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Autores: Rebecca Baumgartner¹, Aline Andretta¹, Ana Claudia Almeida Ferreira¹, Talita Cestonaro², Deise Regina Baptista²
Autora principal da pesquisa: Rebecca Baumgartner. E-mail: [email protected]
Instituição: O trabalho foi realizado na Unidade Endocrinológica Pediátrica (UEP) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR)¹, Endereço: Rua General Carneiro, 181 – Centro, Curitiba – PR e Universidade Federal do Paraná (UFPR) ², Endereço: Av. Pref. Lothário Meissner, 3400 - Jardim Botânico, Curitiba – PR.
Resumo: O tratamento da diabetes mellitos tipo 1 envolve o acompanhamento nutricional a fim de melhorar o controle da doença. O objetivo deste estudo foi avaliar a ingestão de fibras alimentares de pacientes com DM1 e verificar se existe relação com o sexo e a HbA1c. Foram avaliados 238 prontuários de crianças e adolescentes atendidos ambulatorialmente na Unidade Endocrinológica Pediátrica (UEP) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR) considerando idade, sexo, consumo alimentar e exames laboratoriais da última consulta nutricional. Verificou-se que a ingestão de fibra alimentar está inadequada na grande maioria dos pacientes, assim como os valores de HbA1c. Não houve dependência entre as variáveis analisadas. Conclui se que é necessário um melhor acompanhamento nutricional para estímulo da ingestão de fibra e controle da ingestão de carboidratos simples a fim de proporcionar melhora do tratamento da doença.
Palavras-chave: Diabetes Mellitos tipo 1; fibras na dieta; crianças; adolescentes.
Introdução: A IDF (International Federation of Diabetes) revela que em 2010 haviam aproximadamente 479,6 mil crianças com Diabetes Mellitos do tipo 1 (DM1). Estima-se que 75,8 mil novos casos são diagnosticados por ano (1).
O tratamento da doença envolve acompanhamento nutricional para adequação do fracionamento e da composição das refeições de acordo com as necessidades individuais a fim de evitar a hiperglicemia após a alimentação e a hipoglicemia entre as refeições (2,3).
A Associação Americana de Diabetes (ADA) recomenda que portadores de diabetes devem ingerir a mesma quantia de fibra alimentar que a população em geral: 14g/1000 Kcal, mas reporta que uma dieta rica em fibras (50g/ dia) é capaz de controlar a glicemia em indivíduos com DM1 (2). A adição de fibras solúveis na dieta é capaz de reduzir o esvaziamento gástrico e o tempo de absorção de glicose no intestino contribuindo para o controle glicêmico pós prandial. Por isso, é encorajada a ingestão de quantidades de fibras alimentares superiores aos da população em geral (25- 50g) (4). Alimentos ricos em fibras alimentares são sugeridos como fonte principal de carboidratos na alimentação de diabéticos, de acordo com a Associação Européia de Estudos de Diabetes (EASD) (5).
Um estudo relacionando a ingestão de carboidrato e fibra alimentar, apontou que dietas com alto valor de fibra alimentar e carboidrato quando comparadas com dietas pobres em fibras alimentares e quantidade moderada de carboidrato, são capazes de reduzir os valores de glicose pós-prandial, média dos valores de glicemia, hemoglobina glicosilada (HbA1c), colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos (6).
Desta forma a proposta do presente estudo é avaliar a ingestão de fibras alimentares de pacientes com DM1 e verificar se existe relação com o sexo e a HbA1c.
Metodologia: Estudo retrospectivo com análise dos prontuários de pacientes portadores de DM1, com idade de 2 a 17 anos, de ambos os sexos, acompanhados na Unidade Endocrinológica Pediátrica (UEP) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR). O estudo foi autorizado pelo Comissão de Ética do HC-UFPR (2229.123/2010- 06) e está de acordo com a Declaração de Helsinque.
Foram avaliados 238 prontuários considerando idade, sexo, consumo alimentar e exames laboratoriais da última consulta nutricional. O consumo alimentar foi obtido através da história dietética relatada na última consulta nutricional, o consumo de fibra alimentar (FA) foi analisado pelo programa Avanutri. O consumo adequado de FA e a avaliação da HbA1c foi estabelecido de acordo com o preconizado pela ADA (3).
Para a análise estatística foram utilizados os softwares “The R Project for Statistical Computing” versão 2.13.0 e Excel 2010. Para verificar a dependência entre as variáveis qualitativas utilizou-se o teste Qui-quadrado. Todos os dados são apresentados como Média ± Desvio Padrão. Em todos os testes foi adotado o coeficiente de significância p<0,05.
Resultado e Discussão: A amostra final foi composta por 156 prontuários de indivíduos com DM1, foram excluídos 82 prontuários da pesquisa por apresentarem falta de informações necessárias e comorbidades associadas. A grande maioria 60,25% (n=94) era do sexo feminino e a idade média foi de 10,31±3,45 anos. A média de ingestão de FA foi de 16.28g ± 7.48 e de HbA1c foi de 9.55% ± 2.19. Os valores de HbA1c estavam inadequados em 94,23% (n= 148) e a ingestão de FA em 87.18% (n= 136). O teste Qui-quadrado relevou que não existe dependência entre ingestão de FA e HbA1c (Tabela 3).
Conclusão: A ingestão de fibra alimentar está inadequada na grande maioria dos pacientes, assim como os valores de HbA1c. Apesar destas duas variáveis não apresentarem relação entre elas, verifica-se a necessidade de um melhor acompanhamento nutricional para estímulo da ingestão de fibra e controle da ingestão de carboidratos simples, devido a alta média de HbA1c encontrada. Mais estudos são necessários para verificar a adequação de carboidrato, uso de medicamentos e HbA1c em pacientes ambulatoriais.
Agradecimento: À Unidade Endocrinológica Pediátrica (UEP) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná HC-UFPR) por permitir o acesso as informações necessárias a esta pesquisa.
Referência:
1. International Diabetes Federation. The Diabetes Atlas. Fourth Edition. Diabetes in the Young: a Global Perspective. [ acesso em 15 mai. 2011]; 2009. Disponível em:
<http://www.diabetesatlas.org/content/diabetes-young-global-perspective>.
2. American Diabetes Association. Nutrition recommendations and interventions. Diabetes Care. 2008 Jan.; 31(1): 61-78.
3. Giacco R, Parillo M, Rivellese AA, Lasorella G, Giacco A, D'Episcopo L, Riccardi G.: Long-term dietary treatment with increased amounts of fiber-rich low-glycemic index natural foods improves blood glucose control and reduces the number of hypoglycemic events in type 1 diabetic patients. Diabetes Care. 2000; 23: 1461–66.
4. Canadian Diabetes Association. Canadian Diabetes Association 2008 Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Management of Diabetes in Canada. Canada: Canadian Journal of Diabetes. 2008 Sept.; 32(1): 17-19.
5. The Diabetes and Nutrion Study Group (DNSG) of the European Association for the Studyof Diabetes (EASD). Recommendation for the nutritional management of patients with diabetes mellitus.Eur J ClinNutr. 2000; 54: 353-55.
6. Anderson JW, Randles KM, Kendall CWC, Jenkins DJA. Carbohydrate and Fiber Recommendations for Individuals with Diabetes: A Quantitative Assessment and Meta- Analyses of the Evidence. Toronto: J Am CollNutr. 2004 Feb.; 23: 5-17.