesquisa à medida que se propõe a averiguação das características de accountability, que podem ser encontradas na organização pesquisada, e quais as estratégias utilizadas por esta para ser accountable. Atende-se também ao objetivo geral e a um dos seus objetivos específicos: Definir categorias de análise que possibilitem a identificação de características de accountability e suas estratégias de implantação.

Para a definição das categorias de análise se destacaram, do referencial teórico anteriormente trabalhado, duas concepções consideradas de maior relevância cujo entendimento é fundamental para o fim proposto.

A responsabilidade social é vista como a postura que as organizações do terceiro setor assumem frente às demandas da sociedade no sentido de atender às expectativas postas sobre seu trabalho, e como interlocutoras frente às ações e omissões do estado e do mercado nas situações que fragilizam a vida e a sobrevivência do ser humano e de seu ambiente , e que possam constituir em ameaça à construção e ao resgate da cidadania, (BEJAR, 2002; GIACOMAN e OPAZO, 2002; MELO NETO e FROES, 2005; QUEIROZ, 1999; SOCZEK, 2003; SROUR, 2000; STALSETT, 2003).

Uma das maneiras das organizações do terceiro setor serem socialmente responsáveis, se dá por meio do desenvolvimento de mecanismos de accountability, tema que no contexto deste trabalho está sendo estudado a partir da Abordagem de Orientação, (ETZIONE, 1998), a qual baseia-se numa variedade de forças, tendo como propulsores a ética da responsabilidade e da convicção (WEBER,1997), vivenciadas a partir de princípios e valores (SROUR,2000; RAMOS, 1983), que embasam a postura dos gestores destas organizações no sentido de serem accountables.

A partir desta matriz teórica, e tendo como referenciais para análise da organização pesquisada, “As Características das Organizações do Terceiro setor”, elaboradas a partir de Hudson (1999), Nanus e Dobbs (2000) e Tenório (1999) nas seguintes categorias: estrutura das organizações, a relação com o público interno e externo, o processo de acompanhamento e avaliação do trabalho, buscar-se-á identificar as características de accountability, e quais as estratégias adotadas pela organização no sentido de ser accountable. Para tanto serão utilizados os seguintes quadros aos quais, após a pesquisa de campo e estudo de caso serão agregadas as informações obtidas para a elaboração da síntese final.

Estrutura das Organizações

A estrutura de uma organização pode ser entendida como a configuração pela qual esta realiza suas funções, regulamenta suas relações internas e externas e por fim, como se configura o contexto onde é exercido o poder e a tomada de decisões, (HALL, 1984, HATCH, 1997).

Nas organizações do terceiro setor, a estrutura, de acordo com os autores pesquisados, apresenta uma série de especificidades que as diferenciam das organizações burocráticas ou mercantis. Sua definição é fortemente influenciada por valores e princípios tais como: horizontalidade, participação, igualdade, liberdade, compromisso, flexibilidade, os quais constituem as características pelas quais será analisada a estrutura da organização pesquisada no estudo de caso, conforme exposto no quadro abaixo.

Categoria Características nas Organizações do Terceiro Setor segundo Hudson, Nanus e Dobbs, e Tenório

Características desejáveis de accountability numa Abordagem

de Orientação

Estrutura das Organizações

- Há presença forte do trabalho voluntário;

- Estrutura administrativa complexa; - Estrutura informal, poucas normas e procedimentos escritos;

- Ágeis na tomada de decisão;

- A divisão de funções e papéis não é clara;

- As pessoas têm motivações múltiplas, com interesse e idéias diferenciadas

- Os Valores são compartilhados e motivadores da ação. - Horizontalidade - Participação - Igualdade - Liberdade - Compromisso - Flexibilidade

Figura 4. Parâmetro para análise da Estrutura das Organizações. Elaborado por: Maciel, W.L.S.

A partir da configuração de sua estrutura, a organização estabelece a forma como se processará sua relação com o público interno e externo, categoria que passa a ser analisada no próximo item.

Relação com o Público Interno e Externo

As organizações são realidades socialmente construídas (BERGER e LUCKMAN, 1998; ZANELLI, 2002,), e a existência social e organizacional acontece a partir das interações humanas, um processo permanente de ações, reações e interações nas quais são envolvidas as pessoas, grupos e as organizações, conferindo a esta última sua concretização e existência.

A relação de uma organização do terceiro setor com os seus públicos, à medida que é baseada na ética de convicção ou na ética da responsabilidade, deverá contemplar, por parte de seus administradores, colaboradores efetivos ou voluntários, uma postura pautada por princípios e valores. Considerando a diversidade destes, e para facilitar e centrar a análise ora proposta, foram definidos cinco valores os quais identificarão as características desejáveis de accountability numa abordagem de orientação. São estes: responsabilidade, transparência, honestidade, eqüidade e solidariedade

Categoria

Características nas Organizações do Terceiro Setor segundo Hudson, Nanus e Dobbs, e

Tenório

Características desejáveis de accountability numa Abordagem

de Orientação

Relação com o Público Interno e Externo

- Os gestores são responsáveis perante muitos patrocinadores;

- Atraem muitas pessoas para seu interior;

- Tratam de diferentes causas para diferentes públicos;

- Fazem a ponte da rede do serviço entre os setores público e privado; - São muito sensíveis às mudanças do ambiente externo

- São extremamente demandadas procurando atender a todas as exigências; - responsabilidade, - transparência, - honestidade, - eqüidade. -solidariedade

Figura 5. Parâmetro para análise da Relação com o Público Interno e Externo Elaborado por: Maciel, W.L.S.

Estes princípios e valores serão o aporte que trarão concretude ao trabalho desenvolvidos pela organização, e deverão estar presentes na relação que esta estabelece com todos os seus stakeholders, seja na distribuição de bens e serviços ao seu publico beneficiário, na relação estabelecida com seus colaboradores efetivos ou voluntários, com seus associados e apoiadores financeiros, seus parceiros na execução do trabalho, ou na relação que se estabelece com a estrutura do estado e do mercado.

Processo de Acompanhamento e Avaliação do Trabalho

O processo de acompanhamento e avaliação é fato recente na vida das organizações do terceiro setor (ANSOFF, 1983; GOHN, 1998). Constitui um desafio dado seu caráter recente, a falta de metodologias apropriadas, e ao fato que as realizações destas organizações possuem caráter altamente subjetivo e de longo alcance (DRUCKER, 2002).

A definição de uma metodologia de acompanhamento e avaliação das ações, ou de aferição de resultados constitui um verdadeiro desafio, pois a lógica instrumental, predominante nesta área, na maioria das vezes confronta com a lógica mais substantiva que molda a gestão das organizações do terceiro setor. Diante disto, a definição de com serão medidos os resultados, quais são os indicadores a serem considerados, devem ser considerados à luz de alguns princípios e valores, os quais irão constituir as características

desejáveis num processo de acompanhamento e avaliação do trabalho na organização pesquisada, o que pode ser observado no quadro abaixo.

Categoria

Características nas Organizações do Terceiro Setor segundo Hudson, Nanus e Dobbs, e

Tenório

Características desejáveis de accountability numa abordagem

de orientação

Processo de Acompanhamento e Avaliação.

- Objetivos vagos;

- Objetivos motivados por valores deixando espaço para criatividade, inovação e intuição;

- Não tem clareza quanto à missão e portanto tem dificuldade de fixar objetivos;

- As realizações raramente são exatas, possuem caráter mais subjetivo difíceis de serem quantificadas; - Desempenho difícil de monitorar; - O sucesso não é avaliado pelo lucro mas em termos de “bem social”; - O trabalho realizado apresenta dificuldade para ser avaliado seja pelo efeito a longo prazo ou pelo caráter mais qualitativo;

- Nível de participação na definição de objetivos;

- Nível de participação na definição de indicadores;

- Compromisso na divulgação dos resultados;

- Transparência na veiculação dos resultados

Figura 6. Parâmetro para análise do Processo de Acompanhamento e Avaliação Elaborado por: Maciel, W.L.S.

Definidos os quadros e parâmetros de análise, passa-se ao capítulo seguinte desta dissertação, no qual constará a contextualização da organização pesquisada sua história e trajetória, bem como a identificação de suas características de accountability bem como a identificação e descrição das estratégias adotadas pela organização no sentido de ser accountable.

In document og og Fjordane med Norges (sider 18-0)